sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Céu do mês – Junho 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Junho de 2012 certamente será um mês marcado por muitos anos na história da astronomia pela ocorrência dos importantes fenômenos celeste que ocorrerão nesta época. Essa certeza ficará óbvia quando rapidamente apreciarmos a tabela dos eventos que irão ocorrer visto: a importância, raridade e beleza plástica, que envolverão a dinâmica destes acontecimentos. Então o aspecto do céu de junho tornar-se-á a moldura ideal onde o brilhante Vênus, fará um conjunção com Mercúrio dentro em breve que veremos na constelação de Taurus; um Eclipse parcial da Lua visível no oceano Pacífico, o Trânsito de Vênus pelo disco do Sol que poderá ser observada em grande parte da superfície do mundo e culminando com toda essa agenda, a chegada do Solstício (Verão no Hemisfério Norte e Inverno no Hemisfério Sul), poderá coroar um período de grandes observações astronômicas.



Alinhamento planetário de Mercúrio e Vênus

Já no anoitecer deste dia 01, os planetas Mercúrio (mag. -1.7) com elongação de 5.9° e Vênus (mag. -3.9) com elongação de 7.8°; alinhar-se-ão, instantes antes de seu ocaso numa conjunção bastante serrada; Isso poderá ser apreciado na linha do horizonte no sentido oeste, mas ambos estarão mergulhados na luz do crepúsculo vespertino, visto que o Sol deverá ter realizado seu ocaso neste dia cerca de 23 minutos antes de Vênus também desaparecer no horizonte.


Essa pequena e rápida janela observacional deve estar ainda bem comprometida pelo alto nível da poluição atmosférica, que é mais contrastada com as cores crepusculares naquela área do céu.

Eclipse parcial da Lua

O primeiro eclipse da Lua neste ano será parcial (tabela 2) e os observadores localizados no oeste do Oceano Pacífico na costa oeste das Américas poderão acompanhar a lua parcialmente eclipsada no ocaso.

Já o leste asiático não acompanhará o seu início, mas todos aqueles observadores que estiverem localizados nas ilhas do pacífico, Austrália e regiões adjacentes poderão acompanhar todo o fenômeno. (figura 3).

Trânsito de Vênus pelo disco do Sol

A exemplo do que ocorreu no último trânsito em 2004, no dia 05 (Hemisfério Oriental) para 06 de junho (Hemisfério Ocidental) próximos, teremos novamente a passagem de Vênus pelo disco solar. Uma grande proporção de observadores espalhados pelo planeta poderão acompanhar esse evento, conforme sua localização geográfica nos horários descritos na figura 4.

O TRÂNSITO OCORRE NO POENTE = América do Sul, América Central, Ilhas da Região do Caribe e América do Norte. Países: Colômbia, Equador, Venezuela, Panamá, Guatemala, Honduras e países da região caribenha, México, EUA e Canadá.

Nota (1): No Brasil o evento somente é visível com o Sol no ocaso no estado do Acre (inclusive a capital Rio Branco) e oeste do estado do Amazonas.

Nota (2): No norte da América do Norte, na Colúmbia Britânica, grande maioria do território noroeste do Canadá e sul da Groenlândia, o evento será visível em sua totalidade.

O TRÂNSITO OCORRE NO ZÊNITE = Pacifico ocidental (Inclusive o Hawai - EUA), leste da Ásia e da Austrália, Nova Zelândia, Tasmânia e região da Polinésia.
O TRÂNSITO OCORRE NO NASCENTE = Europa, Ásia central e ocidental, leste da África e da Austrália Ocidental.

Solstício de Junho

Este ano, o inverno no hemisfério sul, terá seu início em 20/06/2012 às 23:05 (UTC); a duração desde período será de 92,75 dias quando então as condições de observação do céu (no hemisfério sul) são extremamente favoráveis, visto que as condições climáticas não se modificam com tanta frequência. Assim esperamos (a exemplo dos anos anteriores) que as noites sejam límpidas e bastante proveitosas, sob o ponto de vista observacional.

Planetas!

Mercúrio = Como Mercúrio chegou à constelação de Taurus no dia 21 do mês anterior, ele permanecerá ali (formando o alinhamento planetário com Vênus) até o dia 07, passando a constelação de Gêmeos ficando ali até 24/06. Sua elongação tornar-se-á mais favorável no dia 15 quando então será de 19.8°, mas sua magnitude em torno de -0.4, mas a essa época ele já deverá estar adentrando na constelação de Câncer. Sua máxima elongação ocorrerá em 30/06 e será de 25.7°, mas sua magnitude estará em torno de 0.5, mas facilmente localizado como astro vespertino.

Vênus = Após o alinhamento planetário, Vênus estará neste período encaminhando-se para transitar pelo disco do Sol no dia 05; sendo que, sua elongação em 01/06 será de 7.8° e sua magnitude de -3.9. Entretanto á no dia 15/06 será possível observar Vênus por cerca de 40 minutos antes do nascer do Sol em 15/06 com uma magnitude de -4.1 numa elongação de 14.0°. Ele então visível como um astro matutino brilhará no céu das madrugadas com uma magnitude de -4.4 e elongação de 31.4° no dia 30/06. O mais fantástico disso é que ele, estando transitando pela a constelação de Taurus, cenário ideal para esses acontecimentos encontrar-se-á mergulhando no aglomerado aberto das Hyades após o dia 20/06.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:

Marte = Com um diâmetro aparente cada vez menor (7.87” em 01/06 e 6.63” em 30/06), Marte não trará grandes surpresas ao observador nesta época. Sua elongação ainda favorável as observações no princípio da noite (93.8° em 01/06), faz com que ele seja um atrativo no céu noturno, embora suas magnitudes começam a baixar rapidamente 0.5 em 01/06, 0.7 em 15/06 e 0.8 já no dia 30. Ele deverá estar na constelação do Leão, quando na noite do dia 11 deste mês, poderá ser observado a 0.8° Sul de 77 Leonis (mag. 4.0); ele permanecerá nesta constelação até o dia 21, quando então passará a constelação de Virgem estando já no dia 28 a 0.2° Sul de Zavijava (mag. 3.6).

Júpiter = Na constelação de Taurus desde a primeira quinzena do mês anterior, Júpiter fará uma passagem cercada de acontecimentos naquela área do céu. Sua magnitude de -2.0 e constante neste período, mas suas elongações em vão melhorando sensivelmente, (13.5° em 01/06, 23.7° em 15/06 e 34.7° em 30/06) muito embora somente possa ser observado horas antes do nascer do Sol. Ele então estará localizado a 0.8° Sul de 13 Tauri (mag. 5.6) em 02/06; 0.6° Sul de 14 Tauri (mag. 6.1) em 04/06; 5.0° Sul das Plêiades (M 45) no dia 07/06 e em 26/06 2.0° Sul de 37 Tauri (mag. 4.3).

Saturno = Apesar de sua magnitude estar lentamente diminuindo (0.5 em 01/06 e 0.7 em 30/06) ele continua sendo o privilegiado em nossas observações; na constelação de Virgo ele fará com conjunto muito belo com Spica (1.0) e agora com a presença do luar em nesta madrugada. Saturno em 18/06 estará em sua máxima declinação norte, sendo que nos dias 25 e 26 encontrar-se-á estacionário reiniciando seu movimento prógrado em relação a eclíptica (05:00 TU de 25/06) e em relação ao equador às 06:00 UT de 26/06.

Urano = Se é ainda um pouco incômodo buscar Urano pela madrugada na constelação de Cetus, então vamos aguardar um pouco mais, mas na realidade o que está ocorrendo é que Urano vem a cada dia aumentando sua elongação, (63.2° em 01/06, 76.2° em 15/06 e 91.2° em 30/06) e isso fará com que ele no final desde mês possa ser observado no horizonte leste antes da meia noite. Sua magnitude de 5.9 estará estimada em 5.8 ao término deste mês.

Netuno = Conforme comentamos na resenha do céu do mês de maio último, doravante Netuno poderá ser observado antes da meia noite no horizonte leste, e essas condições ficarão ainda melhores após a segunda quinzena deste mês, pois suas elongações de 111.3° em 15/06 e 125.8° em 30/06 mostram isso. Então a referência dada anteriormente dentro da constelação de Aquarius, continua de boa serventia, visto que em 15/06, ele estará exatamente a meio caminho entre Theta Aquarii (4.1) e 50 Aquarii (5.7), bem como ainda, entre as estrelas Rho Aquarii (5.3) e 50 Aquarii (5.7) formando essas estrelas um “X”, onde localizaremos o planeta no cruzamento desses imaginários eixos.

Ceres e Plutão = Ainda a pouco Ceres, ingressou na constelação de Áries mas, sua permanência nesta constelação será muito breve pois já no dia 04 próximo, estará chegando na constelação de Taurus, sendo que ali ele estará somente à 0.5” Sul de 5 Tauri, uma gigante alaranjada de magnitude 4.1, pois facilitará reconhecer-lhe com essa magnitude de 9.1 no fim do mês. Em 13 de junho ele estará à 0.9” Sul de uma pequena galáxia elíptica de tamanho 48.0"x 24.0" e magnitude de 14.4. Mas um pouco dificultado para uma localização rápida está Plutão na constelação de Sagittarius, sua magnitude não irá variar, sendo estimada em 14.0 mesmo com sua maior aproximação a Terra, ocorrendo em 27/06, com uma distância de 31.240 UA e sua respectiva oposição ocorrendo no dia 29 deste mês. Para sua localização continuará valendo a dica dada nesta resenha, quando publicamos em março uma carta de busca para sua localização muito próxima ao Aglomerado Aberto M 25.

Notas:

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Libra

A constelação de Libra talvez não seja uma região muito interessante no céu, mas ela guarda uma agradável surpresa aos observadores que de certa forma, estão atentos ao estudo das estrelas binárias e estrelas variáveis, quando conhecemos um pouco mais de maneira pormenorizada esses objetos. O grupo das principais estrelas naquela área celeste, estão por demais ligadas a origem do nome desta constelação que antes fazia parte do Escorpião, daí suas principais estrelas inicialmente significarem “Garras”, ela foi separada por ser uma excelente mediadora pois, a 2000 anos durante o equinócio do outono, o Sol se encontrava em Libra. Como no equinócio as noites e os dias são de igual duração (Mourão, 1987) nada mais justo que Zubenelgenubi seja o “prato austral” da balança e Zubeneschamali seu “prato boreal”.

Zubenelgenubi é uma subgigante branco-azulada de magnitude 2.7 e dupla ótica, acompanhada de outra estrela de magnitude 5,3 branca, observáveis com um binóculo. Já Zubeneschamali é uma dupla espectroscópica de magnitude 2.6; branco-azulada é classificada quanto a sua luminosidade no sistema MK (Morgan, Keenan e Kellman, 1943) como “V”. Zubenelakrab é uma estrela gigante de magnitude 3.9 e seu tipo espectral, G8 torna-a muito semelhante ao Sol.

Contribuindo na composição dessa constelação teremos numa extremidade Theta Lib (4.1) uma gigante amarela de magnitude 4.1, mas muito semelhante a Zubenelakrab e noutro lado, Sigma Lib uma gigante vermelha do tipo espectral M3 de magnitude visual de 3.2. Irão ajudar a completar ainda essa balança Tau Lib, uma anã branco azulada de magnitude 3.6; Upsilon Lib uma gigante alaranjada de magnitude 3.5 e por fim (ou começo!) Delta Lib de magnitude 4.9.



Delta Librae

Presente neste mês junho realmente, e poder apresentar essa verdadeira preciosidade conhecida como Delta Librae de magnitude visual 4.9 e classe espectral B9.5V.

O brilho eclipsante de estrela variável do tipo Algol foi descoberto por Schmidt em 1859. Ele tem um raio de amplitude de pouco mais de uma magnitude (4,79 - 5,93 Fotográfica) e um período de 2,32735 dias (figura 6). A queda para o mínimo requer cerca de 6 horas e a estrela principal é no mínimo cerca de 66% obscurecida por seu companheiro maior, porém mais fraco. Apenas um espectro do tipo A0 ou A1 é visto, mas o brilho superficial calculado de sua companheira corresponde à classe G ou K. Possivelmente no início de um estudo fotométrico do sistema, os seguintes fatos foram derivados:

Ambas as estrelas estão separadas por cerca de 4.5 milhões de milhas, e o componente brilhante está cerca de 1,5 milhões de milhas do centro de massa do sistema. Na curva de luz (figura 6), encontramos o mínimo secundário usual (cerca de 0.1 de magnitude), que ocorre quando a estrela mais brilhante está parcialmente oculta e demostrando que a estrela "escura" não é verdadeiramente escura em tudo, mas tem uma luminosidade pelo menos várias vezes que o Sol. Há também a elipticidade comum e os efeitos de reflexão, que impedem a curva de luz de ser totalmente plana fora do eclipse. O brilho da superfície da estrela mais fraca é quase o dobro da estrela quando ao lado da primária, devido à luz refletida formada do componente mais brilhante. Este efeito, combinado com as formas um tanto ovóide das estrelas quando vistas próximas da elongação, faz com que a luz total do sistema aumente muito, depois que cada eclipse é finalizado.

Paralaxes Trigonométricas sugerem uma distância para Delta Librae de 160-200 anos-luz, o que é de acordo com a distância em cerca de 225 anos-luz derivada dos critérios luminosidade espectroscópicas. A estrela mostra um movimento anual cerca de 0,06", a velocidade radial é de 24 milhas por segundo em aproximação.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- http://hubblesite.org/ - Acesso em 26/01/2012.

Jean Nicolini

Personagens da nossa Astronomia

(1922-1991)


*Nelson Travnik

Seu nome está perpetuado no Observatório Municipal de Campinas - SP, na rodovia Americana-Nova Odessa - SP, no Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, 2ª edição, editora Nova Fronteira, de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão e na galeria dos laureados pela Sociedade Astronômica da França.

FILIAÇÃO

Jean nasceu em São Paulo, capital, a 9 de abril de 1922 e faleceu no dia 23 de julho de 1991 por volta das 13h30, quando seu Volkswagen bateu violentamente na mureta de concreto de um viaduto na cidade de Americana - SP. Foi um duro golpe para todos nós pois, apesar dos seus 69 anos, gozava de excelente saúde e disposição, ainda apto a desenvolver relevantes serviços em ambos observatórios onde trabalhava (Campinas e Americana). Jean está sepultado no Cemitério do Sub-Distrito de Souzas. Era filho de Noel Nicolini e Jeanne Cabrit, ambos de origem francesa, o que vem explicar sua identidade com a França. Sua devoção a astronomia aconteceu com a leitura dos livros de Camille Flammarion (1842-1925), o ‘Poeta do Céu”, o “Mestre de Juvisy”.

UMA VIDA DEDICADA A ASTRONOMIA

Leitor voraz de história antiga e arqueologia, amante da música erudita principalmente barroca, astronomia era contudo a razão de sua existência, o Sol que banhava sua fronte. Em 15 de outubro de 1948 com 26 anos fundava em São Paulo, na Vila Olímpia o seu Observatório do Capricórnio. Mais tarde ele seria transferido para Atibaia e por fim incorporado por convênio ao Observatório Municipal de Campinas, inaugurado em 15 de janeiro de 1977. Graças ao Jean fui convidado com o endosso do prefeito Lauro P. Gonçalves, amador de astronomia, a compor a equipe do Observatório na ocasião, o primeiro observatório municipal do Brasil.

PRODUÇÃO CIENTÍFICA - HOMENAGENS

Por suas observações dos planetas Vênus e Marte, foi laureado pela Sociedade Astronômica da França, SAF, com o “Premio George Bidault d’ Isle”, consistindo de uma medalha de prata entregue em sessão solene no auditório do Planetário do Ibirapuera, SP, pelo astrônomo francês Delhave. Participou como membro ativo das SAF, ALPO, BAA, AAVSO, LIADA, LIAA, UBA, SBS, E SIP e colaborou com o Observatório de Meudon, França, no Deptº de Phisique des Surfaces Planetaires, na determinação do período de rotação de Vênus. Participou do “International Mars Comitee” em 1954 para elaboração do mapa meteorológico de Marte. Desde 1961 até 1991 foi “Standard Observer” pela AAVSO. Foi observador credenciado pela NASA-JPL e o Smithsonian Institution no projeto LION, coordenado no Brasil pelo astrônomo Ronaldo R. F. Mourão, para observação dos chamados TLPs (Transiente Lunar Phenomena). Das suas quatro observações de TLPs merece destaque a realizada por ocasião da Missão Apollo 13 na cratera Censorinus e que foi uma das três mais importantes feitas por astrônomos brasileiros.

Observou o Sol sistematicamente por mais de 40 anos. Suas observações propiciaram um precioso banco de dados de que serviram seus colegas Julio C. Penereiro e Walter Maluf para realizar a excelente publicação “50 Anos de Observação Solar”, apresentada em dois ENAST (Rio e São Paulo).


Publicou dois livros: Marte, o Planeta do Mistério e Manual do Astrônomo Amador, editora Papirus de Campinas,SP, este último ainda hoje uma referência para os astrônomos amadores. Desempenhou inúmeros cargos em associações astronômicas do país e exterior.

UM GRANDE INCENTIVADOR

Jean foi co-fundador da Associação de Amadores de Astronomia de São Paulo, AAA, (1949), da Sociedade Interplanetária Brasileira, SIB (1952), da Sociedade Brasileira de Selenografia, SBS, (1956) e da União Brasileira de Astronomia, UBA, (1970). Entre seus maiores colaboradores destacavam-se Rubens de Azevedo, Romulo Argentiere, Frederico Funari, Paulo Gonçalves, Orlando Zambardino, Francisco Jehova e Norberto Parada. Graças ao seu conhecimento e atenção com todas as pessoas que o procuravam, despertou inúmeras vocações. Nunca deixava de responder uma carta. Uma dos mais profícuos relacionamentos foi aquele que motivou o físico Rogério Marcon da UNICAMP a se dedicar a heliofísica tornando um dos maiores pesquisadores brasileiros nessa área. Marcon criou mais tarde o seu Observatório Solar Bernard Lyot dedicado a memória de Jean. Seu maior sonho, um celóstato foi concretizado quando recebeu a doação desse instrumento por seu colega de Belo Horizonte, astrônomo Ernesto Reisenhofer, fundador do Observatório Kappa Crucis. Posteriormente o celostato recebeu ampliação e modernização feita pelo fiel discípulo R. Marcon e seu pai de saudosa memória. Jean soube como poucos honrar com seus trabalhos científicos e pedagógicos a ciência astronômica. Seu nome continua sendo uma referência e um exemplo para todos os discípulos de Urânia. Dizem que ao lado de um grande homem está uma grande mulher. Jean era casado com Áurea Nicolini, esposa devotada e fiel colaboradora. Teve dois filhos: Ulisses (já falecido) e Leonardo.

*O autor é astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba - SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O Céu do mês – Maio 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Este mês de maio está bastante promissor visto que as conjunções celestes e os fenômenos observáveis a simples visão (sem necessidade do emprego de um equipamento ótico), poderão ser um atrativo aqueles que não estejam muito familiarizados com a dinâmica celeste. Os observadores localizados nas regiões costeiras do oceano Pacífico poderão apreciar o Eclipse Anular do Sol que será o primeiro neste ano; (abaixo comentaremos um pouco mais sobre a visibilidade desse fenômeno). Entretanto poderemos observar que a Lua formará novamente belas conjunções com as seguintes (e brilhantes) estrelas: Spica (mag. 1.0), Antares (mag. 1.0), Aldebaran (mag. 0.9) e Regulus (mag. 1.4); o planeta Saturno formará um par bastante interessante com Spica (mag. 1.0) no dia 16 deste mês, mas ele estará muito mais próximo de 72 Virginis (mag. 6.1) no dia 25 de maio. Mas de qualquer forma Vênus (mag. -4.3) e a Lua serão os responsáveis por um visual no céu muito bonito.


A Ocultação de Kow Kin pela Lua em 07 Maio de 2012

No fim da madrugada de 07 de maio, a Lua - 98% iluminada e com uma elongação de 164°, ocultará a estrela Kow Kin (omega 1 Scorpii) de magnitude 3.9. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano. (Veja maiores informações no artigo do Sky and Observers).

A Ocultação de Mu Sagittarii pela Lua em 09 Maio de 2012

Na madrugada de 09 de maio, a Lua - 86% iluminada e com uma elongação de 136°, ocultará a estrela mu Sagittarii de magnitude 3.8. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano. (Veja maiores informações no artigo do Sky and Observers).

O Eclipse Anular do Sol em 20 de maio de 2012

Em 20 de maio, teremos a ocorrência do primeiro eclipse do Sol (anular) deste ano que terá como áreas de visibilidade nações situadas próximo a costa do Oceano Pacífico, bem como ilhas localizadas na região Leste da Ásia e Oeste da costa norte americana. A duração de sua totalidade sendo de 05m46.3s, o tornará no 4º eclipse de maior duração ocorrido no período de 2001 - 2020, entretanto o ponto onde está totalidade e duração está recaindo, se dará no oceano nas seguintes coordenadas: Latitude = 49.0943° N e Longitude = 176.2775° E (Espenak, 2008) já no mar de Bering, sendo o ponto mais próximo a essas coordenadas a ilha Aleuta de Amchitka. Mas ali o eclipse já será parcial.


Os países (e regiões) que estarão situadas no cone de sombra da totalidade são: China (detalhes na tabela 2) região nordeste do Golfo de Tonkim, Mar da China Meridional (a linha central está ao norte das cidades de Macau e Hong Kong e) e Estreito de Formosa (a linha central está ao sul da localidade de Putian), incluindo o norte de Taiwan (detalhes na tabela 3) e as cidades de Hsinchu City, Taipei e o Mar da China Oriental; encontrando na ilha de Yokoate o território do Japão. Naquele país então o limite norte do cone de sombra passará próximo as cidades de Kagoshima, Miyazaki, Miyoshi e Tokushima; a linha central do cone de sombra entra na ilha japonesa pelo litoral da cidade de Wabuka, saindo novamente para o mar; já o cone de sombra em seu limite norte, estará próximo as cidades de Takamatsu, Kyoto, Osaka e Nagoya, quando então a linha central tangenciará a faixa litorânea entre Iwata, Kikugawa, Kunozan e Tokai. Já Nagano, Saku, Tamura e Minamisoma estarão ainda dentro do limite norte, enquanto Sosono, Hadano incluindo a capital Tóquio e regiões adjacentes à Baía de Tóquio estarão bem dentro da linha central da totalidade. Veja uma imagem do eclipse simulada e capturada com o software freeware Stellarium versão 0.9.1, utilizando as coordenadas da capital japonesa na figura 3.


Importante:

O fim da última parte do eclipse a partir de cidade de Kanagawa – Japão, ocorre já no dia 21/05/2012 – Tempo Universal - assim como em Tóquio (figura 3) em todas as localidades dos Estados Unidos da América.


Uma vez em oceano aberto, o cone de sombra não encontrará mais terra firme cruzando seu ponto central acima mencionado próximo as ilhas Aleutas, chegando então nos EUA (detalhes na tabela 4) na costa do pacífico, já no estado do Oregon. No sudoeste daquela região, o limite norte se dará nas cidades de Bandon, Glendale, Altamoth e Malin, já na divisa com a Califórnia. Neste estado a linha central passará pelas cidades de Requa, Klamath Glen, westwood e Susanville. Alturas já estará inserida no limite norte do cone de sombra, enquanto Redding, Chico e Meyers, estarão inseridas no limite sul; uma vez no estado de Nevada, Carson City, Reno e Lovelock, Tonopah McGill, Goldfield e Caliente estão dentro da faixa de visibilidade, sendo que Cedar City, Saint George e Kanab em Utah estarão dentro do limite norte. Mas no Arizona as cidades de Page e Chinle estarão exatamente sob a linha central, o que faz com que Flagstaff fique fora da faixa de visibilidade total; mas no estado do Novo México, Albuquerque estará sobre ela, mas o fenômeno estará ocorrendo bem baixo próximo ao poente.

Planetas!

Mercúrio = Desta vez Mercúrio estará na constelação de Pisces somente até o dia 10, quando então ingressa na constelação de Áries permanecendo ali até o dia 21, quando então chegará na constelação de Taurus. As ocorrências de Mercúrio neste mês são: em 08/05 estará próximo a 110 Piscium (4.2) e em 20/05 será possível observar Mercúrio durante a ocorrência da totalidade do Eclipse Total do Sol, entretanto tome bastante CUIDADO com as observações próximo ao disco do Sol, visto que sua conjunção superior ocorre já no dia 27/05 e seu periélio se dará em 29/05 (01:06 TU), quando sua distância ao sol será de 0.3070 UA. Suas magnitudes vão de -0.0 no início do mês a -1.9 no dia 31/05.

Vênus = O planeta continuará este mês posicionado nos limites da constelação de Taurus, ele fará uma conjunção com Elnath (1.6) quando sua separação será de apenas 0.8S dessa estrela, mas sua proximidade também do Sol impossibilita essa visualização valendo a mesma recomendação para o eclipse; entretanto suas magnitudes começam a diminuírem significativamente, sendo -4.5 neste primeiro dia e em 31/05 já chegará a magnitude de -4.0, mas sua elongação de 9.4°, já estará impossibilitando sua observações.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:

Marte = Marte que inicia este mês com uma magnitude -0.0, mas ela está gradualmente diminuindo na medida em que sua elongação também vai ficando cada vez menor, então na constelação de Leo poderemos perceber que esse brilho será de 0.2 já no dia 15/05 e em 31 de maio já será estimada em 0.5 quando então sua elongação já será de 94.3º.

Júpiter = Quando menciono os perigos da observação de planetas próximos ao Sol durante os eclipses, Júpiter está incluído neste caso nesta época também; já no dia 13/05 ele estará em conjunção com o sol, na constelação de Áries até o dia seguinte, ele ingressará na constelação de Taurus após essa data. A sua magnitude está em -2.0, não apresentando significativas alterações.

Saturno = Saturno então será bastante privilegiado com as nossas observações, pois será o único gigante gasoso visível no céu, até que os outros possam começar a serem observados também na primeira parte da noite; na constelação de Virgo ele fará com conjunto muito belo com as brilhantes Spica (1.0) e Theta Virginis (4.3), uma subgigante branca que está estimada em 415 anos-luz do Sol. Sua magnitude vem lentamente diminuindo também, pois começa neste início de mês com 0.3 e termina o dia 31 de maio com 0.5 e uma elongação de 133.1°, portanto bastante favoráveis as observações noturnas.

Urano = De um modo geral neste período, os observadores esperam cerca de 30 a 60 dias para que possam iniciar uma busca mais detalhada de Urano, eu fiz algumas simulações e creio que a melhor referência neste período sem mesmo 44 Pisces (mag. 5.7), muito embora ele esteja após o dia 12 de maio na constelação de Cetus isso nenhuma diferença significará. Ele vem aparecendo cada vez mais cedo (mas ainda em meio da madrugada) e sua magnitude estimada 5.9 é altamente convidativa a aplicação de um binóculo 7x50. Então continua sendo um bom desafio.

Netuno = Da mesma forma que mencionamos Urano neste período, Netuno já poderá ser vislumbrado no início da madrugada após o dia 15 deste mês, pois sua elongação neste dia em 81.7°, proporcionará essa possibilidade. Então as estrelas de referências Sigma Aquarii (4.8), 58 Aquarii (6.3), Rho Aquarii (5.3) e Theta Aquarii (4.1); e ainda as estrelas: 38 Aquarii (5.4), 42 Aquarii (5.3), 45 Aquarii (5.9) e 50 Aquarii (5.7) serão excelentes balizadoras em sua busca. Eu idealizei um desenho dentro da constelação de Aquarius (figura 4), abaixo indicando essas estrelas e denunciando a presença desse planeta nesta constelação.

Ceres e Plutão = Ceres, na constelação de Cetus marca sua permanência ali, somente até o dia 09 de maio com uma magnitude entre 8.7 no início do mês e 8.9 no dia 09; após esse período ele ingressa na constelação de Áries aonde chegará até o dia 31/05, mas com uma magnitude de 9.0, sua proximidade com o Sol impedirá qualquer tentativa observacional sendo que, essas condições somente voltarão a ser possíveis após o dia 03. Plutão na constelação de Sagittarius tem sua magnitude aumentada para 14.0, e poderá ser observado na segunda parte da noite, pois sua elongação em 31/05 já será de 150.9°.

Notas:

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Virginis

Virgem é uma constelação que normalmente é referenciada nos cursos de astronomia como a região do céu, onde podemos encontrar o maior número de galáxias. Isso é verdadeiramente comprovado se apreciarmos mais detalhadamente as fotografias que o Telescópio Espacial Hubble realizou nesses anos em órbita da Terra, mas estaremos cometendo um terrível engano se atribuirmos todas essas observações naquela região celeste somente a esse telescópio orbital. Entretanto falaremos inicialmente do seu principal grupo de estrelas que ajudam a delinear essa imensa constelação.


A supergigante branco azulada Spica (1.0) e uma dupla espectroscópica cuja companheira invisível foi detectada por intermédio das raias de seu espectro; Vindemiatrix (2.8) e uma estrela gigante amarela com tipo espectral G8III; assim é também 9 Virginis (2.8) pois, possui características idênticas; 79 Virginis (3.3) é uma estrela branca e está na seqüência principal do diagrama HR (Hertzsprung-Russell). 3 Virginis (4.1) é uma gigante vermelha tipo M1III, também classificada como uma estrela variável semiregular, pois seu brilho varia em 0,06 magnitudes. Zavijava (3.6) é uma estrela do tipo espectral F9V de branco amarelada e não apresenta nenhuma variabilidade. Zaniah (3.8) que é uma azul com tipo espectral A2I, muito embora sua visão aos telescópios seja única, ocultações lunares vem mostrando que parece ser um sistema estelar triplo. 26 Virginis (4.6) é uma estrela dupla com uma cor alaranjada com uma classificação estelar K2III; 40 Virginis (4.7) é uma gigante vermelha do tipo espectral M3III, como também uma variável irregular, cujo brilho varia entre 4,73 e 4,96 magnitude; ela possui ainda uma companheira de 0,04" descoberta em uma ocultação o que já difere de Porrima (2.7) de tipo espectral F0V, que já será um bom aumento e a utilização de um telescópio de 150mm de abertura para a separação de sua dupla, enquanto 43 Virginis (3.4) é uma gigante vermelha do tipo espectral M3III, também sendo possível que seja binária.

O Grupo Local de Galáxias de Virgo

Apontando nossos pequenos telescópios para a constelação de Virgo, ficaremos surpresos quando numa simples observação, deparar com uma quantidade enorme de objetos Deep Sky que estão aguardando nossa observação um pouco mais detalhada, mas descrever-lhes na totalidade os objetos dessa constelação, exigirá a tarefa e esforço digno de Hércules, então eu chamarei a atenção apenas para alguns objetos Messier ali existentes e o motivo é simplesmente que eles, sempre vêem a luz de nossas oculares quando realizamos nossas maratonas observacionais. E interessante lembrar que a Via Láctea está incluída nesse superaglomerado de Virgo.

Assim M 49 (mag. 8.4) uma galáxia elíptica, apresentará próximo de seu brilhante núcleo uma estrela de magnitude 6, esse conjunto será facilmente percebido se utilizarmos um telescópio de 150mm de abertura e uma boa ocular. Quanto a M 60 (mag. 8.8) que também é uma galáxia elíptica, ao observamos poderemos ter uma bela surpresa (se a noite observacional for excepcional), visto que revelará a presença do NGC (New General Catalogue) 4647, uma galáxia classificada como SBc (Espiral Barrada) de magnitude 11.4; A galáxia espiral M 61 (mag. 9.6) irá requerer que os observadores que estejam iniciando nessa prática observacional utilizem a visão periférica (propriedade em perceber o que está fora do foco principal de visão), pois ela será difusa apresentando num primeiro momento, apenas uma pequena estrela central. Deveremos buscar o mesmo emprego de visão periférica, para observamos a galáxia elíptica M 84 (mag. 9.1) outra galáxia elíptica, visto a sua diminuta dimensão possui uma forma lenticular; sendo observada quase no mesmo campo visual e também de forma semelhante, poderemos ali localizar a galáxia M 86 (mag. 8.9) embora nela possamos perceber apenas a condensação central de seu núcleo. Voltando ao nível dos objetos mais suscetíveis de observação, M 87 (mag. 8.6), também uma galáxia elíptica será facilmente identificada, mas deveremos ficar bem atentos, pois outras galáxias naquela área deverão surgir no campo de visão da ocular.

A Galáxia do Sombreiro

De forma proposital deixei a elíptica Galáxia do Sombrero, M 104 (mag. 8.0), por último para contar-lhes uma tradição que temos no Observatório Wykrota do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) na Serra da Piedade. Por ser também uma das mais conhecidas galáxias; M 104 (veja a fotografia abaixo do HST) neste caso nunca deixa de ser ali observada, sendo que através da observação de suas minúcias (talvez seja o motivo real do barramento escuro no seu centro, seja perceptível a telescópios maiores que o acima mencionado), utilizamos “em especial” esse objeto, para comprovar a qualidade ótica de um telescópio oriundo da Oficina de ATM do CEAMIG.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- http://hubblesite.org/ - Acesso em 26/01/2012.



A Ocultação de Kow Kin pela Lua em 07 Maio 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

No fim da madrugada de 07 de maio próximo, a Lua - 98% iluminada e com uma elongação de 164°, ocultará a estrela Kow Kin (omega 1 Scorpii) de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.


Observadores localizados no sudeste, sul e centro oeste do Brasil, bem como ainda na Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas situadas no sul do oceano pacífico (figura 2).


A designação de Bayer para Omega1 Scorpii (ω1 Sco, Scorpii ω2) é compartilhado para duas estrelas , ω1 e ω2 Scorpii, na constelação de Scorpius. Eles estão são separadas por 0,24°. Omega Scorpii também tem o tradicional nome de Jabhat al Akrab, que é derivado do árabe jabhat [u] al-c aqrab significando: "testa do escorpião".

Omega-1 Scorpii é azul-branco do tipo anã B, com uma magnitude aparente de 3.93, situada em cerca de 424 anos-luz da Terra.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.


A Ocultação de mu Sagittari pela Lua em 09 Maio 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na madrugada de 09 de maio próximo, a Lua - 86% iluminada e com uma elongação de 136°, ocultará a estrela mu Sagittarii de magnitude 3.8 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Observadores localizados em grande parte da América do Sul, (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Peru), poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, o oeste do continente africano e ilhas situadas próximo a costa sul americana dos oceanos atlântico e pacífico (figura 2).

Mu Sagittarii ainda não é muito bem compreendida. Brilhando com magnitude 3.8, provavelmente trata-se de uma dupla eclipsante que possui três, possivelmente quatro companheiras. Tradicionalmente classificadas como supergigante de classe B (B8), agora é listada como uma gigante mais comum. A cada 180 dias a estrela sofre uma pequena queda de brilho, provavelmente provocado por uma companheira próxima (uma anã de oito massas solares).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- stars.astro.illinois.edu/sow/polis.html - Acesso em 26/11/2011.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Personagens da nossa Astronomia

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
(*1935 - )


*Nelson Travnik
Ele está presente em todas as livrarias. Ao longo dos 77 anos que estará completando na sexta-feira, 25 de maio, 2012, já são mais de 85 obras publicadas! Um recorde da astronomia brasileira. Conhecido internacionalmente, Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é natural do Rio de Janeiro. No dia em que nasceu, o Sol estava no Touro entre as magníficos aglomerados abertos das Híades e das Plêiades. Sempre presente nos meios de comunicação, ainda é o astrônomo mais conhecido do Brasil.



FORMAÇÃO

O currículo de Mourão é extenso. Desde cedo se interessou pela astronomia e escrevia artigos para a revista Ciência Popular. Fez-se bacharel em física (1959), licenciado em física (1960), doutor em ciências pela Sorbonne de Paris (1967), bolsista e pesquisador em observatórios da Bélgica, França, Portugal e no Chile. A partir de 1956 ingressou no Observatório Nacional do Rio de Janeiro, CNPq – MST, atuando como Astrônomo Chefe de 1968 a 1975.

FILIAÇÕES – INICIATIVAS – PARTICIPAÇÃO

Desde 1961 é membro da Comissão 26 da União Astronômica Internacional, IAU, sobre Estrelas Duplas Visuais e da Comissão 42 sobre História da Astronomia. Foi fundador em 1984 do Museu de Astronomia e Ciências Afins, do qual foi diretor até 1989. É também fundador e Presidente de Honra do Clube de Astronomia do Rio de Janeiro, CARJ, (1976) . É membro da IAU (1961) e atua como pesquisador titular do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Pertence a Sociedade Brasileira de Física, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, a Sociedade Astronômica Brasileira, SAB, (fundador), a Sociedade Brasileira de História da Ciência (fundador) e a Associação de Jornalismo Científico do Rio de Janeiro (fundador). No exterior é membro de várias associações de astronomia das quais se destacam a Société Astronomique de France, SAF, a Royal Astronomical Society (Londres) e a Società Astronomica Italiana.

HOMENAGENS

São tantas as homenagens e títulos recebidos pelo insigne astrônomo que é difícil enumerar todas. Entre elas vale ressaltar o Prêmio José Reis, instituído pelo CNPq. Em 2005 recebeu o prêmio “Suprema Honra ao Mérito” da Universidade Sokade de Tóquio, Japão. Ainda no Japão, recebeu um segundo prêmio o “Prêmio de Cultura e Paz” da SGI-Soka Gakkai Internacional, prêmio este que havia sido também outorgado a Linus Pauling, Prêmio Nobel da Paz.

PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES CIENTÍFICAS

Em seu extenso currículo, vale ressaltar as seguintes :

1956- Observações de Marte durante a oposição de 1956 no ON;

1961- Apresentação de um trabalho sobre Estrelas Duplas Visuais no Simpósio da IAU de 11/12 de agosto em Berkeley, EUA;

1962- Apresentação em julho de 1962 na Assembléia Geral da IAU, trabalho sobre a periodicidade das faixas do planeta Júpiter e a transparência dos anéis de Saturno, que mereceu elogios dos renomados astrônomos A. Dollfus de Paris E V. Moroz da Academia de Ciências de Moscou;

1964- Apresentou um trabalho no “Colloque d’ Calcul Numérique e Mathématique Appliqué de Sille, estabelecendo novas relações a serem utilizadas na ligação do método de Thiele-Innes;

1966- Apresentação de um trabalho sobre novo método de cálculo de órbitas circulares de estrelas duplas visuais no Colloque d’ Calcul Numérique e Mahématique Appliqué de Rouen;

1968- Foi indicado pela Dra. Barbara Middlehurst, da Smithsonian Institution como Coordenador no Brasil do Programa LION (Lunar International Observers Network) para colaborar com observações lunares no Projeto Apollo da NASA-JPL. Envolvendo 23 profissionais e amadores, o programa foi um sucesso e muito elogiado pelos participantes;

1969- Neste ano constatou a existência de um companheiro invisível da estrela dupla Aitken 14 que foi confirmada pelo astrônomo Baize do Observatório de Paris. Na ocasião Mourão levantou a hipótese de que poderia ser um novo sistema solar;

1971- Em junho apresentou dois trabalhos na reunião anual da SBPC em Curitiba, PR, sobre estrelas duplas visuais;

1972- Neste ano de 3 a 7 de abril, participou do Colloque nº 18 da IAU sobre Asteroides, Cometas e Matéria Meteorítica em Nice, França, ocasião em que apresentou um trabalho sobre os efeitos dos erros de medidas no método das dependências utilizado em astrometria fotográfica;

1974- Participou neste ano do Colloque nº 33 da IAU em Oaxtepec, México, onde apresentou duas comunicações sobre os sistemas múltiplos Hussey 1339 e Córdoba 197;

1980- Em seu estágio no Observatório em La Silla, Chile, Mourão descobriu nada menos que 72 novos asteroides. Seu nome está imortalizado no asteroide nº 2590 descoberto em 22 de maio de 1980 pelo astrônomo belga Henri Debehogne.

De todos os trabalhos feitos por Mourão, os de estrelas duplas eram seus preferidos, sua grande paixão e para isto concorreu a utilização das lunetas Cooke de 32 e 46 cm de abertura do Observatório Nacional do Rio de Janeiro.

LITERATURA ASTRONÔMICA

Ao lado de mais de 600 artigos publicados em jornais e revistas, Mourão é e será por longos anos o astrônomo brasileiro e quiçá das Américas, que mais livros escreveu e ainda continua a escrever apesar da idade. Certa ocasião chamei-o de "Flammarion Brasileiro", comparando-o ao "Mestre de Juvisy". De todos os títulos, o destaque fica para o seu ‘Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica’, editora Nova Fronteira, obra exaustiva com 20 mil verbetes e que consumiu muitos anos.


É impossível aos astrônomos e ao leigo interessado, não possuir esta obra em sua estante. É no gênero a mais completa das Américas e que mereceu elogios de algumas das maiores celebridades da astronomia, história e ciência em geral.

A PESSOA

Conheci Mourão desde os tempos da mocidade quando vez por outra visitava o Observatório Nacional para usufruir de seus conhecimentos. O que diferencia Mourão é a maneira gentil e atenciosa que atende a todos, principalmente os astrônomos amadores. Minha identidade com ele é muito grande tanto pela acolhida no ON como ás vezes em sua residência. Isso talvez em parte seja porque somos da mesma idade, do mesmo Estado e por nutrir ambos a mesma paixão pela ciência do céu. Através de suas obras ele é e ainda será por muitas gerações, o que mais desperta mentalidades voltadas a astronomia. Mourão é uma referência e um orgulho para o Brasil.

*Nelson Travnik é astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

domingo, 1 de abril de 2012

O Céu do mês – Abril 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Dando continuidade ao espetáculo celeste, no mês de abril temos geralmente, o céu sinalizando aos seus observadores uma boa época para o início de Star Parties no hemisfério sul (pelo menos). Este mês especificamente, Mercúrio, Vênus, Saturno e também a Lua, prenderá a nossa atenção. Abril também é uma boa época para a observação de objetos Deep-Sky. Diante disso e fatalmente, a constelação que está compondo a moldura dessa crônica neste mês será apreciadíssima do ponto de vista observacional desses objetos. Assim continua o “maravilhoso espetáculo”.

As Ocultações de Plutão em 2012

Neste ano, Plutão será protagonista de uma série de ocultações envolvendo a Lua. Então estamos apenas mencionando essa efeméride, visto que a visibilidade desse fenômeno ocorrerá somente para um observador localizado nas regiões da Antártida. Entretanto nas ocorrências datas para o 2º semestre, o fenômeno será possível ser registrado de alguma forma em boa parte da Terra, sendo suas respectivas datas e regiões apresentadas na tabela 2.

A Ocultação de Dabih Major pela Lua em 14 Abril de 2012

Na madrugada de 14 de abril próximo, a Lua - 42% iluminada e com uma elongação de 80°, ocultará a estrela Dabih Major (Beta Capricorni) de magnitude 3.1. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

Planetas!

Mercúrio = Mercúrio estará na constelação de Pisces até o dia 22 deste mês; entretanto ele fará uma breve passagem pela constelação de Cetus até o dia 29, quando então retornará para dentro dos limites da constelação de Pisces, mas em outra região. Neste período ainda Mercúrio estará em máxima elongação (27.5º) oeste e sua meia/fase (dicotomia) deverá ocorrer em 21 de abril às 04:42 (TU). Ele vem aumentando sua respectiva magnitude sendo que neste primeiro dia, ela estará estimada em 2.0, 0.4 na sua elongação, 0.3 na data de sua dicotomia, chegado em 30 de abril com 0.0.

Vênus = No dia de ontem já encontra-se posicionado nos limites da constelação de Taurus, ele iniciará abril com uma magnitude de -4.4; então ele juntamente com as Plêiades (Vejam maiores informações sobre M-45 na crônica do céu do mês “Janeiro 2012” em Sky and Observers) que farão uma espetacular conjunção vespertina nos dias 02 e 03 deste mês (figura 2).

Já no dia 10 deste mês então, Vênus chegará a magnitude de -4.6, mas este ápice ocorrerá mesmo em 30/04, quando então estará em máximo brilho, estimado em -4.7.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:

Marte = Como já correu sua oposição ele continuará sua jornada pela constelação de Leo, mas quando observamos ao telescópio, notaremos que seu diâmetro aparente diminuirá rapidamente chegando no dia 29/04 para 10 segundos de arco, juntamente com sua magnitude. Ela que esteve estimada em -0.7 no último dia 31, será de -0.4 no dia 15 próximo, chegando a -0.0 em 30/04, quando então sua elongação será de 114.9°.

Júpiter = Nos poderemos ainda buscar alguma observação de Júpiter até por volta do dia 5 deste mês, ele está bem próximo do poente e suas observações por essa época ficam bastante prejudicadas pela poluição atmosférica existente nos grandes centros urbanos. A menos que você esteja no campo, podendo então desfrutar de mais alguns minutos antes de seu ocaso. Sua magnitude é estimada em -2.0, mas creio que já na segunda quinzena, suas observações fiquem impossibilitadas. Na tabela 3 abaixo, podemos ainda registrar significativamente o trânsito pelo meridiano central de Júpiter da Grande Mancha Vermelha.

Saturno = Novamente eu não deixarei de repetir que é sempre bom poder dar uma olhada neste planeta. Agora então que ele começa a despontar no horizonte leste e com sua oposição prevista para o dia 15 de abril, ele será um objeto no céu para nossa referência e identificação de estrelas e constelações. Seu posicionamento na constelação de Virgo possibilitará que essa identificação seja realizada, pois suas magnitudes estará contribuindo bastante, chegando a 0.7 na oposição. O que ficará dificultado será a visualização de sombra do disco do planeta projetada sobre os anéis. Até o mês passado (próximo do dia 20) isso foi possível, mas como a elongação vai ficando próximo ao máximo, essa percepção da sombra fica também praticamente impossível. Uma interessante configuração entre seus satélites naturais ocorrerá em 21/04 ás 22:30 (TU), quando então poderemos identificar no sentido N-E do disco e anéis os seguintes satélites naturais: Tethys (III) 12.0; mag. 10.2; Mimas (I), mag. 13.2; Enceladus (II) mag. 11.7 e Dione (IV), mag. 10.4; já no sentido S-W, poderemos distinguir: Rhea (V), mag. 9.7; Titan (VI), mag. 8.4; Hyperion (VII), mag. 14.3 e Iapetus (VIII), mag. 11.9.

Urano = Como Urano passou por sua conjunção superior no último mês, após o dia 15, poderemos começar a procurar por ele novamente na constelação de Pisces, cerca de 01h20m antes do nascer do Sol, na constelação de Pisces, como a sua magnitude estimada de 5.9, uma boa referência será a localização de Mercúrio (que nesta data estará um pouco mais alto no horizonte) e também de 44 Pisces de magnitude 5.7, alguns observadores reportam que conseguem localizar esse planeta já com a aplicação de um binóculo 7x50. É um bom desafio.

Netuno = Netuno já está um pouco mais alto no céu. Ele tornar-se-á em breve um excelente desafio observacional. Para que possamos identificar este planeta dentre as estrelas de Aquarius será bastante útil procurar por eles próximo as estrelas: Sigma Aquarii (4.8), 58 Aquarii (6.3), Rho (5.3) e Theta Aquarii (4.1); e ainda as estrelas: 38 Aquarii (5.4), 42 Aquarii (5.3), 45 Aquarii (5.9) e 50 Aquarii (5.7). A sua magnitude de 7.9, estará contrastando com essas brilhantes estrelas o que torna essa área bastante propícia a sua localização.

Ceres e Plutão = Ceres está na constelação de Pisces até 14/04. Após essa data ele retorna a constelação de Cetus. Sua magnitude continua gradativamente aumentando e em 15/04 já podemos estimar em 8.8 e em 30 de abril 8.8. Plutão na constelação de Sagittarius com uma magnitude de 14.1. Em 10 de abril estará estacionário quando inicia seu movimento retrógrado; em 18/04 Ele terá sua máxima declinação norte -19.2º.

CONSTELAÇÃO:

Leonis


Seria excelente se a carta celeste com o aspecto do céu apresentado na figura 1 retrata-se fielmente a possibilidade observacional que encontramos dentro dos limites da constelação de Leo. Vem chamando a atenção durante as Stars Parties realizadas no ano passado no Observatório Wykrota do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) na Serra da Piedade o conjunto de galáxias que compõem o tripleto do Leão.

Suas brilhantes estrelas e o aspecto que formam suas localizações na esfera celeste fazem com que essa constelação seja facilmente localizada no céu noturno. A estrela branca azulada e brilhante, Regulus de magnitude 1.3 e classe espectral B7V, será nossa referência para identificar o contorno do animal; uma vez identificada, na outra extremidade (a calda) encontraremos Denebola, uma estrela branca de magnitude 2.1 e classe espectral: A3V e Zosma (2.5). As patas do Leão, podemos mencionar Sigma Leo (mag. 4,0) próximo a calda e como pastas dianteiras a melhor referência será Omicron Leo (mag: 3.52); mas é necessário completarmos esse entendimento com duas partes importantes, assim a cabeça poderá ser identificadas as estrelas Epsilon Leo (mag. 2.9), Mu Leo (mag. 3.8), 1 Leonis (mag. 4.4) e também Lambda Leo (mag. 4.3). 30 Leonis (mag. 3.5), a brilhante estrela Algieba (mag 2.2) e Adhafera (mag. 3.4) completa essa interpretação como uma imensa juba deste felídeo no céu.


A constelação de Leo apresenta uma quantidade fantástica de objetos Deep Sky, então chamo primeiramente a atenção para seus objetos Messier. M 95 e uma galáxia espiral barrada com uma magnitude de 9.7; próximo a essa região celeste é possível identificar M 96, outra galáxia espiral de magnitude 9.3 e também M 105, essa uma galáxia espiral também com a magnitude de 9.3. O que fato que tornará essas galáxias bastante interessantes, será a possibilidade de buscar a observação desses objetos com telescópios de 140mm; Embora um pouco difícil a utilização de um binóculo 7x50 (e sob uma condição excepcional do céu) ou até mesmo com um refrator acima de 90mm eles já mostrem um pouco essa beleza.

O Tripleto de Leão

Sempre é gratificante observar galáxias e sempre salta aos olhos de qualquer observador mais familiarizado a suas suavidades de seus brilhos e a sutileza de seus formatos, então o emprego de telescópios com uma abertura ótica maior (300 mm diâmetro e acima), revela sob um céu livre da poluição luminosa e sem a presença da Lua, uma incalculável quantidade de objetos. Então o emprego desses telescópios (a exemplo do ATLAS), que brevemente receberá sua primeira luz em Caeté-MG fará com que nossa capacidade visual destes aglomerados se amplie também de forma exponencial.

Desta forma, o Tripleto de Leão poderá ser observado com uma enorme riqueza de detalhes; quando então a NGC 2628, uma galáxia espiral barrada revelará um pouco mais os detalhes dessa faixa de poeira escura; com o núcleo um pouco mais brilhante é possível distinguir a galáxia M 65 e sua vizinha M 66 (ambas espirais) que possuí braços mais pronunciados devido a seu brilho um pouco maior. A fotografia realizada pela equipe do ESO (figura 4) com esses objetos devidamente identificados e o video, serão referências importantes para sua carreta localização.




Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- http://www.eso.org/public/portugal/news/eso1126/ - Acesso em 20/01/2012.