quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O céu do mês - setembro de 2016

Cícero Antônio Costa Silva
ancimoeja@yahoo.com.br
CEAMIG

Caro Leitor,
Seguindo a parceria com o amigo Antônio Rosa Campos, apresento-lhes o céu do mês de setembro. Este resumo mensal dos eventos astronômicos, estão ao alcance de nossos instrumentos óticos amadores, sejam eles um pequeno telescópio, um binóculo ou até a vista desarmada.
O mês de setembro marca o equinócio de primavera no hemisfério sul. Exatamente às 14:18 TU do dia 22/09, o Sol cruza o equador celeste em seu movimento aparente através da esfera celeste em direção ao hemisfério austral. Como consequência, o outono inicia-se no hemisfério norte.
O mês de setembro também nos reserva:
- Ocultações de estrelas e planetas pela Lua mundo afora;
- As movimentações e circunstâncias de observação dos planetas;
- Os asteroides que estarão em oposição;
- Efemérides do Sol e da Lua e
- A constelação do mês.
Boa leitura e boa observação a todos.


Figura 1

Tabela 1

Ocultações de Planetas pela Lua


Ocultações de Júpiter:

A figura 2 mostra os dois momentos em que a Lua irá ocultar o planeta Júpiter durante o mês de setembro. Ambos os eventos ocorrerão durante o dia e em circunstâncias bastante desfavoráveis para a observação, devido às baixas elongações da Lua ao Sol. Em 02/09 uma elongação de 20o e em 30/09 uma elongação de apenas 4o impossibilitam qualquer tentativa de observação.


Figura 2




Ocultação de Vênus:
A figura 3 mostra as regiões para esta ocultação ao norte e centro da Rússia. A Lua já a 24o de elongação e +4,5 % iluminada facilita a tarefa de se observar este evento. Vale lembrar que o planeta Vênus é observável em plena luz do dia. 


Figura 3



Ocultação de Netuno:
A figura 4 mostra as regiões pela Europa e extremo norte da Rússia que poderão observar a ocultação de Netuno. Diferente das ocultações comentadas acima, temos agora uma elongação da Lua ao Sol bem confortável de +168o . Porém, o que parece uma vantagem por um lado, por outro se torna uma desvantagem, principalmente para telescópios amadores. Tal elongação ocasionará uma Lua +99% iluminada dificultando bastante a observação de objetos com magnitude 8, como é o caso de Netuno. 

Figura 4


Ocultação de Mercúrio:
Como podemos verificar na figura 5 abaixo, aqueles situados na América do Sul presenciarão a Lua, ocultar o planeta Mercúrio durante os momentos que antecedem o nascer do Sol. Devido à pequena elongação da Lua ao Sol ( 18o oeste), consequentemente apresentando apenas um fino crescente (- 2% iluminada), as condições de observação serão um bom desafio para aqueles que tiverem um horizonte leste desobstruído. Para maiores detalhes: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/09/a-ocultacao-de-mercurio-pela-lua-em-29.html


Figura 5


Ocultação de estrelas pela Lua

Gamma Virginis = Porrima
Em 03/09 a Lua, +6% iluminada e com uma elongação de 27o a leste, ocultará a estrela Gamma Virginis, de magnitude 2,8 e classe espectral F0V, para regiões ao sul da América do Sul. As ilhas do Pacífico Sul ainda estarão sob a luz do Sol durante a ocultação. Para maiores detalhes: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/09/a-ocultacao-de-porrima-pela-lua-em-03.html


Figura 6


Gamma Librae = Zubenelakrab

Em 07/09 a Lua, +33% iluminada e com uma elongação de 70o a leste do Sol, ocultará a estrela Gamma Librae de magnitude 3,9 e classe espectral K0III, para regiões do Leste Europeu, Península Arábica e Oriente Médio. Europa Ocidental e Norte da África estarão sob a luz do Sol durante a ocultação.

Figura 7

Rho Sagitarii
Em 12/09 a Lua, +74% iluminada e com uma elongação de 119o a leste do Sol, ocultará a estrela Rho Sagitarii de magnitude 3,9 e classe espectral F0III/IV, para regiões da América do Sul. Ilhas do Pacífico Sul não observarão este evento pois estarão sob a luz do Sol. Para maiores detalhes: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/09/a-ocultacao-de-rho-sagittari-pela-lua.html

Figura 8

Lambda Aquarii

Em 15/09 a Lua, +99% iluminada e com uma elongação de 169o a leste do Sol, ocultará a estrela Lambda Aquarii de magnitude 3,7 e classe espectral M2IIIvar, para vastas regiões da Ásia, Europa, Norte da África e Ilhas do Atlântico. Para maiores detalhes: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/09/a-ocultacao-de-lambda-aquarii-pela-lua.html

Figura 9


Theta1 e Theta2 Tauri e Aldebaran
Em 21/09 a Lua vai presentear algumas regiões da Ásia com uma tripla ocultação de estrelas relativamente brilhantes ao alcance de pequenos instrumentos óticos. A Lua, -66% iluminada e com uma elongação de 110o a oeste do Sol, primeiramente ocultará Theta1 e Theta2, de magnitudes 3,8 e 4,3 respectivamente. As classes espectrais são G7III e A7III. A uma distância de aproximadamente 150 anos luz, Theta1 e Theta2 Tauri são estrelas que pertencem ao aglomerado aberto das Hyades. Aproximadamente 3 horas depois é a vez de Aldebaran ser ocultada pela Lua. Apresentando magnitude 0,9 e classe espectral K5III, esta gigante vermelha está a 66 anos-luz de distância, portanto não fazendo parte do aglomerado aberto das Hyades.

Figura 10

Sistema Solar
Para o mês de setembro, teremos as seguintes movimentações planetárias:
Mercúrio. O Mensageiro dos Deuses inicia o mês de setembro se aproximando cada vez mais do Sol finalizando sua aparição durante o crepúsculo vespertino. Em 10/09 Mercúrio atingirá a menor distância da Terra a 0,635 UA. Em 12/09 Mercúrio atingirá a conjunção inferior ao Sol, quando o planeta se posiciona aproximadamente entre a Terra e o Sol. A partir de então, inicia-se a temporada matutina de Mercúrio. Antes do amanhecer observaremos Mercúrio cada vez mais afastado do Sol até que em 28/09 atingirá a Dicotomia (50% iluminado) e a maior elongação a oeste do Sol, o melhor momento para apontarmos nossos telescópios para este diminuto planeta.
Vênus. A Deusa da Beleza dominará o céu vespertino durante todo o mês de setembro. Será bastante interessante acompanharmos a evolução da fase e do diâmetro aparente do planeta. Em 1o de setembro Vênus apresentará um disco de 11”, 91,5% iluminado. Ao final do mês em 30/09 um disco aparente de 12,1” estará 85,5% iluminado pelo Sol.
Marte. O Deus da Guerra passa o mês de setembro reduzindo ainda mais seu tamanho aparente dificultando ainda mais a observação por telescópios amadores. Vale destacar que em 08/09 o planeta terá seu diâmetro aparente reduzido para 10”. Em 24/09 a magnitude atingirá o valor 0. A partir de então a magnitude se tornará positiva. Vamos aqui destacar o trabalho do astrofotógrafo, astrônomo amador e membro do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais, Deiverson Silveira, que registrou o planeta Marte recentemente.

 Figura 11

Júpiter. O Gigante Gasoso passa o mês de setembro se despedindo do céu vespertino. Com o passar do mês, Júpiter se aproximará cada vez mais do Sol com quem estará em conjunção em 26/09. Porém antes, em 25/09, o Planeta Gigante atingirá a maior distância da Terra 6,454 UA.
Saturno. Ainda bem posicionado para observação amadora no céu vespertino, Saturno é o planeta que vai salvar o início da noite para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de visualizar um planeta através do telescópio. Aproveitemos o mês de setembro, com o planeta ainda com uma boa altura do horizonte, para observarmos seus anéis que estarão abertos a 26o para os observadores da Terra.
Urano. Bem posicionado no céu a leste para observação na primeira metade da noite. Aqueles com acesso a um céu escuro e sem poluição poderão tentar observar Urano mesmo a olho nu. Um pequeno telescópio conseguirá definir seu pequeno disco aparente de aproximadamente 4”.
Netuno. Atingirá a oposição ao Sol em 02/09. Neste momento o planeta estará a 28.9 UA da Terra, com uma magnitude de 7,8 e um diâmetro aparente de 2,3”. Melhor momento para apontar um telescópio e tentar visualizar o seu disco azulado.
Plutão. Apenas telescópios acima de 300mm de abertura permitirão tentar observar visualmente o Planeta Anão Plutão.


Tabela 2


Sol = O quadro abaixo, apresenta alguns elementos úteis à observação solar neste mês como: (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.

Quadro 1

Figura 12

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Apogeu ocorrendo em 06/09 às 18:49 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 405.089,0 km do centro da Terra e o Perigeu ocorrendo em 18/09 às 17:08 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 361880,2 km do centro de nosso planeta.

Eclipse Anular do Sol
Já no primeiro dia de setembro teremos a ocorrência de um eclipse anular do Sol. A figura abaixo mostra as condições gerais para o evento. 


 Figura 13

O link: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/09/o-eclipse-anular-do-sol-em-01-de.html mostra detalhes de locais e horários de observação deste fenômeno.

Eclipse Penumbral da Lua
As figuras abaixo mostram as circunstâncias da ocorrência em 16/09 do Eclipse Penumbral da Lua. Neste tipo de eclipse lunar, nosso satélite apenas tangencia a região no espaço onde o planeta Terra projeta sua sombra pelo espaço.


Figura 14

Figura 15

[1] Lua entra na Penumbra às 16h 54m 31s TU          
[4] Máximo Eclipse às 18h 54m 19s TU                   
[7] Lua deixa Penumbra às 20h 54m 27s TU  
         
Asteroides em Oposição
Até por volta do dia 09 de setembro a Lua, entre a fase Nova e Quarto Crescente, facilitará a localização dos asteroides que estarão em oposição este mês. Entre os dias 09 e 16 a Lua, aumentando a sua face iluminada, colocará um desafio para a tarefa de observar os asteroides de magnitudes mais elevadas. Após a fase Cheia, com a Lua surgindo no céu cada vez mais tarde, será possível localizar esses astros de pouco brilho no início da noite, do dia 16 até o fim do mês. Os links levarão a informações detalhadas que facilitarão a atividade. Vamos a eles:

13/09, mag. 10.3 = (67) Ásia, http://goo.gl/Lrb7AS
22/09, mag. 10.7 = (92) Undina, http://goo.gl/y9V2xO
29/09, mag. 9,2 = (11) Parthenope, http://goo.gl/tv9PD9

Constelação:

Sagitta
A constelação de Sagitta situa-se no hemisfério norte da esfera celeste e seu nome significa FLECHA. É uma das constelações gregas e foi primeiramente catalogada por Ptolomeu por volta de 200 d.c.
Sagitta é a 86a constelação em tamanho, ocupando uma área de apenas 80o quadrados. É maior apenas que as constelações de Equuleus e Crux. Sagitta está limitada pelas constelações de Áquila, Delphinus, Hércules e Vulpécula e pode ser observada desde a latitude +90o até a latitude -70o .
Esta constelação está associada à flecha que Hércules usou para matar a águia que Zeus enviou para devorar o fígado de Prometheu. Prometheu roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isso assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Porém o fogo era exclusividade dos deuses. Zeus então decidiu puni-lo por isso e o acorrentou no Monte Cáucaso, onde a Águia iria comer, para sempre, uma parte de seu fígado que cresceria novamente durante a noite.
A águia é representada pela constelação de Áquila. Hercules encontrou Prometheu durante uma de suas jornadas, matando a águia com uma flecha e libertando-o.

Figura 16

Gamma Sagittae. É a estrela mais brilhante de Sagitta. É uma estrela gigante de cor alaranjada de classe espectral K5III. Apresenta uma magnitude visual de 3.5 e está a aproximadamente 274 anos-luz do sistema solar. Esta estrela é 640 vezes mais luminosa que o Sol possuindo 2,5x mais massa.

Delta Sagittae. Possui classe espectral M2II+B6. É um sistema duplo bastante próximo com a componente principal sendo uma gigante vermelha. A componente secundária é uma estrela da sequência principal branco azulada numa órbita de 3,7 dias. Este sistema está a 448 ano-luz do Sol e tem uma magnitude aparente de 3,68.

Alpha Sagittae. É uma estrela gigante amarela de classe espectral G1II. Ela possui magnitude aparente de 4,39 e está a aproximadamente a 620 anos-luz distante de nós. Alpha Sagittae é 340 vezes mais luminosa que o Sol e com uma massa 4 vezes maior, O nome tradicional desta estrela é Sham ou Alsahm, que vem do árabe sahm e que significa Flecha.

Beta Sagittae. É uma gigante amarela de classificação G8IIIa. Possui uma magnitude visual de 4,4 e está a aproximadamente 470 anos-luz de distância da Terra. Esta estrela possui um raio 10 vezes maior que o do Sol.

15 Sagittae. É uma estrela análoga ao Sol, pertencente à sequência principal com classe espectral G0V. Ela possui uma magnitude visual de 5,8 e está a 57,7 anos-luz de distância. Em 2002 uma estrela anã marrom de classe L4 foi descoberta orbitando a estrela. Esta foi a primeira anã marrom descoberta via imagem, orbitando uma estrela análoga ao Sol.

HD 231701. Em 2007 um planeta similar a Júpiter foi descoberto orbitando esta estrela num período de 142 dias. HD 231701 possui magnitude de 8,9 e está a 353 anos-luz de distância do sistema solar.
S Sagittae. Variável Cepheida de classe F8-G7 e que varia em magnitude de 5,5 a 6,2 num período de 8,38 dias. Está a 4.289 anos-luz de distância.

Objetos Deep Sky

M71 – NGC 6838. O único objeto de céu profundo ao alcance de pequenos instrumentos amadores em Sagittae. Messier 71 é um aglomerado globular de magnitude aparente de 6,1. Está a aproximadamente 13.000 anos-luz de distância do Sol. Este aglomerado foi descoberto pelo astrônomo suíço Philippe Loys de Cheseaux em 1746. Charles Messier o incluiu no seu catálogo em 1780. M71 tem um diâmetro aproximado de 27 anos-luz e possui uma luminosidade de aproximadamente 13.200 sóis.


Figura 17

Acima: M71 em Sagittae. Agradecimento: SONEAR Observatory

OBRIGADO A TODOS.

Referências:

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf>

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip>

- http://www.calsky.com/cs.cgi - Acess in 24 Ago. 2016.

- Chéreau, Fabien.  Software Stellarium.  versão 14.0, Outubro. 2015 Disponível em:  <http://www.stellarium.org/pt_BR/>

   http://www.constellation-guide.com/constellation-list/sagitta-constellation/