quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Almanaque Astronómico Del Paraguay - 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB


Caros(as) amigos(as)!

É com muita alegria que compartilho com vocês o lançamento do Almanaque Astronómico del Paraguay ("Edición Bicentenario") que ocorrerá amanhã em Assunção.

Essa fantástica publicação do Professor Waldemar Villamayor-Venialbo (curador do Centro Paraguayo de Informaciones Astronómicas) e apresentada pelo Professor Miguel Angel Volpe Borgognon, torna-se também uma edição comemorativa do Bicentenário da República do Paraguay, visto que aborda também os principais tópicos da história astronômica daquele país, passando também pelos trabalhos de registros observacionais do Eclipse de 20 de maio de 1947, que aqui no Brasil é conhecido como: Eclipse de Bocaíuva. Rico e fartamente ilustrado com astrofotografias e pinturas de objetos deep-sky, essa publicação torna-se uma peça fundamental também no acervo histórico da astronomia no continente sul americano.

O endereço para download gratuito dessa publicação é:

http://www.megaupload.com/?d=1UTCQ5KU



Aos amigos Prof. Waldemar Villamayor-Venialbo, Miguel Angel Volpe Borgognon como também a todos os integrantes da equipe de trabalharam em mais essa publicação pertencente ao "Club de Astrofísica Del Paraguay" e ao "Grupo de Trabajo en Ciencias y Tecnología del Bicentenario", nossas congratulações pelo magnífico trabalho.

Votos de céus claros e grandes jornadas astronômicas.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O retorno da Phobos-Grunt

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Certamente não era exatamente essa informação que eu gostaria de postar aqui, mas inevitavelmente isso irá ocorrer no próximo mês. Lançada em 08 de novembro último do cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão tendo como um propulsor um foguete Zenit-2SB, após sobrevoar o continente sul americano, a missão russa Phobos-Grunt, destinada ao satélite marciano Phobos, ficou presa a órbita da Terra e segundo informações da agência espacial Roskosmos, ela irá cair na Terra entre 06 e 19 de janeiro.

Ainda de acordo com o comunicado da Roskosmos, "o local e a data da queda (da sonda) somente poderão ser determinados apenas alguns dias antes". Segundo ainda o informe o peso total dos fragmentos que atingirão o solo "não ultrapassará 200 quilos". A Phobos-Grunt foi lançada durante a noite de 08 para 09 de novembro, mas uma falha ainda sob investigação fez com que ela ficasse presa na órbita terrestre.


Daquela data em diante, foram envidados inúmeros esforços para se reestabelecer contato com uma nave espacial, até que após captar um sinal da sonda em 23 de novembro em uma estação terrestre na Austrália, a Agência Espacial Europeia (ESA) ficou no rastreamento da Phobos-Grunt, como parte de um esforço conjunto com a Agência Espacial Federal Russa.

A reentrada de fragmentos de foguetes e restos de satélites artificiais na atmosfera terrestre hoje, já não é mais nenhuma novidade, sendo que o primeiro fato mundialmente acompanhado tenha ocorrido em 11 de julho de 1979, quando o Skylab retornou a Terra, sendo que seus destroços atigiram uma área de dispersão se estendeu-se do sudeste do Oceano Índico por uma área escassamente povoada na Austrália Ocidental. A comercialização do fato para o público também não faltou, visto que chamou a atenção um anúncio de seguro de queda do Skylab (Figura. 01).

De forma mais controlada, a Rússia também passou por esta situação quando em 23 de março de 2001 a Estação Espacial Mir também retornou para a atmosfera, entretando esse reingresso foi realizado de maneira controlada, visto que uma nave de carga Progress M1-5, foi conectado a Mir para realizar a manobra de desorbitagem até sua queima, mas isso não impediu que detritos chegasse até o solo (Figura 02).


Em 10 de dezembro de 2011, a Roskosmos e Ministério da Defesa da Rússia formaram um grupo operacional comum com a tarefa de controlar a reentrada da nave Phobos-Grunt. O anúncio sobre a criação desta força-tarefa essencialmente confirma que a agência esgotou todas as esperanças para o estabelecimento de controle sobre a missão e a reentrada da nave já torna-se um fato inevitável.

Referências:

http://science.ksc.nasa.gov/history/skylab/skylab-operations.txt - Acesso em 18/12/2011.
http://spacefellowship.com/ - Acesso em 18/12/2011.
http://www.russianspaceweb.com/mir_2001.html - Acesso em 18/12/2011.
www.russianspaceweb.com/phobos_grunt.html - Acesso em 17/12/2011
www.msnbc.msn.com/ - Acesso em 17/12/2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

December 10, 2011 Total Lunar Eclipse (as observed on my pc monitor)

MOSAIC MADE OF IMAGES CAPTURED OF THE HKSPM LIVE WEBCAST FROM HONG KONG

By
Helio C. Vital
REA/BRAZIL
www.geocities.ws/lunissolar2003





My estimate of the Danjon Number: 2.9 ± 0.4
(guessing from coloration and light distribution of those images)

Most probable magnitude at mid-totality: -2.1 ± 0.7

De onde viemos? O que somos? Estamos sós no Universo? Onde estamos e para onde vamos?


*Nelson Travnik


DE ONDE VIEMOS?

Essa pergunta que há milênios aguça o espirito humano, sempre encontrou uma resposta fácil para as mais variadas crenças. Para a ciência, contudo, o assunto foi sempre de extrema complexidade. Apesar de haver teorias concorrentes, a formação do Big Bang, expressão inglesa usada pela primeira vez pelo astrônomo inglês Fred Hoyle (1915 - 2001), é a mais aceita pelos astrônomos. É o modelo mais simples e preditivo que conhecemos muito embora envolva cálculos extremamente complexos. A radiação de fundo e a expansão do universo são umas das razões para aceitar a grande explosão. Contudo alguns estudiosos aventam a possibilidade de existir outros universos. O nosso nasceu a 13,7 bilhões de anos. Antes disso, segundo a Teoria da Relatividade do alemão Albert Einstein (1879-1955), o espaço e o tempo não existiam e surgiram com o Big Bang. Segundo os astrofísicos, não faria sentido pensar em um momento anterior a esse evento. Viemos, portanto, de um ovo primordial cuja expansão deu origem as nuvens moleculares, as estrelas, destas aos planetas e destes ao surgimento da vida como conhecemos.

O QUE SOMOS?

Enquanto a Filosofia e a Teologia se debruçam sobre questões que não tem necessariamente uma resposta, é a ciência notadamente a Biologia e a Química, que tenta responder o surgimento da vida nesse planeta que parece ter se originado nos oceanos. As primeiras vidas eram de bactérias anaeróbicas que viviam nas regiões de atividades vulcânicas no fundo dos oceanos. Após vários eventos cataclísmicos locais e vindos do espaço exterior, esses organismos quase se extinguiram, mas conseguiram sobreviver até os dias atuais, usufruindo da energia dos vulcões e por meio da evolução. Por conseguinte, todos os seres vivos de hoje são descendentes dos sobreviventes desses eventos. A química que criou a vida na Terra surgiu espontaneamente da interação durante bilhões de anos de moléculas cada vez mais complexas. Contudo a complexidade de produzir vida inteligente é incomensuravelmente maior do que a de gerar bactérias e outras formas primitivas de vida. O fenômeno vida, contudo, é universal e acontece quando em ambiente favorável, as moléculas principalmente dos átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio vão se combinando aleatoriamente formando complexos orgânicos até gerar ácidos nucleicos (DNA,RNA). Segundo Carl Sagan (1934-1996), “a química que criou a vida na Terra, é reproduzida facilmente por todo o cosmo”. Os átomos que formam nosso corpo foram criados há muitos bilhões de anos sintetizados no núcleo do Sol e recombinados extraordinariamente de maneira a constituir a vida. Somos, por conseguinte, filhos do Sol e nossa origem remonta ao âmago dessa estrela.

ESTAMOS SÓS NO UNIVERSO?

Pelo acima exposto é obvio concluir que seria muita pretensão achar que na imensidão cósmica somente um planeta abriga a vida, inclusive inteligente. Seria raciocinar como os crustáceos para os quais nada existe além da superfície dos oceanos. Por isso alguns astrônomos já arriscaram a dizer que nos próximos 25 anos quando o projeto ALMA, o mais poderoso radiotelescópio da humanidade estiver concluído em 2012 no deserto de Atacama, região de Chajnantor, Andes chilenos, estaremos recebendo a primeira resposta aos nossos sinais: “também estamos aqui”! Quando isto acontecer todos irão lembrar-se de Giordano Bruno (1550-1600) em seu livro ‘Del Infinito Universo e Mondi’ : “Há incontáveis terras orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os seis planetas do nosso sistema... Os incontáveis mundos no universo não são piores nem menos habitados que a nossa Terra”. Também irão lembrar de Camille Flammarion (1842-1925) quando em 1862 publicou o livro ‘A Pluralidade dos Mundos Habitados’. O primeiro foi queimado vivo pela Inquisição por tamanha heresia e o segundo foi demitido por U. Leverrier, diretor do Observatório de Paris por publicar uma ideia medíocre e fantasiosa. A confirmação de outros mundos com civilizações em nosso estágio ou muito mais avançadas irá significar um golpe mortal na crença que de o homem é o centro da criação e que nada é mais perfeito do que o planeta em que vive. Quem viver verá.

ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS?

A introdução do telescópio, dos radiotelescópios, sondas espaciais e os progressos das teorias físicas, permitiram aos astrônomos traçar um quadro fiel do lugar que ocupamos na imensidão cósmica. Somos o planeta Três preso a atração gravitacional de uma estrela amarela que nos faz percorrer 29,5 km/s ao seu redor. Por sua vez, o Sol com seu séquito de planetas, satélites, asteroides, meteoritos e cometas, avança célere a 280 km/s para um ponto na esfera celeste a 10° SW da estrela Vega da constelação da Lira. Por sua vez o sistema solar está situado num dos braços da galáxia espiral, a Via Láctea, distante 30 mil anos -luz do seu centro. Para completar uma volta na galáxia, o sistema solar necessita pouco mais de 200 milhões de anos. Mas a coisa não termina ai. Os astrônomos chegaram a conclusão que a nossa galáxia está em rota de colisão com a de Andrômeda, algo que irá ocorrer daqui a 5 bilhões de anos. Ambas irão se interagir a exemplo desses eventos flagrados pelos grandes telescópios. Esses são, pois, resumidamente, os parâmetros ditados pela Astronomia. Ela é a única ciência que possibilita isso.

*Nelson Travnik é astrônomo dos observatórios astronômicos de Americana e Piracicaba -SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Almanaque Astronômico - 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG - REA/Brasil - AWB

Amigos (as)!

Novamente tenho a alegria de informar-lhes que já se encontra disponível para download na Home Page do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais - CEAMIG, o "Almanaque Astronômico - 2012".

O endereço é:
http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2012.pdf

Aproveito a oportunidade para agradecer as manisfestações recebidas pelas edições anteriormente publicadas, bem como agradecer as diversas sugestões recebidas. É importante informar que algumas já foram inseridas, outras (ainda) encontram-se em fase de estudos para implantação.

Funcionando como um canal de divulgação e informação, o blog Sky and Observers (http://skyandobservers.blogspot.com/), vem atuando como um elo valioso para consultas e fiel complementação dos elementos deste Almanaque Astronômico que agora está disponível.

Chamo a atenção de todos para os seguintes fenômenos que teremos a oportunidade de acompanhar:

a) Ocultações:

a.1) - Ocultações de Estrelas pela Lua, ocorrendo ao longo do ano de 2012,
a.2) - Ocultações de Marte pela Lua em 19 de Setembro,
a.3) - Ocultações de Júpiter pela Lua, ocorrendo nas seguintes datas: 19 de setembro, 28 de novembro e 26 de dezembro.

b) Asteróides:

Nota (1)

Dentre os diversos asteróides cujas respectivas condições observacionais serão favoráveis, as mais significantes oposições (alcançando suas máximas magnitudes no período) serão:

b.1) - Oposição de (96) Aegle em 10 de fevereiro;
b.2) - Oposição de (85) Io em 11 outubro;
b.3) - Oposição de (91) Aegina em 09 novembro;

Nota (2)

Já dentro do limite observacional dos instrumentos óticos (lunetas e telescópios) de pequeno e médio porte, teremos:

b.4) - Oposição de (88) Thisbe em 23 fevereiro,
b.5) - Oposição de ( 6) Hebe em 27 fevereiro,
b.6) - Oposição de ( 5) Astraea em 12 março,
b.7) - Oposição de (17) Thetis em 06 agosto,
b.8) - Oposição de ( 2) Pallas em 24 setembro,
b.9) - Oposição de (79) Eurynome em 26 setembro,
b.10)- Oposição de ( 4) Vesta em 09 dezembro.

c) Cometas:

Nota (3)

Em paridade as condições observacionais com que são analisadas os asteróides, os cometas cujo periélio dar-se-á este ano ou mais tardar em 2013 são apresentados, desde que as respectivas condições observacionais serão favoráveis e dentro do limite observacional dos instrumentos óticos (binóculos, lunetas e telescópios) de pequeno e médio porte. Assim teremos as seguintes espectativas:


c.1) P/2006 T1 (Levy) em 12 Janeiro,
c.2) 21P/Giacobini-Zinner em 11 Fevereiro,
c.3) C/2011 R1 (McNaught) em 19 Outubro
c.4) C/2011 F1 (LINEAR), que tendo seu periélio em 08 Janeiro de 2013, na segunda quinzena de dezembro já estará no limite observacional de pequenos instrumentos, e finalmente:
c.5) C/2011 L4 (PANSTARRS), que tendo seu periélio em 10 Março de 2013, no início de dezembro começa sua elongação favoráveis as observações.


Novamente espero que todos apreciem as novidades e divulguem essas efemérides no âmbito de suas respectivas associações, clubes, grupos, núcleos, observatórios e planetários, locais onde a ciência astronômica e sua prática observacional é uma constante.

Aproveito também a época para desejar a todos, votos de boas festas e um profícuo ano de 2012 cheio de prosperidade.

Um grande abraço!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O céu do mês – Dezembro 2011

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB


Logo no início deste mês a lua proporcionará interessantes alinhamentos com os planetas Netuno e Urano e no dia 06, com o brilhante Júpiter formando um interessante par. O Eclipse Total da Lua que ocorrerá no dia 10 próximo, irá proporcionar aos habitantes das ilhas do Oceano Pacífico um belo espetáculo. Todo o eclipse é visível em partes da Ásia e Austrália, sendo que as o evento estará no zênite nas Ilhas Marianas do Norte e Guam (observe a tabela 2). Na Europa e África não será possível observar as fases inicias do fenômeno, visto que em sua ocorrência a lua ainda não estará visível. Já no dia 22 teremos o solstício de dezembro, marcando o início do verão no hemisfério sul.




O Eclipse Total da Lua

Durante a totalidade, as conhecidas constelações de Gemini, Orion e Taurus, e estarão bem visíveis e os observadores poderão realizar interessantes estimativas de brilho utilizando-se estrelas como: Castor (mag. 1.5) e Pollux (mag. 1.2), Aldebaran (mag. 0.9), Rigel (mag. 0.2 ) e Betelgeuse (mag. 0.5).

Planetas, Asteróides e Cometas!

Mercúrio = Neste mês, o planeta Mercúrio estará no dia 04 em conjunção inferior, culminando também seu periélio em 05/12 com uma distância ao Sol de 0.31 UA. Ele continua transitando pela constelação de Ophiuchus até o dia 08 próximo, pois retornará a constelação de Scorpius culminando (estacionário) ali até o dia 14 de dezembro. Retornando seu caminho de volta a constelação de Ophiuchus ele alcançará essa área do céu em 23/12, data de sua máxima elongação Oeste (22º). Ele permanece ali até o dia 05/01/2012. As magnitudes estimadas para Mercúrio neste período são: 01/12 = 3.1, 15/12 = 0.2 e em 31/12 = -0.4 respectivamente.

Vênus = Na constelação de Sagittarius onde se encontra desde o dia 24 de novembro último, Vênus permanecerá naquela região do céu até o dia 21 deste mês quando ele fará seu ingresso na constelação de Capricornus. Suas elongações proporcionarão os seguintes ângulos de fase: 0,893 em 01 de dezembro a 0,832 e suas magnitudes serão: -3.9 no dia 01/12 e -4.0 em 31/12.

Marte = A cada dia, Marte vem surgindo mais cedo junto com toda a constelação de Leo. Suas magnitudes chegam neste mês de dezembro em 0.5 (15/12) e 0.2 no ultimo dia deste ano. Ele vem diminuindo cada vez mais sua distância a Terra e conseqüentemente, aumentando seu diâmetro aparente.


Júpiter = O planeta gigante neste início de mês continuará transitando na constelação de Áries, mas somente até 05 de dezembro quando então, fará seu ingresso na constelação de Pisces. Naquela região do céu ele fará com a Lua em 06 de dezembro, um interessante alinhamento, pois estão separados visualmente apenas 4.9° um do outro (figura 2). Em 15 de dezembro ele encontrar-se-á com magnitude de -2.7, sendo que na noite de 26 estará estacionário, chegando à última noite do ano com magnitude de -2.6.

Os satélites galileanos proporcionarão interessantes espetáculos neste mês, mas chamo a atenção especificamente para 03 eventos, que certamente não passarão despercebidos dos observadores acostumados aos movimentos dinâmicos de Júpiter e seu séquito de satélites.

Em 03 de dezembro, Calisto estará cruzando o norte do planeta joviano, continuando sua translação em torno do planeta, mas já no dia 11, ele estará no sul do disco de Júpiter, contrastando com a sombra de Io projetada no disco do planeta próximo a Grande Mancha Vermelha (veja a figura 3) Numa interessante formação.

Outra situação ideal, a qual incentivo a todos observadores que façam registros de alguma forma são os fenômenos que envolvem Io, Europa, Ganimedes e Callisto, projetados no planeta. Esses interessantes eventos ocorrem ao longo de suas translações cruzando o disco joviano no sentido Oeste - A passagem da Grande Mancha Vermelha (GRS), pelo meridiano central de Júpiter pode ser acompanhada por observadores mais atentos a superfície do Planeta; assim na figura 4, podemos vislumbrar os horários neste mês desses trânsitos.

Saturno = Gradativamente o planeta Saturno vem tendo seu nascer nas primeiras horas do dia. Ele encontra-se transitando lentamente na constelação de Virgo com uma magnitude de 0.7.

Urano = A situação do planeta Urano neste mês e bastante semelhante a novembro último, pois continua na constelação de Pisces. E ideal ainda mencionar que neste mês ele estará no dia 04 de dezembro cerca de 5.8° Sul da Lua, que neste dia apresentará 0.65% de fase e também no último dia do ano ele novamente estará cerca de 5.7º Sul da Lua, que apresenta 0.38% de fase. Entretanto enfatizo que o planeta encontrar-se-á estacionário em 10 de dezembro.

Netuno = Aparentemente lento na constelação de Aquarius com sua magnitude em 7.9, o planeta Netuno estará a 5.6° da Lua em 28 de dezembro, sendo que o percentual iluminado lunar será de 0.20% e também no último dia do ano, Netuno estará a 5.7° novamente da Lua; ele apresentará uma fração iluminada em 0.38%. A magnitude deste planeta está estimada em 7.9.

Ceres e Plutão = Ceres encontra-se na constelação de Aquarius com magnitude 8.8. No dia 09 ele estará a 0.19° norte da brilhante Omega 1 Aquarii (mag= 4.9), havia suspeita de ser essa estrela uma variável e também ser dupla, mas isso não foi confirmado; enquanto isso Plutão na constelação de Sagittarius, neste período estará no dia 29 próximo, em conjunção com o Sol.

Asteróides:

Neste derradeiro mês de 2011, teremos ainda a oportunidade de observações do asteróide (12) Victoria (mag 10.5). Assim ele poderá até 31 de dezembro ainda dentro dos limites observacionais de equipamentos de médio porte. A Lua (quarto Crescente em 02/12 – 03:53 TU) com um percentual de 0.88% iluminada causará algum embaraço na identificação do asteróide que estará atravessando a constelação de Taurus. Entretanto a situação será mais favorável após sua oposição e uma ótima oportunidade se dará em 20 de dezembro (próximo a Lua nova) quando então (12) Victoria estará com uma magnitude de 10.9.

Cometas:

As expectativas observacionais serão extremamente favoráveis aos observadores do hemisfério norte, visto que neste período o P/2006 T1 (Levy) estará atravessando a constelação de Pegasus. Após a Lua Cheia (10/12 – 08:38 TU), ele poderá ser observado em 17/12, próximo a brilhante Scheat (2.4) quando então já no dia 18, estará dentro do grande quadrado da constelação boreal, formado pelas estrelas Scheat (2.4), Markab (2.4), Algenib (2.8) e da brilhante Alpheratz (2.0), esta pertencente a constelação de Andromeda. Este cometa ficará nesta área do céu até 01 de janeiro próximo, quando chegará a constelação de Pisces.

O Frisson observacional desta época deverá ser o C/2009 P1 (Garradd), atravessando a constelação de Hércules ele vem aumentado gradativamente seu brilho, magnitude 7.6 em 01/12, 7.5 em 17/12 e 7.4 no último dia do ano.

Constelação:


Áries

Embora possa parecer pequena e desinteressante após uma rápida consulta a uma Carta Celeste ou planisfério, estaremos cometendo um sério engano em imaginar que aquela região celeste seja observacionalmente monótona. Áries é uma dessas constelações, onde sua atenção pode ficar presa por um bom tempo. Busquemos observacionalmente 30 Arietis (mag. 6.5) Um par fácil de estrelas e fácil resolução. Ambas estrelas são amarelas, mas muitas referencias de observação da estrela menor aparecem como azulado ou lilás. A estrela mais brilhante é um binário espectroscópico com um período de 9,851 dias.

Mesarthim (mag. 3.9) é uma das mais conhecidas estrelas dulas e uma das primeiras a serem descobertas, encontrada acidentalmente por Robert Hooke em 1664, enquanto ele estava seguindo um cometa; as magnitudes individuais são 4,7 e 4,8 respectivamente.

O que mais chama a atenção dos astrônomos também nesta constelação e 53 Arietis (mag. 6.1). Uma das três chamadas "Estrelas fugazes"; as outras são: AE Aurigae (mag. 6.1) e Mu Columbae(5.1), que se caracterizam por velocidades anormalmente elevada no espaço e parecem estar se movendo para fora da região de associação da nebulosa de Orion.

Um estudo sugeriu que tais objetos, desgarram-se dos demais membros do grupo de estrelas jovens conectados a Grande Nebulosa de Órion (M42). Se assim for, essas estrelas foram expulsas apenas alguns milhões de anos atrás, possivelmente pelas explosões de supernovas. A velocidade de 53 Arietis é de aproximadamente 63 quilômetros por segundo, um pouco menor que as outras duas estrelas acima mencionadas.

Estima-se que essa expulsão da região de Orion, tenha ocorrido cerca de 5 milhões de anos atrás. Já as outras tem suas velocidades estimadas em mais de 70 quilômetros por segundo e os cálculos de separação estimados em cerca de 2,0 e 2,7 milhões de anos, respectivamente.

A questão mais interessante sobre essas estrelas é naturalmente o problema de sua "fuga" dos grupos onde elas foram formadas. Vários mecanismos foram propostos, mas nenhum foi inteiramente satisfatório na tentativa de explicar a aceleração de uma estrela em alta velocidade. A explosão de uma supernova não poderia por si só produzir tal efeito, mas ainda pode ser essa a resposta para o problema em outro sentido.

Se supusermos que uma estrela "pré supernova" era um membro de um par binário próximo, as velocidades orbitais teriam sido muito altas e a súbita explosão da estrela seria o "release" da outra estrela que continuaria fora através espaço na mesma alta velocidade.

No caso de 53 Arietis esta explicação é um tanto questionável, pelo fato de que a estrela pode ser uma binária próxima no momento presente. A velocidade radial tem sido reportada variável. No entanto a estrela foi recentemente identificada como variável do tipo Beta Canis Majoris ou Beta Cephei (período = 3h: 40m), e agora parece que essa velocidade que pode ser devido a essa causa, em vez de movimento binário. (Veja abaixo a figura ilustrativa das três estrelas fugitivas 53 Arietis, AE Aurigae e Mu Columbae).


Finalizando, aproveito a oportunidade desse espaço eletrônico para desejar a todos os observadores do céu, votos de boas festas e um novo ciclo repleto de realizações astronômicas.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2011, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2010, 93P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

- Espenak, Fred - http://eclipse.gsfc.nasa.gov - Acesso em 05/10/2011.