segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

De onde viemos? O que somos? Estamos sós no Universo? Onde estamos e para onde vamos?


*Nelson Travnik


DE ONDE VIEMOS?

Essa pergunta que há milênios aguça o espirito humano, sempre encontrou uma resposta fácil para as mais variadas crenças. Para a ciência, contudo, o assunto foi sempre de extrema complexidade. Apesar de haver teorias concorrentes, a formação do Big Bang, expressão inglesa usada pela primeira vez pelo astrônomo inglês Fred Hoyle (1915 - 2001), é a mais aceita pelos astrônomos. É o modelo mais simples e preditivo que conhecemos muito embora envolva cálculos extremamente complexos. A radiação de fundo e a expansão do universo são umas das razões para aceitar a grande explosão. Contudo alguns estudiosos aventam a possibilidade de existir outros universos. O nosso nasceu a 13,7 bilhões de anos. Antes disso, segundo a Teoria da Relatividade do alemão Albert Einstein (1879-1955), o espaço e o tempo não existiam e surgiram com o Big Bang. Segundo os astrofísicos, não faria sentido pensar em um momento anterior a esse evento. Viemos, portanto, de um ovo primordial cuja expansão deu origem as nuvens moleculares, as estrelas, destas aos planetas e destes ao surgimento da vida como conhecemos.

O QUE SOMOS?

Enquanto a Filosofia e a Teologia se debruçam sobre questões que não tem necessariamente uma resposta, é a ciência notadamente a Biologia e a Química, que tenta responder o surgimento da vida nesse planeta que parece ter se originado nos oceanos. As primeiras vidas eram de bactérias anaeróbicas que viviam nas regiões de atividades vulcânicas no fundo dos oceanos. Após vários eventos cataclísmicos locais e vindos do espaço exterior, esses organismos quase se extinguiram, mas conseguiram sobreviver até os dias atuais, usufruindo da energia dos vulcões e por meio da evolução. Por conseguinte, todos os seres vivos de hoje são descendentes dos sobreviventes desses eventos. A química que criou a vida na Terra surgiu espontaneamente da interação durante bilhões de anos de moléculas cada vez mais complexas. Contudo a complexidade de produzir vida inteligente é incomensuravelmente maior do que a de gerar bactérias e outras formas primitivas de vida. O fenômeno vida, contudo, é universal e acontece quando em ambiente favorável, as moléculas principalmente dos átomos de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio vão se combinando aleatoriamente formando complexos orgânicos até gerar ácidos nucleicos (DNA,RNA). Segundo Carl Sagan (1934-1996), “a química que criou a vida na Terra, é reproduzida facilmente por todo o cosmo”. Os átomos que formam nosso corpo foram criados há muitos bilhões de anos sintetizados no núcleo do Sol e recombinados extraordinariamente de maneira a constituir a vida. Somos, por conseguinte, filhos do Sol e nossa origem remonta ao âmago dessa estrela.

ESTAMOS SÓS NO UNIVERSO?

Pelo acima exposto é obvio concluir que seria muita pretensão achar que na imensidão cósmica somente um planeta abriga a vida, inclusive inteligente. Seria raciocinar como os crustáceos para os quais nada existe além da superfície dos oceanos. Por isso alguns astrônomos já arriscaram a dizer que nos próximos 25 anos quando o projeto ALMA, o mais poderoso radiotelescópio da humanidade estiver concluído em 2012 no deserto de Atacama, região de Chajnantor, Andes chilenos, estaremos recebendo a primeira resposta aos nossos sinais: “também estamos aqui”! Quando isto acontecer todos irão lembrar-se de Giordano Bruno (1550-1600) em seu livro ‘Del Infinito Universo e Mondi’ : “Há incontáveis terras orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os seis planetas do nosso sistema... Os incontáveis mundos no universo não são piores nem menos habitados que a nossa Terra”. Também irão lembrar de Camille Flammarion (1842-1925) quando em 1862 publicou o livro ‘A Pluralidade dos Mundos Habitados’. O primeiro foi queimado vivo pela Inquisição por tamanha heresia e o segundo foi demitido por U. Leverrier, diretor do Observatório de Paris por publicar uma ideia medíocre e fantasiosa. A confirmação de outros mundos com civilizações em nosso estágio ou muito mais avançadas irá significar um golpe mortal na crença que de o homem é o centro da criação e que nada é mais perfeito do que o planeta em que vive. Quem viver verá.

ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS?

A introdução do telescópio, dos radiotelescópios, sondas espaciais e os progressos das teorias físicas, permitiram aos astrônomos traçar um quadro fiel do lugar que ocupamos na imensidão cósmica. Somos o planeta Três preso a atração gravitacional de uma estrela amarela que nos faz percorrer 29,5 km/s ao seu redor. Por sua vez, o Sol com seu séquito de planetas, satélites, asteroides, meteoritos e cometas, avança célere a 280 km/s para um ponto na esfera celeste a 10° SW da estrela Vega da constelação da Lira. Por sua vez o sistema solar está situado num dos braços da galáxia espiral, a Via Láctea, distante 30 mil anos -luz do seu centro. Para completar uma volta na galáxia, o sistema solar necessita pouco mais de 200 milhões de anos. Mas a coisa não termina ai. Os astrônomos chegaram a conclusão que a nossa galáxia está em rota de colisão com a de Andrômeda, algo que irá ocorrer daqui a 5 bilhões de anos. Ambas irão se interagir a exemplo desses eventos flagrados pelos grandes telescópios. Esses são, pois, resumidamente, os parâmetros ditados pela Astronomia. Ela é a única ciência que possibilita isso.

*Nelson Travnik é astrônomo dos observatórios astronômicos de Americana e Piracicaba -SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

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