quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O céu do mês – Dezembro 2011

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB


Logo no início deste mês a lua proporcionará interessantes alinhamentos com os planetas Netuno e Urano e no dia 06, com o brilhante Júpiter formando um interessante par. O Eclipse Total da Lua que ocorrerá no dia 10 próximo, irá proporcionar aos habitantes das ilhas do Oceano Pacífico um belo espetáculo. Todo o eclipse é visível em partes da Ásia e Austrália, sendo que as o evento estará no zênite nas Ilhas Marianas do Norte e Guam (observe a tabela 2). Na Europa e África não será possível observar as fases inicias do fenômeno, visto que em sua ocorrência a lua ainda não estará visível. Já no dia 22 teremos o solstício de dezembro, marcando o início do verão no hemisfério sul.




O Eclipse Total da Lua

Durante a totalidade, as conhecidas constelações de Gemini, Orion e Taurus, e estarão bem visíveis e os observadores poderão realizar interessantes estimativas de brilho utilizando-se estrelas como: Castor (mag. 1.5) e Pollux (mag. 1.2), Aldebaran (mag. 0.9), Rigel (mag. 0.2 ) e Betelgeuse (mag. 0.5).

Planetas, Asteróides e Cometas!

Mercúrio = Neste mês, o planeta Mercúrio estará no dia 04 em conjunção inferior, culminando também seu periélio em 05/12 com uma distância ao Sol de 0.31 UA. Ele continua transitando pela constelação de Ophiuchus até o dia 08 próximo, pois retornará a constelação de Scorpius culminando (estacionário) ali até o dia 14 de dezembro. Retornando seu caminho de volta a constelação de Ophiuchus ele alcançará essa área do céu em 23/12, data de sua máxima elongação Oeste (22º). Ele permanece ali até o dia 05/01/2012. As magnitudes estimadas para Mercúrio neste período são: 01/12 = 3.1, 15/12 = 0.2 e em 31/12 = -0.4 respectivamente.

Vênus = Na constelação de Sagittarius onde se encontra desde o dia 24 de novembro último, Vênus permanecerá naquela região do céu até o dia 21 deste mês quando ele fará seu ingresso na constelação de Capricornus. Suas elongações proporcionarão os seguintes ângulos de fase: 0,893 em 01 de dezembro a 0,832 e suas magnitudes serão: -3.9 no dia 01/12 e -4.0 em 31/12.

Marte = A cada dia, Marte vem surgindo mais cedo junto com toda a constelação de Leo. Suas magnitudes chegam neste mês de dezembro em 0.5 (15/12) e 0.2 no ultimo dia deste ano. Ele vem diminuindo cada vez mais sua distância a Terra e conseqüentemente, aumentando seu diâmetro aparente.


Júpiter = O planeta gigante neste início de mês continuará transitando na constelação de Áries, mas somente até 05 de dezembro quando então, fará seu ingresso na constelação de Pisces. Naquela região do céu ele fará com a Lua em 06 de dezembro, um interessante alinhamento, pois estão separados visualmente apenas 4.9° um do outro (figura 2). Em 15 de dezembro ele encontrar-se-á com magnitude de -2.7, sendo que na noite de 26 estará estacionário, chegando à última noite do ano com magnitude de -2.6.

Os satélites galileanos proporcionarão interessantes espetáculos neste mês, mas chamo a atenção especificamente para 03 eventos, que certamente não passarão despercebidos dos observadores acostumados aos movimentos dinâmicos de Júpiter e seu séquito de satélites.

Em 03 de dezembro, Calisto estará cruzando o norte do planeta joviano, continuando sua translação em torno do planeta, mas já no dia 11, ele estará no sul do disco de Júpiter, contrastando com a sombra de Io projetada no disco do planeta próximo a Grande Mancha Vermelha (veja a figura 3) Numa interessante formação.

Outra situação ideal, a qual incentivo a todos observadores que façam registros de alguma forma são os fenômenos que envolvem Io, Europa, Ganimedes e Callisto, projetados no planeta. Esses interessantes eventos ocorrem ao longo de suas translações cruzando o disco joviano no sentido Oeste - A passagem da Grande Mancha Vermelha (GRS), pelo meridiano central de Júpiter pode ser acompanhada por observadores mais atentos a superfície do Planeta; assim na figura 4, podemos vislumbrar os horários neste mês desses trânsitos.

Saturno = Gradativamente o planeta Saturno vem tendo seu nascer nas primeiras horas do dia. Ele encontra-se transitando lentamente na constelação de Virgo com uma magnitude de 0.7.

Urano = A situação do planeta Urano neste mês e bastante semelhante a novembro último, pois continua na constelação de Pisces. E ideal ainda mencionar que neste mês ele estará no dia 04 de dezembro cerca de 5.8° Sul da Lua, que neste dia apresentará 0.65% de fase e também no último dia do ano ele novamente estará cerca de 5.7º Sul da Lua, que apresenta 0.38% de fase. Entretanto enfatizo que o planeta encontrar-se-á estacionário em 10 de dezembro.

Netuno = Aparentemente lento na constelação de Aquarius com sua magnitude em 7.9, o planeta Netuno estará a 5.6° da Lua em 28 de dezembro, sendo que o percentual iluminado lunar será de 0.20% e também no último dia do ano, Netuno estará a 5.7° novamente da Lua; ele apresentará uma fração iluminada em 0.38%. A magnitude deste planeta está estimada em 7.9.

Ceres e Plutão = Ceres encontra-se na constelação de Aquarius com magnitude 8.8. No dia 09 ele estará a 0.19° norte da brilhante Omega 1 Aquarii (mag= 4.9), havia suspeita de ser essa estrela uma variável e também ser dupla, mas isso não foi confirmado; enquanto isso Plutão na constelação de Sagittarius, neste período estará no dia 29 próximo, em conjunção com o Sol.

Asteróides:

Neste derradeiro mês de 2011, teremos ainda a oportunidade de observações do asteróide (12) Victoria (mag 10.5). Assim ele poderá até 31 de dezembro ainda dentro dos limites observacionais de equipamentos de médio porte. A Lua (quarto Crescente em 02/12 – 03:53 TU) com um percentual de 0.88% iluminada causará algum embaraço na identificação do asteróide que estará atravessando a constelação de Taurus. Entretanto a situação será mais favorável após sua oposição e uma ótima oportunidade se dará em 20 de dezembro (próximo a Lua nova) quando então (12) Victoria estará com uma magnitude de 10.9.

Cometas:

As expectativas observacionais serão extremamente favoráveis aos observadores do hemisfério norte, visto que neste período o P/2006 T1 (Levy) estará atravessando a constelação de Pegasus. Após a Lua Cheia (10/12 – 08:38 TU), ele poderá ser observado em 17/12, próximo a brilhante Scheat (2.4) quando então já no dia 18, estará dentro do grande quadrado da constelação boreal, formado pelas estrelas Scheat (2.4), Markab (2.4), Algenib (2.8) e da brilhante Alpheratz (2.0), esta pertencente a constelação de Andromeda. Este cometa ficará nesta área do céu até 01 de janeiro próximo, quando chegará a constelação de Pisces.

O Frisson observacional desta época deverá ser o C/2009 P1 (Garradd), atravessando a constelação de Hércules ele vem aumentado gradativamente seu brilho, magnitude 7.6 em 01/12, 7.5 em 17/12 e 7.4 no último dia do ano.

Constelação:


Áries

Embora possa parecer pequena e desinteressante após uma rápida consulta a uma Carta Celeste ou planisfério, estaremos cometendo um sério engano em imaginar que aquela região celeste seja observacionalmente monótona. Áries é uma dessas constelações, onde sua atenção pode ficar presa por um bom tempo. Busquemos observacionalmente 30 Arietis (mag. 6.5) Um par fácil de estrelas e fácil resolução. Ambas estrelas são amarelas, mas muitas referencias de observação da estrela menor aparecem como azulado ou lilás. A estrela mais brilhante é um binário espectroscópico com um período de 9,851 dias.

Mesarthim (mag. 3.9) é uma das mais conhecidas estrelas dulas e uma das primeiras a serem descobertas, encontrada acidentalmente por Robert Hooke em 1664, enquanto ele estava seguindo um cometa; as magnitudes individuais são 4,7 e 4,8 respectivamente.

O que mais chama a atenção dos astrônomos também nesta constelação e 53 Arietis (mag. 6.1). Uma das três chamadas "Estrelas fugazes"; as outras são: AE Aurigae (mag. 6.1) e Mu Columbae(5.1), que se caracterizam por velocidades anormalmente elevada no espaço e parecem estar se movendo para fora da região de associação da nebulosa de Orion.

Um estudo sugeriu que tais objetos, desgarram-se dos demais membros do grupo de estrelas jovens conectados a Grande Nebulosa de Órion (M42). Se assim for, essas estrelas foram expulsas apenas alguns milhões de anos atrás, possivelmente pelas explosões de supernovas. A velocidade de 53 Arietis é de aproximadamente 63 quilômetros por segundo, um pouco menor que as outras duas estrelas acima mencionadas.

Estima-se que essa expulsão da região de Orion, tenha ocorrido cerca de 5 milhões de anos atrás. Já as outras tem suas velocidades estimadas em mais de 70 quilômetros por segundo e os cálculos de separação estimados em cerca de 2,0 e 2,7 milhões de anos, respectivamente.

A questão mais interessante sobre essas estrelas é naturalmente o problema de sua "fuga" dos grupos onde elas foram formadas. Vários mecanismos foram propostos, mas nenhum foi inteiramente satisfatório na tentativa de explicar a aceleração de uma estrela em alta velocidade. A explosão de uma supernova não poderia por si só produzir tal efeito, mas ainda pode ser essa a resposta para o problema em outro sentido.

Se supusermos que uma estrela "pré supernova" era um membro de um par binário próximo, as velocidades orbitais teriam sido muito altas e a súbita explosão da estrela seria o "release" da outra estrela que continuaria fora através espaço na mesma alta velocidade.

No caso de 53 Arietis esta explicação é um tanto questionável, pelo fato de que a estrela pode ser uma binária próxima no momento presente. A velocidade radial tem sido reportada variável. No entanto a estrela foi recentemente identificada como variável do tipo Beta Canis Majoris ou Beta Cephei (período = 3h: 40m), e agora parece que essa velocidade que pode ser devido a essa causa, em vez de movimento binário. (Veja abaixo a figura ilustrativa das três estrelas fugitivas 53 Arietis, AE Aurigae e Mu Columbae).


Finalizando, aproveito a oportunidade desse espaço eletrônico para desejar a todos os observadores do céu, votos de boas festas e um novo ciclo repleto de realizações astronômicas.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2011, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2010, 93P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

- Espenak, Fred - http://eclipse.gsfc.nasa.gov - Acesso em 05/10/2011.

Um comentário:

  1. Caros amigos!

    Chamo a atenção para as pequenas mudanças que podem ocorrer ao longo do período acima mencionado.

    Um grande abraço.

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