sábado, 1 de dezembro de 2012

O Almanaque Astronômico Brasileiro de 2013!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG - REA/Brasil - AWB

Nobres amigos (as)!

Novamente tenho a alegria de informar-lhes que já se encontra disponível para download na Home Page do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais - CEAMIG, o "Almanaque Astronômico - 2013".


O endereço é:

Aproveito a oportunidade para agradecer as manifestações recebidas pelas edições anteriormente publicadas, bem como agradecer as diversas sugestões recebidas. É importante informar que algumas já foram inseridas, outras (ainda) encontra-se em fase de estudos para implantação.

Funcionando sempre como um valioso canal de divulgação dessas efemérides e informações, as notas mensalmente postadas no blog Sky and Observers (http://skyandobservers.blogspot.com/), vem atuando como um elo valioso para consultas e complementação dos elementos deste Almanaque Astronômico que agora está disponível. Assim nele as freqüentes consultas para os fenômenos visíveis além das fronteiras do Brasil, já começam a ganhar o contorno americano e ruma para uma contemplação maior dos que também tenham visibilidade nos demais continentes, muito embora não sejam todos os fenômenos abordados, mas que não deixarão de ser mencionados de alguma forma.

Chamo a atenção dos demais observadores para os seguintes fenômenos que teremos a oportunidade de acompanhar em 2013:

a) Ocultações:

a.1) - Ocultações de Estrelas pela Lua, ocorrendo ao longo do ano;
a.2) - Ocultação de Júpiter pela Lua, ocorrendo em 22 de janeiro;
a.3) - Ocultação de Vênus pela Lua em 08 de setembro, visível no sul do Brasil.

Nota (1)

Não menos importantes, mas que devemos ressaltar de alguma forma serão os seguintes eventos:
(N-1.A) - Ocultação diurna de Plutão em 07 de fevereiro, cuja área de visibilidade recairá sobre a região norte e nordeste do Brasil;
(N-1.B) - Ocultação diurna de Mercúrio em 08 de julho, cuja área de visibilidade recairá sobre a região norte do Brasil, visível apenas em pequenas partes dos estados do Amapá e extremo sul de Roraima, porém não visível de suas respectivas capitais.

b) Asteróides:

Nota (2)

Dentre os diversos asteróides cujas respectivas condições observacionais serão favoráveis, as mais significantes oposições (alcançando suas máximas magnitudes no período) serão:

b.1) - Oposição de (83) Beatrix em 02 de maio; 11.0
b.2) - Oposição de (25) Phocaea em 13 de maio; 10.1
b.3) - Oposição de (93) Minerva em 08 de agosto; 10.7

Nota (3)

Já dentro do limite observacional dos instrumentos óticos (lunetas e telescópios) de pequeno e médio porte, teremos:

b.4) - Oposição de (92) Undina em 01 fevereiro, 8.9
b.5) - Oposição de (29) Amphitrite em 13 de março, 9.0
b.6) - Oposição de (8)  Flora em 20 de julho, 8.6
b.7) - Oposição de (89) Julia em 23 de setembro, 9.1
b.8) - Oposição de (94) Aurora em 30 de setembro, 11.5
b.9) - Oposição de (86) Semele em 10 de outubro, 11.6
b.10) - Oposição de (20) Massalia em 01 de novembro. 8.7


c) Cometas:

Nota (4)

Em paridade as condições observacionais com que são analisadas os asteróides, os cometas cujo periélio dar-se-ão este ano (ou mais tardar em 2014) são apresentados, desde que as respectivas condições observacionais sejam favoráveis e dentro do limite observacional dos instrumentos óticos (binóculos, lunetas e telescópios) de pequeno e médio porte. Assim as melhores expectativas serão:


c.1) C/2011 L4 (PANSTARRS), que tendo seu periélio em 10 Março de 2013, são apresentadas suas efemérides já para o início de fevereiro próximo, quando sua magnitude já poderá ser percebida até mesmo a visão descoberta.
c.2) C/2012 S1 (ISON), que deverá ser a grandiosa surpresa em novembro de 2013.


d) Eclipses:

Em 2013 ocorrerão 05 eclipses, sendo que a maior expectativa para os observadores americanos, europeus e principalmente aqueles localizados no centro oeste africano será o eclipse total do sol de 03 de novembro. Assim na região sul exterior de seu cone de sombra, essa faixa de visibilidade adentrará o território brasileiro próximo ao Monte Caburaí na Serra do Navio (RR) e na região conhecida como "Cabeça do Cachorro" no extremo noroeste do Brasil, estado do Amazonas, em região de fronteira com a Colômbia. Dessa forma encontrar-se-á publicado às circunstâncias locais do 1º Contato, Instante Máximo e Último Contato para as regiões norte, nordeste, centro oeste e extremo norte do estado de Minas Gerais. O maior percentual de disco solar encoberto será a Ilha de Fernando de Noronha - PE no litoral do Brasil.

Novamente espero que todos apreciem as novidades e divulguem essas efemérides no âmbito de suas respectivas associações, clubes, grupos, núcleos, observatórios e planetários, locais onde a ciência astronômica e sua prática observacional é uma constante.

Aproveito também a época para desejar a todos, votos de boas festas e um profícuo ano de 2013 cheio de muita saúde, paz, harmonia e prosperidade.

Um grande abraço.

O céu do mês – Dezembro 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Além do solstício de dezembro, marcando o início do verão no hemisfério sul, o Céu neste derradeiro mês de 2012, trará o brilhante Júpiter como uma de suas principais atrações, pois protagonizará com a Lua mais uma excepcional ocultação, cuja faixa de visibilidade cortará grande parte da África ocidental e também da América do Sul. Alpha Virginis e o planeta Mercúrio também serão ocultados pelo disco lunar no dia 09 e 12 respectivamente, sendo que uma ocultação do diminuto e longínquo Plutão poderá ser acompanhada instantes antes do nascer do Sol, mais precisamente no sudeste da Ásia, englobando a Índia, Paquistão e o Sri-Lanka. Talvez por esses fenômenos celeste cortarem uma vastidão oceânica, e a Baleia um dos mais dignos e belos representantes dessas águas; será ela uma excepcional anfitriã neste mês, onde poderemos conhecer um pouco mais essa constelação.


O Almanaque Astronômico Brasileiro de 2013

Ao exemplo dos anos anteriores, nas próximas horas deverá estar disponível para download o Almanaque Astronômico para o ano de 2013; é igualmente importante informar que as modificações foram realizadas atendendo a necessidade observacional, bem como também agradecer pelas manifestações recebidas do bom acolhimento das edições anteriormente publicadas.

Dentro do possível as notas mensalmente postadas nestas páginas atenderão o um complemento dos fenômenos visíveis além das fronteiras do Brasil, abrangendo o contorno americano e ruma para uma contemplação maior dos que também tenham visibilidade nos demais continentes, muito embora não sejam todos os fenômenos abordados, mas que não deixarão de ser mencionados de alguma forma.

A Ocultação de Spica pela Lua em 09 de dezembro de 2012

Em 09 de dezembro próximo a Lua -21% iluminada e com uma elongação de 54°, ocultará a estrela Spica (mag 1.0) no período diurno. A fixa de visibilidade do evento recai sobre no sul dos oceanos Atlântico e Pacífico, cortando o Sul do continente latino americano (Argentina e Chile), conforme apresentado na figura 2.

A Ocultação de Mercúrio em 12 de dezembro de 2012

Em 12 de dezembro próximo a Lua, ocultará o planeta Mercúrio (mag -0.5). A fixa de visibilidade do evento recai sobre o continente antártico, conforme apresentado na figura 3.


A Ocultação de Júpiter pela Lua em 26 de dezembro de 2012

Na noite de 26 de dezembro próximo, a Lua + 95% iluminada e com uma elongação de 154°, ocultará o planeta Júpiter (mag. 2.3) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

Planetas!

Mercúrio = Começa esse mês na constelação de Libra, novamente ele encontrar-se em dicotomia (meia-fase) neste primeiro dia. Será interessante também, pois o planeta atingira sua máxima elongação em 04 de dezembro, desta feita com 20.6° Oeste e uma magnitude de -0.5; ela ainda fará uma rápida passagem pela constelação de Escorpião no período de 13 a 16 de dezembro, quando chegará nos limites da constelação de Ophiuchus. Esta permanência ali também será breve, visto que alcança a constelação de Sagitário no dia 29 ficando ali até o final deste mês, com sua elongação, contudo diminuído para uma nova conjunção com o Sol.

Vênus = Este planeta estará na constelação de Libra até o dia 18 deste mês quando então, também fará uma breve passagem naquela região celeste pelo menos até o dia 22/12, chegando nesta data à constelação de Ophiuchus, permanecendo ali até o fim deste mês. Suas respectivas elongações continuam diminuindo chegando no dia 15 com 24.9°, o que é também um fator com que faz suas  magnitudes serem estimadas em -4.0 neste dia e -3.9 no dia 31/12.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:



Marte = Estará na constelação de Sagittarius até o dia 25 próximo, quando então ingressará na constelação de Capricórnio, ficando ali até o final deste mês. Como sua elongação vem diminuindo cada vez mais neste período, seu ocaso vem ocorrendo cada vez mais cedo também; isso faz com que Marte; deixe a esfera celeste noturna cada dia mais cedo, entretanto sua magnitude continua em torno de 1.2.

Júpiter = Júpiter será novamente o grande protagonista dos eventos celeste este mês. Ele vem chamando bastante atenção dos observadores, visto que desde o mês de setembro quando seu diâmetro aparente atingiu mais de 40 segundos de arco, chegando nessa oposição com 45.3”, conforme apresenta a Figura 4 abaixo. A conseqüência imediata então será a magnitude de -2.8 apresentada pelo planeta nesta época e também de sua distância a Terra que será de 4.068837 ua.

Novamente trata-se a tabela 2 abaixo, as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos.

Na tabela 3, podemos encontrar novamente os horários (UT – Tempo Universal) previstos dos trânsitos da Grande Macha Vermelha (GRS) para este período.

A ocultação desse planeta pela lua em 26 de dezembro será sem dúvidas uma das oportunidades observacionais mais fantásticas neste restante de ano.

Saturno = Ainda visível durante as madrugadas, Saturno vem aos poucos aumentando sua elongação, que terminou o mês anterior com 31.9° W, mas chegará ao final do ano com 60.4° W, sua magnitude continua estima em 0.6 por todo esse mês; Saturno também terminará no próximo dia 06/12 sua passagem pela constelação de Virgo ingressando em seguida na constelação de Libra.

Urano = O planeta Urano estará em sua máxima declinação sul (1.2°) no dia 11/12, sendo que estando estacionário em 13/12, inicia o seu movimento prógrado em relação à eclíptica e ao equador. Sua magnitude de 5.8 na constelação de Pisces, ainda facilita bastante sua localização na primeira parte da noite, pois a sua elongação será de 84.9° E  no último dia deste mês.

Netuno = Ainda será possível localizar Netuno neste período, ficando atentos na fase da Lua nova, pois sua elongação ainda é considerada oportuna para essa finalidade, sua posição pouco variou, pois continua na constelação de Aquário e com magnitude estimada de 7.9.

Ceres e Plutão = O pequeno planeta Ceres estará até 02/12, quando então ingressará na constelação de Taurus após essa data, ficando ali até o fim do mês. A sua oposição ocorrerá em 18 de dezembro próximo, quando então Ceres estará com a magnitude de 5.9 e a uma distância de 2.668586 UA do Sol. Plutão As elongações do diminuto planeta Plutão neste mês de dezembro vem diminuindo sensivelmente, pois ele estará em conjunção com o sol no próximo dia 30/12, separado apenas 3.3° graus deste (muito embora a real distância entre ambos seja de 33.340309 UA). Mas observadores localizados no sudeste da Ásia poderão acompanhar uma ocultação de Plutão pelo disco Lunar, ondea faixa de melhor visibilidade ocorre em Bangladesh, Nepal, Índia, Sul da China, Paquistão e no Sri-Lanka conforme apresentado na figura 5.


Nas demais nações do continente africano, o evento ocorrerá durante a luz do dia, impossibilitando assim seu monitoramento.

Notas

(ua) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Cetus 

Muito embora a lenda que cerca a história dessa constelação, não penso que sejam as baleias animais monstruosos como foi apregoado, aliás, pelo que tivemos a oportunidade de acompanhar algumas décadas passadas, nós próprios éramos os verdadeiros predadores dos mares. A constelação embora extensa, em princípio não vai chamar muito a atenção dos observadores num primeiro momento devido a não existência de estrelas brilhantes, mas essa concepção será bastante alterada se apenas buscar em Mira – Omicron Cet – (a Maravilhosa), todo o histórico dessa estrela variável para perceber o quanto é importante sua compreensão.

Será bastante interessante em nosso entendimento sobre essa constelação (figura 6, abaixo), saber que 5 estrelas marcam a cabeça de Cetus e desse delineamento podemos destacar Menkar (2.5), Kaffaljidhma (3.4), Xi2 Cet (4.2), Mu Cet (4.2) e Lambda Cet (4.7); dessas estrelas Menkar (Alpha Cet), uma gigante vermelha de classe espectral M1.5IIIa, será o nariz dessa baleia celeste; já Kaffaljidhma, de classe espectral A3V é uma dupla física, com uma companheira de magnitude 7.3, estará na outra extremidade da base da cabeça. 


Na outra extremidade desta constelação temos a seguinte composição de estrelas que representará a grande cauda desse cetáceo; entretanto é bastante tentador dizer que Mira (3.0) está no coração essa gigante constelação.  Assim Baten Kaitos (3.7) uma gigante de cor laranja poderá ser tomada como marco inicial nesta área da constelação.  Eta Cet (3.5) outra estrela gigante alaranjada, marcará os contornos iniciais de uma das barbatanas caudais, assim como Pi Cet (4.2) sinalizará a outra extremidade que serão finalizadas quando vislumbramos Tau Cet (3.5), uma na amarela muito parecida com o Sol e também próxima. Esse contorno celeste será finalização com mais uma estrela gigante alaranjada, pois Diphda (2.0) ou Deneb Kaitos como também é conhecida, possuiu a classe espectral G8V.

A Nebulosa 246

Embora podemos perceber em M 77 aplicando-se um telescópio refletor newtoniano de 140 mm e aumentos na ordem de 140 a forma ovóide de uma galáxia espiral, chamo a atenção dos observadores para o NGC (new General Catalogue)  246. Essa nebulosa planetária apelidada de nebulosa do Crânio, foi descoberta em 1785 por William Herschel e está localizada cerca de 6° ao norte-nordeste de Deneb Kaitos e cerca de 1,5 ° ao sul-sudeste de Phi 1 Ceti.

A nebulosa é relativamente pequena e fraca. Com um pequeno telescópio a débil luz da nebulosa é quase dominada pelas estrelas sobreposta em primeiro plano. Telescópios maiores apresentam a nebulosa de forma mais clara, especialmente quando aplicado um filtro específico para a observação destes objetos de céu profundo.

A complexa estrutura trançada do anel azul do exterior de NGC 246, visível nesta imagem obtida pelo Spitzer Space Telescope – IRAC (NASA / JPL – Caltech / J. Hora (Harvard-Smithsonian CfA) na figura 7,  apresenta a resultante da ação de ondas de choque, onde os gases em alta velocidade são empurrados para fora a partir da quente estrela central (~ 200000 K) e podem também contribuir para o caos visível. Colisões entre estes ventos rápidos e as capas chocando-se poderiam explicar os lobos distintos verdes escuros e vazios visíveis na metade da concha interior. 

Essa expansão desigual ao longo dos eixos principais da nebulosa mostra uma visível assimetria: a estrutura externa do NGC 246 tem a forma de um anel oval. Sua borda (superior) parece mais brilhante e nítida do que a sua borda traseira (inferior). A estrela binária central é ligeiramente deslocada para ponta, como os astrônomos previram. (Para mais detalhes sobre a dinâmica das nebulosas planetárias, e esse objeto em particular, ver os trabalhos de Muthu et al. E Soker et al.). 

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1730–1740.– Inc. New York – USA, 1978. 

- http//www.daviddarling.info/encyclopedia/S/Skull_Nebula.html – Acesso em 07 Out 2012.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.0 (David Herald - IOTA) - acesso em 27/11/2012.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 27/11/2012.





A ocultação de Júpiter pela Lua em 25/26 Dezembro 2012!


Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na noite de 25 para 26 de dezembro próximo, a Lua + 95% iluminada e com uma elongação de 154°, ocultará o planeta Júpiter (mag. - 2.6) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão dos continentes africano e sul americano. 

A posição dos satélites de Júpiter em 26 de dezembro é representada na figura 02, podendo seus respectivos desaparecimentos e reaparecimentos ser também cronometrados das localidades onde a ocultação será visível.

Assim os observadores localizados na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai poderão acompanhar esse evento, conforme é descrito nas tabelas 1 a 7 abaixo.






Observadores localizados na África do Sul, Angola, Congo, Namíbia, Gabão, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Gana, Costa do Marfim, Libéria e Serra Leoa também poderão acompanhar esse evento. Abaixo são apresentadas as circunstâncias para algumas cidades do continente africano; lembrando que esse evento ocorre já em 26 de dezembro, conforme é apresentado nas tabelas 8 a 12 abaixo.




Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo se encontram os mapas com os continentes cuja faixa de visibilidade o fenômeno poderá ser observado. (figuras 3 e 4).

 Faixa de visibilidade na África
Faixa de visibilidade na América do Sul

Júpiter é conhecido desde a mais remota antiguidade; um dos dias da semana (quarta-feira)  lhe é consagrado, há mais de 2000 a.C., pelos caldeus. A mais antiga observação desde planeta, que se conhece, data de 3 de setembro do ano 140 a.C., quando ocultou a estrela Delta do Cancer (Mourão, 1984).

As ocultações de planetas pela Lua são fenômenos de rara beleza, onde seus registros constituem uma excelente oportunidade do astrofotógrafo, por exemplo, incrementar sua coleção, bem como ainda, ao astrônomo amador manter um registro significativamente importante desde que enviado para associações de pesquisas como a ALPO (Association Lunar and Planetary Observers), IOTA (International Occultation Timing Association) e no Brasil a REA (Rede de Astronomia Observacional).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas – Da Terra às Galáxias – Uma Introdução à Astrofísica, Ed. Vozes, 4ª Ed., Petrópolis (RJ) - 1984, 359P.

-Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.0 (David Herald - IOTA) - acesso em 27/11/2012.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 27/11/2012.


O asteroide (43) Ariadne em 2012!


Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 17 de dezembro próximo, o asteroide (43) Ariadne estará com seu posicionamento favorável as observações (Lua = percentual iluminado +0.17%), quando então sua magnitude chegará a 10.9, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de pequenos instrumentos óticos, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.




Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, Ariadne foi descoberto em 15 de abril de 1857 pelo astrônomo pelo astrônomo inglês Norman R. Pogson (1829 - 1891) no Observatório de Oxford. Seu nome é uma alusão à filha de Minos, mitológico rei de Creta, Ariadna.  (Mourão, 1987)

Nota: = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!

Bibliografia:

Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2011, 104 P.

Dia Nacional da Astronomia, Dia do Astrônomo

*Nelson  Travnik

Astrônomos de todo País comemoram neste domingo, 2, de dezembro, o seu dia. Eu estava presente em Recife - PE, durante o 2º Encontro de Astronomia do Nordeste celebrado de 30 de junho a 3 de julho de 1978 quando aprovamos por unanimidade o título de Patrono da Astronomia Brasileira a D. Pedro II (1825-1891). A escolha do dia 2 de dezembro celebra a data de nascimento do mais erudito governante brasileiro. A partir da escolha a efeméride ganhou força e a data passou a celebrar o Dia Nacional da Astronomia, o Dia do Astrônomo.

MOTIVOS

Foram muitas as razões da escolha. Além de astrônomo amador, modernizou o Imperial Observatório do Rio de Janeiro criado pelo seu pai D. Pedro I através do decreto de 15/10/1827  e contratou astrônomos europeus de renome para aqui trabalhar. No dia 29/07/1887 a convite do renomado astrônomo francês Camille Flammarion (1842-1925) esteve presente na inauguração do Observatório de Juvisy, ocasião em que inaugurou a luneta de 24 cm, plantou um pinheiro nos jardins do Observatório (que existe até hoje) e concedeu a Flammarion a comenda da Ordem da Rosa.

Membro da Sociedade Astronômica da França, sócio honorário da Academia de Ciências de Paris desde 1877, honraria alcançada por poucos, em seu observatório particular construído no telhado do Palácio de São Cristovão, hoje Museu Nacional, recebia alunos para aprender a observar o céu e usar os instrumentos. No Imperial Observatório tinha um apartamento para descansar após horas de observação. Sob forte oposição do Parlamento e até merecendo críticas e caricaturas na imprensa, concedeu aos astrônomos as verbas necessárias para instalar três missões científicas, uma delas em Punta Arenas, Patagônia chilena, para a observação da passagem do planeta Vênus pelo disco solar em 6/12/1882, fenômeno que   só iria se repetir em 8/6/2004.

As observações foram um sucesso pois permitiram desenvolver cálculos precisos para determinar a distância Terra-Sol e com isto as demais distâncias dos outros planetas. Junto com Luiz Cruls no Imperial Observatório efetuou a primeira análise espectroscópica de um cometa. Observou do seu observatório o eclipse do Sol de 1857. Doou vários instrumentos ao Imperial Observatório, dentre eles a luneta astrográfica que deveria ser usada no programa da Carta do Céu. Os trabalhos do Imperial Observatório passaram a ser reconhecidos e admirados internacionalmente. Em 1890, já no exílio, D. Pedro II foi homenageado com o nome do asteróide Brasilia de numero 293 descoberto em Nice pelo astrônomo A. Charlois (1864-1910).

Faltava contudo ao Imperial Observatório, atual Observatório Nacional do Rio de Janeiro, um grande telescópio e ele foi encomendado por D. Pedro II  na Inglaterra. Desgraçadamente contudo o navio que transportou o instrumento chegou ao Rio justamente na ocasião da Proclamação da República e os republicanos não perderam tempo: mandaram o telescópio de volta! Para a astronomia era o inicio da idade das trevas que culminaria em 1930 com a extinção da cosmografia dos bancos escolares pelo então ministro da educação Francisco Luiz da Silva Campos. Enquanto nossos vizinhos, o Uruguai e a Argentina a conservavam, nós a eliminávamos. Era o inicio de um analfabetismo cósmico que iria perdurar por muitas gerações.

O NOVO CÉU DO BRASIL

É  somente na década de 60 com a criação do primeiro curso de formação em astronomia pela UFRJ, pela importação de instrumentos e planetários pelo governo militar, pela implantação em 1980 do Laboratório Nacional de Astrofísica do Observatório Nacional em Brasópolis - MG, pela  presença do Brasil nos dois maiores complexos astronômicos do mundo no Havaí e no Chile  e recentemente com mais um curso de formação em astronomia pela USP, podemos dizer que estamos no caminho certo.

Cumpre ressaltar que pós-graduação e doutorado em astronomia é realizado por várias universidades, pelo Observatório Nacional e pelo IAG-USP. Por outro lado a criação de observatórios e planetários até em escolas, em clubes de astronomia, as “Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica”, OBAA, os “Encontros Nacionais de Astronomia”, ENAST que deram origem aos EREAs, “Encontros Regionais de Astronomia”, bem como os da Sociedade Brasileira de Astronomia, SBA, estão desenhando um novo perfil para a astronomia nacional. Também é importante salientar a notável contribuição da astronomia ao Programa Espacial Brasileiro. Aliás, astronomia e astronáutica estão indelevelmente, ligadas.

*Nelson Travnik é astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O céu do mês – Novembro 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Ao suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e Sargento Roberto Lopes dos Santos
In Memorian 

Que mistério é a vida, que mistério é a morte...”. Assim eu posso iniciar os comentários do céu neste mês de novembro, até mesmo lembrando o acidente ocorrido em 25 de fevereiro passado na Estação Científica Comandante Ferraz do Brasil na Antártida que ocasionou óbito de dois insignes militares da Marinha do Brasil. Então Camille Flammarion sabiamente faz perquirir esse mistério que o "Cosmo", com sua evolução e conseqüentemente do ser humano também talvez possa responder. Então poderemos ganhar a noite e observar as estrelas.

Logo neste início de mês, a Lua ocultará o planeta Júpiter cuja faixa de visibilidade contemplará os países do sul do continente africano, bem como o diminuto planeta Plutão, sendo ainda que nosso satélite natural protagonizará 2 eclipses (um solar e outro penumbral) que poderão ser acompanhados na Austrália, ilhas do pacífico e Antártida.

Mas também é interessante simplesmente falar do céu e das estrelas que estão no firmamento nesse mês. Como a brilhante Canopus (mag. -0.6) uma estrela supergigante amarela, cujo nome é homenagem ao piloto Menelaus do navio Argus que ali existia. Até os dias atuais essa estrela é uma referência nas jornadas de algumas sondas espaciais; Betelgeuse (mag. 0.5) uma estrela variável e supergigante vermelha será aquela que faz a ligação do braço direito do caçador Órion, empunhando uma espada e pisando com seu pé (que é indicado por Rigel de magnitude 0.2, uma supergigante branco azulada) o corpo de uma Medusa. Sirius (mag. -1.4) indicará o peito de Canis Major, um valoroso companheiro de caça de Órion. Não vou deixar de mencionar Aldebaran (mag. 0.9) uma gigante alaranjada que compõem a base da cabeça de um grande Touro. Saber que no interior de uma grande Baleia celeste, Mira – Omicron Cet – (a Maravilhosa),  é uma estrela variável pulsante que teve sua periodicidade reconhecida em 1638 e foi redescoberta em 1795 pelo pastor holandês David Fabricius, mostrará que  ainda não é suficiente nosso conhecimento.

Então a coletânea de catalogação e observação do genial abade e astrônomo francês Lacaille levado a termo à quase 250 anos atrás, reflete ainda nos dias atuais a rica capacidade de criação dos artífices de um novo tempo; para tal nossa lida agora é para que conheçamos (numa reverência também a esse passado), um apropriado “Atelier de Escultor”, que certamente ainda esculpe e continuará moldando na mente humana a intelectualidade necessária à evolução. Está feito o convite.




A Ocultação de Júpiter pela Lua em 02 de novembro de 2012

Em 02 de novembro próximo a Lua -91% iluminada e com uma elongação de 145°, ocultará o planeta Júpiter (mag. -2.6) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais: Io (5.0), Europa (5.2), Ganimede (4.5) e Callisto (5.6), conforme posicionamento abaixo (figura 2) do instante máximo 01:06.1 (UT). Neste instante, Io estará oculto pelo disco do planeta, com desaparecimento ("D") previsto para 22:36.1 em 01/11/2012 (TU) e reaparecimento ("R") às 01:33.6 (TU - Universal Time) já em 02/11/2012.

Esta ocultação poderá ser observada somente no sul do continente africano abrangendo o sul da Namíbia, sul de Botsuana, sul da Suazilândia, África do Sul (inclusive o Lesoto) e o extremo sul de Moçambique, conforme apresentado na figura 3.


O Eclipse Total do Sol de 13 de novembro de 2012

Em 13 de novembro, teremos a ocorrência do segundo eclipse do Sol (total) deste ano cujas áreas de  visibilidade iniciar-se-á numa pequena região próxima ao extremo norte da Austrália,  que abrange em seu início a porção norte do Território Australiano do Norte, sendo que a faixa de totalidade cruzará o Golfo de Carpentária seguindo em direção a Terra de Arnhem; Ele será visível de forma parcial por todas as demais nações e ilhas que naquela região são limítrofes, isso incluindo a Tasmânia e a Nova Zelândia, já dentro do Limite Sul. A faixa de totalidade então passará pelo Mar dos Corais chegando ao Oceano Pacífico.

Dentro do limite norte onde o eclipse poderá ser observado de forma parcial, ele poderá ser acompanhado da Papua-Nova Guiné, Ilhas das regiões Melanésia e Micronésia, incluindo Nova Caledônia, Ilhas Salomão, Nauru e Ilhas Marshall; o Kiribati (Ilhas Fênix), Tuvalu, Fiji, Ilhas Wallis e Fortuna  e Tonga. A faixa de totalidade cruzará a Linha Internacional de Datas ao sul de Tokelau,  Samoa Ocidental, Niue e Ilhas Cook; sendo que as Ilhas de Bora Bora, Tahiti, Gambier e Pitcairn, que compõem os arquipélagos da Polinésia, estarão dentro desse limite de visibilidade. Isso engloba também a Ilha Páscoa, sendo que a faixa total de visibilidade deste eclipse terminará em algum ponto o Oceano Pacífico, distante cerca 980 a WSE (oés-sudoeste) do litoral do Chile, conforme figura 4.

O Eclipse será acompanhado de forma parcial no sul do continente latino americano, visto próximo a linha do poente no Chile, Argentina, Ilhas Falkland (vide tabelas 2, 3 e 4) e regiões da Antártida (tabela 5). Existe ainda uma remotíssima possibilidade da região litorânea de Pisco no Peru acompanhar por instantes o Sol parcialmente eclipsado no seu ocaso.

O Eclipse na Base Científica Comandante Ferraz na Antártida

O eclipse também poderá ser acompanhado de algumas regiões Antárticas, assim selecionei na Península Antártica sua região mais boreal, a ilha do Rei George onde além das Bases científicas da Polônia, Chile, encontra-se em início de reconstrução a estação científica do Brasil (conforme mencionado); visto que estamos próximos do verão austral, talvez a visibilidade deste eclipse possa ser o marco inicial de uma nova fase de pesquisas científicas naquela região. Vejam os dados apresentados na tabela 5.


A Ocultação de Plutão pela Lua em 16 de novembro de 2012

Em 16 de novembro, a Lua +13% iluminada e com uma elongação de 43°, ocultará o pequeno planeta Plutão (mag. 14.2). Embora extremamente difícil de ser acompanhado, pois a instrumentação requerida deverá ser equipamentos óticos acima de 300mm de abertura, pode-se acompanhar esse evento. Assim as áreas de abrangências desse evento serão o extremo sul do México, os países da América Central, incluindo todas as ilhas do mar do Caribe (exceto Barbados e o norte das Bahamas) e o norte da América do sul; já no Oceano Pacifico o evento é observado no arquipélago de Galápagos. O fenômeno abrange ainda o norte da America do Sul, sendo visível por toda a extensão territorial da Venezuela, Colômbia e Equador. Ele abrange também o norte do Peru, Norte do Brasil (extremo noroeste do Acre, norte do Amazonas, extremo norte do Pará e todo o estado de Roraima) e a região centro oeste da Guiana. O fenômeno se estende em sua parte diurna por quase todo o Oceano Pacífico terminando no Atol de Abemama, pertencente ao Kiribati, conforme a figura 5.

No Brasil (Boa Vista – RR), Plutão desaparecerá no limbo escuro da Lua às 00:34.5 (TU) portanto já no dia 17 de novembro, sendo que a duração da ocultação do disco é: +/-0.2 segundos.

O Eclipse Penumbral da Lua em 28 de Novembro de 2012 
Este eclipse é visivel no leste do Canadá, sendo que nos Estados Unidos ele poderá ser acompanhado até o ocaso da Lua. Mas os observadores localizados no Alaska, Havaí, Austrália, (ilhas do Pacífico) e nações da Ásia Oriental (figura 6), poderão acompanhar todo o fenômeno.

A Ocultação de Júpiter pela Lua em 28 de novembro de 2012

Na noite de 28 de novembro próximo, a Lua - 100% iluminada e com uma elongação de 175°, ocultará o planeta Júpiter (mag. 2.3) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais (Vejam maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Zeta Tauri pela Lua em 30 de novembro de 2012

Na noite de 30 de novembro próximo, a Lua - 98% iluminada e com uma elongação de 163°, ocultará a estrela Zeta Tauri de magnitude 3.0. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano (Vejam maiores informações na resenha do Sky and Observers).

Planetas!

Mercúrio = Como pode ser observado, Mercúrio encontra-se na constelação de Escorpião bem como também teve sua máxima elongação no dia 26 último, quando já reiniciou a diminuição de suas elongações. Neste início de mês, o planeta Mercúrio já deverá encontrar-se em dicotomia (meia-fase), sendo que no dia 15/11, com uma magnitude de 3.7 e uma elongação somente de 5.9° E, volta a constelação de Libra ficando lá até o fim deste mês. Entretanto Mercúrio deverá estar em conjunção inferior em 17/11 sendo que atinge seu periélio em 21/12 quando estará a uma distância ao Sol de 0.307500 UA. Já em 30/11 sua elongação atinge 19.5° W com uma magnitude de -0.1, sendo observado no sentido W antecedendo o nascer do Sol.

Vênus = Vênus permanecerá a grande maioria deste período na constelação de Virgem, pelo menos até o dia 29/11 quando chega à constelação de Libra. Sua magnitude continua estimada em -4.0 por todo esse período e suas elongações também diminuem sendo 31.7° W em 15/11 e 28.4° no dia 30/11. Entretanto nós voltaremos a nossa atenção para Vênus na madrugada do dia 27 de novembro (figura 7), quando então juntamente com o gigante Saturno eles formação um par bastante cerrado com uma separação angular de somente 31,5’ de arco no céu vespertino. Observem ainda que neste quadro matutino e já dentro do crepúsculo náutico, o planeta Mercúrio tomará parte também nessa moldura celeste aparecendo um pouco abaixo na constelação de Libra.


Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:

Júpiter = A sua oposição já vem próxima e Júpiter também, (obviamente com os eventos de ocultações pela Lua acima mencionados) prepara-se para roubar a cena em Star Parties e sessões observacionais que ocorrerão. Sua magnitude, que para esse início de mês e estimada em -2.7, chegará a -2.8 e já a partir do dia 15/11 estará cruzando a esfera celeste por quase todo o período noturno na medida em que suas elongações também aumentam sendo 159.5° no dia 15/11 e 176.5° em 30/11. Novamente trata-se a tabela 7 abaixo, as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos.
Na tabela 8, podemos encontrar novamente os horários (UT – Tempo Universal) previstos dos trânsitos da Grande Macha Vermelha (GRS) para este período.

Saturno = Após a sua conjunção com o Sol que ocorreu em 25/10 último e como também esperado, Saturno somente vai ganhar condições de observação telescópicas em torno do dia 12 de novembro próximo quando observado antes do nascer do Sol na linha do horizonte W. Ele se encontra transitando pela constelação de Virgem com uma magnitude estimada em 0.6. O alinhamento espetacular entre Vênus e Saturno que poderá ser acompanhado antes do nascer do Sol no dia 27 de novembro (vide a figura 6), sendo que ele deverá terminar o mês de novembro com uma elongação de 31.9° W. Isso indica que deveremos aguardar mais algum tempo para que ele esteja em melhores condições observacionais.

Urano = As condições observacionais de Urano continuam bastante favoráveis neste início de mês, embora a sua magnitude seja estimada em 5.8 em 15/11, fugindo um pouco daquele limite observacional teórico a visão desarmada (5.6) que comentamos. Como sua identificação no céu não é difícil, pois encontra-se localizado na constelação de Pisces, sempre será de grande validade consultar o quadro 1 (com as fases da Lua) para planejar sua observação. Suas elongações para o período são 131.8° no dia 15/11 e 116.4° em 30/11.  

Netuno = O planeta Netuno encontra-se na constelação de Aquário e como suas elongações vem diminuindo, ele permanecerá com uma magnitude estimada de 7.9. Então tornar-se fundamental para os proprietários de pequenos telescópios planejarem sua identificação dentre as estrelas, inicialmente checando as fases da Lua. Ele estará na noite do dia 13/11 a 0.42° Sul da estrela 38 Aquarii (mag. 5.4) que uma vez identificada denunciará a presença de Netuno naquela posição. Contudo antecedendo a essa oportunidade, será importante mencionar que ele encontrar-se-á estacionário, iniciando seu movimento prógrado em relação à eclíptica em 11 de novembro. Ele chegará em 30/11 com uma elongação de 82.1° E.  

Ceres e Plutão = As magnitudes de Ceres vem aumentado na medida em que suas elongações também vão se tornando maiores. Ela será de 125.2° em 01/11, 140.0° em 15/11 e chegará a 157.3° no ultimo dia deste mês; conseqüentemente as magnitudes serão para este mesmo período de 8.0 neste primeiro dia, 7.7 em 15/11 e será de 7.3 no fim do mês. Tudo isso é indício de uma oposição bastante favorável para o próximo mês. Ele é facilmente localizado na constelação de Gemini. Enquanto isso as condições observacionais do pequenino Plutão tornam cada vez mais dificultadas. Como se não se bastassem às baixas magnitudes de 14.1 na primeira quinzena deste mês, suas elongações vem diminuindo também, (58.4° em 01/11 e 30.1° em 30/11) sendo a única chance para um instrumento acima de 250 mm de diâmetro e sem a moderna eletrônica, buscar essa observação em 13/11 na constelação de Sagittarius.

Notas: 

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Sculptor 

O histórico dessa moderna constelação fatalmente fará com que nos transportemos a 1751 quando o abade e astrônomo francês Nicolas Louis Lacaille, numa viagem no Cabo da Boa Esperança, sendo que também (em meio caminho para a África) esteve na cidade do Rio de Janeiro (Brasil), onde instalou seu observatório determinando sua latitude e longitude, realizando ali outras observações no hemisfério sul (Mourão, 1987). Mais que isso, Lacaille durante os 4 anos de duração dessa jornada austral observou cerca de 10.000 estrelas, nomeando 14 novas constelações em homenagem às artes e Ciências, talvez por herdar de seu protetor, o duque de Bourdon algum traço digno de mecenas. Assim podemos entender o porque La Caille naquela época fez alusão para essa identificação a: Antlia (Máquina Pneumática), Caelum (Cinzel), Circinus (Compasso), Fornax (Fornalha), Horologium (Relógio), Mensa (Mesa), Microscopium (Microscópio), Norma (Régua), Octans (Octante), Pictor (Pintor), Pyxis (Bússola), Reticulum (Retículo), Telescopium (Telescópio) e por fim o “Atelier do Escultor”, simplificada em 1922 pela UAI (União Astronômica Internacional) apenas como Escultor (Figura 8). 
Embora Sculptor seja uma constelação pequena e com estrelas pouco brilhantes, a melhor referência para a correta identificação será recordar a fácil localização da brilhante Fomalhaut (mag. 1.1) em PsA, conforme pudemos conhecer na resenha do mês anterior. Dali então, partiremos com nosso reconhecimento no sentido leste encontrando γ (Gamma) Scl; gigante amarela de magnitude 4.4 e classe espectral K1III, possui a luminosidade de 37 vezes a do Sol. 

Uma vez já nos limites internos da constelação, será fácil o reconhecimento em sentido horário de β (beta) Scl de magnitude 4.3, classe espectral  B9.5IV que possui uma luminosidade de 42 vezes mais que o Sol e α (alfa)  Scl (mag. 4.3) e classe espectral B7III cuja luminosidade é cerca de 223 o Sol, embora distante, cerca de 403 a.l, sendo que se pode identificar ali também ζ (zeta) Scl de magnitude 5.0, classe espectral B4III; importante mencionar que esse trio de estrelas são branco azuladas, não significando contudo alguma relação de duplicidade ou oriundas de uma mesma nuvem. Completará ainda essa interpretação  δ (delta) Scl (4.5) e classe espectral A0V, uma estrela branca 25.3 vezes mais luminosa que o Sol que se encontra cerca de 150 a.l de distância.

Dentre os diferentes tipos de estrelas duplas, κ1 (Kappa 1) Scl de magnitude 5.4 e classe espectral F2V chamará a atenção dos observadores, pois esse par físico (cada uma das componentes giram em torno da outra) com separação de 1.5” de arco são brancas e de magnitude 6.1 e 6.2 respectivamente. 

Os objetos Deep-Sky

Os objetos de espaço profundo (Deep-Sky Object) dessa constelação podem ser uma boa surpresa para os observadores que são proprietários de pequenos equipamentos e não tenham muitos recursos, mas será importante enfatizar que as condições do céu sejam boas e (principalmente) longe da poluição luminosa. Então começaremos pelo mais fácil e detectável, o Aglomerado Aberto Blanco 1, que na realidade é uma nuvem de estrelas próxima a estrela ζ (zeta) Scl de magnitude 5.0 (sendo ela própria a componente mais brilhante) formado também por cerca de 30 estrelas  e com um tamanho de 90.0' de arco. Essa nuvem vem aparecendo em algumas Cartas Celestes e Atlas, podendo ser alguma referência para a localização de outros objetos.  

Assim sendo, traçando uma imaginária reta celeste deste aglomerado, vamos encontrar no sentido E o NGC 288 que é um Aglomerado Globular de magnitude 8.1 cujas estrelas possuem a magnitude de 12 e sua dimensão possui cerca de 13.8’ de arco. Esse aglomerado entretanto, servirá de referencia para a localização da fantástica galáxia NGC 253.

O Grupo Local Escultor

O Grupo do Escultor é um dos grupos de galáxias mais próximo ao Grupo Local onde se encontra a Via Láctea e é dominado por cinco galáxias, quatro espirais - NGC 247 (em Cetus), NGC 253, NGC 300 e NGC 7793 e uma irregular a NGC 55. A mais próxima destas é a NGC 55 que se encontra na borda do Grupo do Escultor e na fronteira com a constelação de Fênix.

Será importante ainda buscar o reconhecimento da NGC 300 que muito embora possua uma magnitude 8.1 é uma galáxia que possui 20.0’ x 15.0’ e do tipo Sd, numa definição criada pelo astrônomo francês Gérard de Vaucouleurs (1918-1995), responsável pelo aperfeiçoamento do sistema de classificação de galáxias de Hubble, em que os braços existem, mas começam a apresentar irregularidades na sua definição. Num novo tipo de classificação de galáxias de Hubble (Domingos Soares, 2009). 

NGC 253 – A Grande Espiral do Escultor

Como mencionei acima o Aglomerado Globular NGC 288 será uma excepcional referência, juntamente com a brilhante estrela Difda (beta Cet) de magnitude 2.0 e classe espectral G9.5III para a localização dessa proeminente galáxia espiral que empresta também a designação, para nomear esse Grupo Local de Galáxias como mencionado acima. 

Igualmente a grande Galáxia de Andrômeda M31, a NGC 253 (figura 9) e provavelmente uma das espirais mais facilmente observadas e também bastante acessível a binóculos e telescópios pequenos e de médios porte. Até mesmo por que foi descoberta por Caroline Herschel em 1783, durante uma de suas buscas sistemáticas por cometas. John Herschel, usando o seu refletor com espelho metálico de 18" no Cabo da Boa Esperança cerca de 50 anos mais tarde, descreveu como: "muito brilhante e grande ...; um objeto soberbo .... Sua luz é um pouco comprida, mas eu não vejo estrelas, exceto 4, uma grande e uma muito pequena, e estas parecem não pertencer a ela, não sendo muitos próximas ... ".

A NGC 253 é uma fonte de rádio bastante forte, identificado pela primeira vez por Milles em Sydney, Austrália, e confirmado em outras estações. Uma supernova foi registrada nesta galáxia, em 1940; é evidentemente foi descoberta muito tempo depois do seu máximo, como a magnitude observada de apenas 14.  De acordo com o Moscow Generaly Catalogue of Variable Stars (1971) a posição era de 50" a oeste do núcleo e 17" sul.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1730–1740.– Inc. New York – USA, 1978. 



- http://atlas.zevallos.com.br/scl.html - Acesso em 28/02/2012












A ocultação de Júpiter pela Lua em 28/29 Novembro 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na noite de 28 para 29 de novembro próximo, a Lua - 100% iluminada e com uma elongação de 175°, ocultará o planeta Júpiter (mag. 2.3) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão dos continentes africano e sul americano. 

A posição dos satélites de Júpiter em 28 de novembro está representada na figura 02, podendo seus respectivos desaparecimentos e reaparecimentos ser também cronometrados das localidades onde a ocultação será visível.
Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo se encontram mapas com os continentes cuja faixa de visibilidade o fenômeno poderá ser observado. (figuras 3 e 4).

Faixa de visibilidade na África
Faixa de visibilidade na América do Sul

Assim sendo, os observadores localizados na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai poderão acompanhar esse evento.

Observadores localizados na África do Sul, Angola, Botswana, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue, poderão acompanhar esse evento. As tabelas abaixo apresentam as circunstâncias para algumas cidades do continente africano; lembrando que esse evento ocorre já em 29 de novembro.



Júpiter é conhecido desde a mais remota antiguidade; um dos dias da semana (quarta-feira) lhe é consagrado, há mais de 2000 a.C., pelos caldeus. A mais antiga observação desde planeta, que se conhece, data de 3 de setembro do ano 140 a.C., quando ocultou a estrela Delta do Cancer (Mourão, 1984).

As ocultações de planetas pela Lua são fenômenos de rara beleza, onde seus registros constituem uma excelente oportunidade do astrofotógrafo, por exemplo, incrementar sua coleção, bem como ainda, ao astrônomo amador manter um registro significativamente importante desde que enviado para associações de pesquisas como a ALPO (Association Lunar and Planetary Observers), IOTA (International Occultation Timing Association) e no Brasil a REA (Rede de Astronomia Observacional).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas – Da Terra às Galáxias – Uma Introdução à Astrofísica, Ed. Vozes, 4ª Ed., Petrópolis (RJ) - 1984, 359P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.