domingo, 1 de janeiro de 2012

O céu do mês – Janeiro 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Brindando a este início de ano, agradáveis acontecimentos no céu certamente chamarão a atenção dos observadores mais atentos (se bem que no transcorrer de todo esse período, diversos fenômenos acontecerão). Pessoalmente creio ser um bom convite as observações, apreciar os alinhamentos que a Lua continuará proporcionando no céu. Sempre gostei desses alinhamentos, lembro-me que dessa forma, iniciei meu aprendizado na identificação das principais estrelas e também dos maiores e mais brilhantes planetas do Sistema Solar.


Ocultação de Propus pela Lua em 08 de janeiro

Na madrugada de 08 de janeiro próximo, a Lua (99% iluminada e com uma elongação de 166°) ocultará a estrela Propus (eta Geminorum) de magnitude 3.5. Os observadores que poderão acompanhar esse fenômeno, deverão estar localizados nos estados do Rio Grande do Sul e regiões Sul e Oeste de Santa Catarina no Brasil; o evento também é visível em todo o território da Argentina, Uruguai, sul e oeste do Paraguai (inclusive Assunção), sul da Bolívia e Chile, exceto no extremo norte (região de Arica e Parinacota) (Veja maiores informações no artigo do Sky and Observers).

Planetas, Asteróides e Cometas!

Mercúrio = Já neste primeiro dia do ano, Mercúrio estará em conjunção com o Sol encontrando-se na constelação de Ophiuchus até o dia 05 de janeiro. Após localizar-se a 4.6º Sul do planeta anão Plutão em 13/01 e como realiza sua translação muito rápida em torno do Sol, o planeta Mercúrio no dia 18 deste mês já chegará ao afélio de sua orbita, encontrando-se a uma distância do Sol de 0.47 UA. Do seu ingresso na constelação de Sagittarius desde o último dia 05 ele atravessará toda essa constelação até o dia 27 de janeiro, chegando nesta data na constelação de Capricornus. As magnitudes estimadas para Mercúrio neste período são: 01/01 = -0.4 e em 31/01 = -1.1.

Vênus = Na constelação de Capricornus até o dia 12, Vênus estará na constelação de Aquarius, onde se encontrará a 1.1º Sul do planeta Netuno, mas permanecerá nesta constelação o restante desde período. Neste mês ainda sua elongação proporcionará os seguintes ângulos de fase: 0,828 em 01/01 a 0,745 e suas magnitudes serão: -4.0 em 01/01 e -4.1 em 31/01 respectivamente.

Marte = O planeta vermelho, começa o ano ainda transitando pela constelação de Leo. No dia 15 próximo ele terá uma magnitude de -0.1, ingressando na constelação de Virgo, com o seu nascer favorável as observações nas noites de verão (no hemisfério sul) ele será um objeto celeste bastante promissor. Ele estará estacionário em 24/01.

Júpiter = Como Júpiter esteve estacionário no dia 26 de dezembro passado, ele agora retoma o seu movimento novamente em direção a constelação de Aries, quando ingressará novamente nesta constelação no dia 08 próximo. Ele, entretanto fará novamente uma conjunção com a Lua (4.8º) em 02/01 e outra (4.4°) em 30/01, as magnitudes deste planeta serão -2.5 em 15/01 e -2.3 em 31 de janeiro. Na tabela 2, podemos encontrar os horários (UT – Tempo Universal) previstos dos trânsitos da Grande Macha Vermelha (GRS) para este período.

Saturno = Ao longo desde mês e a cada dia vai ficando mais fácil observar o planeta Saturno. Com sua magnitude em torno de 0.7 e na constelação de Virgo, ao fim deste mês já será possível observar o planeta apresentando a superfície norte de seus anéis. Por uma questão prática recomendo que essas observações sejam realizadas aos finais de semana pela oportunidade de descanso na manhã seguinte.

Urano = Na constelação de Pisces, o planeta Urano cuja magnitude finalizou o ano com 5.8, já inicia o primeiro dia deste ano com 5.9, permanecendo assim até o fim deste mês. O único evento que podemos mencionar neste período é que no dia 27 próximo, ele estará a 5.5° Sul da Lua, que apresenta 0.14% de fase neste dia.

Netuno = Se encontrando na constelação de Aquarius com sua magnitude em 7.9, Netuno protagonizará com Vênus no dia 13 deste mês uma sugestiva conjunção planetária, quando ambos estarão separados entre si em apenas 1.1° (64.9') numa elongação de 37° leste. O instante da mínima separação deste evento será 15:50 (Tempo Universal). No dia 25/01 Netuno estará a 5.5° Sul da Lua, que nesta data apresentará 0.34% de fase.

Ceres e Plutão = Neste início de ano, Ceres ainda estará na constelação de Aquarius, mas logo em 02 de janeiro ele ingressa na constelação de Cetus. Ele com uma magnitude de 9.1 ficará naquela área do céu por quase todo o mês. Ceres ainda estará em 20/01 próximo a variável AD Aquarii (mags= 4.9 - 5.1) cuja duplicidade não foi resolvida. Entre os dias 28 e 30 deste mês, ele fará uma breve passagem por uma pequena área da constelação de Pisces, mas no dia 31 ele estará novamente em Cetus.

Plutão que acaba de passar por sua conjunção com o sol, já no dia 15 de janeiro numa elongação de 17.0°. Visível momentos antes do nascer do Sol, ele será encontrado fazendo uma passagem pelo brilhante Aglomerado Aberto M-25 na constelação de Sagittarius. Plutão chegará às cercanias deste aglomerado no dia 03 e transitará ali até o dia 17. Já no fim do mês apresentará 33.5° de elongação, voltando assim novamente, serem favoráveis suas condições de observação com telescópios de médio porte.

Cometas

O Cometa C/2011 W3 ((Lovejoy) foi descoberto como um objeto difuso de magnitude 13.0 por Terry Lovejoy de Queensland, Australia em 27 de novembro de 2011. Os elementos orbitais indicam que o cometa é um membro do grupo de Kreutz (esses cometas roçadores brilham muito nas proximidades do Sol), podendo ser acompanhado nas constelações do Hemisfério Sul nas constelações de Ara, TrA, Aps, Oct, Men, Hyi, Ret, Dor, Pic e Cae.


Constelação:

Taurus

A constelação de Taurus além de ser uma das mais conhecidas dos astrônomos, chama a atenção dos observadores de todo planeta. Seja pela sua brilhante estrela Aldebaran (0.9), uma gigante vermelha de classe espectral K5 III, localizada a 56 anos-luz de distância; seja pela gigantesca Hyades, um asterismo em “V” que constitui um grandioso cúmulo aberto constituído de aproximadamente 140 estrelas ou ainda, pelo fantástico aglomerado aberto M 45 (Plêiades). Esse último será um tópico tratado em separado também.


É importante mencionar que mesmo um binóculo 7x50 ou ainda um pequeno telescópio, pode-se realizar excelentes observações dos objetos celestes acima citados, mas é importante mencionar M1 (mag 8.4), uma nebulosa que comprovou serem restos de uma supernova que explodiu em 1054, cujos filamentos lembram a forma do crustáceo caranguejo; a nebulosa difusa NGC 1647 (AR: 04h 46m 00.0s, Dec: +19° 04' 00" J.2000.0) um aglomerado aberto de magnitude 6.5, contendo cerca de 25 estrelas que variam entre as magnitude de 8 a 13, e também NGC 1746 (AR: 05h 03m 36.0s, Dec: +23° 49' 00", J.2000.0) também aberto de magnitude 6.0, contendo cerca de 50 estrelas de magnitude 8 (figura 3).


As Plêiades

As estrelas que constituem as Plêiades (M 45) formam um dos aglomerados abertos estelares mais belos e conhecidos (Monteiro, 1988). No Brasil é também reconhecida como: Setestrelo, Sete Cabrinhas, a Galinha e seus pintinhos; esses são alguns dos diversos nomes, mas os índios Tupis do norte (Mourão, 1982) a denominavam de seixu (as abelhas), já para os Tupis do sul é eichu (variedade de abelhas).

De fato, esse fantástico aglomerado é um bom desafio para a observação a vista desarmada. Numa noite escura e num local onde a crescente poluição luminosa não atrapalha, já tive a oportunidade de vislumbrar 9 estrelas. Utilizando um binóculo 7 x 50 (sob essas condições observacionais), M 45 revela uma quantidade enorme de estrelas. Então abaixo poderemos encontrar uma carta celeste desta região (figura 4), com a finalidade de buscar reconhecer essas estrelas utilizando um pequeno binóculo ou mesmo a visão descoberta.


Nota: Antecedendo o nome próprio da estrela e sua respectiva magnitude, tomei a liberdade de informar o número de Flamsteed para uma melhor identificação das mesmas com a tabela apresentada.

Desejo a todos na abertura deste ano, que apresentação dessa constelação de Taurus, seus objetos deep-sky e o belíssimo M-45, sejam os fatores motivacionais para um profícuo e excelente ano de realizações astronômicas!

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

_______ – Universo: As inteligências Extraterrestres, Ed. Francisco Alves, Rio de Janeiro (RJ) - 1982, 244 P.

- Monteiro, Mario Jaci – As Constelações – Cartas Celestes, Ed. CARJ (Clube de Astronomia do Rio de Janeiro), Rio de Janeiro (RJ) – 1988, 129 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. Three – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

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