domingo, 1 de julho de 2012

O céu do mês – Julho 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

A história celeste se repete! Eu posso seguramente começar a resenha deste mês com essa afirmativa. Mas peço a todos que antes de continuar essa leitura, procurem por Vênus e Júpiter no céu do alvorecer desse dia. Linda conjunção; não é mesmo? Plutão conforme mencionei na resenha do mês de abril passado, será ocultado pela Lua em 2 oportunidades, mas essas ocorrências dar-se-á na Antártida (em 03/07) e no extremo sul do continente latino americano. Tem mais; logo no dia 09, Vênus estará (também no amanhecer) 0.9° Norte de Aldebaran (mag 0.9) o que deverá fazer com que ao aglomerado das Hyades ganhe um aspecto mais belo do que realmente é o que será também realizado por Plutão na constelação de Sagittarius. A Lua protagonizará uma ocultação de Júpiter que países da Europa, África e Ásia poderão acompanhar, sendo que ele estará a 4.7° Norte de Aldebaran no dia 30 deste mês. Este mês ainda é uma boa oportunidade para começar a vislumbrar a brilhante faixa da nossa galáxia na região da constelação de Escorpião/Sagittarius, mas falarei um pouco mais do Serpentário que também está naquela área do céu.



Alinhamento planetário de Vênus e Júpiter

Embora esse alinhamento (figura 2) seja na realidade 1.8° maior que a última conjunção que ocorreu em 13 de março último, ele sempre chamará a atenção dos admiradores do céu, quando ficam resplandecentes na esfera celeste. Isso é tão verdadeiro que levou o astrônomo norteamericano Roger W. Sinnott a publicar na revista Sky & Telescope (Dezembro, 1986) uma excepcional análise, sobre a possibilidade de ser um evento semelhante ocorrido em 17 junho do ano 2 de nossa era, que levou o evangelista Matheus (2:1) a narrar essa passagem como: “A Estrela de Belém”.

É fato que não saberemos exatamente o que levou o evangelista a narrar essa história (também não é esse o objetivo), pois existem outras análises. Mas não podemos deixar de mencionar esse evento no como um atrativo para o restante dessa época excepcional, para a observação astronômica.

Planetas!

Mercúrio = Prevista sua máxima elongação, agora será um dos momentos em que seus eventos tornarão a repetir-se. Então o planeta passará para o nodo descendente neste dia primeiro dia. Em 12 de julho ocorrerá seu afélio quando sua distância ao Sol será de 0.4667 UA e em 14/07 já estará estacionário, sendo visualizado bem baixo no crepúsculo vespertino do dia 20/07 a 0.5° Norte da Lua; no dia 25 ele estará agora na mínima distância da Terra a uma distância de 0.5850 UA; sendo que em 28/07 estará em conjunção inferior. Este mês fará todo seu trânsito na constelação de Câncer.

Vênus = A opinião geral entre os observadores é que Vênus está proporcionando, antecedendo o alvorecer um dos mais belos trânsitos pela constelação de Taurus. Isso e um fato inquestionável, visto que sua breve incursão pelo aglomerado aberto M-45 (Plêiades) em abril último (Vejam crônica e informações em Sky and Observers), foi acompanhada por diversos observadores.



Mas agora, mergulhado dentre as estrelas que compõem o Aglomerado Aberto das Hyades (figura 3) isso desde o dia 20 de junho último, ele terminará esse trânsito já no dia 09/07 (observem ainda que este dia, o planeta estará bem próximo de Aldebaran); quando então chegará também em seu máximo brilho, já no dia 10 sua magnitude alcança o máximo brilho (mag. -4.5) e em 11/07 estará no afélio com 0.7280 UA de distância ao Sol.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:
Marte = Marte poderá ser facilmente localizado na constelação de Virgem próximo a Zavijava (mag. 3.6). Pois logo a após o ocaso do sol deverá ser um dos primeiros objetos celestes a ser visível no céu, mesmo que sua magnitude estimada em 0.8 não o torne tão brilhante, sua proximidade com essas estrelas logo denunciarão sua presença entre elas. Até o dia 15 ele poderá ser observado na primeira parte da noite pois sua elongação, ainda faz com que suas observações sejam favoráveis, embora agora seu diminuto tamanho aparente não seja mais o ideal para pequenos instrumentos. Em 13/07 ele estará a 1.2° Sul de Zaniah (mag. 3.8), quando então em 24/07 cruzando o plano da eclíptica em nodo descendente ele estará a 3.8° Norte da Lua. Ele ainda nesta época será um indicador de posição bem interessante, pois em 27 estará a 0.5° Norte da NGC 4697, uma galáxia elíptica de magnitude 9.2.


Júpiter = Nesta época é somente pela madrugada que podemos localizar Júpiter, na constelação de Taurus. Como sua elongação de 35.4° (em 01/07) faz com que ele esteja relativamente baixo no horizonte leste. Mas esse número não representa que ele ficará impossibilitado de observações, visto que no dia 15/07 será possível a observadores, localizados na Ásia, África e Europa (consultem no mapa abaixo (figura 4), uma visão global deste fenômeno), a vislumbrarem uma bela ocultação desde planeta pela Lua; neste momento então ele estará com uma magnitude de -2.1, mantendo-se assim até o último dia do mês, quando então sua elongação terá aumentado para 58.2°.

Saturno = Como Marte está posicionado no setor oeste (próximo da fronteira com Leo) da constelação de Virgo, Saturno está praticamente no centro dessa constelação, bem próximo a brilhante Spica (mag. 1.0). Sua presença ali fará com que na noite de 25 de julho, seja vislumbrada uma configuração interessante formada pela presença da Lua (fase = + 0,45%), Saturno (mag. 0.8) e dessa própria estrela. Sua elongação faz com que ele seja visível na primeira parte da noite, visto que será de 90.0° em 15/07 e 75.5° em 31/07.

Urano = Já na segunda quinzena deste mês será possível dar início as observações de Urano na constelação de Cetus, pois sua elongação em 15/07 será de 104.5°, fazendo com que ele, seja observado numa boa altura do horizonte leste. Sua magnitude agora está estimada em 5.8 durante todo este mês. Em 11 de julho Urano estará também em sua máxima declinação norte; dois dias depois encontrar-se estacionário iniciando movimento retrógrado (em relação ao equador e a eclíptica).

Netuno = Vale ainda nossos comentários anteriores, mas lá dentro daquele quadrado de estrelas da constelação de Aquarius, Netuno poderá ser identificado com uma magnitude de 7.8 no sentido leste da nossa esfera de observação. Suas elongações neste período são: 175.9° em 01/07, 140.2° em 15/07 e 155.8° em 31/07.

Ceres e Plutão = Neste período os pequeninos planetas vão imitar em alguns aspectos seus irmãos maiores. O pequenino Ceres vai comportando-se igualmente a Júpiter, ele encontra-se desde o dia 04 de junho na constelação de Taurus, sua magnitude encontra-se em 9.1 e devido a suas elongações é visível apenas pela madrugada antes do nascer do Sol; mas nesta época não será isto que ocorrerá com Plutão, na constelação de Sagittarius ele continuará sua magnitude estimada em 14.0 mesmo após sua oposição que ocorreu no dia 29 do mês passado e sua identificação está privilegiada pela localização do aglomerado aberto M-25. Ele realizará um trânsito por esse aglomerado aberto o dia 14 próximo, permanecendo ali até o último dia deste mês. Então como fizemos no caso de Vênus, a figura 5 abaixo apresenta esse trânsito também.


Notas:

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO

Ophiuchus

Este Serpentário era para estar entre as constelações do signo do zodíaco, mas não está; muito embora o Sol cruze aquela constelação entre os dias 28 de novembro a 17 de dezembro e o motivo pela qual ela não conste nessa história, também não será objeto de nossa análise. Na mitologia ela significa aquele que segura uma serpente e por esse motivo divide no céu, aquela grande constelação equatorial em dois pontos distintos: Serpens Caput (Cabeça da Serpente ao Norte da Libra) e Serpens Cauda (Cauda da Serpente) sendo circundada por pela própria constelação de Ophiuchus e a oeste por Scutum (escudo). Naquele ninho celeste podemos vislumbrar ainda algumas preciosidades que acabam fazendo daquela área do céu, um local bastante atraente para exploração ótica (figura 6).






Numa apresentação sintética, estou dividindo a análise das principais estrelas de Ophiuchus em 2 categorias, as anãs e as gigantes, então encontraremos ali um número bastante interessante de estrelas entre as magnitude de 2.0 e maior que 5.5. Rasalhague (2.0) é uma gigante branca que encontra-se a 60 anos-luz de distância e marca a cabeça do Serpentário. O estudo de seu espectro revelou a presença ao seu redor de matéria interestelar, talvez constituída de Cálcio. Cebalrai (2.7), já uma gigante amarela de classe espectral K2III, encontra-se a 125 anos-luz de distância; nesta categoria ainda é importante mencionar a similaridade de Yed Prior (2.7) uma gigante alaranjada que se encontra a 105 anos-luz e Yed Posterior (3.2) outra gigante alaranjada de classe espectral G9.5III a 99 anos-luz.

As anãs desse grupo de estrelas de Ophiuchus também possuem de uma semelhança fantástica. Zeta Oph (2.56) é uma branco-azulada a 460 anos-luz de distância tornando-se assim seu componente mais distante do Sol, enquanto Iota Oph (4.3) de classe espectral B8V encontra-se a 170 anos-luz. Embora também seja uma estrela branca, Sabik (2.4) e também um sistema binário de classe espectral A2V. Propositalmente deixei para comentar numa penúltima análise as estrelas alaranjadas 70 Oph (4.0) e 36 Oph (5.0), ambas de classe espectral K0V encontram-se a uma distância de 17 e 18 anos-luz respectivamente do Sol. (Mourão, 1987).

70 Ophiuchi

Também dupla física, 70 Ophiuchi é uma das mais conhecidas estrelas binárias descobertas por Sir Wiliam Herschel em 1779, e, provavelmente está entre as 12 binárias mais estudadas no céu. Muito embora Herschel não tenha registrado nenhuma cor entre os components, o Almirante Smyth as interpretou como "topázio claro e violeta", enquanto Flammarion, em 1879, imaginou que a estrela de menor brilho era cor de rosa. Na realidade o sistema hoje apresenta para as duas componentes as cores amarelas e alaranjadas de magnitude 4.2 e 6.0 respectivamente.


A separação aparente entre o par (figura 7) varia de 6.7” (1933) a 1.7” 1982, e um período orbital de 87.85 anos e a distância entre ambas é apenas 23 UA. (vide nota acima mencionada).

A Estrela de Barnard

Seria um disparate enorme abordarmos Ophiuchus e não mencionarmos a Estrela de Barnard (mag. 9.5) uma anã vermelha de classe espectral M4V, pois essa estrela apresenta o maior movimento aparente em direção ao Sol conhecido.


Sua velocidade radial e estimada em 140 quilômetros por segundos sendo que foi descoberta em 1916 por Edward Barnard, ela ainda encontra-se a uma distância de 5.9 anos-luz, sendo portando a segunda estrela nas vizinhanças do Sol, superada apenas por Próxima (mag. 11), a estrela mais débil do sistema triplo Alpha Centauri.

NEBULOSAS

A proximidade dessa constelação com um dos braços da Via-Láctea, é também um dos motivos pela qual ela vai apresentar interessantes aglomerados globulares em sua maioria, catalogados pelo famoso bisbilhoteiro de cometas Messier que utilizou uma luneta de 8 centímetros de abertura, para identificar 103 objetos que ganharam em sua homenagem, a popular inicial letra M. Isso faz com que M 107 (mag. 8.1) seja de difícil observação, pois sua forma arredondada e difusa irá requerer o emprego de telescópios acima de 150 mm de abertura; isso é um pouco relativo, pois M 9 (mag. 7.9) já torna-se evidente com binóculos 7 x 50, o que também será aplicável para observação de M 14 (mag. 7.6) e do M 19 (mag. 7.2), assim é recomendável a utilização de equipamentos óticos de 140 mm. Então facilmente ao alcance dos 7 x 50, teremos os aglomerados globulares M 10, M 12 e M 62, todos com magnitude estimada em 6.6. Sem dúvidas objetos celestes indispensáveis em nossas maratonas observacionais realizadas em homenagem a ao astrônomo francês Charles Messier.

Será muito compensador ainda para os observadores incluírem nesse pacote de objetos Deep-Sky os aglomerados NGC 6633 (mag. 4.6) que é facilmente observável com binóculos 7 x 50 e o mais atraente entre todos IC 4665 (Índex Catalogue) de magnitude 4.2, que será bastante atraente ao empregar-se um baixo aumento em nossos telescópios; isso então será a indicação definitiva que neste Serpentário não existirá perigo e que é bastante gratificante conhecer essa parte do céu.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. Two – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

O asteroide (17) Thetis em 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 06 de agosto próximo, o asteroide (17) Thetis estará com seu posicionamento favorável as observações (Lua = percentual iluminado -0.83%), quando então sua magnitude chegará a 10.0, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de pequenos instrumentos óticos, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de descoberta, Thetis foi descoberto em 05 de abril de 1853 pelo astrônomo alemão Robert Luther (1793 - 1866) no Observatório de Dusseldorf. Seu nome é uma homenagem a Tetis, esposa de Peleus rei da Tessália, filha de Nereu e Doris, segundo uma proposta do astrônomo alemão F.N.A. Argelander (1799 - 1875). (Mourão, 1987).


Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!


Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

A ocultação de mu Sagittari pela Lua em 03 Julho 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na madrugada de 03 de Julho próximo, a Lua + 99% iluminada e com uma elongação de 171°, ocultará a estrela mu Sagittarii de magnitude 3.8 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano

Observadores localizados em grande parte da América do Sul, (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru, poderão acompanhar esse evento.


Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, o oeste do continente africano e ilhas situadas próximo a costa sul americana dos oceanos atlântico e pacífico (figura 2).

Mu Sagittarii ainda não é muito bem compreendida. Brilhando com magnitude 3.8, provavelmente trata-se de uma dupla eclipsante que possui três, possivelmente quatro companheiras. Tradicionalmente classificadas como supergigante de classe B (B8), agora é listada como uma gigante mais comum. A cada 180 dias a estrela sofre uma pequena queda de brilho, provavelmente provocado por uma companheira próxima (uma anã de oito massas solares).

Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes
"Como observar"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- stars.astro.illinois.edu/sow/polis.html - Acesso em 26/11/2011.

A ocultação de rho Sagittari pela Lua em 04 julho 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB


Na madrugada de 04 de julho próximo, a Lua - 100% iluminada e com uma elongação de 172°, ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.


Observadores localizados em grande parte da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas situadas próximo a costa sul americana dos oceanos atlântico e pacífico (figura 2).

A designação de Bayer para Rho Sagittarii (Sgr 1, 2 Sagittarii) é compartilhada por duas estrelas. As duas estrelas estão separadas por 0,46 graus no céu. Porque também elas estão perto da eclíptica, podem ser ocultadas pela Lua e, muito raramente, por planetas. A próxima ocultação de rho Sagittarii por um planeta ocorrerá em 23 fevereiro de 2046, quando será ocultada por Vênus.

Rho-1 Sagittarii é uma estrela de um tipo espectral F0 que tem uma magnitude aparente de 3,93. Ela encontra-se cerca de 122 anos-luz da Terra.

Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes
"Como observar"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- http://www.borders.com.au/book/rho-sagittarii/13743373/ - Acesso em 26/11/2011.

A ocultação de Dabih Major pela Lua em 05 Julho 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na madrugada de 5 de julho próximo, a Lua - 97% iluminada e com uma elongação de 159°, ocultará a estrela Dabih Major (Beta Capricorni) de magnitude 3.1 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.


Observadores localizados na região norte, nordeste e centro oeste do Brasil, na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas localizadas no sul do oceano Pacífico (figura 2).

Beta Capricorni é uma dupla fácil de observar, oferecendo um contraste de cores muito boas para o pequeno telescópio. As duas estrelas compartilham um movimento próprio comum em cerca de 0,04" por ano; a separação projetada é 9.400 UA, (Burnham, 1978). Dabih está situada a 500 anos luz de distância e sua luminosidade é de cerca de 1.500 vezes a do Sol. Beta B é uma estrela dupla de magnitude 6.1 que forma com ela um par ótico (Mourão, 1987).

A estrela brilhante é uma tripla espectroscópica, com períodos de 8.678 e 1.374 dias. Thomas William Webb também menciona um par minúsculo entre os componentes, com uma separação de 6,4" e AP de 322 °, sendo ambas as estrelas de 13ª magnitude.


Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes
"Como observar"
Linkhttp://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. One – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

Luiz Eduardo da Silva Machado

Personagens da nossa Astronomia!

Luiz Eduardo da Silva Machado (1927 – 1992)

*Nelson Travnik

Há vinte anos, em 13 de julho de 1992, às 19h00, Urânia abriu os braços para acolher um de seus mais diletos filhos: Dr. Luiz Eduardo da Silva Machado, nascido no Rio de Janeiro em 11 de outubro de 1927. Sentiu-se mal em plena sala de aula sendo levado às pressas para o hospital, vítima de um derrame cerebral. Passados 20 anos, sua ausência deixa uma grande lacuna em todos nós que o admirávamos como colega, amigo e profissional competente. Sua presença sempre jovial e alegre, permanece como um traço marcante de sua personalidade. É toda uma geração que pouco a pouco se dilui na marcha irreversível do tempo. Machado estampava um dinamismo invejável e só mesmo uma fatalidade poderia interromper sua vida material. Da Terra para o céu, seu nome está imortalizado no asteroide 2.543 descoberto no Observatório Europeu Austral no Chile em 1º/06/1980 pelo astrônomo belga H. Debehogne.

CARREIRA

Machado bacharelou-se em física pela Faculdade de Filosofia da UFRJ (ex. U.B.) em 1948 e 1949. Astrônomo do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, deixou essa Instituição em 1961 para criar na UFRJ o primeiro curso de formação de astrônomo no Brasil. Doutorou-se em 1970 pelo Instituto de Ciências da UFRJ. Em 1978 defendeu tese para o concurso de professor titular, cargo que ocupou até seu falecimento. Foi diretor do Observatório do Valongo – UFRJ, de 1967 a 1986. Escreveu: “Das Ocultações Rasantes de Estrelas pela Lua” (1969) e “Ao Encontro do Cometa Halley” (1985).

CONTRIBUIÇÕES

Machado foi o grande artífice na reforma do Observatório do Valongo-UFRJ. Isto exigiu um esforço gigantesco, pois o Observatório se encontrava abandonado há décadas, em péssimo estado de conservação.

O Valongo foi fundado em 5 de julho de 1881 como Observatório Astronômico da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Posteriormente passou a órgão suplementar do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza da UFRJ. Junto a devotados colegas como Sergio Menge de Freitas, Edgar Rangel Neto, Luiz Augusto, Paulo Manzo, José Felipe Caldeira, José Augusto B. de Nazareth, José Adopho Snajdauf, Fernando Vieira e Rundsthen V. de Nader, reergueu o Observatório, modernizou-o e obteve o reconhecimento para a implantação na UFRJ, do primeiro curso de Astronomia no Brasil a nível de Pós-Graduação. Graças as atividades educacionais e de pesquisa do Valongo, é agraciado durante o Governo Militar com valioso instrumental da firma alemã Carl Zeiss Jena. Entre outros cumpre destacar o Astrógrafo 400/2000 mm (o maior do País), dois Telescópios ‘cassegrain’ de 500 e 600 mm de abertura, um Celostato, um Telescópio ‘cassegrain’ de menisco com 150 mm de abertura, um Coordenatógrafo, um Astro-Espectrógrafo de Rede, um Microdensitômetro e um Telescópio Refrator Coudé de 150 mm.

O GRANDE PROJETO

Infelizmente o grande projeto para instalar esses equipamentos em um observatório de montanha não pode ser concretizado e a saída foi estabelecer um convênio com a Prefeitura Municipal de Campinas - SP, a Unicamp, a PUCC, e a Sociedade Civil Observatório do Capricórnio com a interveniência do CEDATE-MEC, para instalação do Astrógrafo, do ‘cassegrain’ de 500 mm e do “meniscas’ de 150 mm no Observatório Municipal de Campinas a 1100 metros de altitude. A Prefeitura de Campinas assumiu a construção de três prédios para abrigar esses instrumentos. Infelizmente por falta de recursos financeiros, o refletor ‘cassegrain’ de 600 mm acabou sendo transferido para o Laboratório Nacional de Astronomia, LNA, em Brasópolis - MG. A partir de 1985 e enquanto perdurou o convênio, pesquisadores e alunos do Valongo puderam encetar trabalhos na área de asteroides, cometas e obtenção de espectrogramas da várias estrelas. Uma outra atividade que merece destaque foi o de ocultações rasantes de estrelas pela Lua. Várias expedições foram realizadas em território nacional. Machado era um grande entusiasta desta área e isto pude verificar pessoalmente quando participei de uma dessas expedições na cidade mineira de Santos Dumont. Cumpre destacar a sua indicação para fazer parte da Comissão 20 reunida na 19ª Assembléia Geral da IAU, em Nova Dehli, India, a qual Machado infelizmente, por falta de suporte financeiro do Governo, não pode comparecer.

O CIDADÃO

Conheci o prof. Machado desde os primeiros anos do Valongo. Muito do que aprendi devo a ele. Aliás, essa era uma característica de sua personalidade: valorizar o trabalho dos astrônomos amadores. Era às vezes criticado por assumir essa postura, coisa que jamais se importou. Flammarion era um de seus mestres e isto dizia por si. Conhecia como poucos a vida e obra do ‘Mestre de Juvisy’ como também do Pai da Aviação, Alberto Santos Dumont. Estivemos juntos em vários congressos a partir daquele memorável da LIADA em janeiro de 1967 em Natal, RGN. A última vez que nos vimos foi em janeiro de 1991 em Fortaleza, Ceará, no IIº Encontro Nacional de Astronomia, ENAST. Como de um modo geral, a música é sempre parte da vida do astrônomo, Machado não fugia à regra. Nossas conversas sempre giravam sobre o assunto e para ele a música assumia um caráter especial. Sua dedicada esposa, professora Maria Célia Machado, é uma virtuose da harpa, com invejável currículo, atuação na Orquestra do Teatro Municipal de Rio de Janeiro além de professora no Conservatório de Música desta cidade. Sua filha esteve casada com o consagrado tenor Nelson Portela. Por duas vezes fui seu convidado para assistir duas óperas no Rio : ‘Tristão e Isolda’ de R. Wagner e ‘Don Giovanni’ de W. A. Mozart, esta última com participação do Nelson Portela. Sua ausência deixa, pois, uma grande lacuna em todos nós, colegas e amigos. Se teve defeitos (quem não os tem?) suas virtudes e obras as superam em muito. Ao completar 20 anos do seu desenlace, nada mais justo que reverenciemos sua memória e a grande contribuição prestada a ciência do céu.

*O autor é astrônomo responsável pelos observatórios municipais de Americana e Piracicaba - SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

Referências:
- Astronomia Brasileira está de Luto, N.Travnik, julho 1992;
- Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo R. F. Mourão, Editora Nova Fronteira, 2ª edição.