quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O céu do mês – Agosto 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Neste mês o céu continuará oferecendo aos observadores excepcionais eventos. As ocultações de Júpiter, Vênus, do pequenino planeta Plutão, de rho Sagittarii e novamente de Dabih Major, proporcionadas pela Lua (que terá sua primeira fase cheia em 02 de agosto), faz com que este mês seja novamente marcado para os observadores do céu. A oposição de Netuno também poderá ser facilmente monitorada, pois ele se encontra numa área já bastante conhecida dos astrônomos e estará em 2 oportunidades a 5.6° da Lua neste mês (vejam tabela 1). Além destes acontecimentos notáveis, mais especialmente no dia 15 deste mês teremos um alinhamento dos planetas Marte e Saturno, que por certo não passará despercebida até mesmo ao grande público que voltará sua atenção para essa mais essa conjunção celeste. Vênus nessa sua máxima elongação, também por esse dia, deverá apresentar-se novamente em meia fase (dicotomia); desse mesmo modo, a máxima elongação também ocorrerá com Mercúrio no dia 16, quando chegará a 19° W. Mas ao fim do mês ainda, a Lua, aproveitando uma licença astro poética obtida pela contagem de nosso calendário, proporcionará em 31 de agosto o evento da Lua Azul (Veja resenha em Sky and Observers), e arqueando no céu como destaque, trataremos da constelação de Sagittarius indicando uma das mais ricas áreas do céu.

A Ocultação de Júpiter pela Lua em 11 de Agosto de 2012

Em 11 de agosto próximo, a Lua - 31% iluminada e com uma elongação de 67°, ocultará o planeta Júpiter (mag. 2.1) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais (Figura 2). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado no período diurno numa grande extensão do Oceano Pacífico (vide figura 2), (inclusive o Hawaii), Nauru, Micronésia, Ilhas Marshall e Guam; no leste da Ásia, extremo sul do Vietnã, incluindo as Filipinas, Indonésia, Sumatra, Malásia, Singapura, Papua - Nova Guine (ao Norte), Timor-Leste, Brunei e o extremo norte da Austrália.

A Ocultação de Vênus pela Lua em 13 de Agosto de 2012

Em 13 de agosto próximo, a Lua - 15% iluminada e com uma elongação de 46°, ocultará o planeta Vênus (mag. -4.4). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado no período diurno numa grande extensão no América Central (Guatemala, Belize, e o norte de Cuba e toda a região do continente norte americano (incluindo os Estados Unidos e o Canadá) conforme a figura 3. Já no Oceano Pacífico o evento será visível no Hawaii, Nauru, Micronésia, Ilhas Marshall e Guam; no leste da Ásia.

A Oposição de Netuno em 2012

Novamente este ano, Netuno após completar ano passado sua primeira revolução orbital após a descoberta em 23 de setembro de 1846, novamente encontrar-se-á em oposição em 24 de agosto (02:00 TU – Universal Time) próximo quando estará a 28.983899 (UA) da Terra. Além da carta de busca (já publicada na resenha de maio de 2012 em Sky and Observers) a tabela abaixo apresenta as efemérides para esse período, bem como o mês subseqüente.

A Ocultação de Plutão pela Lua em 27 de Agosto de 2012

Em 27 de agosto, a Lua +77% iluminada e com uma elongação de 123°, ocultará o pequeno planeta Plutão (mag. 14.1). Embora extremamente difícil de ser acompanhado, pois a instrumentação requerida deverá ser equipamentos óticos acima de 300mm de abertura, pode-se acompanhar esse evento. Assim a área de abrangência desse evento é o Sul da América do Sul (extremo sul do Brasil: Chuí, Arroio do Chuí e Santa Vitória do Palmar no estado do Rio Grande do Sul); na região costeira do Uruguai (incluindo as cidades de Santa Maria de Rocha, Maldonado e a capital Montevidéu), na Argentina (Mar Del Plata, Olavarria, Bahía Blanca, Trelew, Bariloche, regiões do extremo sul da Argentina e Ilhas Malvinas), Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul), extremo sul do Chile (região de Los Lagos – El Arco -) Golfo de Ancud, Golfo Corcovado, Região de Aisén), Punta Arenas e Terra do Fogo (figura 4). O fenômeno abrange ainda a região Antártida bem como o leste da Nova Zelândia, incluindo Auckland no Pacífico Sul.


A Ocultação de rho Sagittarii pela Lua em 27 de Agosto de 2012

Na noite de 27 de agosto próximo, a Lua + 85% iluminada e com uma elongação de 134°, ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9. (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Dabih Major pela Lua em 29 de Agosto de 2012

Na noite do dia 28, madrugada de 29 de agosto próximo, a Lua + 92% iluminada e com uma elongação de 148°, ocultará a estrela Dabih Major (Beta Capricorni) de magnitude 3.1 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

Planetas! Mercúrio = Dentro dos limites da constelação Câncer, logo na manhã deste primeiro dia, Mercúrio encontrar-se-á em máxima declinação sul em relação à eclíptica (-4.7°) e sua máxima elongação prevista deverá ocorrer em 16/08 às 13:00 (TU), quanto então chegará a 18°.69 W, e sua magnitude será de 0.0. Em 18 de agosto está prevista sua dicotomia (meia fase), estando a 0.2° Sul de Asellus Australis (mag. 3.9); já em 20 de agosto faz sua passagem para o nodo ascendente. Passando em 24 de agosto para a constelação de Leão em 25/08 já estará no seu periélio, quando então sua distância ao Sol será de 0.307 UA, estando em 31 de agosto a 1.31° Norte de Regulus (mag. 1.4).

Vênus = Iniciando suas despedidas da constelação de Taurus, ele será encontrado na constelação de Órion numa breve passagem por essa constelação. Ali em 05 de agosto ele estará a 0.02° Sul de 54 Orionis (4.4), quando então em 12/08 estará em Gemini. Em 15 de agosto também, além de previsto ocorrer sua dicotomia (meia fase) encontrar-se-á em máxima elongação 45.8° W, visível no amanhecer desse dia com uma magnitude de -4.3. Em 17 de agosto ele fará um interessante alinhamento no sentido Sul/Norte com Alhena (mag. 2.0) e Mebsuta (mag. 3.0), Em 26 de agosto será localizado em 0.3° Sul de Wasat (mag. 3.5).

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:


Marte = Marte proporcionará na constelação de Virgem alguns alinhamentos bastante interessantes. Em 13 de agosto ele estará a 1.8° Norte de Spica (mag. 1.0) e a 0.1° Norte de 76 Virginis (mag. 5.2) em 16 de agosto. Mas nada será tão interessante quanto o alinhamento planetário que ocorrerá em 15 de agosto quando Marte estará a 2.6° Sul do planeta Saturno. A brilhante Spica então ajudará a compor esse belo alinhamento conforme apresentado na figura 5 abaixo.

Júpiter = O planeta gigante continua sendo observado pela madrugada na constelação de Taurus. Mas como suas elongações e respectivas magnitudes vem a cada dia vem aumentando (59.0° em 01/08 e magnitude -2.1 e 83.6° em 31/08 com a magnitude de -2.3), conseqüentemente, vem também aparecendo no horizonte leste cada vez mais cedo. Isto faz com que tenhamos uma comodidade melhor para realizar suas observações. É importante ainda mencionar que neste mês ele se encontre em 06 de agosto a 0.03° Norte de HU Tauri, uma estrela eclipsante binária de espectro B9, cuja variação de magnitudes vão de 6.0 a 6.8 e em 12/08 a 0.23° Sul de Tau Tauri (mag. 4.2).

Saturno = Conforme comentamos acima, Marte e Saturno estarão num belo alinhamento planetário na constelação de Virgo em 15 de agosto com a presença também de Spica (mag. 1.0). Entretanto outra curiosidade bastante interessante de Saturno neste período é que em 08 de agosto, ele estará somente a 0.05° Norte de S Virginis, revelando com isso a posição dessa LPV (Variável de Longo Período do inglês = Long-period Variables) de classe espectral M7IIIe. Essa gigante vermelha tem um período de 378 dias apresentando suas variações magnitudes de 6,2 a 13.0. A magnitude de Saturno continua constante em 0.8 sendo que suas elongações previstas são: 62.1° em 15/08 e 48.1° em 31/08 respectivamente.

Urano = Na constelação de Cetus, Urano poderá ser um bom desafio observacional após o dia 15/08. Sua elongação neste dia então será de 134.6° e sua magnitude de 5.8. Ela ainda aumentará para 5.7 sendo que em 31/08, estará com essa magnitude quase no limite de visibilidade da visão desarmada de nossos observadores. Embora o planeta esteja dentro dos limites da constelação de Cetus, a melhor indicação para localizar Urano no céu será mesmo a estrela 44 Pisces (mag. 5.7), como eu já havia mencionado na resenha de maio último. Então vocês lembram-se daquele desafio de localizar esse planeta com um binóculo 7x50? Continua valendo.

Netuno = Com uma magnitude de 7.8 e em oposição em 24 de agosto a 28.983899 (UA) de distância da Terra, o Planeta Netuno (efemérides já mencionadas na tabela 2), encontra-se dentro daquele quadrado de estrelas da constelação de Aquarius, que foi mencionado na resenha do “Céu do mês – Abril” passado. Uma ótima referência será também naquela região a identificação da estrela TYC 5806-696-1 (mag. 10.2), pois estará posicionado em 16 de agosto cerca de 12’ Norte dessa estrela.

Ceres e Plutão = As condições observacionais do pequenino Ceres, vão lentamente melhorando devido ao aumento de suas elongações, sendo 63.9° em 15/08 e 74.4° em 31/08 o que indica que sua elongação deverá ocorrer no fim deste ano. Em 11 de agosto estará a 41” de 104 Taurii (mag. 4.9) uma binária anã branco amarelada, e classe espectral G4V que se encontra certa de 47.9 anos-luz de distância e possui uma luminosidade de 1.88 vezes maior que o Sol (mag. -27.0) classe espectral G2V. Enquanto Plutão, na constelação de Sagittarius ele continuará sua magnitude estimada em 14.0, devendo baixar para 14.1. Sua posição já neste primeiro dia será a Oeste do aglomerado aberto M-25. suas respectivas elongações serão de 148.0° em 01/08 e será de 118.1° em 31/08.

Notas:

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Sagittarius

Meio homem meio cavalo. Assim foi a compreensão que a mitologia fez representar essa imensa e importante constelação zodiacal. Buscar descrever de forma minuciosa, pormenorizada e atualizada essa constelação, também será uma tarefa hercúlea para qualquer escriba, pois do momento em que escrevo até sua publicação, muita coisa pode ocorrer de especial naquela área do céu. Então eu procurarei ser o mais objetivo possível na apresentação, embora eu fique mais com a interpretação de “Um Bule de Chá”. A posição dessa constelação faz com que ela seja um dos mais importantes pontos observacionais; visto que ali a 1.18° da estrela 3 Sgr, podemos localizar o centro da galáxia.

3 Sgr é uma estrela gigante branco amarelada de magnitude 4.5 e classe espectral F7II (figura 6); já Rukbat de magnitude 3.9 e uma estrela branca azulada de classe espectral B8V, tornando-se também um dos casos em que a estrela mais brilhante da constelação não é sua estrela alfa, com utilizado na designação de John Bayer (1572 – 1625); como é o caso também de Castor e Pollux em Gemini. Beta 1 Sgr (ou Arkab Prior) de magnitude 4.0 é uma branco azulada de classe espectral B9Ve Beta 2 Sgr (ou Arkab Posterior) de magnitude 4.2 e uma estrela branco-amarelada de classe espectral F2III . Arkab Prior possui uma companheira, mas parece não ser esse o caso de Arkab Posterior, pois nenhuma indicação de duplicidade foi em suas observações foi identificado. Alguns autores corretamente afirmam que o número de estrelas existentes com magnitude menor que 2,4 são duas, então num primeiro comentário, temos Kaus Australis de magnitude 1.8 e classe espectral B9.5III, essa gigante branco azulada, possui a luminosidade de 328 vezes o Sol. Já Nunki (mag. 2.0), classe espectral B2.5V (branco azulada), possui uma luminosidade próxima de 535 vezes o Sol. Isso faz também que o número de estrelas com magnitude menor que 5,5 seja extremamente elevado (próximo a 65), então temos: Kaus Media (mag. 2.7) e classe espectral K3-III, uma gigante alaranjada que localiza-se a 128 anos-luz e Kaus Borealis (mag. 2.8) e classe espectral K1+III outra gigante alaranjada a 80 anos-luz e a gigante amarela Alnasl (mag 2.9), classe espectral K0III a 124 anos-luz de distância.

Entretanto será muito constrangedor para qualquer escriba falar dessa constelação e deixar de mencionar Mu Sgr (mag. 3.8) e classe espectral B8I. Estima-se que essa supergigante branco-azulada encontra-se a 3920 anos-luz de distância e sua luminosidade é cerca de 180000 vezes a do Sol; sua temperatura superficial de 11.000 a 25.000 K, aliado a essa luminosidade, a indicação sugere que seu raio seja de 115 vezes o do Sol e 23 vezes mais massivo que o Sol.

Fazendo uma rápida e simples análise na bibliografia utilizada e mencionada na referência, pude encontrar na constelação de Sagittarius ainda os seguintes e expressivos números: Encontram-se ali descritas um total de 113 estrelas duplas e múltiplas, sendo de magnitude 3 a 15 (Delta Sgr). Estrelas variáveis um total de 116, sendo: LPV = 38; Nova = 33, Nova recorrente = 01 (V1017 – VarMag. 5.2 a 14.0) Cefeídas = 10, Binárias Eclipsantes = 14 e Semi-regular = 8. A Variação de suas respectivas magnitudes é: 3.8 a 16.5. Quanto aos seus períodos vão de 0.4775 a 932 dias; desse total (116) ainda: encontramos irregulares = 7 e desconhecidas = 33.

AGLOMERADOS DE ESTRELAS

Além dessa excepcional gama de estrelas, essa constelação abriga também alguns dos exo-planetas recentemente descobertos, mas certamente muitos mencionarão que naquela área celeste também, existe um manancial enorme de aglomerados abertos e nuvens gigantescas de estrelas. Assim como na figura 6 existe a indicação dos objetos Messier, na tabela 03 abaixo além deles, estão incluídos alguns outros objetos listados (no NGC e/ou IC); como os mais importantes objetos Deep-sky de Sagittarius.

Messier 20 – A Nebulosa Trífida

Após a relação de objetos Deep-sky acima mencionados, não posso deixar de contar essa pequena história que ocorreu sob a cúpula do Observatório Wykrota em 1996. “Realizando a primeira luz daquele telescópio com o amigo astrofotógrafo José Carlos Diniz (http://www.astrosurf.com/diniz/), pedimos a ele que gentilmente mostrasse ao grupo de observadores, coisas bonitas no céu. Ele buscou imediatamente M8 em Sagittarius. Naquele momento de imediato me lembrei da Nebulosa Trífida e pedi a ele para mostrar-me. Uma verdadeira surpresa! Era a primeira vez que conseguia observar essa nebulosa”.

Certamente outros observadores terão uma visão diferente, mas esse verdadeiro e complexo ajuntamento de poeira cósmica (figura 7), abriga algumas peculiaridades que não posso deixar de mencionar. E muito provável que ela foi observada por LeGentil em 1747 e redescoberta por Charles Messier em junho de 1764, Mas sem dúvidas ela não passou despercebida pelas oculares dos telescópios de Sir William Herschel que descobriu a nebulosidade visivelmente dividida por um curioso padrão de faixas escuras e catalogou as mais brilhantes porções como quatro objetos separados. Mas provavelmente foi John Herschel, o primeiro a chamá-lo Nebulosa "Trífida" e a descreveu como: "composta por 3 brilhantes e irregulares massas nebulosas”.


Observando as estruturas dessa nebulosa vamos encontrar em seu centro a estrela HN 40 ou SAO 186145 (Napoleão, 2012) de magnitude 7.5, classe espectral Oe5. Na realidade esse é um sistema de estrelas triplo que estão situadas precisamente na borda de uma dessas massas nebulosas. Estas estrelas aparecem como uma dupla pequenos telescópios e como um sistema múltiplo grandes equipamentos, os componentes principais são de magnitudes 6,9, 8,0 e cerca de 10,5, com distâncias de 10,6"e 5.4". Utilizando o grande refrator de 36” do Observatório Lick, S.W Burnham encontrou um total de seis estrelas neste sistema.

A primária do sistema HN 40 parece a ser a principal fonte de iluminação da nebulosa embora seja possível que outras estrelas muito quentes existam em M20, totalmente ocultas pelas massas escuras e desta nebulosa. Como com a maioria difusas, a distância estimada de M20 apresenta discrepâncias consideráveis. Alguns autores informa cerca de 6000 anos que e corresponde a mesma provável distância da Nebulosa da Lagoa M8 sendo possível que ambos seja partes de uma mesma porção.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1547–1644.– Inc. New York – USA, 1978.

- Napoleão, Tasso Augusto - Deep-sky South – REA-Brasil, São Paulo – SD.

- Napoleão, Tasso Augusto – Correspondência pessoal (e-mail), 2012

- http://en.wikipedia.org/wiki/Mu_Sagittarii - Acesso em 12/02/2012.

- http://stars.astro.illinois.edu/sow/polis.html - Acesso em 12/02/2012.

- http://www.astrosurf.com/diniz/deep_sky/trifida.html - Acesso em 14/02/2012.





A ocultação de rho Sagittari pela Lua em 27 agosto 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na noite de 27 de agosto próximo, a Lua + 85% iluminada e com uma elongação de 134°, ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Observadores localizados em grande parte da África e na América do Sul, (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas situadas próximo a costa sul americana dos oceanos atlântico e pacífico (figura 2).

A designação de Bayer para Rho Sagittarii (Sgr 1, 2 Sagittarii) é compartilhada por duas estrelas. As duas estrelas estão separadas por 0,46 graus no céu. Porque também elas estão perto da eclíptica, podem ser ocultadas pela Lua e, muito raramente, por planetas. A próxima ocultação de rho Sagittarii por um planeta ocorrerá em 23 de fevereiro de 2046, quando será ocultada por Vênus.

Rho-1 Sagittarii é uma estrela de um tipo espectral F0 que tem uma magnitude aparente de 3,93. Ela encontra-se cerca de 122 anos-luz da Terra.

Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes
"Como observar"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls
(ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.





A ocultação de Dabih Major pela Lua em 28/29 Agosto 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na noite do dia 28, madrugada de 29 de agosto próximo, a Lua + 92% iluminada e com uma elongação de 148°, ocultará a estrela Dabih Major (Beta Capricorni) de magnitude 3.1 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Observadores localizados em grande parte da África e América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai), poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, o oeste do continente africano e ilhas situadas próximo a costa sul americana dos oceanos atlântico e pacífico (figura 2).

Beta Capricorni é uma dupla fácil de observar, oferecendo um contraste de cores muito boas para o pequeno telescópio. As duas estrelas compartilham um movimento próprio comum em cerca de 0,04" por ano; a separação projetada é 9.400 UA, (Burnham, 1978). Dabih está situada a 500 anos luz de distância e sua luminosidade é de cerca de 1.500 vezes a do Sol. Beta B é uma estrela dupla de magnitude 6.1 que forma com ela um par ótico (Mourão, 1987).

A estrela brilhante é uma tripla espectroscópica, com períodos de 8.678 e 1.374 dias. Thomas William Webb também menciona um par minúsculo entre os componentes, com uma separação de 6,4" e AP de 322 °, sendo ambas as estrelas de 13ª magnitude.


Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes
"Como observar"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. One – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

O asteroide (79) Eurynome em 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB


Em 26 de setembro próximo, o Asteroide (79) Eurynome estará com seu posicionamento favorável as observações (Lua = percentual iluminado +0.82%), quando então sua magnitude chegará a 9.8, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de pequenos instrumentos óticos, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de descoberta, Eurynome foi descoberto em 14 de setembro de 1863 pelo astrônomo norteamericano James Craig Watson (1838 - 1880) no Observatório de Clinton. Seu nome é uma homenagem à ninfa do Eurínome, Filha de Oceano e Tétis. Amda por Júpiter, dele teve teve os seguintes filhos: Algae, Eufrosina e Tália e o deus-rio Asopo. (Mourão, 1987).


Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!


Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2011, 104 P.


O asteroide (85) Io em 2012!


arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 11 de outubro próximo, o Asteroide (85) Io estará com seu posicionamento favorável as observações (Lua = percentual iluminado -0.23%), quando então sua magnitude chegará a 10.1, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de pequenos instrumentos óticos, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 85 Io foi descoberto em 19 de setembro de 1865 pelo astrônomo alemão Christian Heinrich Friedrich Peters (1813 - 1890) no Observatório de Clinton (Estados Unidos). Seu nome é uma homenagem a Io, filha de Ícaro, que, seduzida por Júpiter, foi transformada em uma novilha para enganar a sua esposa e cuja guarda foi confiada a Argos, um gigante de cem olhos. Depois da morte de Argos por Mercúrio, a mando de Júpiter, Juno inspirou a Io um furor cego que a fez andar errante por todo o universo. (Mourão, 1987).

Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!


Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2011, 104 P.

O asteroide (2) Pallas em 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB


Em 24 de setembro próximo, o asteroide (2) Pallas estará com seu posicionamento favorável as observações (Lua = percentual iluminado +0.62%), quando então sua magnitude chegará a 8.2, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de pequenos instrumentos óticos, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.



Como demonstra seu número em ordem de descoberta, Pallas foi descoberto em 28 de março de 1802 pelo astrônomo alemão Wilhelm Olbers (1758 - 1840) no Observatório de Bremen. Seu nome é uma homenagem a Palas, filha de Tritão, a quem Júpiter confiou-lhe a educação de Minerva que não tinha mãe. (Mourão, 1987).


Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!

Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.
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RY Sagittarii

Tasso Augusto Napoleão Jatobá
tassonapoleão@ig.com.br
REA/Brasil – CASP

A constelação do Sagitário possui alguns milhares de estrelas variáveis catalogadas. Uma das mais interessantes é RY Sagittarii (RY Sgr), que pertence à raríssima classe das estrelas tipo R Coronae Borealis (RCB), classe essa que tem apenas cerca de 50 espécimes conhecidos.

Às vezes também chamadas de "novas inversas", as estrelas dessa classe apresentam como característica o fato de permanecerem com magnitude aproximadamente constante durante a maior parte do tempo - e então, de forma totalmente imprevisível, sofrerem uma queda brusca de brilho, que pode atingir até nove magnitudes! Esses episódios de "crise" podem durar desde poucas dezenas até muitas centenas de dias, até que enfim a estrela retorne à sua magnitude habitual. Embora a causa para a queda de brilho ainda não seja um consenso, é provável que esteja associada à formação de uma nuvem de partículas de carbono ejetadas da fotosfera da estrela, obscurecendo-a temporariamente até que a nuvem se dissipe. Curva de Luz abaixo na figura 1.


A própria R CrB é o protótipo desta classe, mas RY Sgr é a sua contrapartida austral perfeita, tendo magnitude habitual em torno de 6, mas podendo cair até mag 14 nas situações de crise. Essas caracteristicas a tornam ideal para monitoramento por observadores do Hemisfério Sul com pequenos instrumentos.

Sua localização é bastante fácil, em Ascensão Reta 19h 16m 33s e Declinação -33g 31m 20s (2000.0). Ver mapa anexo, figura 2 (AAVSO). Curvas de luz e maiores detalhes podem ser vistos em: http://www.aavso.org/vsots_rysgr.




Boas Observações!

Referências:

- http://www.aavso.org/vsots_rysgr - Acesso em 18/07/2012.

Agosto de 2012 e o evento da Lua Azul

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Segundo explica-nos o Astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão em seu Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, temos para a definição de lua Azul a seguinte definição:

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Lua Azul. 1. Coloração levemente azulada do disco aparente da Lua, provocada pela interposição de partículas - cinza, poeira vulcânica, etc. - na alta atmosfera terrestre. Em grande quantidade, tais partículas absorvem as radiações vermelhas e produzem a coloração azulada na imagem lunar. É um fenômeno raro, e deu origem, nos tempo medievais, quando a lua cheia era a principal fonte de iluminação a noite, a expressão uma vez na lua azul". Provavelmente nele inspirados, o compositor Richard Rogers e o letrista Lorenz Hart, norte-americanos, escreveram a famosa canção "Blue Moon": Blue moon, you saw me stading alone, without a dream in my heart, without a love of my own ("Lua azul, você me viu sozinho sem um sonho no meu coração, sem um amor pra mim"). 2. Ocorrência de duas luas cheias no mesmo mês.
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Certa vez, eu e o casal de amigos (Kleber e sua Sra. Cláudia), retornávamos de Ouro Preto num dos sábados quando estávamos em formação no Curso de Astronomia na Universidade Federal de Ouro Preto; era novembro de 2001 e pudemos apreciar uma linda noite de luar.

Ocorreu realmente naquele mês de novembro o evento “Lua Azul” e essa ocorrência se repetirá neste mês.

Vejamos:

- A primeira Lua cheia neste mês ocorrerá em 2 de agosto às 00:27 (hora de Brasília –GMT – 03:00H), quinta-feira.

- A segunda Lua cheia (então denominada de “Lua Azul) neste mês ocorrerá no dia 31 de agosto às 10:58 (sexta-feira).

Abaixo no quadro 1, podemos novamente rever suas respectivas fases, bem como os dias e horários:

O fenômeno está relacionado somente a evolução desta em torno da Terra, em cerca de 27 dias e 8 horas. Após este mês, o fenômeno se dará novamente em julho de 2015, quando o evento (duas luas cheias num mesmo mês) terá nova ocorrência.

Portanto desejo a todos amigos e enamorados (porque não ?!?) boas observações.

Marcomede Rangel Nunes

Personagens da nossa Astronomia


MARCOMEDE RANGEL NUNES
1951 – 2010

Nelson Travnik

No dia 28 de julho de 2010, com apenas 59 anos, a astronomia brasileira perdeu uma de suas figuras mais expressivas: Marcomede Rangel Nunes, carioca, físico, astrônomo, jornalista e com relevantes e reconhecidos trabalhos em astronomia.

Conheci Marcomede ainda jovem realizando observações sistemáticas do Sol no Observatório Nacional do Rio de Janeiro, CNPq-MCT. Seus conhecimentos, aplicação e idealismo contribuíram para que mais tarde fosse contratado para trabalhar neste Observatório. De colegas passamos a amigos mantendo estreito relacionamento. Falávamos quase semanalmente. Dizia sempre que Marcomede, em razão da competência e espirito sempre alegre, comunicador e brincalhão, era único.

Participamos juntos de inúmeros eventos. Várias vezes esteve em Americana, SP, participando da nossa “Semana de Astronomia” e cursos. Era um incentivador e ‘plantador’ de relógios de Sol em todo o Brasil. O mais famoso deles é o de Brasília em parceria com Oscar Niemeyer. Era também um profundo conhecedor de planetários. Suas frequentes viagens aos Estados Unidos e a Europa visitando fabricas e planetários, tornaran-o um especialista no assunto. Visitou entre outras a fabrica Carl Zeiss, em Jena, Alemanha, a mais famosa e conceituada do mundo. A implantação do Planetário de Belém, ‘Sodré da Gama” da UEPA, teve uma participação decisiva do Marcomede. Ao lado do insigne astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, colaborou na criação do Museu de Astronomia e Ciências Afins, MAST, do Rio de Janeiro, RJ, no prédio do Observatório Nacional.

Participou no Programa Antártico Brasileiro realizando sete viagens aquele continente. Pelo ON e o Instituto de Estudos Antárticos, IBEA, foi o primeiro brasileiro a medir a radiação solar na Antártica com um pirômetro Eppley 8-48. Escreveu vários livros dentre os quais : Oku-curi (1979); Uma Luz Diferente no céu (1985); Antártica, uma Viagem ao Topo do Mundo (1980); Santos-Dumont, um Astrônomo Amador (2006); Einstein no Brasil (2005) e Meteorito de Bendengó (2007).

Foi também autor de mapas do céu, do sistema solar e da Lua. Por ocasião do Projeto Apollo (1968-1972) colaborou no Programa LION, NASA, JPL, Smithsonian Institution. Pelos relevantes serviços prestados a astronomia em mais de 40 anos de carreira exercidos no ON, recebeu inúmeras homenagens e condecorações dentre as quais vale destacar:

- Diploma ‘Amigo da Marinha do Brasil’,
- Medalha Pedro Ernesto,
- Medalha Alda Pereira Pinto,
- Medalha Tiradentes,
- Mérito Tamandaré da Marinha do Brasil,
- Personalidade Sayb Mais 2005,
- Profissional em Destaque e Benemérito do Estado do Rio de Janeiro.

Por iniciativa sua, fui surpreendido com uma Moção de Votos de Louvor e Aplauso pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro por minha atuação em astronomia, sendo como sou natural do Estado do Rio de Janeiro. Marcomede foi um incansável colaborador e muito atencioso por todos que o procuravam. Muitas mentalidades voltadas ao estudo do céu deva-se a ele. Chamávamos carinhosamente de “Marcomidia” tamanho era seu conhecimento. Estava a par de tudo. Quando esperávamos levar-lhe um novidade, ele já sabia! O Clube de Astronomia do Rio de Janeiro, CARJ, O Grupo NGC-51, os observatórios Nacional e do Valongo, UFRJ, o Planetário do Museu do Universo na Gávea e todos nós, colegas, amigos e admiradores de todo Brasil, rendemos nossa homenagem e um preito de gratidão por tudo que ele nos proporcionou. Esteja onde estiver, certamente seu espirito paira entre as estrelas que tanto amou.

Numa homenagem, embora simples pelo tanto que ele contribuiu para a astronomia brasileira, a Biblioteca do Observatório Municipal de Americana, SP, a partir de 01/09/2010, passou a denominar-se “Biblioteca Astrônomo Marcomede Rangel Nunes”.

Nelson Travnik, astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.




Afinal, o que é a Vida?

Nelson Travnik

Em que pese nossos atuais avanços científicos, a vida é um processo que continua sem uma definição precisa como demonstrou claramente o grande físico austríaco e Premio Nobel, Erwin Schröndinger em seu livro “O que é a Vida”, publicado em 1944, em plena Segunda Guerra Mundial. O homem através da astrobiologia e ciência espacial, procura sinais de vida em alguns astros do sistema solar como no planeta Marte, em Europa satélite de Júpiter e em Titã e Enceladus, satélites de Saturno.


É imperioso saber que o conceito de vida envolve estruturas elementares, caso das bactérias e, ou, em geral, estruturas extremófilas. Extremófilos são organismos que sobrevivem ou até mesmo demandam condições tão extremas para sobreviver que inviabilizariam a presença de formas de vida conhecidas. Eles sobrevivem em ambientes como geysers, fontes de água quente, em vapor d’água e até em lugares impensáveis com elevada radioatividade, em aparente contradição com ambientes considerados amenos para o desenvolvimento da vida.

Considerando pois os aspectos acima delineados, chegamos facilmente a conclusão lógica e racional, que o fator vida é abundante no universo. Sendo assim, por analogia, o longo caminho evolutivo para um ser pensante, é pura questão de tempo.

UM CELEIRO DE VIDA

A astronomia nos mostra que a explosão de uma estrela supernova derrama no espaço os elementos que vão formar novas estrelas e planetas. Elas disseminam pelo espaço cósmico os elementos químicos pesados como o silício, carbono, ferro e níquel entre outros. O universo é pois um celeiro de vida. Descortinando a pluralidade dos mundos habitados proposta inicialmente pelos antigos gregos e mais tarde por Giordano Bruno (1550-1600) e Camille Flammarion (1842-1925), o homem do século espacial volta-se sobre si mesmo, observando que seu planeta, sua existência e suas conquistas nada representam na história do universo. Perante ele somos um grão de poeira no deserto. Mesmo um grão de poeira talvez esteja superdimensionado.

A descoberta dos exoplanetas em numero cada vez maior, conduziu recentemente a uma ‘assustadora’ previsão de que pode haver no universo mais planetas do que estrelas! Não obstante, ainda indo mais além, potentes redes de radiotelescópios, continuam programas de enviar mensagens na expectativa de, em um futuro que eles acreditam não muito distante, receber uma resposta: também estamos aqui!

Das telas de ficção para a realidade, será certamente o maior acontecimento do milênio! Esta nova visão do cosmos graças as pesquisas nas áreas da astronomia e ciência espacial, transformou a maneira de pensar do homem moderno, possibilitando assumir uma postura mais honesta e humilde. Afinal, o que somos nós perante tudo isso? No contexto final, podemos dizer que a astronomia é a única ciência que alarga nossos horizontes, nossa maneira de pensar, permitindo vislumbrar a efemeridade da vida e responder as três perguntas que mais aguçam o espírito humano: De onde vim, onde estou e para onde vou.

Nelson Travnik, astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.