quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Marcomede Rangel Nunes

Personagens da nossa Astronomia


MARCOMEDE RANGEL NUNES
1951 – 2010

Nelson Travnik

No dia 28 de julho de 2010, com apenas 59 anos, a astronomia brasileira perdeu uma de suas figuras mais expressivas: Marcomede Rangel Nunes, carioca, físico, astrônomo, jornalista e com relevantes e reconhecidos trabalhos em astronomia.

Conheci Marcomede ainda jovem realizando observações sistemáticas do Sol no Observatório Nacional do Rio de Janeiro, CNPq-MCT. Seus conhecimentos, aplicação e idealismo contribuíram para que mais tarde fosse contratado para trabalhar neste Observatório. De colegas passamos a amigos mantendo estreito relacionamento. Falávamos quase semanalmente. Dizia sempre que Marcomede, em razão da competência e espirito sempre alegre, comunicador e brincalhão, era único.

Participamos juntos de inúmeros eventos. Várias vezes esteve em Americana, SP, participando da nossa “Semana de Astronomia” e cursos. Era um incentivador e ‘plantador’ de relógios de Sol em todo o Brasil. O mais famoso deles é o de Brasília em parceria com Oscar Niemeyer. Era também um profundo conhecedor de planetários. Suas frequentes viagens aos Estados Unidos e a Europa visitando fabricas e planetários, tornaran-o um especialista no assunto. Visitou entre outras a fabrica Carl Zeiss, em Jena, Alemanha, a mais famosa e conceituada do mundo. A implantação do Planetário de Belém, ‘Sodré da Gama” da UEPA, teve uma participação decisiva do Marcomede. Ao lado do insigne astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, colaborou na criação do Museu de Astronomia e Ciências Afins, MAST, do Rio de Janeiro, RJ, no prédio do Observatório Nacional.

Participou no Programa Antártico Brasileiro realizando sete viagens aquele continente. Pelo ON e o Instituto de Estudos Antárticos, IBEA, foi o primeiro brasileiro a medir a radiação solar na Antártica com um pirômetro Eppley 8-48. Escreveu vários livros dentre os quais : Oku-curi (1979); Uma Luz Diferente no céu (1985); Antártica, uma Viagem ao Topo do Mundo (1980); Santos-Dumont, um Astrônomo Amador (2006); Einstein no Brasil (2005) e Meteorito de Bendengó (2007).

Foi também autor de mapas do céu, do sistema solar e da Lua. Por ocasião do Projeto Apollo (1968-1972) colaborou no Programa LION, NASA, JPL, Smithsonian Institution. Pelos relevantes serviços prestados a astronomia em mais de 40 anos de carreira exercidos no ON, recebeu inúmeras homenagens e condecorações dentre as quais vale destacar:

- Diploma ‘Amigo da Marinha do Brasil’,
- Medalha Pedro Ernesto,
- Medalha Alda Pereira Pinto,
- Medalha Tiradentes,
- Mérito Tamandaré da Marinha do Brasil,
- Personalidade Sayb Mais 2005,
- Profissional em Destaque e Benemérito do Estado do Rio de Janeiro.

Por iniciativa sua, fui surpreendido com uma Moção de Votos de Louvor e Aplauso pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro por minha atuação em astronomia, sendo como sou natural do Estado do Rio de Janeiro. Marcomede foi um incansável colaborador e muito atencioso por todos que o procuravam. Muitas mentalidades voltadas ao estudo do céu deva-se a ele. Chamávamos carinhosamente de “Marcomidia” tamanho era seu conhecimento. Estava a par de tudo. Quando esperávamos levar-lhe um novidade, ele já sabia! O Clube de Astronomia do Rio de Janeiro, CARJ, O Grupo NGC-51, os observatórios Nacional e do Valongo, UFRJ, o Planetário do Museu do Universo na Gávea e todos nós, colegas, amigos e admiradores de todo Brasil, rendemos nossa homenagem e um preito de gratidão por tudo que ele nos proporcionou. Esteja onde estiver, certamente seu espirito paira entre as estrelas que tanto amou.

Numa homenagem, embora simples pelo tanto que ele contribuiu para a astronomia brasileira, a Biblioteca do Observatório Municipal de Americana, SP, a partir de 01/09/2010, passou a denominar-se “Biblioteca Astrônomo Marcomede Rangel Nunes”.

Nelson Travnik, astrônomo nos observatórios municipais de Americana e Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.




2 comentários:

  1. O Brasil não perdeu um físico, foi o céu quem ganhou mais uma estrela.

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  2. Oi Rogério!

    O Prof. Marcomede sem a menor dúvida, deixou com sua precoce partida rumo as estrelas uma enorme lacuna.

    Um grande abraço.

    Antônio Campos

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