sábado, 1 de setembro de 2012

O céu do mês – Setembro 2012

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB



Com a proximidade do Equinócio de setembro marcando o início da Primavera no Hemisfério Sul e o Outono do Hemisfério Norte em 22 de setembro às 14:14 (TU – Universal Time), numa opinião pessoal o céu, aliado aos fenômenos previstos para ocorrência neste mês, somente colaboram para enriquecer ainda mais o conhecimento que ele divina e gratuitamente coloca a disposição da humanidade. Então que tal uma apreciação na constelação de Áquila? Marca presença a brilhante Altair (0.9), uma estrela branca de classe espectral A7V distante a 16.1 anos-luz. E o quanto ficamos fascinados pela estrela branca azulada Vega (0.0) de classe espectral A0Va na constelação da Lyra a 25.3 anos-luz? Por certo o céu este mês ainda traz ao nosso entendimento a gigantesca constelação de Eridanus (um rio sinuoso) de tem como nascente a anã branca azulada, Lambda Eridanus (4.2), e como uma esplêndida foz, a estrela Achernar (0.5) de classe espectral B3Vpe, também branco-azulada a 136 anos-luz; por que então não chamar a atenção para Fomalhaut (1.2), outra branco azulada de classe espectral A3V na constelação de Piscis Austrinus (Peixe Austral) a 26.5 anos-luz? Mas o primeiro peixe dessa vastidão cósmica a ser detalhado será Delphinus (Golfinho), pelo charme, simpatia e curiosidade dessa constelação. Mas a Lua e os Planetas com a dinâmica de seus fenômenos também farão a diferença neste cenário celeste iniciando com um alinhamento de Mercúrio e Regulus, passando pelas ocultações proporcionadas pela Lua e finalizando com uma Lua cheia em 30/09.


A Ocultação de Júpiter pela Lua em 08 de Setembro de 2012

Durante o período diurno de 08 de setembro próximo, a Lua - 51% iluminada e com uma elongação de 91°, ocultará o planeta Júpiter (mag. -2.3) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais. (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Zeta Tauri pela Lua em 09 de Setembro de 2012

Na madrugada de 09 de setembro próximo, a Lua - 43% iluminada e com uma elongação de 171°, ocultará a estrela Zeta Tauri de magnitude 3.0 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Marte pela Lua em 19 de Setembro de 2012

No início da noite de 19 de setembro próximo, a Lua + 18% iluminada e com uma elongação de 51°, ocultará o planeta Marte, magnitude 1.2. (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Acrab pela Lua em 20 de Setembro de 2012

Na noite de 20 de setembro próximo, a Lua + 29% iluminada e com uma elongação de 65°, ocultará a estrela Acrab de magnitude 2.6 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Kow Kin pela Lua em 20 de Setembro de 2012

Na noite do dia 20, madrugada de 21 de setembro próximo, a Lua + 29% iluminada e com uma elongação de 65°, ocultará a estrela Kow Kin (omega 1 Scorpii) de magnitude 3.9 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

A Ocultação de Plutão pela Lua em 23 de Setembro de 2012

Em 23 de Setembro, a Lua +55% iluminada e com uma elongação de 96°, ocultará o pequeno planeta Plutão (mag. 14.1). Embora extremamente difícil de ser acompanhado, pois a instrumentação requerida deverá ser equipamentos óticos acima de 300mm de abertura, pode-se acompanhar esse evento. Assim a área de abrangência desse evento é o sul do Oceano Pacífico, abrangendo o Tahiti, Polinésia Francesa, Ilhas Cook e Tonga; na Nova Zelândia e a região de Auckland bem como ainda Chatham Island. Já na claridade crepuscular do dia. O evento continua ocorrendo na Tasmânia e Austrália (Regiões sul da Austrália Ocidental, Meridional, Nova Gales do Sul, Queensland e região Sul do Território do Norte), encerrando-se no sul do Oceano Índico conforme a figura 2 no mapa abaixo.

A Oposição de Urano em 2012

Urano encontrar-se-á em oposição em 29 de setembro agosto (07:00 TU – Universal Time) próximo quando estará a 19.061361 (UA) da Terra. Além da carta de busca (já publicada na resenha de maio de 2012 em Sky and Observers) a tabela abaixo apresenta as efemérides para esse período, bem como o mês subseqüente.


Planetas!

Mercúrio = Dentro dos limites da constelação de Leão, no dia 04 próximo (06:00 – TU), Mercúrio estará em sua máxima declinação (em relação a eclíptica) norte, (declinação: 10.8°), sendo que sua conjunção superior ocorrerá no dia 10, quando então estará numa distância a Terra de 1.377 UA; visualmente separado em cerca de 1.6° do centro do disco do Sol; Mercúrio chegará na constelação de Virgo em 13/08 e já no dia 18, então cruza o equador celeste em sentido descendente e no dia 27 realiza sua passagem pelo nodo descendente, mas suas elongações somente irão tornar favoráveis as suas observações no próximo mês.

Vênus = Neste início de mês poderemos ainda encontrar Vênus na constelação de Gemini, mas isso somente até o dia 05 quando então transitará pela constelação de Câncer. A sua elongação que e de 45° W neste início de mês, começa gradativamente a baixar sendo de 43.4° em 15/09 e 41° W em 30/09. Como conseqüência de seu afastamento a Terra também seu diâmetro aparente também irá diminuir (20.1” em 01/09, para 16.0” no dia 30/09), assim como sua magnitude estimada de -4.3 a -4.1. Ele a partir de 23/09 chegará a constelação de Leão, ficando lá até o fim deste período. Mas em 27/09 estará realizando sua passagem para o nodo ascendente.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:
Marte = Marte que proporcionou na constelação de Virgem alguns alinhamentos bastante interessantes, permanecerá ali até o dia 06, quando então ingressa na constelação da Libra. Mas nada será tão espetacular naquela constelação neste mês do que a Ocultação de Marte pela Lua em 19 de setembro. A figura 3 abaixo, ainda não representa (por mais que estamos buscando) a beleza de fenômenos como este.

Marte com uma magnitude de 1.2 ainda poderá ser observado neste período na primeira metade da noite, visto que suas elongações serão 56.4° em 01/09 e 47.7° em 30/09, sendo que no momento da ocultação acima mencionada, sua elongação, será de 50.6°. Mas o planeta vermelho ainda apresentará outra surpresa. Em 29/09, às 13:10 (TU – Universal Time) ocorrerá o início da Primavera no hemisfério sul marciano.

Júpiter = Neste mês as condições observacionais noturnas do planeta Júpiter começam estar mais propícias, pois poderemos iniciar nossas jornadas no sentido leste, encontrando o planeta gigante mergulhado na constelação de Taurus. Suas elongações e respectivas magnitudes vêm a cada dia vem aumentando (84.5° em 01/09 e magnitude -2.3 e 111.0° em 30/09 com a magnitude de -2.5). Assim também como seu diâmetro aparente, pois em 07/09 às 07:30 (TU – Universal Time), ele terá 40.0” de arco. Ele, entretanto será o alvo observacional dos observadores localizados no continente sul americano, tendo em vista a ocorrência de sua ocultação na manhã do dia 08. Então levando-se em consideração uma vez que Calisto terá a primeira imersão e posteriormente todo o sistema Júpiter/Satélites, a figura 4 abaixo apresenta o instante desse evento, mas ainda é importante considerar que o Sol estará a 0° no horizonte W para algumas localidades da região norte do Brasil, mas nas capitais do nordeste, sudeste e centro oeste do Brasil ele já estará acima do horizonte.
Saturno = Somente no fim deste mês é que a magnitude do planeta Saturno aumentará um pouco, quando então será estimada em 0.7, Ele permanece na constelação de Virgo e suas elongações vão diminuindo a cada dia sendo de 47.2° em 01/09, baixando para 22.1° no dia 30 de setembro.

Urano = Ainda na constelação de Cetus, Urano passará em 16 de setembro próximo para a constelação de Pisces e sua magnitude quase no limite de visibilidade da visão desarmada de nossos observadores, será tentadora a sua busca com pequenos instrumentos; diante disso recomendo suas buscas visuais, próximo a Lua Nova que ocorrerá em 15/09, visto que na data de sua oposição (23 de setembro) a presença do luar (fases descritas no quadro 1) pode afetar um pouco essas observações mas não de forma significativa.

Netuno = Como sua oposição ocorreu em 24 de agosto, no momento sua magnitude continua estimada em 7.8, mas suas elongações começam lentamente a baixar, pois de 172.4° em 01/09 chegará ao dia 30/09 com 143.4°, mas isso também faz com que Netuno seja um astro recomendado para observações próximo de 15/09. O céu sem a presença do luar fica bastante escuro, fazendo com que essas magnitudes ganhem mais contraste.

Ceres e Plutão = A tendência sempre será que Ceres tenha condições observacionais favoráveis, então sem a presença do luar (como recomendado para os planetas Urano e Netuno) será bastante proveitoso buscar Ceres, entre as constelações de Taurus e Orion. Ele ingressará nesta constelação estando em 10 setembro a 0.5° Norte da estrela 54 Orionis (mag. 4.4), classe espectral G0V, uma estrela anã branco amarelada que se encontra a 27 anos luz de distância e possui uma luminosidade de 1.02 vezes que o próprio Sol. Plutão, na constelação de Sagittarius, com a magnitude de 14.1 em 23 setembro será ocultado pela Lua sendo que numa seqüência a Lua ocultará também o Aglomerado Aberto M-25 em Sagittarius. Suas respectivas elongações serão de 117.9° no início do mês e 89.6° em 30/09.

Notas:

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Delphinus

O céu e realmente um espetáculo fantástico e principalmente quando damos asas as nossas imaginações. Então eu fico buscando entender como era o imaginário dos povos e principalmente dos marinheiros do que após 1350 começaram a se lançar na imensidão dos oceanos em busca de outras terras, riqueza e glorias. Assim buscando na compreensão da faina diária a bordo de naus, galeões e caravelas, fica fácil compreender o porquê da retratação no céu dos objetos e animais de suas lidas. Pois certamente Golfinhos (e outras qualidades de peixes como vimos na introdução) eram suas companhias em mar alto. No céu então não será diferente, pois será bastante interessante conhecer em Delphinus (figura 5) uma inimaginável história de pescador.
Começaremos nosso reconhecimento dessa constelação de forma contrária o que normalmente realizamos, assim Zeta Del (4.6), de classe espectral A3V; uma anã branca distante do sol próximo a 286 anos-luz, como a nadadeira dorsal sendo que Eta Del (5.3), classe espectral A3IV, uma subgigante branca distante cerca de 272 anos-luz e Delta Del (4.4), classe espectral A7III já uma gigante também branca, que encontra-se a uma distância idêntica, marcam as nadadeiras peitoral desse mamífero. A curiosidade marcante é que tanto Eta Del e Zeta Del (4.6) mostram a idêntica velocidade radial (cerca de 12 quilômetros por segundo em aproximação), fato também observado em Epsilon Del (4.0), uma gigante branco azulada que também possuí o nome próprio de Deneb Dulfim, que completa a nadadeira caudal e Rotanev (3.6), de classe espectral F5IV, embora ela tenha um maior movimento do que as outras três. Embora isso possa fazer com que grande parte deste grupo possa ter uma verdadeira associação física, isso permanece discutível; Gamma Del (4.2), uma subgigante alaranjada também parece desqualificada com base de um movimento muito maior do que as outras; visto também que Sualocin (3.7) classe espectral B9IV tem apenas cerca de 1/3 dessa velocidade radial.

A Rotação de Delphinus - "Sualocin" e "Rotanev"

Certamente os golfinhos deviam naqueles mares alegrar a faina de bordo dos marinheiros daquelas embarcações com suas encantadoras piruetas, o que faz com que a espécie (Stenella longirostris) seja conhecida como O golfinho rotador. Certamente isso não passou despercebido pelo astrônomo italiano Niccolò Cacciatore, pois se utilizou da forma latinizada de seu nome (Nicolaus Venator) para também catalogar e batizar de “forma reversa” (como numa rotação) as estrelas Alpha e Beta Delphini.

Beta Delphini

Beta Delphini é uma rápida binária, geralmente é um objeto difícil de ser observada, mas foi descoberta surpreendentemente com um equipamento de apenas 6 centímetros de abertura, pelo astrônomo S.W Burnham em agosto 1873. As duas estrelas são magnitudes 4,0 e 4,9 e giram em sua órbita em um período de 26,65 anos, com um periastro ocorrido em 1957 (figura 6).
A maior separação aparente do par ocorre num Ângulo de Posição (PA°) de 356 como ocorrido em 1949, encontrado ambas próximas em 0.65”, estando próximas de 90° como ocorrido em 1959, quando os componentes diminuíram para cerca de 0,2.". Elementos orbitais de acordo com Finsen (1938) são: semi-eixo maior = 0,48" = cerca de 20 UA à distância adotada numa paralaxe de 125 anos-luz; excentricidade = 0,35; inclinação = 62°. A luz total do sistema para a mesma distância é aproximadamente 36 vezes e a luminosidade do Sol. A velocidade radial é de 14 quilômetros por segundo em aproximação.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1547–1644.– Inc. New York – USA, 1978.

- Napoleão, Tasso Augusto - Deep-sky South – REA-Brasil, São Paulo – SD.




A ocultação de Júpiter pela Lua em 08 Setembro 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Durante o período diurno de 08 de setembro próximo, a Lua - 51% iluminada e com uma elongação de 91°, ocultará o planeta Júpiter (mag. 2.3) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

A posição dos satélites de Júpiter em 08 de setembro está representada na figura 02, podendo seus respectivos desaparecimentos e reaparecimentos ser também cronometrados das localidades onde a ocultação será visível.
Assim os observadores localizados no norte e nordeste do Brasil, bem como ainda na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai poderão acompanhar esse evento.
Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas situadas na costa dos oceanos atlântico e pacífico (figura 3).
Júpiter é conhecido desde a mais remota antiguidade; um dos dias da semana (quarta-feira) lhe é consagrado, há mais de 2000 a.C., pelos caldeus. A mais antiga observação desde planeta, que se conhece, data de 3 de setembro do ano 140 a.C., quando ocultou a estrela Delta do Cancer (Mourão, 1984).

As ocultações de planetas pela Lua são fenômenos de rara beleza, onde seus registros constituem uma excelente oportunidade do astrofotógrafo, por exemplo, incrementar sua coleção, bem como ainda, ao astrônomo amador manter um registro significativamente importante desde que enviado para associações de pesquisas como a ALPO (Association Lunar and Planetary Observers), IOTA (International Occultation Timing Association) e no Brasil a REA (Rede de Astronomia Observacional).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas – Da Terra às Galáxias – Uma Introdução à Astrofísica, Ed. Vozes, 4ª Ed., Petrópolis (RJ) - 1984, 359P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.



A ocultação de zeta Tauri pela Lua em 09 setembro 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na madrugada de 09 de setembro próximo, a Lua - 43% iluminada e com uma elongação de 171°, ocultará a estrela Zeta Tauri de magnitude 3.0 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Observadores localizados em grande parte da América do Sul, (Brasil, Colômbia e Venezuela, poderão acompanhar esse evento.
Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul e Caribe, ilhas situadas próximo a costa africana e sul americana no oceano atlântico (figura 2).

Zeta Tauri fica a cerca de 8 graus a SSE de El Nath, e marca a ponta do chifre Sul do Touro.

A estrela é muito remota para produzir uma paralaxe trigonométrica mensurável. A partir de várias características espectrais a luminosidade verdadeira é estimada em cerca de 4.400 vezes a do Sol (magnitude absoluta -4,2), a distância calculada nesta base é de cerca de 940 anos-luz. A estrela mostra um movimento próprio de 0,023" e uma velocidade radial em cerca de 15 quilômetros por segundo em recessão; variações periódicas na medição indicam que o semi-eixo maior da órbita da estrela visível é cerca de dez milhões de milhas, com uma excentricidade de 0,16. Evidentemente, a estrela invisível é um objeto mas muito menor que a gigante principal.

Zeta Tauri é uma das mais conhecidas "estrelas com capas", com características espectroscópicas que revelam a presença de uma atmosfera extensa e turbulenta em expansão. Desde os primeiros anos do século 20, a força do espectro da capa tem variado consideravelmente, foi muito forte em 1914 e em 1950, enfraquecendo em 1951 e 1952, então mais uma vez reforçando, até 1959. Embora Zeta Tauri seja muitas vezes considerada um exemplo bastante "clássico" de uma estrela com capa, tem mostrado atividade consideráveis nos últimos anos, com mudanças notáveis, por vezes, ocorrem dentro de poucos dias. Às vezes tais camadas as estrelas do exterior podem apresentar movimentos turbulentos, com enormes quantidades de material que flui para fora ou para dentro, com velocidades de até 100 quilômetros por segundo. O processo sugere algo parecido como proeminências solares em uma escala muito maior, suficiente para manter um anel permanente ou capas de gás em torno da estrela. Como em outras estrelas do tipo, há outras que parecem possuir diversas camadas diferentes em ação ao mesmo tempo, aumentando ou diminuindo a velocidades diferentes. Estratificação química é detectada em muitas das estrelas do tipo, as linhas dos elementos espectrais diferentes, evidentemente, se originam em diferentes níveis acima da superfície. Enquanto algumas estrelas da classe são opticamente variável, Zeta Tauri não mostra significativas mudanças de luz.

Muito pouco é conhecido sobre o mecanismo de funcionamento dessas Stars Shell (estrelas capas), mas acredita-se que uma série de ondas de choque podem ser geradas em uma região de instabilidade abaixo da superfície visível, mantendo as camadas mais externas da estrela em um estado de erupção. Rápida rotação também pode gerar turbulência, uma vez que as várias camadas da formação da capa estendida pode ser um dos fatores na evolução de estrelas para o estado de gigante ou supergigante.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. Three – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

A ocultação de Marte pela Lua em 19 Setembro 2012!

Antônio Rosa Campos

arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

No início da noite de 19 de setembro próximo, a Lua + 18% iluminada e com uma elongação de 51°, ocultará o planeta Marte, magnitude 1.2 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

É interessante apresentar Marte com as seguintes características neste evento (Figura 2):
Assim os observadores localizados na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas situadas na costa dos oceanos atlântico e pacífico (figura 3).

Marte é conhecido desde a mais remota antiguidade; Em 2540 A.C., um dos dias da semana (terça-feira) já lhe era consagrado. Aristóteles teve ocasião de observar um ocultação de Marte pela Lua e Ptolomeu menciona que Marte esteve próximo a estrela Acrab (Beta Scorpii) em 17 de janeiro do Ano 272 a.C. (Mourão, 1984).

As ocultações de planetas pela Lua são fenômenos de rara beleza, onde seus registros constituem uma excelente oportunidade do astrofotógrafo, por exemplo, incrementar sua coleção, bem como ainda, ao astrônomo amador manter um registro significativamente importante desde que enviado para associações de pesquisas como a ALPO (Association Lunar and Planetary Observers), IOTA (International Occultation Timing Association) e no Brasil a REA (Rede de Astronomia Observacional).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas – Da Terra às Galáxias – Uma Introdução à Astrofísica, Ed. Vozes, 4ª Ed., Petrópolis (RJ) - 1984, 359P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

A ocultação de Kow Kin pela Lua em 20 Setembro 2012!


Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB


Na noite do dia 20, madrugada de 21 de setembro próximo, a Lua + 29% iluminada e com uma elongação de 65°, ocultará a estrela Kow Kin (omega 1 Scorpii) de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Observadores localizados no norte e nordeste do Brasil, bem como ainda na Colômbia, Equador, Guianas, Peru, Suriname e Venezuela poderão acompanhar esse evento.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul, ilhas do Caribe, América Central e ilhas situadas no norte do oceano pacífico (figura 2).
A designação de Bayer para Omega1 Scorpii (ω1 Sco, Scorpii ω2) é compartilhado para duas estrelas , ω1 e ω2 Scorpii, na constelação de Scorpius. Eles estão são separadas por 0,24°. Omega Scorpii também tem o tradicional nome de Jabhat al Akrab, que é derivado do árabe jabhat [u] al-c aqrab significando: "testa do escorpião".

Omega-1 Scorpii é azul-branco do tipo anã B, com uma magnitude aparente de 3.93, situada em cerca de 424 anos-luz da Terra.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.





A ocultação de Acrab pela Lua em 20 setembro 2012!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB


Na noite de 20 de setembro próximo, a Lua + 29% iluminada e com uma elongação de 65°, ocultará a estrela Acrab de magnitude 2.6 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Observadores localizados em grande parte da América do Sul, (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), poderão acompanhar esse evento.
Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul e Antártida, ilhas situadas próximo a costa sul americana no oceano atlântico (figura 2).


Beta Scorpii é uma das melhores estrelas duplas brilhantes no céu para telescópios de pequeno porte, e não será nada difícil de ser encontrada com um bom refrator de duas polegadas. Magnitudes individuais dos componentes foram medidos como 2,63 e 4,92; separação de 13,7" em Ângulo de Posição de 23°. Há cores de muito pouco contraste neste par, embora C.E Barns chama-os. "Intenso e colorido" Para T.W. Webb eles eram "Pálidos amarelo e verde" W.T. Olcott os chama "branco e azul", Proctor Mary pensou que eles são "branco e lilás", enquanto E.J. Hartung fala deles como um "par pálido e esplêndido amarelo" vistos à luz do dia eles dão a impressão de uma tonalidade amarelada, provavelmente devido ao contraste com o céu azul. Contra o céu escuro da noite a maioria dos observadores irá encontrá-los simplesmente branco talvez com um tom cinzento ou azulado na estrela mais fraca.

A segunda companheira, de magnitude 9,5, foi descoberta por SW Burnham com uma abertura de 18,5 polegadas em 1879, e é difícil de observar mesmo em grandes telescópios. Hartung acha que foi possivelmente visíveis com telescópios de 30 centímetros em 1960, desde então fechou um pouco, cerca de 0,5", o ângulo de posição aumentou de 88 graus em 1880 para cerca de 132 graus em 1959.

Evidentemente, as duas estrelas estão em revolução orbital com um lento período, provavelmente se aproximando de 1000 anos. Durante uma ocultação de Beta Scorpii pela lua em 08 julho de 1976, a estrela fraca foi encontrada para ser consideravelmente mais brilhante do que o esperado, provavelmente cerca de magnitude 6.5; ou a estrela é variável, ou a estimativa de magnitude 9,5 foi uma grande subestimativa resultantes da dificuldade de observação. Este par fechado, aliás, é chamado de "A-B"; a terceira estrela em 13,7" é designada "C".

Além desses dois companheiros visíveis, a principal brilhante é uma binária espectroscópica com período de 6.828145 dias. Da órbita conhecida, as massas dos dois componentes parecem ser cerca de 21 e 13 massas solares, e a órbita da componente brilhante é cerca de 8 milhões de quilômetros do centro gravitacional do sistema, com uma excentricidade de 0,27.

Um evento amplamente observado e raro foi a ocultação do sistema Beta Scorpii por Júpiter 13 de maio de 1971. Na ocasião, a componente brilhante passou por trás do disco do planeta muito perto de seu pólo sul, permanecendo escondida durante cerca de 90 minutos, a magnitude 5 do componente "C" de 13,7" foi ocultado quase centralmente por um intervalo de 2,2 horas de "totalidade". No reaparecimento, cada estrela foi vista pela primeira vez como um ponto fraco da luz, aparentemente dentro do disco de Júpiter, a estrela mais brilhante requer cerca de 7 minutos para recuperar o brilho total. Ambas as estrelas brilharam irregularmente com "flares", aparentemente o resultado da estrutura estratificada da atmosfera de Júpiter Durante este evento, um fenômeno ainda mais raro foi observado; a ocultação de Beta Scorpii C pelo satélite de Júpiter Io, a estrela permaneceu ocultada por 4m 11s como observado na Jamaica, e um pouco mais de 5 minutos como pode ser visto a partir do Observatório da Universidade da Flórida. Durante este evento, uma forte evidência foi encontrada para o fim da duplicidade de Beta Scorpii C, de acordo com os astrônomos no McDonald Observatory a estrela é provavelmente um par perto de cerca de 0,10" de separação em AP de 308 graus com um diferença de brilho de cerca de 2 magnitudes. O sistema Beta Scoprii então se torna um quíntuplo, embora apenas o brilhante par A-C possa visto na maioria dos telescópios amadores.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. Three – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

X Ophiuchi

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

X Ophiuchus é uma variável de longo período (LPV) tipo Mira que foi observada pela primeira vez por Thomas. E. Espin em 1886. É uma gigante vermelha pulsante com um período médio de 334 dias e uma variação de 6 a cerca de 9 magnitude, que a mantém sempre ao alcance de um pequeno telescópio. A curva de luz tem a particularidade de um mínimo bastante plano e extenso cerca de 9ª magnitude, enquanto os máximos podem variar consideravelmente em altura. Já em 1900, esta particularidade sugeriu a presença de um companheiro próximo, que ficaria visível a uma magnitude constante, embora a variável em si houvesse desaparecido de vista. Naquele mesmo ano essa expectativa foi comprovada, quando W.J. Hussey no Lick Observatory detectou o companheiro utilizando um refrator de 36 polegadas.

A companheira é uma estrela de 9ª magnitude localizada a 0,3" da primária, o ângulo de posição (AP) foi de 195° em 1900, mas parece estar diminuindo numa taxa de cerca de 20° em 25 anos, a separação se manteve relativamente constante. As duas estrelas, sem dúvida a partir de um sistema binário, são um dos poucos casos onde sabe-se que uma variável de longo período é um membro de um sistema duplo de estrela. Omicron Ceti (Mira) seja talvez o único caso também estabelecido.

A figura 1 abaixo apresenta a curva de luz obtida através das observações realizadas entre 1989 e 1993 pelos seguintes observadores brasileiros: Antonio Padilla Filho, Marcos Felipe Lara, Renato Levai, Avelino Alves e Tasso Augusto Napoleão. Nessa oportunidade, quando através do Projeto Observacional da REA (Rede de Astronomia Observacional)/ Brasil n° 62/1989 obtive-se um total de 95 observações.

Tais sistemas binários são de imensa importância para a astrofísica, uma vez que fornecem a oportunidade única de fazer-se uma determinação direta da massa de uma estrela do tipo Mira. P.W. Merrill (1923) encontrou a classe espectral da companheira (KO). Em uma análise do sistema, J.D. Fernie (1959) estimou um período orbital em torno de 560 anos, e uma distância de cerca de 780 anos de luz. A verdadeira separação das duas estrelas é da ordem de 75 unidades astronômicas, e a massa total do sistema é cerca de duas vezes a massa de um Sol. As Magnitudes absolutas encontradas para os componentes foram: -0,3 para estrelas M, no máximo, e 1,1 para as estrelas K. Não se sabe definitivamente qual estrela tem a maior massa, mas a variável, em qualquer caso, não pode ser significativamente mais maciça do que o Sol. Um resultado bastante semelhante foi encontrado para a famosa estrela Mira, e ao que tudo indica, parece certo que estas estrelas não são objetos de grande massa, como foi anteriormente suposto. Fernie sugeriu que as variáveis de longo período originam-se de estrelas da seqüência principal dos tipos A8 a F5, estrelas que são apenas ligeiramente mais massiva que o Sol. Tais pulsantes supergigantes vermelhas como Betelgeuse e Alpha Herculis realmente parecem ter massas muito maiores, e devem ser um tipo fundamentalmente diferente de estrelas. X Ophiuchi apresenta um movimento anual próprio de 0,02", a velocidade radial é de 43 quilômetros por segundo em aproximação.

Este ano, X Oph chamará a atenção dos observadores da American Association of Variable Star Observers (AAVSO) em todo o globo, visto que deverá atingir seu máximo em 22 de setembro próximo (mag. 6.8). Suas observações e reportes de estimativas são bastante incentivados e sua fácil identificação poderá ser obtida a partir da carta de busca elaborada pela AAVSO, apresentada na figura 2 abaixo.

Outras estrelas variáveis informadas pelo o observador brasileiro Carlos A. Adib, as quais ele encoraja os demais observadores a engajarem numa campanha observacional são apresentadas nas tabelas abaixo para os meses de seus máximos.


É ideal ainda a realização de freqüentes visitas ao site da AAVSO - American Association of Variable Star Observers (http://www.aavso.org/) para consultas de arquivos e carta de busca.

Boas Observações:

- Referências:

- Burnham, Robert Jr., - Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. Two – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

- Lara, Marcos F., – “X Ophiuchi 5 anos de acompanhamento”; Reporte REA n°. 7 – REA (Rede de Astronomia Observacional) Págs. 72/73. Ano VII – São Paulo – SP- Dezembro 1994.

- http://www.aavso.org/ - Acesso em 18/08/2012.

- Adib, Carlos A., - Correspondência Pessoal (e-mail) 2012.