segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O céu do mês – Outubro 2012


Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB


O Céu realmente é um divino e fantástico espetáculo! Após as observações daquelas brilhantes estrelas que foram elencadas nesta resenha no mês anterior. Tenho ainda a oportunidade de observar Peacock (mag, 1.4) na constelação do Pavão, uma subgigante branco azulada, muito semelhante a Alnair (mag. 1.7) na constelação de Grus; mesmo porque ainda teremos a gigante branco amarelada Difda (mag.2.0) na constelação de Cetus. Começa a ganhar novamente nossa atenção este mês a constelação de Taurus com as Plêiades (M 45) e o gigante aglomerado aberto Hyades, bem como também o gigante caçador Órion; enquanto que o Sagittarius começa a despedir-se de nossa visão. A Lua ainda assim proporcionará alinhamentos bastante interessantes com Regulus, o planeta Saturno e também Antares. Mas a espetacular ocultação de Júpiter poderá somente em sua fase diurna ser acompanhada da Austrália, sendo sua parte noturna visível em regiões remotas onde a presença de observadores experientes é pouco provável. Entretanto como detalhamos no mês anterior a presença do Delphinus (Golfinho) nesta vastidão cósmica, desta feita veremos um pouco mais detalhadamente a constelação de Piscis Austrinus (Peixe Austral), que mergulhando na imensidão do Cosmo nada em direção ao céu, tendo também como principal estrela a brilhante Fomalhaut (1.2). Então ali Lacaille 9352, dará a real exatidão de seu movimento próprio demonstrando que além da nuvem de Oorth, a galáxia continua sua marcha no Universo. Eu espero que apreciem.

Nota:


Às 00:00 H de Brasília (03:00 TU) do dia 21 de outubro próximo, reinicia-se o Horário de Verão em parte do território brasileiro. Ele permanecerá vigorando nas regiões determinadas pelo Decreto n° 6.558 de 08 de Setembro de 2008, até às 00:00 H de Brasília (03:00 TU) do dia 17 de fevereiro de 2013, quando então terminará a vigência desta determinação neste período.

Assim sendo, as regiões afetas são: a) – SUL, estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; b) SUDESTE, estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais e, c) CENTRO-OESTE, estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

A Ocultação de Júpiter pela Lua em 05 de outubro de 2012

Em 05 de outubro próximo a Lua -72% iluminada e com uma elongação de 117°, ocultará o planeta Júpiter (mag. 2.4) e (conseqüentemente) seus principais satélites naturais: Io (5.1), Ganimedes (4.7) e Callisto (5.7), conforme posicionamento abaixo (figura 2) do instante máximo 20:57.0 (TU). Neste instante, Europa estará oculto pelo disco do planeta, com desaparecimento ("D") previsto para 19:41.2 (TU) e reaparecimento ("R") 22:02.6 (TU - Universal Time).


Esta ocultação poderá ser observada em sua fase diurna na Tasmânia (Estreito de Bass; incluindo Ilhas King e Finders) e Austrália (sul dos estados de Vitória, Austrália Meridional e sul da Austrália Ocidental), bem como a região do Grande Golfo Australiano, região Antártida e Oceano Antártico. Já a fase noturna poderá ser acompanhada da Ilha Amsterdam e Saint Paul no Oceano Índico. Embora desabitadas, ele abrangerá também as Ilhas Heard e McDonald e Kerguelas (Terras Austrais e Antárticas Francesas) já próximo as bases científicas localizadas na Banquisa do Mar de Davis no Oceano Glacial Antártico conforme apresentado na figura 3.


A Ocultação de Plutão pela Lua em 20 de Outubro de 2012

Em 23 de Setembro, a Lua +32% iluminada e com uma elongação de 69°, ocultará o pequeno planeta Plutão (mag. 14.2). Embora extremamente difícil de ser acompanhado, pois a instrumentação requerida deverá ser equipamentos óticos acima de 300mm de abertura, pode-se acompanhar esse evento. Assim a área de abrangência desse evento é: as ilhas ocidentais e região oeste da Sumatra do Mar de Andaman e ao Sul (Ilhas Christmas e Ilhas Cocos); no Oceano Índico o Sri-Lanka e o extremo sul da Índia, Maldivas e Território Britânico do Oceano Índico. Já na fase crepuscular a ocultação poderá ser acompanhada das Ilhas Seychelles. O fenômeno então já ocorrendo na luz do dia abrange também as Ilhas Maurício, Ilha Reunião, Comores, Tromelin e Madagascar (incluindo ilhas localizadas no Canal de Moçambique). Na porção sul do continente africano nas seguintes nações: Angola (exceto norte e nordeste), sul da República Democrática do Congo. Zâmbia (exceto região nordeste), sul da Tanzânia, Malauí, Zimbábue, Botsuana, Suazilândia, Namíbia, África do Sul e Lesoto. No Atlântico sul, somente na Ilha de Santa Helena e Ascension, conforme a figura 4 no mapa abaixo.

Planetas!

Mercúrio = Com Mercúrio então transitando pela constelação de Virgo desde 13/09, neste primeiro dia ele já começa a ter condições observacionais acima do horizonte no sentido Oeste. Sua magnitude será de -0.4 e sua elongação 15.1°. Ele estará em seu afélio no dia 08/10, com uma distância ao sol de 0.467 UA, sendo que em 11/10 ele já estará dentro dos limites da constelação de Libra. Sua máxima elongação ocorrerá em 26 de outubro, estando com uma elongação de 24.1° E, com uma magnitude de -0.1. Mas após o dia 29/10 ele estará nos limites da constelação de Escorpião terminando o mês com magnitude -0.0 e elongação de 23.6°. A boa surpresa ficará por conta do alinhamento que ocorrerá entre Mercúrio e Saturno no céu na noite de 05 de outubro; quando ambos estarão com uma elongação de 17° E, e separados no céu por 3.1° conforme figura 5.

Vênus = As elongações de Vênus vem gradativamente baixando sendo de 38.3°; já em 15/10 como sua magnitude era no início deste mês estimada em -4.1, ela também começa a cair também, passando essa estimativa para -4.0, sendo que no fim deste mês sua elongação já chegará a 35°. Venus ainda continua seu trânsito pela constelação de Leão até o dia 23 de outubro, quando então iniciará seu trânsito pela constelação de Virgem. Vênus ainda no dia 31/10 às 20:56 (TU – Universal time) estará no seu periélio, quando então sua mínima distância ao Sol será de 0.718423 UA e sua magnitude será de -3.9.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários do fuso horário de Brasília (UT = + 03:00 h) mencionadas de acordo com o quadro 1:

Marte = Marte fica na constelação de Virgem até o dia 06 próximo, quando então fará um rápido trânsito de 12 dias pela constelação de Escorpião, sendo que já no dia 19/10 encontrar-se-á dentro dos limites da constelação de Ophiuchus. Sua magnitude, no entanto não sofrerá mudanças significativas neste período sendo estimada ainda em 1.2, mas como suas elongações (43.5° em 15/10 e 39.2° em 31/10) diminuem a cada dia, ele ainda pode ser observado na primeira parte da noite.

Júpiter = A cada noite e cada vez mais cedo o planeta Júpiter vem surgindo no Horizonte. Isso faz com que ele novamente ganhe nossa atenção observacional, visto que suas respectivas magnitudes aumentam, sendo: -2.5 em 01/10, -2.6 em 15/10 e -2.7 em 31/10, bem como também suas elongações: 112.0° em 01/10 e 142.9° em 31/10. Uma conseqüência direta de sua respectiva distância a Terra, será as magnitudes visuais de seus satélites naturais. Então a tabela 2 abaixo apresentará essas respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês as 00:00 (TU).
Na tabela 3, podemos encontrar novamente os horários (UT – Tempo Universal) previstos dos trânsitos da Grande Macha Vermelha (GRS) para este período.
Saturno = As baixas elongações de Saturno neste mês farão com que ele no dia 25/10 esteja em conjunção com o Sol, mas a distância que ele se encontra será de 10.767909 UA. Ele continua seu trânsito pela constelação de Virgem e deverá ganhar condições observacionais novamente em torno do dia 12 de novembro próximo já em elongação W.

Urano = Como Urano passou por sua oposição no dia 23 de setembro último, sua elongações continuam favoráveis as suas observações. Isto faz com que ele seja também observado durante todo o período noturno e quase no limite de nova visão desarmada, pois como sua magnitude está estimada em 5.7, não será difícil sua localização na constelação de Pisces. Suas elongações para o período são 163.7° no dia 15/10 e 147.2° em 31/10. A boa indicação para buscar essas observações na fase da Lua Nova (acompanhe suas fases descritas no quadro 1) continua sendo para esse planeta.

Netuno = As elongações de Netuno estão lentamente a diminuindo até mesmo porque sua elongação já ocorreu em 24 de agosto, mas mesmo assim ele poderá ser observado ainda em uma posição favorável na constelação de Aquário. Sua magnitude, entretanto começa a baixar sendo que chegará até o dia 31/10 estimada em 7.9. Então a mesma indicação dada no caso de Urano em relação as fases lunares, caberá perfeitamente para facilitar as observações de Netuno.

Ceres e Plutão = Na segunda parte do período noturno da primeira quinzena deste mês, já poderão ser realizadas as buscas observacionais de Ceres. Ele é localizado facilmente na constelação de Órion, mas somente até o dia 11 de outubro, quando então passará a realizar seu trânsito pela constelação de Gemini. Então no dia 15/10 (observem novamente a facilidade devido à ausência do luar) sua magnitude poderá ser estimada em 8.3, mas em 31/10 ela deverá estar estimada em 8.0 com uma elongação de 124.2° W. Em contramão a essa situação está o pequeno planeta Plutão, pois como sua oposição ocorreu em 29 de junho passado, suas elongações ainda serão favoráveis a observação da ocultação prevista para o dia 20 de outubro. Sua magnitude é estimada em 14.1, ainda bem próximo ao Aglomerado Aberto M-25 em Sagittarius.

Notas:

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

CONSTELAÇÃO:

Pisces Austrinus

O céu continua sempre benéfico aos seus observadores; eu não poderia deixar de mencionar essa constelação que se apresenta culminando na esfera celeste próximo às 00:00 (TU – Universal Time) nesta época do ano. Então Pisces Austrinus (figura 6), mesmo que não possua estrelas brilhantes, apesar de fácil reconhecimento no céu, chamará nossa atenção a brilhante Fomalhaut (mag. 1.1), uma estrela branco azulada de classe espectral A3V, que se encontra distante do Sol cerca de 26.5 a.l e possui uma luminosidade de 17.3 vezes a do Sol. Ela será então entendida como a formadora da cabeça celeste desta constelação.

Ao sul encontramos Delta PsA (mag. 4.2), uma gigante amarela de classe espectral G8III, mas que está cerca de 170 a.l, com uma luminosidade de 45.1 vezes o Sol, temos também ali, Gama PsA (mag. 4.4), uma estrela gigante branca, de classe espectral A0III, que possuí uma companheira de magnitude 8.5 cuja observação requer uma atmosfera sem turbulência. Beta PsA (mag. 4.2) que é uma estrela anã branca de classe espectral A0V, cuja companheira de magnitude 7.7 e conhecida como SAO 213884 (do Catálogo de Estrelas do Smithsonian Astrophysical Observatory). Ambas possuem uma separação de 30.3” de arco num Ângulo de Posição 172°. Então essa sequência de estrelas poderá facilmente delinear as barbatanas dorsais desse grande peixe.

Já como nadadeira peitoral encontramos Epsilon PsA (mag. 4.1) uma estrela branca de classe espectral B8V, distante cerca 694 a.l e com uma luminosidade de 1300 vezes o nosso Sol, estendendo-se o prolongamento dessa fisiologia celeste, encontraremos Eta PsA (mag. 5.4) uma estrela branco azulada de classe espectral B8V que na realidade e uma sistema duplo formada pela companheira SAO190822 (mag. 5.4) e classe espectral B8. Finalizando nosso entendimento temos como a barbatana caudal Iota PsA (mag. 4.3) de classe espectral A0V, que encontra-se distante cerca de 247 a.l com uma luminosidade de 85 vezes o nosso Sol.
Lacaille 9352

Esta estrela está localizada no canto da constelação de Pisces Austrinus, cerca de 1° grau a su-sudeste de Pi PsA (mag. 5.1). Esta pequena estrela é conhecida por seu extraordinário e amplo movimento anual próprio, e a mais quarta rápida conhecida. Isso equivale a 6,90" por ano num AP (Ângulo de Posição) de 79° que a estrela requer, portanto cerca de 520 anos para percorrer 1° no céu.

As únicas estrelas conhecidas com maior movimento próprio são: Estrela de Barnard (mag. 9.5) em Ophiuchus (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers de julho 2012); Estrela Kapteyn (mag. 8.7) em Pictor e Groombridge 1830 (mag. 7.0) na Ursa Maior. Lacaille 9352 é uma anã vermelha de classe espectral dM2e com uma magnitude visual aparente de 7.3, e uma magnitude fotográfica cerca de 8,6. Distante cerca 11,9 anos-luz, é apenas um pouco mais distante do que 61 Cygni ou Tau Ceti. Com uma magnitude absoluta em cerca de 9,6, a luminosidade real é de cerca de 1/85 a do nosso Sol.

A velocidade espacial computada da estrela é de cerca de 75 milhas por segundo, e o movimento é quase diretamente "side-on", como visto da terra, a velocidade radial é relativamente pequena, cerca de 5,8 milhas por segundo em recessão. O grande movimento aparente da estrela é, assim, um resultado de tal circunstância, combinado com a pequena distância da estrela. É interessante refletir que uma estrela tão próxima possa passar despercebida por algum tempo, se ela estava se movendo diretamente na linha de visão, quer em mesma direção ou sentido que de o nosso, como não seria então nenhum grande movimento para chamar adequadamente a atenção da sua proximidade. A maioria dos fracos vizinhos nas proximidades do Sol terem sido detectados por pesquisas de movimento próprios, indicam também que a baixa luminosidade das anãs superam muitas estrelas gigantes no espaço.
A Carta de Busca da Lacaille 9352 (figura 7) baseia-se em placas obtidas no Observatório Lowell, em 1964. Estrelas com cerca de magnitude 11 são plotadas, As quadrículas possuem 1° de lado. A seta indica a direção do movimento da estrela, e a distância percorrida durante o intervalo 1860 - 2060 AD.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2012, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2011, 104P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1547–1644.– Inc. New York – USA, 1978.

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