terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Ano Novo: 2013 ou 2019 ?

Nelson  Travnik


Para a civilização cristã é mais um ano que passou. Em meio as festas e aos abraços, em algum momento lhe passou pela cabeça que estamos comemorando o ano errado?

Uma pesquisa histórica nos ensina que a era cristã tem inicio no nascimento de Cristo cuja data verdadeira é desconhecida. A estimativa de datas em que se baseia nosso calendário foi feita durante a Idade Média por um monge chamado Dionisyus Exiguus e, segundo uma série de fontes, incluindo a Enciclopédia Católica, de fixar o ano 1 de nossa era em 753 A.U.C.  (ab urba condita), depois da fundação de Roma. Acontece que Dionisyus utilizando a data de 25 de dezembro do ano 753 errou nas contas por cerca de 4 anos e além disso não se deu conta de fixar um ano zero; ele apenas chamou o ano 752 de ano 1 antes de Cristo e o de 753 de ano 1 AD (Ano Domini ou Ano do Senhor).   

A era cristã foi adotada pela igreja em 532 por sugestão de Dionisyus que decidiu contar os anos a partir de 1º de janeiro em seguida ao nascimento de Cristo. Em 440 é que a Igreja decidiu que a data do nascimento de Cristo seria 25 de dezembro do calendário romano. Os cronologistas por sua vez decidiram retardar sete dias o inicio da era cristã para que coincidisse com o inicio do ano 754 da fundação de Roma.  Analisando fatos históricos ligados a Roma e Israel, palco dos acontecimentos, o cálculo de Dionisyus carece de fundamento. Isto porque se Cristo houvesse nascido em 754 da fundação de Roma, Herodes já estaria morto há cinco anos e os apóstolos Mateus e Lucas estariam mentindo. 

Sendo válido este raciocínio estamos pois brindando o ano de 2019 ou 2020 segundo o qual Cristo deve ter nascido cerca de  seis ou sete anos que o registrado pelo calendário ocidental, considerando o erro maior cometido por Dionisyus. Em seu último livro “A Infância de Jesus”, recém-editado em cinquenta países, o papa Bento XVI diz que  Maria deu à luz entre 7 e 6 a.C. o que vem corroborar o acima colocado. Nosso calendário é gregoriano que adveio do juliano e este por sua vez dos egípcios. Ao longo dos séculos, as modificações introduzidas não teve como corrigir as discrepâncias que ocorriam e a solução foi a introdução de um novo calendário pelo papa Gregório XIII que para isto, consultou o astrônomo napolitano Luigi Lilius (1510-1576) e depois o matemático alemão Christophorus Clavius (1537-1612). 

Mesmo com as regras estabelecidas no  calendário gregoriano que utilizamos a partir de 1582, ele  não é perfeito e apresenta um excesso de 0,003 dias em relação ao ano trópico, ou seja, de 1,132 dias em quatro mil anos. Essa diferença pouco significa para a humanidade mas para a datação de fatos históricos, em astronomia, ciência espacial e cálculos relativísticos tal é inadmissível e para isto é que foram criados os relógios atômicos São eles que controlam a diminuição da rotação do nosso planeta via marés e no fato da Lua afastar-se de nós quatro centímetros por ano. 

O efeito acumulativo da diminuição da rotação da Terra cresce proporcionalmente não ao tempo mas ao seu quadrado. Esses cálculos mostram que a diminuição da rotação da Terra se encarregará no futuro de se elaborar um novo calendário. Cálculos indicam que há 900 milhões de anos o ano tinha 480 dias. Acredito que o calendário deveria ser universal, segundo cálculos astronômicos. Como está é historicamente arbitrário e matematicamente errôneo. Quando brindamos um ano novo significa que transcorreram 365 dias, 05 horas, 48 minutos e 14 segundos. São essas voltas ao redor do Sol que ditam a nossa existência. Quantos anos você tem? Ah!, eu já dei tantas voltas ao redor do Sol. Ninguém diz isso, mas poderia falar.

Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

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