sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ciência e Espiritualidade. É Possível ?


nelson-travnik@hotmail.com

Neste século em que tudo acontece e se transmite tão rapidamente, a ânsia das pessoas por verdades duradouras vem se tornando cada vez maior. O intercâmbio de informações entre culturas diferentes é ao mesmo tempo estimulante, assustadora e pode ser entendida como um monstro de duas cabeças, capaz de propiciar conhecimento, cultura, tecnologia bem como disseminar todo tipo de ódio, violência e criminalidade. Para isso contribui os filmes e jogos eletrônicos com cenas de indescritível violência. Com anuência dos pais, os brinquedos vão dando lugar a ‘chupeta’ eletrônica. Adolescentes armados intimidam colegas, afrontam os professores e promovem chacinas. O resultado é uma sensação de pânico e fragilidade que ameaça polarizar a sociedade a níveis insuportáveis. 

Neste clima surgem então os oportunistas que se apresentam como única alternativa para nosso “mundo louco”. Nada mais natural a proliferação de novas religiões, novas crenças, profetas e arautos da ‘nova era’ que, graças aos menos esclarecidos, realizam ‘milagres’, prometem maravilhas e naturalmente acumulam imensas fortunas. Para eles, o inferno e o apocalipse é uma dádiva de Deus. 

A astronomia nos mostra que, embora remota, é real a possibilidade da colisão de um asteroide ou cometa com a Terra. Essas colisões fazem parte do processo cósmico de evolução com inúmeras criações e destruições. Na Terra já experimentamos cinco extinções em massa. A última há 65 milhões de anos dizimou 75% da vida em nosso planeta e nesse ‘pacote’ lá se foram os dinossauros. A maior há 250 milhões de anos extinguiu praticamente a vida no planeta e foi necessário novo recomeço. A colisão do cometa Shoemaker-Levy com Júpiter em 1994, fosse na Terra, você não estaria lendo esse artigo. Os vestígios de colisões nos planetas, satélites e nos próprios asteroides estão por toda parte. 

Nesse coquetel de catástrofes, soma-se as violentas transformações geológicas e geofísicas, capazes de provocar a extinção de grande parte da vida no planeta. A ciência nos aproxima da natureza e nos transporta a uma percepção do mundo que pode ser também profundamente espiritual. Albert Einstein (1879-1955) justificava sua devoção à ciência como: “sentimento religioso cósmico”, dizendo que a religião sem ciência é coxa e que sem ciência a religião é cega.  Nesse contexto e raciocínio, poderíamos concluir que fé verdadeira é aquela que justifica o comportamento humano e encara a razão frente a frente em todas as épocas da humanidade: das cavernas as conquistas espaciais. Com este pensamento, com esta filosofia, estaremos incólumes quando ainda nesse século as potentes antenas dos nossos radiotelescópios receberem aquela tão aguardada mensagem: também estamos aqui!. A partir desse momento, religiões e crenças terão que se adaptar a realidade da pluralidade dos mundos habitados defendida pelo astrônomo francês Camille Flammarion (1842-1925) em 1862. Como isto irá acontecer, sob que roupagem, só nos resta aguardar.

Nelson Travnik é astrônomo em Campinas e Piracicaba, SP.  


2 comentários:

  1. Toninho.

    Excelente artigo, este é um tema que poucos tocam com inteligência e sabedoria, e você escolheu um belo texto do Travnik, que por sua vêz merece as honras de tão brilhante e clara mensagem, que abre os olhos tanto à uns quanto à outros!

    Saudações:
    Euller

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    1. Caro amigo Euller!

      Esse artigo de autoria do amigo e astrônomo Nelson Alberto Soares Travnik, reverbera de forma clara uma das maneiras de como a humanidade faz essa religação: "O Cosmo e a espécie humana" fortalecendo novamente a verdadeira aliança universal. Um grande e fraterno abraço. Equipe S&O

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