sexta-feira, 1 de março de 2013

O céu do mês – Março 2013!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Uma das mais belas notas musicais do Brasil cita que “... são as águas de março fechando o verão...”; (obviamente no hemisfério sul). Desta forma os autores dessa letra utilizando da licença poética mencionam que “as chuvas que são intensas nesta época do ano”. Entretanto aos mais atentos, ela além de indicar o fenômeno meteorológico também prenuncia que estamos novamente próximos do equinócio de março, então fica a sugestão para que busquemos novamente as fantásticas constelações dessa época como: Cruzeiro do Sul, Centaurus, Vela, Leo, Canis Minor e Canis Major com uma quantidade impressionante de estrelas brilhantes. Um binóculo 7 x 50 tornar-se-á uma ferramenta inseparável do observador que, munido de uma carta celeste poderá fazer a identificação de diversas constelações neste período e com um pouco mais de persistência, localizar os cometas C/2012 (Lemmon) e C/2011 L4 (PansSTARRS – Vejam em http://skyandobservers.blogspot.com.br/2011/06/o-cometa-c2011-l4-panstarrs.html). Pessoalmente tendo o céu por testemunha; a Carta Celeste com seu aspecto (figura 1) e a comprovação dessa absoluta verdade. 

Embora a visibilidade dos principais planetas ainda esteja um pouco dificultada, visto a conjunção com o Sol de Vênus e Marte; Saturno e Júpiter farão companhia nas noites deste fim de estação. A constelação então que fará moldura a essa resenha mensal tem sob a inspiração do francês Lacaille as informações de uma bússola celeste que balizando nossas atitudes, será sempre a melhor indicação de uma rota a seguir. 

Ocultação de Spica pela Lua em 01 de março

Na noite de 01 de março, a Lua - 87% iluminada e com uma elongação de 137°, ocultará a estrela Spica (alpha Virginis) de magnitude 1.0. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente americano. (Veja maiores informações em http://skyandobservers.blogspot.com.br/2013/02/a-ocultacao-de-spica-pela-lua-em-01-de.html).

Ocultação de Spica pela Lua em 28 de março

Em 28 de março próximo, a Lua - 98% iluminada e com uma elongação de 164°, ocultará a estrela Spica de magnitude 1.0, cuja área de visibilidade cobrirá vasta região do sudeste da Ásia e norte da Oceania (figura 2).
Assim sendo, observadores localizados nesta área do globo, poderão acompanhar esse evento conforme as circunstâncias de desaparecimento e reaparecimento nos quadros (1, 2, 3 e 4) abaixo mencionados:





Ocultação de rho Sagittarii pela Lua em 07 de março

Na madrugada de 07 de março próximo, a Lua - 23% iluminada e com uma elongação de 58°, ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

Ocultação de Zubenelgenubi pela Lua em 30 de março

Na noite de 30 de março próximo, a Lua - 91% iluminada e com uma elongação de 144°, ocultará a estrela Zubenelgenubi (alpha Librae) de magnitude 2.8 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).


Planetas!

Mercúrio = Mercúrio ainda estará transitando pela constelação de Pisces até o dia 04 deste mês, entretanto como sua conjunção inferior ocorrerá no dia 04 próximo, este planeta estará separado do disco solar em 3,7° e sua distância a Terra será de 0,626900 UA. Já no dia seguinte novamente retornará a constelação de Aquarius. Como sua magnitude é mínima (4.8) neste período, marcará essa data também o momento em que ela começa a aumentar rapidamente, chegando sua elongação em 15/03 em 18.6° com uma magnitude de 1.6. Marcará ainda o último dia deste mês sua dicotomia bem como também a máxima elongação (27,8° W), sendo observado no céu da manhã com uma magnitude estimada em 0.5.

Vênus = Este planeta encontra-se em Aquarius desde 24 de fevereiro passado, permanecendo transitando nesta constelação até o dia 19 próximo, chegando à constelação de Pisces. Ali ele permanecerá transitando, mas no período de 28 a 30 deste mês, ele fará então uma breve incursão pela constelação de Cetus; mas no último dia deste mês retornará aos limites da constelação de Pisces. Embora sua magnitude esteja estimada em -3.9 e -4.0, na grande realidade ele estará em sua conjunção superior, afastado 1.3° do disco solar impossibilitando assim qualquer tentativa de registro observacional com pequenos e médios telescópios desprovidos de proteção adequada. Desta forma somente no início do próximo mês, este planeta começará a aumentar suas elongações “Este”.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, estão indicadas em Tempo Universal. Fuso Horário Legal em Brasília (UT = - 03:00 h).


Marte = A aparente proximidade de Marte com Vênus na esfera celeste, também indica sua proximidade ao Sol, visto que suas respectivas elongações (10.6° em 01/03 e 4.0° no dia 31) indicam que sua conjunção com o Sol está próxima. A proximidade orbital entre Marte e Vênus nesta época, fará também que Marte esteja na constelação de Aquarius, mas somente até o dia 04/03, pois já no dia 05 estará em Pisces, transitando naquela área até o dia 21 próximo. Ele fará também uma breve incursão em Cetus entre os dias 22 e 23 próximos, retornando a constelação de Pisces em seguida. Sua magnitude entretanto permanece em torno de 1.1. 

Júpiter = Magnífico na linha do poente, Júpiter continuará roubando a cena celeste este mês na constelação de Taurus, mesmo que lentamente suas magnitudes venham gradativamente decaindo, pois estão estimadas em -2.1 e suas elongações (87.1° em 01/03 e 61.2° em 31/03) fazem ainda que esse Planeta seja um atrativo observacional muito grande nas primeiras horas da noite, embora seu diâmetro aparente venha também diminuindo.

Novamente a tabela 2 abaixo, informa as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos, os quais ressalto neste período a importância do engajamento dos observadores no programa internacional JEE2013, realizada pelo observador norteamericano Scott Degenhardt (scotty@scottysmightymini.com) principal investigador da IOTA (International Observations Timing Association).

Saturno = As elongações do planeta Saturno farão com que nas noites límpidas deste mês, tenhamos espetaculares observações desse esplêndido planeta; pois se estaremos privados no horizonte Oeste da visibilidade do gigantesco Júpiter, a substituição ainda na primeira fase da noite no horizonte Leste faz com que a troca seja oportuna, embora possamos ter a visibilidade de ambos por algum período noturno. As magnitudes (1.1 em 01/03 e 0.9 em 31/03), juntamente com as elongações favoráveis (119.0° e 150.1° no mesmo intervalo de tempo) levam a isso. Fica a pergunta: - Para qual prato penderá o fiel da balança? Esse gigante gasoso é facilmente encontrado na constelação da Libra. 

Urano = As observações de Urano, nesta época estão bastante dificultadas embora a magnitude prevista de 5.9 para o período, mas temos que lembrar que sua conjunção com o Sol está prevista para 29 de março próximo, quando também atingirá sua máxima distância a Terra, estimada em 21.0508 U.A. Seus trânsitos pelas constelações fazem com que esse planeta esteja localizado na constelação de Pisces até o dia 05/03. Sua incursão pela constelação de Cetus fará com que ele faça seu trânsito naquela área do céu até o dia 30 de março. É importante mencionar que de acordo com as plotagens das coordenadas geocêntricas, ele deverá terminar o mês (dia 31) na constelação de Pisces. 

Netuno = De fato as elongações (7.4° em 01/03 e 36.2° em 31/03) começam a aumentarem gradativamente; mas esse fato ainda não será o suficiente para que suas magnitudes (atualmente estimada em 8.0) tenham aumento. Aguardaremos entretanto de forma paciente novas condições favoráveis, quando então retomaremos as buscas para localização deste planeta na constelação de Aquarius. 

Ceres e Plutão = Nós temos uma grande possibilidade nesta época de localizar facilmente o planeta anão (1) Ceres, visto que ainda permanece na constelação de Taurus, sendo portanto sua aproximação no dia 07 de março próximo da estrela El Nath (beta Tauri), uma gigante azul de magnitude visual de 1.6 e classe espectral B7III. Poderemos utilizar a figura 3 abaixo como uma carta de busca para a identificação desse objeto celeste.



Entretanto (1) Ceres estará chegando à constelação de Auriga no dia 21/03 e como previsto, suas magnitudes vão decaindo lentamente estimadas em 8.2 em 01/03, 8.4 dia 15/03 e 8.6 em 31/03. As elongações do longínquo e diminuto (134340) Plutão, está aumentando paulatinamente, mas sua baixa magnitude (14.1) faz com ele fique fora do alcance de instrumentos de pequeno porte.  Ele será novamente oculto pelo disco Lunar em 06 de março, mas sua baixa magnitude faz com que ele desapareça na intensa luminosidade do luar, pois a fase da Lua (-29% iluminada) nesta oportunidade será o fator responsável por esse desaparecimento.

Glossário

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

Afélio = Maior distância do Sol de um corpo em órbita ao seu redor.

Dicotomia = Aspecto de um planeta ou de um satélite quando apresenta exatamente a metade do disco iluminada.

Periélio = Menor distância do Sol de um corpo em órbita ao seu redor. 

CONSTELAÇÃO:

Pyxis 

Todos os seres humanos que de uma forma geral são partícipes da ciência, artes e da cultura de um modo mais abrangente, podem facilmente atribuir ao astrônomo francês Niçolas-Louis La Caille, (15/05/1713 – 21/03/1762) um desses espíritos aventureiros, cujo fértil trabalho de interpretação do céu austral realizado no início da segunda metade do século XVIII serviu por base a todos os catálogos do hemisfério Sul (Mourão, 1987). Isto fica evidente, pois em novembro de 2012, quando abordamos a constelação Sculptor, tive a oportunidade de mencionar a catalogação das constelações austrais desse genial observador. Certamente Niçolas-Louis La Caille estava também atento a navegação interoceânica que singrava o globo com bastante intensidade e por esse motivo, não deixaria de representar no céu um dos mais importantes instrumentos utilizados na navegação e orientação desta época; então com a subdivisão da constelação Argus em quatro (eram elas: Quilha, Popa, Mastro e Vela); tornou-se o mastro dessa gigantesca Nau. Essa necessidade foi também constatada em 1877 (mais de um século depois) quando o astrônomo norte americano Benjamin-Apthorp Gould realizando suas observações na América do Sul, processou uma minuciosa revisão nas cartas celestes até então existentes, quando então essa a bússola delineará na direção sul outras partes deste Navio.



A constelação Pyxis (figura 4), ocupa uma pequena área do céu e embora desprovida de brilhantes estrelas, possui algumas peculiaridades e objetos interessantes; muito embora seja alpha Pyxidis, uma estrela branco azulada de magnitude visual 3.6 (classe espectral B1.5III) muito mais brilhante que o Sol. Isso se contrasta com Gamma Pyxidis, uma gigante alaranjada de magnitude visual 4.0 e classe espectral K3-III e também com Beta Pyxidis, essa uma gigante amarela de magnitude visual 3.9 e classe espectral G7Ib-II, ambas também mais brilhante que o Sol.

Próximo a zeta Pyxidis (mag. visual 4.8) podemos com um telescópio de médio porte, realizar a busca para localização do NGC 2627, um aglomerado aberto de pequena dimensão, mas cuja magnitude visual de 8.4, fará dele um excelente alvo a ser perseguido no céu, muito embora mais fácil localização seja o NGC 2658, outro aglomerado aberto também de pequenas dimensões e magnitude visual de 9.2; mas ele será facilmente revelado nas oculares de telescópios acima de 200mm de abertura bem próximo a Alpha Pyxis

NGC 2613 - Um primo da Via-Láctea.

Embora a imagem abaixo foi realizada com dados adquiridos por um telescópio que podemos chamar de: “grandes telescópios da classe de 1,5 metros” do Observatório em La Silla no Chile, através de três filtros (B, V, R), ela revela a semelhança dessa galáxia com a Via-Láctea. E com outras espirais que já tivemos a oportunidade observar. Por esse fato ela é considerada por diversos astrônomos uma galáxia primo da nossa.

A espiral NGC 2613 está localizada a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância na constelação de Pyxis e embora toda essa distância sua magnitude visual é de 10.3.

Embora seu brilho superficial esteja estimado em 12.5, creio que com telescópios bem mais modestos e o emprego de CCD, possamos registrar essa parente distante. Vou buscar isso num próximo Star Party onde as condições de visibilidade sejam favoráveis. Esse vai ser verdadeiramente um bom objetivo.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1730–1740.– Inc. New York – USA, 1978. 

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 27/11/2012.

- http://www.eso.org/public/images/eso-2613/ - Acesso em 08 Fev 2013.




A ocultação de rho Sagittarii pela Lua em 07 março 2013!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na madrugada de 07 de março próximo, a Lua - 23% iluminada e com uma elongação de 58°, ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente americano. 
Observadores localizados em grande parte da América do Sul (Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador Peru e Venezuela), poderão acompanhar esse evento, conforme circunstâncias descritas nas tabelas 1 a 7.


A fase de reaparecimento deste fenômeno, estrela poderá ser acompanhada também por observadores localizados na região Sul da América Central (Costa Rica, Panamá e Trinidad e Tobago), conforme circunstâncias descritas nas tabelas 8, 9 e 10.


Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas; abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange além da América do Sul e Central, ilhas situadas ao sul da região do caribe. (figura 2).

A designação de Bayer para Rho Sagittarii (Sgr 1, 2 Sagittarii) é compartilhada por duas estrelas. As duas estrelas estão separadas por 0,46 graus no céu. Porque também elas estão perto da eclíptica, podem ser ocultadas pela Lua e, muito raramente, por planetas. A próxima ocultação de rho Sagittarii por um planeta ocorrerá em 23 fevereiro de 2046, quando será ocultada por Vênus.

Rho-1 Sagittarii é uma estrela de um tipo espectral F0 (figura. 03) que tem uma magnitude aparente de 3,93. Ela encontra-se cerca de 122 anos-luz da Terra.


Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

-  Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.


- Astronomical Software Occult v4.1.0.0 (David Herald - IOTA) - acesso em 27/11/2012.


A ocultação de Zubenelgenubi pela Lua em 30 de março 2013!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Na noite de 30 de março próximo, a Lua - 91% iluminada e com uma elongação de 144°, ocultará a estrela Zubenelgenubi (alpha Librae) de magnitude 2.8 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente americano. 

Observadores localizados em grande parte da região deste continente (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas 1, 2, 3, 4, 5 e 6 respectivamente.



 

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e Reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno, visto que abrange também ilhas localizadas no sul oceano Atlântico.

alpha Librae; "A Garra do Sul" é uma estrela de magnitude 2,75; espectro A3IV com fortes linhas metálicas e encontra-se localizada em AR: 14h50m52.70s e Declinação:-16°02'30.0" (2000.0). Zubenelgenubi (ou ainda Kiffa Australis) está a cerca de 62 anos luz de distancia (Mourão, 1987); a atual luminosidade e cerca de 25 vezes a do Sol e a magnitude absoluta próxima de 1,2. A estrela apresenta um movimento próprio anual de 0,13", a  velocidade radial e de 9,65 quilometro por segundo em aproximação (Figura 3).

A companheira no campo da ocular a 231", é a estrela de 8 Librae (HD130819); magnitude 5,16 e espectro F4IV. Apesar da largura da separação, ambas as estrelas mostram o mesmo movimento apropriado, e, sem dúvida, formam um par verdadeiramente físico com uma separação projetada em de cerca de 4.800 unidades astronômicas.

Além disso, a estrela primária é por si só uma binária espectroscópica de período incerto. Em 31 de maio de 1966, a duplicidade da estrela foi verificada fotoeletricamente por observações realizadas durante uma ocultação dessa estrela pela Lua. Usando o refletor de 36 polegadas do Kitt Peak National Observatory, no Arizona, (EUA), H.L. Poss e T.R. Kremser obtiveram uma curva de luz que revelou ser o astro uma dupla muito fechada diferindo de 0,4 de magnitude na luz azul e separadas por cerca de 0,01". A partir das estimativas de massas e separação aparente, o período orbital do sistema deverá ser da ordem de 20 dias.

Sites recomendados:

www.rea-brasil.org/ocultacoes
"Como observar"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/observar.htm
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls  (ocultações lunares) ou
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/reporte_asteroides.xls 
(ocultações de estrelas por asteróides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

-  Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23568-8)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. Two – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.0 (David Herald - IOTA) - acesso em 27/11/2012.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 27/11/2012.


O asteroide (30) Urania em 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 30 de março próximo, o asteroide Urania estará com seu posicionamento favorável às observações (Lua = percentual iluminado = 0.83%), quando então sua magnitude chegará a 10.8, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, Urania foi descoberto em 22 de junho de 1854 pelo astrônomo inglês John Russel Hind (1823 - 1895) no Observatório de Londres. Seu nome é homenagem a musa da Astronomia. (Mourão, 1987).

Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!

Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 08 Set 2012.



O asteroide (39) Laetitia em 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 01 de abril próximo, o asteroide Laetitia estará com seu posicionamento favorável às observações (Lua = percentual iluminado = 0.74%), quando então sua magnitude chegará a 10.4, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte, binóculos, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, Laetitia foi descoberto em 08 de fevereiro de 1856 pelo astrônomo pelo astrônomo francês Jean Chacornac no Observatório de Paris. (Mourão, 1987).

Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!

Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 08 Set 2012.


O asteroide (70) Panopaea em 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 09 de abril próximo, o asteroide Panopaea estará com seu posicionamento favorável às observações (Lua = percentual iluminado = 0.02%), quando então sua magnitude chegará a 11.6, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, Panopaea foi descoberto em 05 de maio de 1861 pelo astrônomo alemão Herman Goldschmidt (1802 - 1866) no Observatório de Paris. Seu nome é uma homenagem a uma das Nereidas, a que os navegadores invocavam diante das tormentas; Panopéia. (Mourão, 1987).


Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!


Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 08 Set 2012.


O asteroide (77) Frigga em 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 29 de abril próximo, o asteroide Frigga estará com seu posicionamento favorável às observações (Lua = percentual iluminado = 0.86%), quando então sua magnitude chegará a 12.5, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, Frigga foi descoberto em 12 de novembro de 1862 pelo astrônomo pelo astrônomo alemão Christian August Friedrich Peters (1806 - 1880) no Observatório de Clinton. Seu nome é uma homenagem a divindade escandinava semelhante a Juno, que foi esposa de Odin; Friga. (Mourão, 1987).

Nota: = (UA)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

Boas observações!


Bibliografia:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 08 Set 2012.

O Imperador Astrônomo do Brasil

O Olhar Real em Direção ao Universo

Nelson Travnik
(nelson-travnik@hotmail.com)

Como explicar tamanha devoção de D. Pedro II a ciência do céu? Acredita-se que as primeiras noções de astronomia foram incutidas no jovem Imperador pelo litógrafo e artista francês, Louis Alexis Boulanger (1798-1874), um dos intelectuais escolhidos por seu preceptor José Bonifácio de Andrade e Silva, o “Patriarca da Independência”. Outro mestre que orientou o Imperador para a astronomia deve ter sido Frei Pedro de Santa Mariana. Desde cedo nutrindo especial interesse pelas ciências além de poliglota, adquiriu conhecimentos enciclopédicos que mais tarde, em 1877, o conduziram a sócio estrangeiro honorário da ‘Academia de Ciências da França, uma honraria alcançada por poucos. Era um intelectual por excelência e ele mesmo dizia que se não fosse Imperador gostaria de ter sido professor. Isto se traduz quando em seu observatório particular no telhado do Paço de São Cristóvão na Quinta da Boa Vista, recebia estudantes para observação do céu, ministrando noções básicas de astronomia e orientando no uso dos instrumentos.


Em 15 de outubro de 1827 criou-se por decreto o Observatório Astronômico do Rio de Janeiro no Morro do Castelo que na realidade só começou a funcionar a partir de 1846, com o nome de Imperial Observatório. Para alguns, seria o primeiro do Hemisfério Sul, mas acontece que na torre principal do Palácio de Friburgo do conde Mauricio de Nassau, na ilha de Antônio Vaz, próxima ilha do Recife- PE, Georg Markgraf construiu e inaugurou em 28 de setembro de 1639 aquele que deve ser considerado o primeiro observatório astronômico do Hemisfério Sul.

O Brasil tem pois uma tradição em Astronomia. Em 1846 foi nomeado para cuidar da organização do Imperial Observatório o professor da Academia Militar, Eugênio Fernando Saulier de Sauve. Através de decreto, D. Pedro II deu forma ao Observatório adquirindo novos instrumentos solicitados por Saulier, após emprestar seus próprios que utilizava no Paço de São Cristóvão. Saulier de Sauve morreu em agosto de 1850. Para sucedê-lo foi escolhido o paulista Antônio Manoel de Mello (1802-1866), professor da Escola Militar e Tenente Coronel, que já encontrou o Observatório dotado de completo e moderno instrumental para a época.

A sua primeira realização foi o inicio das publicações técnicas. Em 1852 já se encontravam impressas as ‘’Efemérides Astronômicas do Imperial Observatório” bem como os “Annaes Meteorológicos”. Para o cálculo das efemérides a observação dos astros era imprescindível e para isto D. Pedro II emprestou um de seus instrumentos. O Imperador estava sempre  em estreito contato com os astrônomos do Observatório e tinha ali um apartamento para descansar quando resolvia passar a noite em observações.

Além da atenção diária que dedicou ao Imperial Observatório até o fim do seu reinado, proveu os fundos necessários à importação da Europa de um mural, análogo ao do Observatório Real de Bruxelas, uma luneta meridiana e aparelhos magnéticos e meteorológicos. Discorria com rara competência questões de astronomia e todos eram unânimes em reconhecer isto. Nessa época pela sua importância podemos destacar a observação de dois eclipses: os de 1858 e 1865.

O primeiro em 7 de setembro, foi um eclipse total do Sol quando num feito brasileiro, a fotografia foi empregada pela primeira vez no mundo para fins astronômicos e astrométricos além do que o Imperador era um apaixonado pela fotografia. Os resultados da expedição brasileira na Baia de Paranaguá - PR, foram publicados nos ‘Comptes Rendus’ da Academia de Ciências de Paris.

O segundo de 1865 foi observado de Santa Catarina cuja faixa de totalidade passava por Camboriú. Três anos depois ocorreu um eclipse anular do Sol que foi observado por uma equipe enviada pelo Imperial Observatório. Em 1870 o francês Emmanuel Liais (1826-1900) que trabalhou no Observatório de Paris ao lado dos renomados astrônomos,  Urbain J. J. Le Verrier (1811-1877), imortal descobridor de Netuno e Hervé Faye (1814-1902), foi convidado por D. Pedro II  a assumir a direção do Imperial Observatório.

Sob os auspícios do império publicou um importante trabalho: “Tratado de Astronomia Aplicada a Geodesia Prática” bem como um magnífico livro “O Espaço Celeste” onde faz elogios a dedicação de D. Pedro II à Astronomia.  Importante assinalar que na administração de Liais veio à tona o problema do ensino da astronomia que àquela época sofria grande influência dos fascinantes livros do francês Camille Flammarion (1842-1925). Liais dizia que além do deslumbramento do céu, cabe ao astrônomo medi-lo dentro de um contexto científico. Fosse isso endereçado ou não a Flammarion, acontece que o “Mestre de Juvisy” publicou ao lado de obras filosóficas e romances, vários livros e publicações científicas. Entre eles o seu “Catálogo de Estrelas Duplas Visuais”, publicado em 1878, foi durante muitos anos considerado o melhor do mundo!
Indicado por Liais  com aprovação do Imperador, o belga mais tarde naturalizado brasileiro, Louis Ferdinand Cruls (1848-1908) assumiu a seguir a direção do Imperial Observatório. Em 6 de maio de 1878 aproveitou a passagem de Mercúrio sobre o disco solar para determinar com grande precisão os diâmetros desses dois astros que enviado a Academia de Ciências da França, foram publicados a seguir no ‘Comptes Rendus’. Cruls empregou o método desenvolvido por Liais e nas observações feitas no Rio de Janeiro que teve participação de D. Pedro II. Com a apoio financeiro dado pelo Imperador, foi possível organizar três expedições científicas: uma a Punta Arenas, Patagônia chilena, outra para a Ilha de Santo Tomás nas Antilhas e outra para Olinda-PE. para a observação da rara passagem de  Vênus sobre o disco solar em 6 de dezembro de 1882. Para observar o fenômeno D. Pedro II, ficou na corveta ‘Paraíba’ das 10 às 16 horas em reunião com vários astrônomos. Em 10 de setembro de 1882, Cruls descobriu no Imperial Observatório um cometa, o 1882 II. Conhecido como ‘Cometa Cruls’, ele foi exaustivamente estudado por D. Pedro II e nessa ocasião, ambos efetuaram a primeira análise espectroscópica de um cometa! São desse período as revistas “Annaes do Imperial Observatório”, “Revista do Observatório” e o “Anuário do Observatório” que até hoje é editado sem interrupção.

Em razão dos seus trabalhos em cometas, Cruls recebeu em 1882 o prêmio Valz de Astronomia, outorgado pela Academia de Ciências de Paris. Outro cometa, o 1887 I descoberto em 18 de janeiro pelo astrônomo norte-americano John M. Thome (1843-1908), em Córdoba, República da Argentina, foi estudado por D. Pedro II que estimou sua cauda em 50 graus. Esta estimativa ficou registrada na revista L’ Astronomie da Sociedade Astronômica da França, SAF, ano 1887 página 114. A astronomia segundo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935-   ) foi a ponte que reuniu três grandes homens: Victor Hugo, Flammarion e D. Pedro II. O Imperador foi um dos primeiros membros da SAF (nº 85), e era amigo pessoal de Camille Flammarion que o convidou para juntos no seu Observatório de Juvisy, inaugurarem em 29 de julho de 1887 com uma observação do planeta Vênus, a grande luneta de 24 cm construída por Bardou. A revista L’ Astronomie  de setembro de 1887 retrata nosso Imperador realizando essa observação.

Acompanhado pelo visconde de Nioac e Cruls, plantou nos jardins do Observatório uma árvore que existe até hoje! Nessa ocasião o Imperador concedeu a Flammarion a “Ordem da Rosa”. Em 17 de setembro de 2011, convidado para a reinauguração do Observatório Camille Flammarion, constatei a existência da árvore plantada pelo Imperador e de uma placa comemorativa. Infelizmente o interesse de D. Pedro II pela astronomia não era partilhado pelos seus auxiliares e alguns políticos que utilizavam a imprensa com charges satirizando o interesse do Imperador pelas coisas do céu o que levou o Brasil a não participar do projeto internacional da ‘Carta do Céu’. A região do céu destinada ao Brasil foi fotografada pelo Observatório de la Plata - Argentina. A luneta fotográfica encomendado aos irmãos Henry na França, doada por D. Pedro II, jamais foi instalada e o que é pior: em 1910 em relatório assinado por Cruls e Henrique Morize, informavam a perda total da luneta e acessórios! Nem a fulgurante aparição do cometa Halley sensibilizou as autoridades.

D. Pedro II havia cedido 40 hectares na Fazenda Imperial Santa Cruz e 60 mil francos (uma fortuna para a época!) para construção do observatório que incluía uma luneta inglesa “Cooke” de 32 cm e um circulo meridiano. As instalações iniciadas em 1889 nunca foram concluídas por motivos óbvios: a Proclamação da República. Pouco depois, os republicanos não deixaram desembarcar no porto do Rio de Janeiro instrumentos encomendados pelo Imperador à Inglaterra. A denominação do Imperial Observatório é a seguir mudada para Observatório Astronômico do Rio de Janeiro e mais tarde, em decreto, para Observatório Nacional do Rio de Janeiro cuja nova sede foi inaugurada em 1922 no bairro de São Cristóvão. No exilio, na correspondência que mantinha com a condessa de Barral, preceptora de seus filhos, são encontradas muitas referências à astronomia.

Ele contava das dificuldades pera realizar seus sonhos, principalmente na instalação de um grande observatório superior até ao de Nice, na França. D. Pedro II tinha conhecimento deste Observatório na descoberta de asteroides e principalmente pela descoberta por Auguste H. P. Charlois (1864-1910) do planetoide 293 ao qual foi dado o nome de Brasília em sua homenagem, na ocasião já no exílio.

Talvez o reconhecimento e a maior homenagem prestada a D. Pedro II veio durante o 2º Encontro Nacional de Astronomia, ENAST, celebrado em Recife-PE, de 30/6 a 1º/7 de 1978, quando astrônomos amadores e profissionais, por unanimidade, elegeram-no “Patrono da Astronomia Brasileira”, segundo moção apresentada pelo Dr. José Marijeso de A. Benevides. Foi o primeiro passo para que, no dia do aniversário do Imperador, 2 de dezembro, passássemos a celebrar o “Dia do Astrônomo”.


Referências

- História do Observatório Nacional, Antônio Augusto Passos Videira,

- L’ Astronomie, SAF, vários números,

- D. Pedro II, Patrono da Astronomia Brasileira, José Marijeso de A. Benevides, Rubens de Azevedo e José Macedo de Alcântara,

- Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo R. F. Mourão,
- Observatório Nacional e a Pesquisa Astronômica no Brasil, Luiz Muniz Barreto.

Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.