sexta-feira, 1 de março de 2013

O céu do mês – Março 2013!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Uma das mais belas notas musicais do Brasil cita que “... são as águas de março fechando o verão...”; (obviamente no hemisfério sul). Desta forma os autores dessa letra utilizando da licença poética mencionam que “as chuvas que são intensas nesta época do ano”. Entretanto aos mais atentos, ela além de indicar o fenômeno meteorológico também prenuncia que estamos novamente próximos do equinócio de março, então fica a sugestão para que busquemos novamente as fantásticas constelações dessa época como: Cruzeiro do Sul, Centaurus, Vela, Leo, Canis Minor e Canis Major com uma quantidade impressionante de estrelas brilhantes. Um binóculo 7 x 50 tornar-se-á uma ferramenta inseparável do observador que, munido de uma carta celeste poderá fazer a identificação de diversas constelações neste período e com um pouco mais de persistência, localizar os cometas C/2012 (Lemmon) e C/2011 L4 (PansSTARRS – Vejam em http://skyandobservers.blogspot.com.br/2011/06/o-cometa-c2011-l4-panstarrs.html). Pessoalmente tendo o céu por testemunha; a Carta Celeste com seu aspecto (figura 1) e a comprovação dessa absoluta verdade. 

Embora a visibilidade dos principais planetas ainda esteja um pouco dificultada, visto a conjunção com o Sol de Vênus e Marte; Saturno e Júpiter farão companhia nas noites deste fim de estação. A constelação então que fará moldura a essa resenha mensal tem sob a inspiração do francês Lacaille as informações de uma bússola celeste que balizando nossas atitudes, será sempre a melhor indicação de uma rota a seguir. 

Ocultação de Spica pela Lua em 01 de março

Na noite de 01 de março, a Lua - 87% iluminada e com uma elongação de 137°, ocultará a estrela Spica (alpha Virginis) de magnitude 1.0. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente americano. (Veja maiores informações em http://skyandobservers.blogspot.com.br/2013/02/a-ocultacao-de-spica-pela-lua-em-01-de.html).

Ocultação de Spica pela Lua em 28 de março

Em 28 de março próximo, a Lua - 98% iluminada e com uma elongação de 164°, ocultará a estrela Spica de magnitude 1.0, cuja área de visibilidade cobrirá vasta região do sudeste da Ásia e norte da Oceania (figura 2).
Assim sendo, observadores localizados nesta área do globo, poderão acompanhar esse evento conforme as circunstâncias de desaparecimento e reaparecimento nos quadros (1, 2, 3 e 4) abaixo mencionados:





Ocultação de rho Sagittarii pela Lua em 07 de março

Na madrugada de 07 de março próximo, a Lua - 23% iluminada e com uma elongação de 58°, ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).

Ocultação de Zubenelgenubi pela Lua em 30 de março

Na noite de 30 de março próximo, a Lua - 91% iluminada e com uma elongação de 144°, ocultará a estrela Zubenelgenubi (alpha Librae) de magnitude 2.8 (Veja maiores informações na resenha do Sky and Observers).


Planetas!

Mercúrio = Mercúrio ainda estará transitando pela constelação de Pisces até o dia 04 deste mês, entretanto como sua conjunção inferior ocorrerá no dia 04 próximo, este planeta estará separado do disco solar em 3,7° e sua distância a Terra será de 0,626900 UA. Já no dia seguinte novamente retornará a constelação de Aquarius. Como sua magnitude é mínima (4.8) neste período, marcará essa data também o momento em que ela começa a aumentar rapidamente, chegando sua elongação em 15/03 em 18.6° com uma magnitude de 1.6. Marcará ainda o último dia deste mês sua dicotomia bem como também a máxima elongação (27,8° W), sendo observado no céu da manhã com uma magnitude estimada em 0.5.

Vênus = Este planeta encontra-se em Aquarius desde 24 de fevereiro passado, permanecendo transitando nesta constelação até o dia 19 próximo, chegando à constelação de Pisces. Ali ele permanecerá transitando, mas no período de 28 a 30 deste mês, ele fará então uma breve incursão pela constelação de Cetus; mas no último dia deste mês retornará aos limites da constelação de Pisces. Embora sua magnitude esteja estimada em -3.9 e -4.0, na grande realidade ele estará em sua conjunção superior, afastado 1.3° do disco solar impossibilitando assim qualquer tentativa de registro observacional com pequenos e médios telescópios desprovidos de proteção adequada. Desta forma somente no início do próximo mês, este planeta começará a aumentar suas elongações “Este”.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, estão indicadas em Tempo Universal. Fuso Horário Legal em Brasília (UT = - 03:00 h).


Marte = A aparente proximidade de Marte com Vênus na esfera celeste, também indica sua proximidade ao Sol, visto que suas respectivas elongações (10.6° em 01/03 e 4.0° no dia 31) indicam que sua conjunção com o Sol está próxima. A proximidade orbital entre Marte e Vênus nesta época, fará também que Marte esteja na constelação de Aquarius, mas somente até o dia 04/03, pois já no dia 05 estará em Pisces, transitando naquela área até o dia 21 próximo. Ele fará também uma breve incursão em Cetus entre os dias 22 e 23 próximos, retornando a constelação de Pisces em seguida. Sua magnitude entretanto permanece em torno de 1.1. 

Júpiter = Magnífico na linha do poente, Júpiter continuará roubando a cena celeste este mês na constelação de Taurus, mesmo que lentamente suas magnitudes venham gradativamente decaindo, pois estão estimadas em -2.1 e suas elongações (87.1° em 01/03 e 61.2° em 31/03) fazem ainda que esse Planeta seja um atrativo observacional muito grande nas primeiras horas da noite, embora seu diâmetro aparente venha também diminuindo.

Novamente a tabela 2 abaixo, informa as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos, os quais ressalto neste período a importância do engajamento dos observadores no programa internacional JEE2013, realizada pelo observador norteamericano Scott Degenhardt (scotty@scottysmightymini.com) principal investigador da IOTA (International Observations Timing Association).

Saturno = As elongações do planeta Saturno farão com que nas noites límpidas deste mês, tenhamos espetaculares observações desse esplêndido planeta; pois se estaremos privados no horizonte Oeste da visibilidade do gigantesco Júpiter, a substituição ainda na primeira fase da noite no horizonte Leste faz com que a troca seja oportuna, embora possamos ter a visibilidade de ambos por algum período noturno. As magnitudes (1.1 em 01/03 e 0.9 em 31/03), juntamente com as elongações favoráveis (119.0° e 150.1° no mesmo intervalo de tempo) levam a isso. Fica a pergunta: - Para qual prato penderá o fiel da balança? Esse gigante gasoso é facilmente encontrado na constelação da Libra. 

Urano = As observações de Urano, nesta época estão bastante dificultadas embora a magnitude prevista de 5.9 para o período, mas temos que lembrar que sua conjunção com o Sol está prevista para 29 de março próximo, quando também atingirá sua máxima distância a Terra, estimada em 21.0508 U.A. Seus trânsitos pelas constelações fazem com que esse planeta esteja localizado na constelação de Pisces até o dia 05/03. Sua incursão pela constelação de Cetus fará com que ele faça seu trânsito naquela área do céu até o dia 30 de março. É importante mencionar que de acordo com as plotagens das coordenadas geocêntricas, ele deverá terminar o mês (dia 31) na constelação de Pisces. 

Netuno = De fato as elongações (7.4° em 01/03 e 36.2° em 31/03) começam a aumentarem gradativamente; mas esse fato ainda não será o suficiente para que suas magnitudes (atualmente estimada em 8.0) tenham aumento. Aguardaremos entretanto de forma paciente novas condições favoráveis, quando então retomaremos as buscas para localização deste planeta na constelação de Aquarius. 

Ceres e Plutão = Nós temos uma grande possibilidade nesta época de localizar facilmente o planeta anão (1) Ceres, visto que ainda permanece na constelação de Taurus, sendo portanto sua aproximação no dia 07 de março próximo da estrela El Nath (beta Tauri), uma gigante azul de magnitude visual de 1.6 e classe espectral B7III. Poderemos utilizar a figura 3 abaixo como uma carta de busca para a identificação desse objeto celeste.



Entretanto (1) Ceres estará chegando à constelação de Auriga no dia 21/03 e como previsto, suas magnitudes vão decaindo lentamente estimadas em 8.2 em 01/03, 8.4 dia 15/03 e 8.6 em 31/03. As elongações do longínquo e diminuto (134340) Plutão, está aumentando paulatinamente, mas sua baixa magnitude (14.1) faz com ele fique fora do alcance de instrumentos de pequeno porte.  Ele será novamente oculto pelo disco Lunar em 06 de março, mas sua baixa magnitude faz com que ele desapareça na intensa luminosidade do luar, pois a fase da Lua (-29% iluminada) nesta oportunidade será o fator responsável por esse desaparecimento.

Glossário

(UA) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

Afélio = Maior distância do Sol de um corpo em órbita ao seu redor.

Dicotomia = Aspecto de um planeta ou de um satélite quando apresenta exatamente a metade do disco iluminada.

Periélio = Menor distância do Sol de um corpo em órbita ao seu redor. 

CONSTELAÇÃO:

Pyxis 

Todos os seres humanos que de uma forma geral são partícipes da ciência, artes e da cultura de um modo mais abrangente, podem facilmente atribuir ao astrônomo francês Niçolas-Louis La Caille, (15/05/1713 – 21/03/1762) um desses espíritos aventureiros, cujo fértil trabalho de interpretação do céu austral realizado no início da segunda metade do século XVIII serviu por base a todos os catálogos do hemisfério Sul (Mourão, 1987). Isto fica evidente, pois em novembro de 2012, quando abordamos a constelação Sculptor, tive a oportunidade de mencionar a catalogação das constelações austrais desse genial observador. Certamente Niçolas-Louis La Caille estava também atento a navegação interoceânica que singrava o globo com bastante intensidade e por esse motivo, não deixaria de representar no céu um dos mais importantes instrumentos utilizados na navegação e orientação desta época; então com a subdivisão da constelação Argus em quatro (eram elas: Quilha, Popa, Mastro e Vela); tornou-se o mastro dessa gigantesca Nau. Essa necessidade foi também constatada em 1877 (mais de um século depois) quando o astrônomo norte americano Benjamin-Apthorp Gould realizando suas observações na América do Sul, processou uma minuciosa revisão nas cartas celestes até então existentes, quando então essa a bússola delineará na direção sul outras partes deste Navio.



A constelação Pyxis (figura 4), ocupa uma pequena área do céu e embora desprovida de brilhantes estrelas, possui algumas peculiaridades e objetos interessantes; muito embora seja alpha Pyxidis, uma estrela branco azulada de magnitude visual 3.6 (classe espectral B1.5III) muito mais brilhante que o Sol. Isso se contrasta com Gamma Pyxidis, uma gigante alaranjada de magnitude visual 4.0 e classe espectral K3-III e também com Beta Pyxidis, essa uma gigante amarela de magnitude visual 3.9 e classe espectral G7Ib-II, ambas também mais brilhante que o Sol.

Próximo a zeta Pyxidis (mag. visual 4.8) podemos com um telescópio de médio porte, realizar a busca para localização do NGC 2627, um aglomerado aberto de pequena dimensão, mas cuja magnitude visual de 8.4, fará dele um excelente alvo a ser perseguido no céu, muito embora mais fácil localização seja o NGC 2658, outro aglomerado aberto também de pequenas dimensões e magnitude visual de 9.2; mas ele será facilmente revelado nas oculares de telescópios acima de 200mm de abertura bem próximo a Alpha Pyxis

NGC 2613 - Um primo da Via-Láctea.

Embora a imagem abaixo foi realizada com dados adquiridos por um telescópio que podemos chamar de: “grandes telescópios da classe de 1,5 metros” do Observatório em La Silla no Chile, através de três filtros (B, V, R), ela revela a semelhança dessa galáxia com a Via-Láctea. E com outras espirais que já tivemos a oportunidade observar. Por esse fato ela é considerada por diversos astrônomos uma galáxia primo da nossa.

A espiral NGC 2613 está localizada a cerca de 60 milhões de anos-luz de distância na constelação de Pyxis e embora toda essa distância sua magnitude visual é de 10.3.

Embora seu brilho superficial esteja estimado em 12.5, creio que com telescópios bem mais modestos e o emprego de CCD, possamos registrar essa parente distante. Vou buscar isso num próximo Star Party onde as condições de visibilidade sejam favoráveis. Esse vai ser verdadeiramente um bom objetivo.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1730–1740.– Inc. New York – USA, 1978. 

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 27/11/2012.

- http://www.eso.org/public/images/eso-2613/ - Acesso em 08 Fev 2013.




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