quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Sábio que Descobriu o Brasil


Nelson Travnik
nelson-travnik@hotmail.com

Em abril de 1500, numa enseada de águas cristalinas ao sul de Bahia, o sábio Mestre João improvisou um observatório astronômico e localizou o Brasil pela primeira vez.

No entardecer de 22 de abril, quarta-feira, Pedro Álvares Cabral e sua tripulação avistaram o contorno arredondado de um ‘grande monte’. Acreditando que estavam se dirigindo para a distante Índia, acabaram realizando uma descoberta fortuita ou intencional. Na hoje  denominada Baia de Cabrália, a 12 quilômetros de Porto Seguro-BA, em uma noite de Lua Nova daquela segunda-feira, 27 de abril, o astrônomo e médico da frota respeitosamente chamado de Mestre João, entrava para a história como primeiro a posicionar o Brasil. Ele tinha ficado até este dia na caravela em virtude de uma grande ferida, fruto de uma intermitente coceira. Mestre João era um fidalgo de origem espanhola encarregado da operação de posicionar a frota. Em solo, ele foi incumbido de, através do Sol e das estrelas, ver que terra era aquela, em que latitude se encontrava. O procedimento do cálculo da longitude ainda não estava definido àquela época. Isto viria acontecer em escala ultramarina somente a partir de 1762. Com um grande astrolábio de madeira que os lusos haviam aperfeiçoado desde o inicio do ciclo das grandes navegações e que era superior ao kamal de origem árabe, mediu a altura do Sol e calculou a latitude. Obteve a medida de aproximadamente 17 graus o que se mostrou bem precisa pois hoje sabemos que a Baia de Cabrália fica a exatos 16° 21’ 22”. Não somente o astrolábio mas outros instrumentos como a balestrilha e o kamal, todos de madeira, eram usados. Mestre João foi assim o primeiro a posicionar por meio de instrumentos onde estava o Brasil.

CRUZEIRO  DO  SUL

A maior contribuição de Mestre João a ciência astronômica, viria contudo à noite. Ao observar extasiado a beleza do céu austral, mais rico em estrelas que o céu boreal, observou uma constelação que já era conhecida desde a antiguidade e que servia para orientar navegantes depois de cruzar a linha do equador. Ao ver o desenho perfeito de uma cruz, Mestre João a batizou de Cruzeiro do Sul, constelação que está em nossa bandeira e serve até hoje aos escoteiros e curiosos para posicionar o polo sul celeste, aquele ponto no céu para onde está direcionado o eixo de rotação da Terra. O Cruzeiro do Sul com uma área de 68 graus quadrados, é a menor das constelações e uma das mais famosas do Hemisfério Sul. Os gregos a conheciam  como parte do Centauro. A primeira descrição como uma cruz é devida ao Mestre João pois o navegador Andreas Corsali somente a veria assim em 1516. Sua introdução  em uma carta celeste  com o nome latino ‘Crux’ somente foi feita em 1604 pelo astrônomo Jean Bayer em sua célebre obra Uranometria.

Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.



2 comentários:

  1. Oi Euller! Mais um texto muito bem trabalhado pelo Nelson Travnik. Um abraço.

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