segunda-feira, 1 de julho de 2013

O céu do mês – Julho 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

O interesse pelas ocultações lunares vem crescendo de modo bastante significativo e neste mês teremos a oportunidade novamente de acompanhar esses espetáculos, e já no dia 05 próximo, Ain (epsilon Tauri, mag 3.5), será oculta e sua área de visibilidade recai sobre o Oriente Médio, em 16 de julho a brilhante Spica (alpha Virginis, mag 1.0), poderá ser uma bela oportunidade de observação se você estiver localizado oeste da América Central (Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá e El Salvador) ou noroeste da América do Sul (Colômbia, Equador e Peru) e até mesmo na ilha de Nuku-Hiva na Polinésia Francesa bem como nas ilhas havaianas, mas neste caso na região do oceano pacifico o evento dar-se-á no período diurno. Em 17 de julho Zubenelgenubi (alpha Librae, mag. 2.8) será oculta pelo disco lunar, quando então Madagascar, Ilhas Reunião e região sudeste da África (África do Sul, Angola, Moçambique, Maurício, Moçambique e Zâmbia). No dia seguinte será a vez de Acrab (beta Scorpii, mag. 2.6) quando observadores localizados na Europa Ocidental (Andorra, Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Malta, Portugal, Inglaterra e Suíça) e na região noroeste da África (Argélia, Burkina Faso, Cabo Verde, Líbia, Marrocos, Senegal e Tunísia). Assim sendo trataremos de modo separado as ocultações de Rho Sagittarii (mag. 3.9), em 21/22 de julho e também de Dabih Major (beta Capricorni, mag. 3.1) em 22/23 julho. O disco do diminuto planeta Mercúrio também será oculto pela Lua, mas de forma diurna em 08 de julho próximo, entretanto essa não é uma observação recomendada devido a proximidade do disco solar, pois sua elongação será apenas de 5.4°e. Enquanto isso Vênus rouba a cena no crepúsculo vespertino, mas o fator Uau! Será presente nas observações junto ao público quando visualizarem Saturno. Para celebrar toda essa festa celeste então, falaremos de um Altar localizado numa região celeste de fácil visualização.   
Planetas!

Mercúrio = Como havia mencionado Mercúrio será oculto pelo disco lunar, mas como poderemos observar, uma vez atravessando a constelação de Gemini, já atingirá sua conjunção inferior no dia seguinte (09/06), quando então encontrar-se-á somente 4,8° afastado do disco solar. A partir desse momento ele volta-se para o setor Oeste, chegando em 30 de julho em sua máxima elongação 19,6° no período da manhã, atingindo magnitude 0 (zero) no dia seguinte, sendo visível instantes antes do nascer do Sol.

Vênus = Agora com as elongações de Vênus bastante propícias, poderemos facilmente monitorar gradativamente as mudanças de fases desse planeta, até que o mesmo atinja seu processo de dicotomia no fim de outubro. Sua magnitude eleva-se um pouco em relação ao mês anterior.


A tabela 2 acima mencionada, que foi elaborada a partir dos dados constantes do Almanaque Astronômico de 2013 ajuda bastante, mas dados de Vênus para outros dias do mês facilitarão bastante seu planejamento observacional. Assim recomendo o seu download de forma gratuita no seguinte endereço, http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2013.pdf ali você encontrará muitos dados sobre os outros planetas também.

Lua (Fases) = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal (UT = - 03:00h,  fuso horário de Brasília) de acordo com a figura 2:

Marte = As condições observacionais de Marte tornar-se-ão melhor na medida em que suas elongações tornam-se favoráveis, então já no dia 15 próximo ela estará em 21.7°, sendo que o planeta já terá deixado os limites da constelação de Taurus, ingressando neste mesmo dia na constelação de Gemini. Sua magnitude, contudo está estimada em 1.5. Como no mês anterior tivemos por término à fase de tempestades de poeira na superfície marciana, no dia 31 de julho então teremos o início da primavera no hemisfério norte marciano, sua elongação então para os observadores da Terra será de 26.2° já sendo possível algum registro observacional da calota polar norte e isso tenderá a melhorar, pois seu diâmetro aparente também vem aumentando.

Júpiter = As mudanças significativas de Júpiter vem ocorrendo de forma gradativa, mas somente a partir do dia 11, quando então a elongação ultrapassará os 15.0°. Ele poderá ser observado também próximo ao crepúsculo matutino, instantes antes do nascer do Sol, assim como Marte e Mercúrio. Na constelação de Gemini, sua magnitude já alcançará -1.9, sendo que seu diâmetro aparente será de 32”.8 de arco.

Novamente informo que tão logo as condições observacionais sejam novamente favoráveis, retomaremos as informações das respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos seus principais satélites.

Saturno = “O verdadeiro senhor dos anéis”! Deparei-me com essa expressão numa dessas observações desse planeta realizada no pátio de observações do Colégio Santo Agostinho, quando estávamos realizando uma jornada observacional. De fato ao aplicarmos telescópios de boa abertura ótica e aumentos já na ordem de 200x vezes com uma boa estabilização de imagem, os anéis serão facilmente ressaltados, muito embora uma das visualizações que um grupo de observadores do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) que mais despertou a atenção, tenham ocorrido em 27 de abril (por ocasião de sua oposição) e em 11 de maio, durante uma star partie realizada no Observatório Wykrota (859), quando então aplicamos na primeira oportunidade um telescópio refletor de 200mm e na segunda, um Obssession de 18”. Bem visível no céu noturno, podemos facilmente localizar essa jóia do sistema solar na constelação de Virgo.

Entretanto desperta bastante a atenção seus satélites naturais, podemos visualizar seu posicionamento no meio deste mês de acordo com a figura 3.

Urano = A magnitude de Urano encontra-se estimada em 5.8 e deverá permanecer assim até o fim deste mês, embora suas elongações sejam favoráveis a observações com pequeno instrumental. Em 16 de julho ele alcançará sua máxima declinação norte (4.29°), sendo que no dia seguinte uma vez estacionário, inicia o movimento retrógrado. A parti da segunda quinzena deste mês, poderemos encontrar Urano na segunda parte da noite, pois sua elongação já ultrapassa 100.0°. Novamente eu recomendo a aplicação de um telescópio de porte médio (300mm ou acima) dotado com uma boa ótica, sendo possível perceber longe da poluição luminosa e contando com a ausência da Lua, seus satélites de maiores magnitudes como: Titânia (mag. 14.0), Oberon (mag. 14.2) e Ariel (mag. 14.4). 

Netuno = Uma vez que identificamos o planeta Netuno junto as estrelas 57 Aquarii, (tipo espectral A0IV e magnitude 4.8) e 58 Aquarii, (tipo espectral A8III), inicie sua visualização utilizando pequenos aumentos em seu telescópio, para que possa acostumar-se ao campo visual na ocular. Suas elongações estão favoráveis nesta época do ano sendo que seu satélite Tritão estará com uma magnitude (estimada em 13.5 em 15/07/2013 – 00:00 UT), portanto mais favorável que os satélites naturais de seu vizinho Urano. Sua magnitude está estimada em 7.8, mas Netuno se revelará facilmente uma vez balizado pelas estrelas da constelação de Aquarius acima mencionadas.

Ceres e Plutão = É ainda possível longo após o ocaso do Sol, realizar-mos uma busca no poente ao planeta anão (1) Ceres, sendo que teremos uma ótima referência que será o planeta Vênus naquela área do céu. Mas isso se você estiver afastado da poluição atmosférica dos grandes centros urbanos, pois a magnitude desse diminuto planeta estará em torno de 8.7. No dia 10 próximo, ainda naquela área do céu poente, a presença do disco lunar será um destaque ao lado do brilhante Vênus, enquanto será também uma boa oportunidade para as buscas visuais do asteróide (4) Vesta (mag. 7.9). Mas o posicionamento do planeta anão (134340) Plutão estará bastante propício as suas buscas com telescópios acima de 250mm uma vez que logo neste primeiro dia estará em oposição com magnitude estimada em 14.0. 

CONSTELAÇÃO:

Ara

Certamente em meio a toda atividade de caça promovida pelos homens da antiguidade, os rituais faziam parte das diversas celebrações que se incorporaram as diversas culturas que chegam até os tempos atuais; assim certeiramente não faltaria nas reminiscências celestes, o local patente de oferendas. Entretanto a proximidade dessa constelação com Scorpius faz com que aquela região seja bastante interessante aos nossos binóculos e telescópios de pequeno porte, mesmo sendo uma constelação circumpolar sul e que ocupa uma pequena extensão celeste. Assim tornar-se-á fácil localizar no céu, próximo a representação deste Altar, conforme vislumbramos na figura 4 abaixo. 

Theta Arae, uma supergigante branco azulada de magnitude 3.6 e classe espectral B2Ib, próximo a Telescopium, já poderá ser identificada sem dificuldades, e neste prolongamento no sentido oeste, já localizaremos também Alpha Arae, também branco azulada de magnitude 2.9 e classe espectral B2Vne.Observações indicam que essa estrela seja uma binária espectroscópica do período incerto.  

Essa constelação também enquadra-se naqueles casos em que sua estrela mais brilhante, não necessariamente seja chamada de Alfa, visto que o componente de maior brilho dessa constelação ser Beta Arae. A velocidade radial dessa estrela é muito pequena e seu movimento próprio anual é de -0.008 a -0.025". Alaranjada brilhante (mag. 2.8) sua classe espectral é definida como: K3Ib-IIa, indicando ser uma supergigante de baixa luminosidade ou então uma gigante de alta luminosidade. Gamma Arae, no sentido sul dessa constelação e uma supergigante de baixa luminosidade de gigante de também uma branco azulada de magnitude 3.3 e classe espectral B1Ib. Em 1835 foi descoberto por John Herschel uma companheira de 10ª magnitude, sendo que na ocorreu mudança significativa na separação angular em mais de um século, hoje sabendo-se que esse par possui uma magnitude estimada em 9.5; neste prolongamento, facilmente localizaremos a estrela Delta Arae, também branco azulada de classe espectral B8Vn, com uma magnitude ligeiramente mais débil, estimada em 3.6.

Retornando ao sentido norte e novamente em direção a constelação de Scorpius, encontraremos Epsilon1 Arae uma estrela alaranjada de magnitude 4.0 e classe espectral K4IIIab e Epsilon2 Arae, estrela de coloração branco amarelada de magnitude 5.2 e classe espectral F6V e em sentido oposto finalizando, essa pequena descrição Zeta Arae, de magnitude 3.1 e classe espectral K3III, uma gigante alaranjada e também Eta Arae, outra gigante alaranjada de magnitude 3.7 e classe espectral K5III que embora em muito semelhantes, não apresentam ligações entre si, mas convém lembrar que esta última é uma estrela de duplicidade confirmada.

NGC 6397,  NGC 6208 e NGC 6193. 

Uma boa busca para iniciar-mos esta jornada observacional, será a localização do Aglomerado Globular NGC 6397 apesar de sua dimensão aparente ser de 25.7'x 25.7' e sua magnitude visual ser estimada em 5.7, o fator noite escura e não interferência da poluição luminosa dos grandes centros urbanos serão requisitos fundamentais nesta correta identificação. Ele foi observado pela primeira vez por Lacaille em 1755. Sendo objeto de especial interesse a partir de estudos recentes, indicam que ele pode ser o mais próximo de todos os aglomerados globulares do sistema solar. Os membros mais brilhantes do NGC 6397 são gigantes vermelhas de magnitude absoluta -2, ou cerca de 500 vezes a luminosidade do sol. 

Um pouco mais débil nas proximidades de Epsilon1 Arae, será fácil também (entretanto longe da poluição luminosa) visualizar com um simples binóculo 7 x 50 ou um telescópio de 140mm com pouco aumento o Aglomerado aberto NGC 6208, visto que suas dimensões estimadas em 18.0'x 18.0' façam que sua magnitude seja de 7.2, muito embora seja ele pouco luminoso. 

Certamente a nebulosidade da nuvem que envolve o aglomerado aberto a que chamamos de NGC 6193, é uma agregação notável e brilhante com cerca de 15 anos-luz de diâmetro. A estrela mais brilhante é uma dupla visual h4876 (HD 150136), classe espectral tipo O5III, gigante azul cuja magnitude de 5,6 aparente implica numa luminosidade de cerca de 3000 vez a do Sol, antes de fazer qualquer correção para a absorção interestelar (Burnham, 1978). Isso faz com que esse aglomerado possua uma magnitude de 5.2 e suas dimensões serem estimadas em 15.0'x 15.0'. 

Esses ingredientes somados então, farão com que o observador celeste de nossos dias, uma vez familiarizado com aquela área do céu, realize neste Altar área de interesse observacional apreciável. 

Glossário: 

(ua) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

Dicotomia = Aspecto de um planeta ou de um satélite quando apresenta exatamente a metade do disco iluminada.

Periélio = Menor distância do Sol de um corpo em órbita ao seu redor. 

MPa = Movimento Próprio anual, sendo: (-) em aproximação, (+) em recessão.

″ = Segundos de arco.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23567-X pp. 235–244.– Inc. New York – USA, 1978. 

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 19/02/2013.

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