quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O céu do mês – Agosto 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

O céu deste mês, uma vez apresentando as brilhantes estrelas das constelações zodiacais (Capricornus, Sagittarius e Scorpius); boreais (Áquila, Lyra e Corona Borealis) e também austrais (Pavo, Pisces Austrinus e Corona Australis) farão com que essa época do ano seja marcada por excepcionais observações também. Não podemos deixar de notar que espetáculo a parte será proporcionado pelas diversas fases da Lua neste início de mês. No céu matutino proporcionará com Júpiter, Marte e Mercúrio belas conjunções, não esquecendo ainda que proporcionará aos mais atentos boas ocultações, pois já neste primeiro dia, ocorrerá uma bela ocultação de Ain (epsilon Tauri, mag 3.5), visível na região central e leste da América do Norte (Canadá e Estados Unidos e México), América Central (região Ístmica), inclusive o mar do Caribe e a região noroeste da América do Sul. Entretanto alguns poucos poderão acompanhar no dia 12, a ocultação de Spica (alpha Virginis, mag 1.0), ainda visível no período noturno no pacífico norte e já no período diurno na região do sudeste da Ásia. Mas na noite de 13 para 14 de agosto, novamente a brilhante Zubenelgenubi (alpha Librae, mag. 2.8) será oculta pelo disco lunar privilegiando desta vez os observadores situados na América do Sul, então abordaremos esse evento num Paper separado. Muito embora seja a época propícia a objetivarmos nossas observações para o longínquo Netuno (em oposição dia 27 próximo) muito embora já tenha apresentado em meados do mês último uma boa novidade; Vênus e Saturno continuarão a completar o cenário celeste na primeira parte da noite, e como de costume, roubando as cenas em Star Parties e observações monitoradas em observatórios e/ou planetários que costumeiramente atendam ao público certamente ávido para as observações astronômicas. Alguns objetos deep-sky existentes na Corona Australis sem dúvidas, fará com que busquemos locais mais afastados dos grandes centros urbanos e aplicação de binóculos e telescópios de pequeno e médio porte. Enfim, observar, observar e observar! é assim que se chega às estrelas.


Planetas!

Mercúrio = Mercúrio está na constelação de Gemini até 07 de agosto, mas sua dicotomia (meia-fase) ocorrerá em torno de 15:12 UT do dia 02 próximo; do dia 08 a 17 encontrar-se-á em Câncer, quando então no seu periélio estará cerca de 0,3075 ua do Sol. Observemos aí que sua magnitude tende a aumento (0.1 em 01/08, -1.3 em 15/08 e -1.2 em 31/08) embora suas elongações já estejam desde o último dia 30 passado vem diminuído, mas ainda visível antes do nascer do Sol. Uma vez na constelação de Leo (a contar de 18/08) o planeta chegará a sua conjunção superior em 24/08, quando sua distância geocêntrica  será 1.3547 ua. 

Vênus = Certamente a presença de Vênus no início das noites deste inverno são marcantes, devido as magnitudes elevadas, bem como ainda (e principalmente) as configurações que ele vem ocasionando no poente, seja com a Lua ou alguma brilhante estrela. Desta forma deverá ser magnífico o poente do dia 09 próximo quando Lua (mag. -7.5 e 0.094 de fase) e Vênus; uma visão esplêndida na constelação de Virgo. 
A tabela 2 acima mencionada, que foi elaborada a partir dos dados constantes do Almanaque Astronômico de 2013 que auxilia bastante; muito os dados para outras épocas facilitarão bastante seu planejamento observacional. Assim recomendo o seu download de forma gratuita no seguinte endereço, http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2013.pdf  pois ali encontrar-se-á muitos dados sobre os outros planetas também. 

Lua = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal (UT = - 03:00h,  fuso horário de Brasília) de acordo com a figura 2:

Neste mês as apsides (Apogeu e Perigeu) lunares ocorrerão em: Apogeu 03/08 08:54 (UT), quando a Lua estará a 405.850 km da Terra, e seu Perigeu em 19/08 às 01:27 (UT), quando a Lua chegará a 362.271 km  da Terra.

Marte = Com as respectivas elongações mais favoráveis, podemos no céu matutino buscar o registro da calota polar norte de Marte, como acima mencionado ele tomará parte em conjunções com a Lua, Júpiter e Mercúrio nos primeiros dias deste mês. Muito embora neste período sua magnitude seja estimada em 1.6, observaremos que seu diâmetro aparente vem crescendo, em função da sua distância a Terra, a cada dia menor. Ele estará na constelação de Gemini até o dia 24 de agosto, ingressando no dia seguinte na constelação de Cancer.

Júpiter = Também visível antes do crepúsculo matutino, sendo dos planetas naquela área do céu o mais brilhante, poderemos facilmente perceber nos primeiros dias de agosto sua magnitude chegando a -2.0. então diante de notícias verdadeiramente animadoras, em 27 de agosto próximo, seu diâmetro aparente será de 34.3” de arco, sendo que já será possível monitorar os principais eventos dos quatro satélites galileanos. Conforme comentado ainda nas resenhas anteriores, novamente a tabela 3 abaixo, informa as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites Io, Europa, Ganimedes e Callisto.

Saturno = Já algum tempo atrás, num dos belos livros do futurista e escritor de ficção científica Isaac Asimov (1932 – 1992), encontrei a seguinte informação sobre Saturno: “A visão mais bela que alguém pode ter através de um telescópio”. Fato é que o número sempre crescente de público para observações nesta época do ano aumenta. Não é para menos, pois Saturno pode ser acompanhado a noite facilmente e a exuberância de seus anéis aliados a um séqüito de satélites naturais mostram plenamente isso. 

Na figura 3 acima, podemos vislumbrar o posicionamento deles em torno do planeta, mas não assustemos, mas na noite (15 de agosto) os cinco primeiros: Mimas (1), Enceladus (2), Tethys (3), Dione (4) e Rhea, estarão muito próximos aos anéis e disco planetário, que poderá ocorrer alguma dificuldade na identificação correta desses satélites. Por outro lado ficará bem fácil a localização de Titã (6), Hyperion (7) e Iapetus (8).

Urano = Na medida em que as elongações de Urano vem se tornando mais favoráveis, sua magnitude também modifica, e isso facilita um pouco mais a sua localização, pois ela estará estimada em 5.7, o que é esperado para a época da oposição. Na noite de 23  para 24 deste mês, aproveitando a presença da Lua na constelação de Pisces, eles formarão uma conjunção quando então este planeta ficará somente 3.2° Sul do limbo lunar, muito embora a Lua já tenha passado por sua fase cheia ela estará bastante brilhante naquela área do Céu. Seus satélites de maiores magnitudes: Titânia (mag. 14.0), Oberon (mag. 14.2) e Ariel (mag. 14.4), podem ser percebidos longe da poluição luminosa e com a aplicação de um telescópio de porte médio (300mm ou acima), considerando esse de boa ótica.

Netuno = Finalmente neste período ocorrerá a esperada oposição de Netuno que ocorre na noite de 26 de agosto, onde estimular a busca pela identificação de seu satélite natural Tritão será uma tarefa bastante compensadora. Ele estará separado 16.1" segundos de arco do disco do planeta num ângulo de posição de 56.9° conforme é apresentado na figura 4 abaixo. 

Isso torna a tarefa de sua localização mais fácil se estivermos utilizando um telescópio de 450mm, também de boa ótica e (principalmente) bem afastado da poluição luminosa dos grandes centros urbanos, pois sua magnitude estimada em 13.5 facilita esse trabalho. Netuno estará então cerca de 28.97281 ua. da Terra, numa elongação de 179.3°, muito embora sua magnitude encontra-se estimada 7.8, seu diâmetro angular será de 2,31". 

A boa novidade do planeta Netuno neste período vem do Telescópio Espacial Hubble da NASA, pois que Mark Showalter, do SETI Institute em Mountain View, na Califórnia; estudando os fracos anéis de Netuno em 1° de julho passado, encontrou o que é seu 14° satélite natural. Essa descoberta na realidade foi a constatação da existência de um satélite estimado em não mais de 12 quilômetros de diâmetro numa série de fotografias realizadas daquele planeta (e consequentemente seus satélites) pelo Hubble entre 2004 e 2009. Muito provavelmente esse satélite teria sido uma captura gravitacional daquele planeta. Designada provisoriamente como S/2004 N 1, sua magnitude é de tão baixa que uma estimativa atualmente fica difícil.

Ceres e Plutão = Este mês o planeta anão (1) Ceres, se perde na claridade solar devido a sua proximidade do disco solar, sendo que ele permanecerá durante todo esse Mês naquela posição e isso se dará até meados do mês próximo, quando então já no céu da manhã. Já a prevista ocultação do planeta anão (134340) Plutão estará favorável aos observadores situados no leste europeu e regiões do oeste da Ásia; ocorrendo o instante máximo às 18:42.1 (UT). 

Asteróides = Neste mês ainda ocorrerão oposições favoráveis: em 07 de agosto de (28) Bellona, com uma elongação de 177.6° na constelação de Aquarius, (93) Minerva, com uma elongação de 168.8° na constelação de Capricornus nesta mesma data; bem como também em 19 de agosto a oposição do asteróide (52) Europa, com a elongação de 176.7° também na constelação de Capricornus. É ainda importante mencionar que em 03 de agosto próximo, o asteróide (3) Juno (mag. 9.0) ocultará a estrela 2UCAC 30282141 (mag. 12.2), sendo que a faixa de visibilidade da ocultação estará recaindo sobre o continente africano e países da América do Sul (Brasil, Argentina e Chile) e duração prevista do fenômeno é estimada em 23.2 segundos. Ainda neste período (14/08), o asteróide (41) Daphne (mag. 10.9) ocultará a estrela 2UCAC 31380147 (mag. 12.3), sendo que a faixa de visibilidade da ocultação estará recaindo sobre os seguintes países da América do Sul (Brasil, Chile, Peru e Venezuela) e duração prevista do fenômeno é estimada em 24.4 segundos. 

CONSTELAÇÃO:

Corona Australis

Alguns comentadores mencionam que essa constelação representa uma coroa usada pelo centauro (neste caso representado por Sagitário), mas o fato e que ela não tem sua vinculação a qualquer mito em especial. Mas o principal fato é que foi catalogada pela primeira vez pelo astrônomo Ptolomeu no século II, na descrição de suas 48 constelações no Almagesto.

Corona Australis é também uma das menores constelações existentes no céu, visto que sua área cobre apenas 128 graus quadrados, entre as coordenadas de AR: 11h  57 min e  13h  33min e Declinação: -37° e  45°.6 (Mourão, 1987), conforme podemos visualizar na figura 5 abaixo.

Mesmo assim essa constelação é de fácil reconhecimento no céu, visto seu posicionamento entre Ara, Sagittarius, Scorpius, e Telescopium na borda da Via-Láctea. Isso faz com que suas estrelas de baixa magnitude sejam ressaltadas naquela região celeste.  Então, compreendendo esse ponto celeste temos Alfecca Meridiana (alfa CrA)  uma anã branca de magnitude visual 4.1 e classe espectral A2V, sendo esta estrela então considerada a mais brilhante daquele conjunto, que terá ainda, Beta CrA com idêntica magnitude visual (4.1), mas que na realidade é uma estrela laranja gigante, fria e luminosa de classe espectral K0II; Delta CrA uma gigante alaranjada de magnitude 4.5 e classe espectral K1III; Zeta CrA, uma anã branco-azulada, de magnitude 4.7 e classe B9.5V; Epsilon CrA, variável anã branco amarelada de magnitude 4.8 de classe F2V e Gamma CrA, uma estrela dupla anã branco-amarelada de magnitude 4.9 e classe espectral F8V, a cerca de 120 anos luz de distância. 

O complexo campo da NGC 6726, 6727 e 6729

Segundo a fantástica publicação de Robert Burnham Jr.ou como mundialmente chamamos “Burnham's Celestial Handbook”, informa que a região e um “complexo e misturado campo de nebulosidade claro e escuro, notável pelo seu conteúdo nebular errático de estrelas variáveis do tipo T Tauri, e localizado em uma região de muito obscurecimento”...; isso faz com que a porção mais brilhante seja a dupla nebulosidade de NGC 6726 e 6727, duas manchas mais ou menos circulares em contato formando uma "figura 8" padrão medindo cerca de 2 'x 1,3', orientada no sentido NE-SW, cujo contorno e adornado por bordas de muitos filamentos ralos. 

A cerca de 4,7" na direção SE está a parte mais interessante dessa nebulosidade, o pequeno objeto em forma de cometa e o NGC 6729, (figura 6) cerca de 1,3' de comprimento, contendo um núcleo irregular da errática estrela variável R CrA. Estrela e nebulosa formam uma combinação que lembra a Nebulosa Hubble NGC 2261 na constelação Monoceros e sua estrela R Monocerotis. Variações na luz da nebulosa geralmente seguem as oscilações da estrela, mas há também mudanças nas formas peculiares de vários detalhes de aspecto nebular, muitas vezes demasiado rápida para ser fisicamente real, e, evidentemente, atribuível às mudanças de luz e efeitos de sombra. R CrA.” As variações de magnitudes detectadas pela primeira vez por J. Schmidt, em 1866 são geralmente imprevisíveis, mas a estrela, por vezes, mostra alterações de até 2 magnitudes dentro de poucos dias; cerca de 1,3' para SE, na “cauda cometária” da NGC 6729, encontra-se a mais fraca variável T CrA, que mostra variações semelhantes com de cerca de 11,77 - 13,5. Uma quarta variável no campo é S CrA, localizada praticamente na mesma declinação porém com Ascensão Reta diferente. 

O NGC 6541

Se não ficarmos bastante atentos, correremos o risco de não localizamos o Aglomerado Globular NGC 6541 embora bastante brilhante. Observado pela primeira vez pelo astrônomo italiano Niccolò Cacciatore março 1826 no Observatório de Palermo onde foi diretor; posteriormente esse aglomerado foi encontrado de forma independente pelo astrônomo inglês James Dunlop em julho de 1826 quando então realizava pesquisas para estudo de nebulosas, estrelas duplas e cometas; daí então, encontrarmos referências deste objeto celeste como: Dunlop 473. Estimado com uma magnitude visual de 6.6 os telescópios com abertura de 140mm utilizando aumentos da ordem de 100 vezes (ou mais) e sob boas condições de céu, revelar-se-á um objeto de formato ovalado; isto, devido constituição de suas estrelas de magnitude (em torno de 13), mas não deixando contudo de ser um bom objeto a ser vislumbrado.

Quem sabe a constelação Corona Australis uma vez bisbilhotada primeiramente com um binóculo 7 x 50, e depois a aplicação de telescópios de pequeno e médio porte, não revelará aos observadores boas paisagens cósmicas? Vale a pena persistir.

(a.l) = Ano Luz. Unidade de distância e não de tempo, que equivale à distancia percorrida pela luz, no vácuo, em um ano, a razão de aproximadamente 300.000 Km por segundo. Corresponde a cerca de 9 trilhões e 500 bilhões de quilômetros.

Apogeu = Para um corpo em órbita elíptica em torno da Terra (a Lua ou um satélite artificial, por exemplo), é o ponto da órbita onde um astro tem o maior afastamento da Terra. Oposto de perigeu.

Ápside = Nome genérico dos pontos de maior afastamento ou de menor afastamento de um corpo que está em órbita de outro. Quando nos referimos ao Sol ou à Terra, existem nomes específicos (apogeu e perigeu para a Terra, e afélio e periélio para o Sol).

Dicotomia = Aspecto de um planeta ou de um satélite quando apresenta exatamente a metade do disco iluminada.

MPa = Movimento Próprio anual, sendo: (-) em aproximação, (+) em recessão.

Periélio = Menor distância do Sol de um corpo em órbita ao seu redor. 

Perigeu = Para um corpo em órbita elíptica (em forma de elipse) em torno da Terra (a Lua ou um satélite artificial, por exemplo), é o ponto da órbita onde um astro tem a maior proximidade da Terra. Oposto de apogeu.

(ua) = Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

= Segundos de arco.

Boas Observações!

Referências:
- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23568-8 pp. 693–696.– Inc. New York – USA, 1978. 

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 19/02/2013.

Nenhum comentário:

Postar um comentário