sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O céu do mês – Novembro 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Esta época certamente estará marcada por um longo período na memória da maioria dos apreciadores do céu. Logo em seu início a ocorrência do eclipse no dia 03 próximo fará com que os clubes de astronomia, planetários e observatórios tenham uma movimentação maior em torno da ocorrência deste fenômeno, mesmo que a linha central de sua totalidade esteja cortando vasta região do território africano. É que venha o cometa ISON! Visto que sua passagem pelas cercanias do sistema solar interior está cercada de expectativas inúmeras. Será visível a luz diurna? Quem poderá registrar de algum modo sua conjunção com o cometa 2P/Encke? É bastante oportuna as considerações reportadas pelo observador Alexandre Amorim. Ele chega também num momento muito especial em que o brasileiro Paulo Holvorcem descobre em 23 de outubro último o C/2013 U2 Holvorcem, tratando-se do segundo cometa que recebe seu nome com exclusividade. Sem dúvida que os questionamentos acima somente poderão obter respostas após o desafio de se observar e registrar as mudanças do céu de forma constante; é isso e o buscamos de forma perene. Enquanto isso a Lua ocultará as brilhantes Spica (mag. 1.0) em 02 e 29/11; Dabih Major (mag. 3.1) em 09/11, Ain (mag. 3.5) em 18/11 e lambda Geminorum (mag. 3.6) em 29/11. Eu creio também que a genialidade do advogado e astrônomo bávaro Johann Bayer aliava-se a sua admiração por aves e mitologia, pois neste mês falaremos da constelação cujo pássaro após morto tem a capacidade de ressurgir das cinzas.
As ocultações de estrelas brilhantes pela Lua neste Mês

Spica (alfa Virginis)

Em 02 de novembro próximo, a Lua -2% iluminada e com a elongação solar de 16°, ocultará a estrela Spica de magnitude 1.0. Esse evento poderá ser observado numa grande extensão da Europa Oriental abrangendo os seguintes países: Alemanha, Bélgica, Dinamarca, França, Luxemburgo, Países Baixos, Reino Unido, Suíça e Suécia de acordo com o mapa apresentado na figura 2a (abaixo). 

Já em 29 de novembro próximo, a Lua -14% iluminada e com a elongação solar de 44°, novamente ocultará essa estrela; sendo que esse evento poderá ser observado numa grande extensão da  América do Norte sendo sua parte noturna visível da região do Alasca, e partes do território do Canadá de acordo com o mapa apresentado na figura 2b (abaixo).

Dabih Major (beta Capricorni).

Em 09 de novembro próximo, a Lua +39% iluminada e com a elongação solar de 77°, ocultará a estrela Dabih Major (beta Capricorni). Esse evento poderá ser observado no nordeste da Ásia, no Alasca e grande parte do pacífico norte abrangendo os seguintes países e localidades: Estados Unidos (Alasca), Rússia e Japão (ilha Marcos) de acordo com o mapa apresentado na figura 3a.

Ain (epsilon Tauri).

Em 18 de novembro próximo, a Lua -99% iluminada e com a elongação solar de 168°, ocultará a estrela Ain (epsilon Tauri). Esse evento poderá ser observado no sudeste da Ásia, Indonésia e Leste da África abrangendo os seguintes países: Birmânia, Brunei, Camboja, China (Kong Kong, Formosa, Macau e Taiwan), Filipinas, Índia, Indonésia, Japão, Laos, Madagascar, Marshall (Ilhas), Maurício, Mianmar, Maldivas (Ilhas), Malásia, Micronésia (Estados Federados: Chuuk, Kosrae, Pohnpei e Yap), Papua Nova Guiné, Reunião (Ilhas), Seychelles (Ilhas), Singapura, Sri Lanka, Tailândia e Vietnã de acordo com o mapa apresentado na figura 3b.
lambda Geminorum.

Em 22 de novembro próximo, a Lua -83% iluminada e com a elongação solar de 131°, ocultará a estrela Lambda Geminorum. Esse evento poderá ser observado na América do norte (extremo), Norte da Europa e noroeste da Ásia, abrangendo os seguintes países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Eslováquia, Estónia, Faroe (Ilhas), Finlândia, França, Geórgia, Guernsey, Hungria,  Irlanda, Irã, Islândia,  Luxemburgo, Moldávia, Noruega, Países Baixos, Polônia, Reino Unido, Republica Tcheca, Romênia, Rússia, Turquia, Suíça e Suécia de acordo com o mapa apresentado na figura 3c.

O Eclipse Total do Sol

O último eclipse do sol neste ano é um eclipse anular que terá como áreas de visibilidade nações situadas próximo à costa do Oceano Atlântico (norte e Sul) e ainda em regiões localizadas no oceano pacífico próximo ao litoral da Colômbia e oceano indico em região próxima ao mar arábico, conforme podemos vislumbrar na figura 4 (abaixo). Veja maiores informações em sobre as circunstâncias de visibilidade em diversas regiões em: http://skyandobservers.blogspot.com.br/2013/11/o-eclipse-do-sol-em-03-de-novembro-de.html


Planetas!

Mercúrio = Mercúrio após o ocaso do Sol, ganhou no mês anterior uma atenção especial entretanto, agora ele estará em conjunção inferior e seu posicionamento praticamente junto com o disco solar. Faz com que ele  fique praticamente invisível no horizonte, mas em 18/11 ele estará novamente com uma máxima elongação, já sendo visível na linha do nascente antes do nascer do Sol; ele estará na constelação de Libra até 03/11, ingressa em seguida na constelação de Virgo, permanecendo alí até 18/11 quando então retorna a Libra. Sua magnitude agora negativas (-0.7 em 26/11), fará com que ele se destaque juntamente com Saturno no céu matutino, sendo que nesta data estarão em conjunção separados somente 0,3°; a figura 5 abaixo ilustra como será essa visão matutina.

Vênus = Os eventos propiciados pela presença do resplandecente planeta Vênus na linha do poente, faz com que ele não fique despercebido do grande público. Ele estará já estará com máxima elongação (47.1° E), quando você estiver lendo essas notas; suas magnitudes que já ultrapassou -4.4 chegará ainda neste fim de mês em -4.8. É um espetáculo ao anoitecer principalmente quando forma interessantes alinhamentos com a presença da Lua. Ele estará ainda neste primeiro dia na constelação de Ophiuchus, mas ingressará já em 02/11 na constelação de Sagittarius.

Lua = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal (UT = - 03:00h,  fuso horário de Brasília) de acordo com a figura 6:
A ocorrência das apsides (Perigeu e Apogeu) lunares dar-se-á neste mês na seguinte seqüência: Perigeu em 06/11 às 09:29 (UT), quando a Lua chegará a distância de 365.361 km do centro da Terra, e seu Apogeu em 22/11 às 09:51 (UT), quando a Lua estará a 404.445 km  do centro de nosso planeta.

Marte = O planeta Marte que se encontra na constelação de Leo desde o dia 26 de setembro último, mas isto até 25 deste mês, quando então chegará a constelação de Virgo. Continua ainda com o constante aumento de sua elongação e diminuição de sua distância a Terra, desta forma suas magnitudes estimadas em 1.5 neste início de mês, já poderá ser estimada em 1.3 a contar de do último dia deste mês. 
Antecedendo o alvorecer do dia 27, Marte estará formando um par interessante com a Lua fazendo com a madrugada ganhe uma bela paisagem celeste antes do início das fases crepusculares matutinas. 

Júpiter = As magnitudes de Júpiter vem aumentando na medida em que suas elongações ficam mais favoráveis, elas são estimadas em: 01/11 01 em 108°.4, magnitude -2.4; 15/11 em 122°.5, magnitude -2.5 e 30/11 a elongação será de 138°.4 e magnitude -2.6.  Já observável na primeira parte da noite seu diâmetro será de 41.28” em chegando no dia 30/11 a 44.73” de arco.   
Não restam dúvidas de que os fenômenos “Multi Sombras” e mútuos eventos do último mês prenderam a atenção de uma grande quantidade de observadores, então uma nova oportunidade ocorrerá ainda este mês, quando por cerca de 7 minutos em 13 de novembro próximo, Io e Europa protagonizarão em evento de dupla sombra na superfície joviana conforme podemos vislumbrar em desenho na figura 7 abaixo.

Novamente a tabela 2 abaixo, informa as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos.
Saturno = O planeta Saturno estará já no próximo dia 06 na sua maior distância a Terra, quando então sua distância é estimada em 10.85848 ua, entretanto a conjunção com o Sol neste mesmo dia, fará com ele esteja separado do disco solar em 2,1 °, o que impossibilitará qualquer observação ótica nesse período, mas a sua conjunção com Mercúrio em 26/11 na fase crepuscular matutina, conforme foi mencionado acima e apresentado na figura 5, dará um colorido naquela madrugada antes do alvorecer do dia, sendo que sua elongação em 30/11 já estará estimada em 21.0° enquanto sua magnitude será de 1.3 neste último dia do mês.

Urano = Urano é facilmente percebido aos observadores que estão localizados sob um céu menos afetado pela poluição luminosa, já seus satélites estão requerendo um telescópio com uma abertura ótica um pouco maior. Esse fato está agora mais ligado ao problema da poluição luminosa do que com os telescópios de boa ótica e abertura.

Netuno = Em 11 de novembro próximo, Netuno estará posicionado somente 5.4° Sul da Lua, que denunciará a sua posição em meio a constelação de Aquarius, O planeta estará estacionário já em 13/11, sendo que suas magnitudes podem ser estimadas em 7.9 durante todo esse período, pois suas elongações já estão também diminuindo (113.8° em 01/11 e 84.7° em 30/11).

Ceres e Plutão = O planeta anão (1) Ceres já estará em melhores condições observacionais neste mês, embora o ideal seja esperar até dezembro próximo, para que possamos iniciar tendo em vista o aumento de suas elongações e incremento de sua magnitude até sua oposição em 2014. Enquanto isso o longínquo (134340) Plutão, vem diminuindo também de forma gradativa suas elongações, quando então no mês seguinte ficará completamente ofuscado pelo brilho do Sol.

Asteroides = Além das diversas ocultações de estrelas por asteroides que ocorrerão este mês, chamo a atenção para o evento de 02 de novembro próximo, quando ocorrerá a ocultação da estrela TYC 6028-00309-1, de magnitude 9.6 na constelação de Hydra, pelo asteroide (2) Pallas recaindo essa visibilidade sobre a América do Sul. Desta forma, observadores localizados no norte da Argentina e do Chile; sul da Bolívia; região sul do Brasil, Paraguai e sul do Peru, estarão dentro da faixa de visibilidade, conforme podemos ver na figura 8 abaixo.

CONSTELAÇÃO:

Phoenix

Como eu havia mencionado acima na introdução dessa resenha, fico sempre imaginando o que passava pela imaginação de Johann Bayer e outros fantásticos astrônomos na tarefa de delinear o céu, por isso creio eu que uma de suas paixões seria os pássaros e principalmente aqueles que seriam encontrados dentro da mitologia. Não sem razão, ele identifica Phoenix, entre as constelações de Fornax, Sculptor, Grus, Tucana e Eridanus.

Conforme podemos ver no mapa (figura 9), Ankaa (alfa Phe, mag. 2.3), também chamada de Lucida Cymbae é uma gigante amarela de tipo espectral K0III, que forma a cabeça da Fênix; já beta Phe (mag. 3.3) é uma dupla, possuindo a primária um tipo espectral G8III, gamma Phe (mag. 3.4) e tipo espectral M0-IIIa é uma gigante vermelha, sendo que delta Phe é uma gigante amarelo-laranjada de magnitude 3.9 e tipo espectral K0III.

Em 1990, foi lançado pela revista Universo da LIADA (Liga Iberoamericana de Astronomia) (Comellas, 1990) um programa observacional chamado de “Duplas Austrais”, com o objetivo de confirmar ou corrigir dados do Catálogo de estrelas duplas visuais contendo as seguintes estrelas daquela constelação: h 3395, Xi Phe e também Δ 250; eu creio que naquela ocasião esse pesquisador tenha recebido um bom número de contribuições.

A Variável SX Phoenicis

Localizada cerca de 6,5° a oeste de Ankaa. Esta é uma das mais famosas variáveis (figura 10). Ela foi descoberta originalmente como uma estrela de grande movimento próprio em 1938,  e considerada de variações rápidas de luz por O.J. Eggen em Canberra - Austrália, em 1952. Naquela época ela tinha o menor período conhecido do que qualquer outro tipo de estrela pulsante, cerca de 79 minutos. De acordo com o "Catálogo Geral de Estrelas Variáveis" de Moscou (1970), o período exato é 0,054965 dia, ou 79m 10s. A magnitude visual varia de 7,1 a cerca de 7,5; fotograficamente é cerca de 7,1 a 7,8, devido à mudança de cor durante o ciclo. Alguns valores máximos são mais elevados do que os outros por 0,5 magnitude, o que indica que a estrela está oscilando em, pelo menos, dois períodos sobrepostos. O ciclo das variações de amplitude é cerca de 4,6 horas ou muito perto de 3,5 vezes o período principal.

SX Phoenicis parece ser uma estrela subanã do tipo A, a partir da distância computada a luminosidade real deve ser apenas 2 ou 3 vezes maior que a do Sol. O Catálogo de Moscou relata uma provável magnitude absoluta de +4,1 que coloca a estrela pelo menos duas magnitudes abaixo da seqüência principal. Em um estudo feito em 1975 no ESO (Observatório Europeu do Sul), R. Haefner descobriu que o tipo espectral, geralmente dado como A2 a A5, na verdade, atingiu F4 no baixo mínimo. Das teorias de estrutura estelar, parece que as estrelas deste tipo têm uma massa anormalmente baixa para os seus tipos espectrais. A estrela apresenta um movimento próprio anual de 0,89" em  AP de 163°, a distância pode ser cerca de 140 anos-luz.

Em um estudo desta estranha estrela realizado no observatório da Universidade do Chile, em 1970, J. Stock e S. Tapia relatam que "uma análise das curvas de velocidade radial, a partir de 500 espectros, juntamente com os dados fotométricos, mostram que as observações não podem ser conciliadas com o modelo de uma única estrela pulsante ... além disso, as intensidades e os perfis das linhas de absorção variam rapidamente, muitas vezes em poucos minutos .... SX Phoenicis é provavelmente uma binária, ou até mesmo um sistema múltiplo". As estrelas deste tipo lembram as RR Lyrae Estrelas, mas têm pequenas massas e luminosidades mais baixas (Burnham, 1977).
As figuras mitológicas de um modo geral fornecem "asas a nossa imaginação” sempre criativa e nobre. Isso fica patente quando vemos que algumas constelações emprestam seus nomes a importantes observatórios no Brasil, vejamos: O Observatório do Capricórnio, hoje ligado a Prefeitura Municipal de Campinas - SP (http://observatorio.campinas.sp.gov.br/observatorio.php); Em atividade também o Observatório Sagitário (http://observatoriodosagitario.blogspot.com.br), no município de Botucatu - SP. Além Paraíba, cidade localizada na zona da Mata de Minas Gerais e a sede do Observatório Astronômico Monoceros, fundado em 15 de Julho de 1975 (http://www.monoceros.xpg.com.br), No sul desse estado também, temos localizado em Cambuquira – MG o Observatório Centauro, é suas atividades podem ser visualizadas em http://www.observatoriocentauro.com.br/. Finalizando a nossa constelação (objetivo de estudo) deste mês, apadrinhou o "Phoenix Observatório Astronômico" (http://www.observatorio-phoenix.org), que iniciou suas atividades em Belo Horizonte em 12 de maio de 1974, mas teve sua transferência para o município de Cláudio - MG, na mesorregião Oeste do estado de Minas Gerais. Dessa forma fica claro que Johann Bayer estaria muito satisfeito nos dias de hoje com os trabalhos, desenvolvidos por esse conjunto de instalações disseminadores da ciência astronômica.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0,  pp. 2138 – Inc. New York – USA, 1978.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 19/02/2013.

- http://www.asteroidoccultation.com/ - Acesso em 22 julho 2013.
- http://www.aavso.org/lcg/plot?auid=000-BCW-822&starname=SX+Phe - Acesso em 01 outubro 2013.
- http://rea-brasil.org/cometas/12s1.htm - Acesso em 02 outubro 2013.
- http://observatorio.campinas.sp.gov.br/observatorio.php - Acesso em 07 outubro 2013.
- http://observatoriodosagitario.blogspot.com.br - Acesso em 07 outubro 2013.
- http://www.monoceros.xpg.com.br - Acesso em 07 outubro 2013.
- http://www.observatorio-phoenix.org - Acesso em 07 outubro 2013.
- http://www.observatoriocentauro.com.br - Acesso em 31 outubro 2013.
- http://www.rea-brasil.org/cometas/13u2.htm - Acesso em 31 outubro 2013.

O eclipse do Sol em 03 de novembro de 2013!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

I – Introdução

Em 03 de novembro próximo, teremos a ocorrência do último eclipse do Sol (anular) deste ano, que terá como áreas de visibilidade nações situadas próximo à costa do Oceano Atlântico (norte e Sul) e ainda em regiões localizadas no oceano pacífico próximo ao litoral da Colômbia e oceano indico em região próxima ao mar arábico. Engloba esse fenômeno também, ilhas localizadas ao norte e sul de sua dessas regiões oceânicas cuja de visibilidade parcial estejam dentro dos limites norte e sul. 

II – Região de Visibilidade Global

O conde de sombra conforme podemos visualizar na figura 1, inicia-se no Atlântico Norte próximo ao estado da Flórida nos Estados Unidos, sendo que todas as localidades situadas naquela região poderão vislumbrar o evento ainda na fase do crepúsculo matutino, sendo que para algumas dessas cidades o sol já estará eclipsado no amanhecer.


Continuando sua trajetória, a linha central do cone central de sombra deverá passar ao sul de Cabo Verde atingindo seu instante máximo no oceano às 12:47:36 TU (Universal Time), no sudoeste da Libéria nas seguintes coordenadas (Latitude: 3.4906° N e Longitude: 11.6935° W). Nesse instante, o eixo da sombra da Lua passa mais próximo ao centro da Terra. A duração máxima da totalidade neste ponto é de 1m39.5s, sendo a altura do Sol de 71° e a largura da faixa de visibilidade estimada em 57 quilômetros. 

Passando este ponto, já mais próxima à costa da África sub-saariana, a linha central estará atravessando ainda o oceano entre São Tomé e Príncipe e a ilha de Annobón (ilha e província da Guiné Equatorial), quanto então atinge a costa do Gabão ao norte de Porto Gentil, já dentro dos limites do Parque Nacional Wonga Wongue. A linha central então cruza este país chegando então a costa do Congo e instantes depois chega à fronteira com a República Democrática do Congo, seguindo em direção ao nordeste de Uganda, norte do Quênia e sul da Etiópia (figura 2). Seus últimos minutos então dar-se-á em todo o sul da Etiópia, deixando a superfície da Terra a sudoeste da localidade de Galcaio na Somália.

Ao longo de 3,3 horas, a faixa de sombra viajará aproximadamente 13.600 quilômetros de extensão, abrangendo 0,09 % da superfície da Terra (Espenak, 2008). Assim sendo observadores localizados em grande parte da costa leste norte-americana, América central, norte da América do Sul, sul da Europa, Oriente Médio e África. 

A tabela 1 apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para as seguintes nações do continente africano: Angola, Argélia, Benin, Burquina Faso, Cabo Verde, Egito, Ilhas Reunião, Gana, Líbia e Marrocos.
Sendo que a tabela 2 complementa a visibilidade daquele continente para as seguintes nações: Maurício, Mauritânia, Moçambique, Nigéria, Quênia, República da África do Sul, Ruanda, Senegal, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Uganda, Tunísia e Zâmbia.

A tabela 3 apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para as seguintes nações localizadas na América Central e região do Caribe: Barbados, Cayman (Ilhas), Costa Rica, Cuba, República Dominicana, Honduras, Jamaica, Nicarágua, São Cristóvão e Nevís, Trinidad e Tobago.

A tabela 4 apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para as seguintes nações localizadas na América do Norte: Bermudas (Ilhas), Canadá e Estados Unidos.

A tabela 5 apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para as seguintes nações localizadas na América do Sul: Brasil, Colômbia, Equador e Venezuela.

A tabela 6 apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para as seguintes nações localizadas na Ásia: Irã, Iraque, Israel, Kuwait, Omã, Arábia Saudita e Iêmen.

A tabela 7 apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para as seguintes nações localizadas na Europa: Azerbaijão, Albânia, Andorra, Chipre, Espanha, França, Geórgia e Grécia.

Sendo que a tabela 8 complementa a visibilidade na região européia nas seguintes nações: Itália, Malta, Portugal e Turquia. 

III - O Eclipse no Brasil

Dentro do limite sul do seu cone de sombra, a faixa de visibilidade deste eclipse adentrará o território brasileiro próximo ao Monte Caburaí na Serra do Navio (RR) e na região conhecida como "Cabeça do Cachorro" no extremo noroeste do Brasil, estado do Amazonas, em região de fronteira com a Colômbia (figura 3).
Assim sendo as tabelas abaixo, apresentam às circunstâncias locais do 1º contato, instante máximo e último contato para as regiões norte (tabela 9), nordeste (tabela 10), centro oeste (tabela 11) e extremo norte do estado de Minas Gerais (tabela 12).

O maior percentual de disco solar encoberto dar-se-á na Ilha de Fernando de Noronha - PE no litoral do nordeste brasileiro conforme vislumbrado na tabela 10, onde o disco solar estará numa altura de 059.9° de altura em relação ao horizonte e com 114° de azimute (figura 4).

IV - Conclusão

A ocorrência deste eclipse certamente deixará o pessoal do “Grupo de Astronomia Noronha nas Estrelas” (http://noronhanasestrelasblog.blogspot.com.br/) e também da ANRA - Associação Norte-riograndense de Astronomia (http://www.anra.com.br) numa situação privilegiada dentro no que concerne a América do Sul e certamente eles darão razão ao astrônomo norte-americano, o conhecido “caçador de eclipses” Jay Myron Pasachoff quando compara a diferença entre observar um eclipse solar parcial e um total, à sensação é de assistirmos uma ópera ou ficar do lado de fora do teatro; não devemos pensar que Pasachoff está exagerando, entretanto o registro científico de qualquer evento astronômico, quando compartilhado é extremamente gratificante, visto que além de observador, passamos também a condição de participantes do fenômeno.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

-  Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.11 (David Herald - IOTA) - acesso em 27/11/2012.



- http://noronhanasestrelasblog.blogspot.com.br/ - Acesso em 06 outubro 2013.

- http://www.anra.com.br/ - Acesso em 31 outubro 2013.

C/2012 S1 ISON

Alexandre Amorim
costeira1@yahoo.com
REA/Brasil - NEOA – JBS

Descoberto pela equipe do Observatório ISON (International Scientific Optical Network - Kislovodsk, Rússia) em 21 de setembro de 2012. Segundo os elementos orbitais provisórios disponíveis na MPEC 2012-S63 e atualizados na MPEC  2013-A85, este cometa alcançaria magnitude negativa (-13) em 28 de novembro de 2013. Porém os elementos divulgados na MPC 83520 apontavam um novo cenário em que o brilho máximo previsto pode ser entre -8 e -9.

Por sua vez, a análise com base nas observações visuais feitas no Brasil indica que o brilho máximo não deve passar da magnitude -1, embora Seichii Yoshida indique que cometa possa ser tão brilhante quanto Vênus (magnitude -4) durante a passagem periélica. A análise de Ignacio Ferrín indica que, se o cometa não se desintegrar, seu máximo brilho não deve passar da 4ª magnitude durante o periélio.

Nos dias 24 e 25 de novembro de 2013 haverá uma conjunção envolvendo este cometa e o periódico 2P/Encke. A separação aparente entre os dois cometas será em torno de 2 graus. Embora o C/2012 S1 esteja provavelmente na 3ª magnitude, o Cometa 2P/Encke estará na 5ª magnitude.

O periélio ocorre no dia 28 de novembro quando o cometa deve passar apenas 0,012 UA do Sol (1,8 milhão de quilômetros).
Às 18:00 TU o cometa deve atingir seu máximo brilho, mas apenas 0,6 graus de elongação.  Talvez o por do Sol de 28 de novembro de 2013 apresente a cauda do cometa.

Informamos que temos um cometa atualmente mais brilhante do que o Cometa ISON disponível de madrugada e observável no Brasil durante este mês de novembro. Trata-se do Cometa C/2013 R1 Lovejoy e as observações visuais feitas no Brasil durante a última semana de outubro colocam o brilho do cometa em torno da 7ª magnitude e a tendência é que seu brilho ainda aumente durante o presente mês.

Mais informações no website: http://www.rea-brasil.org/cometas/13r1.htm

Fusos Horários no Brasil, uma nova atualização!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Desde a criação dos fusos horários no Brasil através do decreto de Pedro de Toledo em 1913, ele já sofreu algumas modificações que não será o nosso objetivo retomar; entretanto, tornar-se necessário disseminar que o Brasil, a contar do próximo dia 10 de novembro, terá novamente o fuso horário (UTC - 5 horas) que já existia até 2008 quando então, foi modificado com a finalidade de atender programas televisivos exibidos em rede nacional.

Entretanto desde essa mudança o fuso horário causou polêmica e em 2010, a vontade popular (através de referendo) realizado no estado do Acre que visou consultar a população sobre essa alteração, apontou que 56,8% dos eleitores optaram pelo retorno do antigo horário, que tornar-se novamente em vigor após a publicação no Diário Oficial da União desta última quinta-feira (31/10/2013) conforme apresentado na figura 1.  


Vale lembrar que o Observatório Nacional vem realizando a disseminação da hora desde 1850, até mesmo porque naquele início de século XX, o Brasil possuía um único fuso horário, mas essa situação foi alterada até que em 5 de novembro de 1913 foi pela primeira vez dividido o território brasileiro em quatro fusos horários, adotando-se por base o Meridiano de Greenwich como referência.

Como o Brasil possui uma grande extensão territorial no sentido leste (Ponta dos Seixas - Cabo Branco,PB Lat. -07°09'28"S / Long. 34°47'30"W) Oeste (Nascente do rio Moa na Serra de Contamana. Acre na fronteira com o Peru, Lat. 07°33'13"S / Long. 73°59'32"W), somente na parte continental, mas acrescenta-se -2 horas (UTC -2 horas) em relação Greenwich para as ilhas oceânicas de Fernando de Noronha, Martin Vaz e Trindade e o Arquipelago de São Pedro e São Paulo, fica patente a necessidade de se possuir os fusos de -03:00 horas (UTC - 03:00), -04:00 (UTC - 04:00) e novamente, o fuso horário de -05:00 englobando todo o estado do Acre e parte do Amazonas localizado na região do município de Tabatinga (figura 2). 


Desde a mudança ocorrida a 3 anos, o fuso horário causou polêmica e em 2010, assim foi realizado um referendo foi realizado no Acre para consultar a população sobre a alteração. O resultado das urnas mostrou que 56,8% dos eleitores optaram pelo retorno do antigo horário. Até 1913, o Brasil possuía apenas um único fuso horário, então houve a sanção da Lei 2.784, pelo presidente Hermes da Fonseca. A lei dividiu o território nacional em quatro fusos tendo por base o Meridiano de Greenwich como referência.

Sempre vale lembrar que aquela região não participa do horário brasileiro de verão (BRST - Brazilian Summer Time) que já encontra-se em vigor cuja data de término prevista é 16 de fevereiro de 2014.  

Referências: