domingo, 1 de dezembro de 2013

O céu do mês – Dezembro 2013

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Macte animo generose puer sic itur ad astra! (Coragem, pois é assim que se chega aos astros), pois os observadores do céu ainda terão bastante trabalho observacional a realizar antes da finalização deste ano; que o diga o C/2012 S1 ISON em seu periélio nestes últimos dias. Como ele está agora? Qual é o futuro celeste deste cometa cujas magnitudes propiciaram capturas fotografias nos primeiros instantes do dia? Não deixe de acompanhar esse incrível cometa. Novamente o gigante gasoso Júpiter será um dos principais astros que acompanhará por quase toda a noite nossas jornadas observacionais; muito embora as ocorrências de ocultações do planeta Saturno ao início e ao término deste mês, somente serão visíveis nas regiões austrais do planeta.  A lua novamente proporcionará aos observadores de ocultações lunares as possibilidades de registros de Rho Sagittari (mag. 3.9) em 05/12; Dabih Major (mag. 3.1) em 06/12 e Ain (mag. 3.5) na noite de 15 para 16 de dezembro. Também a estrela lambda Geminorum (mag. 3.6) em 19/12 poderá ser registrada, sendo que as brilhantes Spica (mag. 1.0) em 27/12 e Zubenelgenubi (alpha Lib) de magnitude 2.8 em 28/12 finalizarão essa janela observacional neste período. Não nos esqueçamos que também que o solstício marcará o início do verão no hemisfério sul.  É também digno de menção que, encontrar-se-á disponível para download gratuito o “Almanaque Astronômico Brasileiro – 2014 (http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2014.pdf)”, uma ferramenta extremamente valiosa que poderá ser utilizada livremente para balizar o planejamento observacional dos observadores. Como a finalização de um ciclo e bastante importante para o mundo moderno, talvez seja oportuno novamente buscar a genialidade do astrônomo francês Niçolas-Louis La Caille, (15/05/1713 – 21/03/1762) que buscou nas ciências e artes já no início da segunda metade do século XVIII, um forno químico, introduzindo em sua catalogação a constelação Fornax. Eu creio que muitos observadores apreciarão conhecer mais detalhadamente essa constelação.

As ocultações de estrelas brilhantes pela Lua neste Mês

Rho Sagittarii.

Em 05 de dezembro, a Lua +10% iluminada e com a elongação solar de 36°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9. Esse evento poderá ser observado numa grande extensão da Europa Oriental e Ásia Central de acordo com o mapa apresentado na figura 2. 

Dabih Major (beta Capricorni).

Em 06 de dezembro, a Lua +18% iluminada e com a elongação solar de 90°, ocultará a estrela Dabih Major (beta Capricorni). Esse evento poderá ser observado na Ásia Ocidental e Oriente Médio de acordo com o mapa apresentado na figura 3.

Ain (epsilon Tauri).

Em 15 de dezembro, a Lua + 98% iluminada e com uma elongação de 164°, ocultará a estrela Ain (epsilon Tauri) de magnitude 3.5. Esse evento poderá ser observado da África e do continente sul americano. Veja maiores informações em sobre as circunstâncias de visibilidade nas diversas regiões em: http://skyandobservers.blogspot.com.br/2013/12/a-ocultacao-de-ain-pela-lua-em-1516-de.html

Lambda Geminorum.

Em 19 de novembro, a Lua -96% iluminada e com a elongação solar de 158°, ocultará a estrela Lambda Geminorum. Esse evento poderá ser observado no norte do Canadá, Alaska e noroeste da Ásia de acordo com o mapa apresentado na figura 4.

Spica (alfa Virginis)

Em 27 de dezembro, a Lua -34% iluminada e com a elongação solar de 71°, ocultará a estrela Spica de magnitude 1.0. Esse evento poderá ser observado em uma grande extensão da Península Escandinava e nordeste da Ásia de acordo com o mapa apresentado na figura 5 (abaixo).

Zubenelgenubi (alfa Librae)

Em 28 de dezembro, a Lua -19% iluminada e com a elongação solar de 52°, ocultará a estrela Zubenelgenubi (alpha Librae) de magnitude 2.8. Esse evento terá uma boa visibilidade nas ilhas americanas do Hawaii no oceano Pacífico de acordo com o mapa apresentado na figura 6 (abaixo).

Planetas!

Mercúrio = Este planeta encontra-se na constelação de Libra até o dia 06 próximo, quando então de 07 até 10/12 estará cruzando a constelação de Escorpião, chegando então á constelação de Ophiuchus permanecendo ali até o dia 22. Já em 23 de dezembro, ingressa na constelação de Sagittarius permanecendo ali até 11 de janeiro.  Já na segunda quinzena deste mês com suas observações praticamente impossibilitadas, em 21 de dezembro ele estará no afélio quando sua distância ao Sol chegará a 0.46670 ua. Em 29 de dezembro então ele estará em sua conjunção superior encontrando-se a 1.7° do Sol.

Vênus = Neste mês o planeta Vênus começará a despedir-se do céu vespertino, entretanto a magnitude de -4.8 que ele já se encontra desde o dia 25 do último mês, então o seu brilho fará com que ele seja o 3° objeto mais brilhante do céu, sendo possível observar através de telescópios acima de 150mm de abertura ótica a diminuição gradativa de sua fase. 

Lua = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal (UT = - 03:00h,  fuso horário de Brasília) de acordo com a figura 7:

A ocorrência das apsides (Perigeu e Apogeu) lunares dar-se-á neste mês na seguinte seqüência: Perigeu em 04/12 às 10:16 (UT), quando a Lua chegará a distância de 360.063 km do centro da Terra, e seu Apogeu em 19/12 às 23:50 (UT), quando a Lua estará a 406.267  do centro de nosso planeta.

Marte = O planeta Marte se encontra na constelação de Virgo desde o dia 25 último. Mas na da medida em que suas elongações ganham aumento e sua magnitude vai começando a despertar a atenção dos observadores que esperam boas janelas observacionais nesta próxima oposição. Em 21 de dezembro sua magnitude já tornar-se-á menor que 1.0 chegando ao último dia deste mês com 0.8.

Júpiter = Júpiter estará roubando a cena celeste neste mês, da mesma forma que Vênus o fez no último bimestre. Suas magnitudes aliadas ao aumento constante de seu diâmetro, são os responsáveis por essa atenção uma vez que muito próximos de sua oposição a correr em 05 de janeiro, ele propiciará ainda neste período uma ocasião bastante promissora a observação de suas faixas equatoriais. Mas a Grande Mancha Vermelha, uma das características visíveis na atmosfera de Júpiter e conhecidas dos astrônomos, cujas primeiras observações datam do século XVII. Suas elongações serão de 139.3° em 01/12, com uma magnitude estimada em -2.5, chegando então ao último dia do ano deste ano com magnitude de -2.6 e elongação já de 173.2°. Com certeza a constelação de Gemini é o cenário ideal para as observações em torno desse gigante gasoso. 

Novamente a tabela 2 abaixo, informa as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos.

Saturno = Passada a conjunção com o Sol que ocorreu novembro último, lentamente o planeta Saturno está aumentando sua elongação, mas ainda estaremos impossibilitados de buscar uma observação mais efetiva do disco desse planeta e seus anéis respectivamente, a não ser que estejamos apontando nossos telescópios para a linha do nascer. Suas elongações para esse período são: 01/12 = 21.9° de elongação; 15/12 = 34.5° de elongação e 31/12 = 49.2°; já a magnitude para todo esse período e estimada em 1.3 quando podemos visualizar na constelação de Libra.
  
Urano = Urano está visível na primeira parte da noite e este mês seu movimento orbital fará com que seu disco planetário seja localizado na constelação de Pisces até o dia 12 de dezembro; em 13 de dezembro estando com as coordenadas: AR: 00h 31m 57.81s e DECL: +02° 41 22.1” (J2000.0) ele adentra os limites da constelação de Cetus; Ele ainda em 15/12 atinge a sua declinação máxima sul, sendo que já em 17/12 encontrar-se-á estacionário obtendo movimento orbital prógrado em relação a eclíptica, retornando a constelação de Pisces em 20/12. Suas elongações e magnitudes para este período são: 01/12 = 119.7° e magnitude 5.7 e 31/12 = 89.2° e magnitude 5.8, os reportes de observadores afastados dos grandes centros urbanos (e consequentemente) longe da forte influência da poluição luminosa, faz do planeta Urano um alvo fácil até para binóculos 7 x 50mm.

Netuno = Ainda é possível observar Netuno após a finalização de toda a fase crepuscular vespertina. Muito embora suas elongações estejam diminuindo gradativamente pode ser localizado na constelação de Aquarius com a magnitude 7.9. Suas elongações para esse período são: 83.7° em 01/12 e 53.7° em 31/12.  

Ceres, Vesta e Plutão = As elongações do planeta anão (1) Ceres já possibilitam as tentativas observacionais, pois sua magnitude (estimada em 8.5 em 31/12) já deixa dentro do limite observacional de instrumentos de pequeno e médio porte; então ele então poderá ser buscando na constelação de Virgo; entretanto a surpresa naquela área do céu é o brilhante asteroide (4) Vesta, que em 24/12 estará com magnitude de 7.8 também na constelação de Virgo e muito próximos no campo na região onde encontraremos (1) Ceres. Entretanto (134340) Plutão estará muito próximo ao Sol. 

Asteroides = Diante das informações sobre o asteroide (4) Vesta acima citadas, é importante mencionar também a facilidade de observações de (2) Pallas com magnitude 8.4 na constelação da Hydra neste período; mas chamo a atenção para a ocultação do asteroide (51) Nemausa de 166 km em 30 de dezembro, quando ocorrerá a ocultação da estrela 2UCAC 33898884, de magnitude 12,4 na constelação de Monoceros propícia para os observadores localizados ao longo de uma estreita faixa apresentada na figura 8.

CONSTELAÇÃO:

Fornax

A genialidade do astrônomo francês Niçolas-Louis La Caille, em buscar nas ciências e nas artes uma interpretação para as constelações da esfera celeste o levou a introduzir o forno químico. Fornax irá mostrar de forma significativa o quanto essa analogia e correta. Localizada entre as constelações Sculptor e Eridanus, contém estrelas de pouca magnitude, sendo alfa Fornacis (mag. 3.8 e tipo espectral F8V) um par binário, medida pela primeira vez por John Herschel em 1835. Enquanto isso beta Fornacis, terá somente a magnitude de 4.4 e Nu Fornacis a magnitude de 4.6 e tipo espectral B9.5 conforme podemos visualizar pela figura 9.

O Aglomerado de Galáxias Fornax

Uma das melhores surpresas existentes nesta constelação, talvez sejam os objetos localizados por um retângulo verde na figura 9 acima. Este é um compacto grupo de 18 galáxias, localizadas na fronteira das constelações de Eridanus e Fornax (figura 10 e tabela 3) próximo as coordenadas 3h 37m, -35° 30m (J.2000.0). Se fizer o emprego de uma ocular um campo em 1° centrado nesta posição (assinalado no desenho por um círculo vermelho da figura 9, expandido na figura 10), será possível observar nove galáxias de uma só vez (figura 11). Estas nove galáxias estão destacadas em negrito na lista de objetos abaixo listados na tabela 3, mas vale lembrar que os NGC 1386, 1389 e 1437 aqui inseridos já se encontram no interior da constelação de Eridanus:

A galáxia mais brilhante do grupo Fornax, A NGC 1316 é um objeto de magnitude 8.5, que parece ser uma elíptica ou galáxia S0, embora esteja listado no Catálogo Shapley - Ames como uma espiral de classificação incerta.


No “Atlas of Southern Galaxies” (Atlas de Galáxias Austrais) (Córdoba, 1968) NGC 1316 é referida como “um objeto esferoidal de distribuição suave e brilho de elipticidade E2.5. Uma cadeia de glóbulos escuros simetricamente alinhados com o respectivo núcleo produz uma absorção menor que 0.05 magnitude da magnitude total fotográfica, cujo valor revisto é 9,56. O diâmetro máximo destas nuvens de material turvo é 10" de arco. Usando técnicas fotográficas especiais, H. Arp detectou extensões fracas deste objeto, cuja estrutura está relacionada com a distribuição de rádio... "As observações dão um módulo à distância em cerca de 31 magnitudes para a Galáxia, correspondente a uma distância de 17 megaparsecs ou cerca de 55 milhões anos-luz. A galáxia companheira, NGC 1317, situada 6' para o norte, é uma espiral bastante cerrada com um centro muito luminoso, é muito provavelmente um pouco mais distante do que NGC 1316.

A segunda em brilho no Aglomerado Fornax é um sistema praticamente esférico NGC 1399, a galáxia E0 de magnitude 9.6, com um pequeno núcleo brilhante. A mais fraca elíptica NGC 1404 encontra-se no mesmo campo, 8’  para o sul.

Terceira em brilho no grupo é a maravilhosa espiral barrada NGC 1365, provavelmente o melhor objeto de seu tipo no céu do sul. A barra central brilhante, medindo cerca de 31’ de comprimento, tem uma extensão real de cerca de 45.000 anos-luz, enquanto as longas e tênues curvas dos braços espirais varrem para distâncias ainda maiores em ambas as extremidades da barra. Com uma calculada magnitude absoluta de cerca de -20, esta é uma das mais luminosas de todas as espirais barradas conhecidas, uma supernova foi registrada no sistema em 1957 (Média do Red-shift do Aglomerado de Galáxias Fornax = 1.738 quilômetros por segundo).

O Sistema Fornax

Além dos membros do Aglomerado de Galáxias Fornax, a constelação também contém uma galáxia muito peculiar chamada de "Sistema de Fornax", um exemplo de aberração de galáxia do tipo que pode realmente ser bastante comum no Universo, mas quase impossível para detectar a distâncias além do Grupo local. Outro objeto semelhante foi descoberto em Escultor, e é chamado de "Sistema Escultor", ambos foram descobertos em Harvard em 1938.

Esses objetos são enxames esféricos de estrelas muito fracas, que se assemelham aos nossos próprios aglomerados globulares, exceto pela grande diferença de tamanho, brilho e densidade. O Sistema de Fornax, por exemplo, é cerca de 50 vezes o tamanho do maior aglomerado globular, mas ainda está muito além do alcance de qualquer telescópio amador por causa de sua baixíssima densidade e estrutura aberta. Mesmo com instrumentos poderosos isto foi detectado pela primeira vez como um mero ponto nebuloso no negativo, assemelhando-se uma imperfeição na placa ao invés da verdadeira imagem de um objeto celestial real. As estrelas individualmente mais brilhantes eram apenas de 19ª magnitude! O contorno do sistema é eclíptico, orientado NE-SW, com um diâmetro maior em cerca de um grau. A distribuição das estrelas é muito uniforme, sem condensação nuclear e nebulosidade. Cinco fracos aglomerados globulares, no entanto, parecem ser os membros do sistema.

A mais brilhante delas é NGC 1049, com uma magnitude visual aparente de 8.1 e dimensões:  17.0'x 12.0' é o objeto mais brilhante no centro da figura 9. Os outros quatro objetos globulares do Sistema de Fornax têm magnitudes aparentes de 13,7, 13,9, 14,1 e 16,6. Um estudo destes aglomerados leva a uma grande distância da espiral M31 Andrômeda seu grupo de cinco aglomerados globulares pode ser detectada, mas a própria Galáxia não seria visto no todo!

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2013, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2012, 100P.

- __________ - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.


- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0,  pp. 2138 – Inc. New York – USA, 1978.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 19/02/2013.

- http://www.lunar-occultations.com/iota/bstar/bstar.htm - Acesso em 08 outubro 2013.

- http://www.asteroidoccultation.com/ - Acesso em 14 outubro 2013.

- http://www.cbat.eps.harvard.edu/iauc/03400/03480.html - Acesso em 19 Agosto 2013.
- Dunham, E.W. et al. “Results from the Occultation of 14 Piscium by (51) Nemausa”, Astronomical Journal 89: 1755-1758, 1984.



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