sábado, 1 de fevereiro de 2014

O céu do mês – Fevereiro 2014

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

As maiores surpresas que ocorrerão na esfera celeste neste mês, sem dúvidas ficarão por conta dos planetas brilhantes, Vênus, Júpiter, Saturno e Marte e também da Lua que proporcionará interessantes ocultações. Muito embora no próximo dia 04 o disco do planeta Mercúrio esteja 2.5° separado do centro do disco do planeta Netuno, mas as magnitudes não ajudarão muito nessa conjunção vespertina. Este também será o mesmo caso se dará com Vênus no dia seguinte (05/02), visto que 4.3° separado de Plutão estarão em conjunção matutina embora Vênus já se apresente como um farol iluminando o céu antes do nascer do Sol. A Lua ocultará as estrelas Hyadum II (mag. 3.8) em 08/02, lambda Geminorum (mag. 3.6) em 11/02, omicron Leonis (3.5) em 14/02, Zubenelgenubi (mag 2.8) em 21/02, Rho Sagittari (mag. 3.9) em 25/01 e Dabih Major (mag. 3.1) em 26/02. Saturno e Vênus por sua vez serão ocultados pelo disco lunar em 21/02 e 25/02, quando diversas nações do continente africano e oceano índico acompanharão e esses eventos. Júpiter (na constelação de Gemini) e Marte (na constelação de Virgo) estarão dividindo as atenções dos observadores na fase noturna. A descoberta do Cometa C/2014 A4 (SONEAR) em 11/12 de janeiro último deixa a real expectativa de que outras pesquisas importantes serão realizadas; de igual forma o amigo Alexandre Amorim apresenta num post da Secção de Cometas/REA as descobertas de cometas por observadores brasileiros e Nelson Travnik, narra o reencontro com o Professor Ronaldo Mourão no Rio de Janeiro ocorrido também neste último mês. Todos os tópicos acima mencionados fará com que novamente mencione épica história narrada por Apolônio de Rhodes sobre Jasão e os Argonautas, sem dúvidas é uma das mais fantásticas jornadas que abastece a mitologia grega em torno de seu enredo grandioso e dramático enredo. Não sem um senso prático cabe a eles soltarem uma pomba para verificar a possibilidade de cruzar os recifes móveis azuis, com objetivo de dar continuidade a sua jornada. De igual forma, parecendo voar para a esfera celeste, será Columba a constelação escolhida para ilustrar o post deste mês. Estejamos a bordo!   

As ocultações de estrelas pela Lua neste Mês

Hyadum II (delta 1 Tauri) 

Em 08 de fevereiro, a Lua +65% iluminada e com a elongação solar de 108°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado no extremo norte da América do Norte (Canadá) e norte da Ásia (Rússia), acordo com a figura 2a, apresentada no quadro 1. 

lambda Geminorum.

Em 11 de fevereiro, a Lua +99% iluminada e com a elongação solar de 171°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado no norte da Ásia (Rússia) e também no Canadá e Estados Unidos, na América do Norte de acordo com a figura 2b, apresentada no quadro 1.

Subra (omicron Leonis).

Em 14 de fevereiro, a Lua +100% iluminada e com uma elongação solar de 176°, ocultará a estrela omicron Leonis de magnitude 3.5 tipo espectral F6II+A1-5V. Esse evento poderá ser observado da África do Sul de acordo com a figura 2c, apresentada no quadro 1 e instantes calculados para as localidades mencionadas na tabela 2 abaixo:

Zubenelgenubi (alfa Librae)

Em 21 de fevereiro, a Lua -65% iluminada e com a elongação solar de 107°, ocultará a estrela Zubenelgenubi (alfa Librae) de magnitude 2.8 e tipo espectral A3IV. Esse evento poderá ser observado na América do Norte (Canadá e Groenlândia) de acordo a figura 2d, apresentada no quadro 1.

Rho Sagittarii.

Em 25 de fevereiro, a Lua -16% iluminada e com a elongação solar de 47°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado na Ásia de acordo com a figura 2e, apresentada no quadro 1.

Dabih Major (beta Capricorni).

Em 26 de fevereiro, a Lua -9% iluminada e com a elongação solar de 34°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado no pacífico norte e sudeste da Ásia de acordo com a figura 2f, apresentada no quadro 1. 

A ocultação de Saturno em 21 de fevereiro

Em 21 de fevereiro, a Lua -59% iluminada e com uma elongação solar de 100°, ocultará o gigantesco planeta Saturno cuja magnitude estará estimada em 0.5 (Figura 3). Este evento poderá ser observado de forma diurna na Oceania (abrangendo Nova Zelândia e Austrália); uma vez no sul do oceano índico o evento poderá ser acompanhado na fase do crepúsculo vespertino, chegando até a costa sul da África oriental já no período noturno na parte insular, abrangendo as Ilhas Reunião, Madagascar, Comores, Seychelles e Vitória e no continente os territórios do Quênia, Moçambique e Tanzânia.

A ocultação de Vênus 26 de fevereiro

Em 26 de fevereiro, a Lua -14% iluminada e com uma elongação solar de 44°, ocultará o brilhante disco do planeta Vênus cuja magnitude estará estimada em -4.8 (Figura 4). Este evento poderá ser observado de forma diurna no Centro, sul e sudeste da Ásia, bem como ainda o sul do oriente médio (abrangendo a China, Butão, Nepal, Índia, Sri Lanka, Bangladesh, Miamar, Tailândia, Taiwan, Laos, Vietnã, Laos, Paquistão, Omã, e o Iêmem). Uma vez no interior do continente africano (na porção oriental), o evento poderá ser acompanhado na fase do crepúsculo vespertino, chegando até a costa do oceano Atlântico já no período noturno, abrangendo Angola, Benin, Burkina Fasso, Gana, Quênia, Mauritânia, Niger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Uganda e Zâmbia.

Planetas!

Mercúrio = Já no início deste mês a magnitude do planeta Mercúrio já estará estimada em -0.5 e sua elongação ainda vespertina em 18.3°E; entretanto neste primeiro dia ele ainda terá sua fase de dicotomia, sendo que já em 03/02 ocorre também seu periélio (distância ao Sol  0.3075 ua). Devido ao seu rápido movimento ele já encontrar-se-á com a elongação em 10.3°E. A sua conjunção inferior ocorre em 15/02, quando então o disco do planeta estará separado do Sol 3.7°, seu perigeo ocorrerá em 18/02 aí sim estando afastado da Terra 0.640165 ua. Ao fim do mês Mercúrio já e visível no horizonte leste antes do nascer do Sol, com sua elongação de 21.2°W.

Vênus = A visão matutina do planeta Vênus chamará bastante a atenção até mesmo dos ocasionais observadores, visto que já suas elongações aumentam e já em 11/02 próximo, ele chegará ao seu máximo brilho neste período, quando então sua magnitude para este período estará estimada em -4.8. O planeta continua na constelação de Sagitário, sendo que no último dia deste mês sua elongação já esteja estimada em 44.2°W, muito embora seu brilho sofra uma pequena diminuição. Como acima mencionado, a ocultação de Vênus pelo disco lunar dia 26 próximo é uma oportunidade imperdível para os observadores que estejam naquela região de visibilidade.

Lua = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 5:

A ocorrência das apsides (Perigeu e Apogeu) lunares dar-se-á neste mês na seguinte seqüência: Apogeu em 12/02 às 05:11 (UT); Lua estará a 406.231  do centro de nosso planeta e Perigeu em 27/02 ocorrendo às 19:53 (UT), quando a Lua então estará somente 360.438 km do centro da Terra.

Marte = A conjunção de Marte com a brilhante estrela Spica (alfa Virginis, mag. 1.06), na madrugada do próximo dia 04/02, farão com que esse par chame a atenção dos observadores do céu, pois ele estará 4.6°N dessa estrela e com a magnitude estimada em 0.2. Na medida em que suas elongações vão aumentando neste mês suas magnitudes também aumentam; mas elas ficarão ainda maiores já no dia 12/02, quando então estarão estimadas em -0.0. Já no dia seguinte, seu diâmetro aparente também terá um aumento maior que 10 segundos de arco. Dia 15 próximo, marcará ainda este planeta o início do Verão no hemisfério norte marciano. 

Júpiter = Após essa última oposição o diâmetro aparente do disco joviano então começa gradativamente a diminuir, embora essa natural situação ocorra, a conseqüência será também o decréscimo de suas respectivas magnitudes para esse período; então Júpiter que iniciará este mês com a magnitude estimada em -2.6, estará em 15/02 com -2.5 e -2.4 no último dia de fevereiro. Mas mesmo assim é uma excepcional ocasião para o registro de seus cinturões equatoriais e também da GMV (Grande Mancha Vermelha, do inglês: Great Red Spot). Em 11/02 próximo, Júpiter formará um par muito bonito com o disco lunar, quando então ele estará separado 4.9°N da Lua, em meio as brilhantes estrelas Castor (mag. 1.5), Pollux (mag. 1.2), Alhena (mag. 2.0) e Mebsuta (mag. 3.0) da constelação de Gemini.  

Novamente a tabela 3 abaixo, informa as respectivas magnitudes para o início, meio e término do mês às 00:00 (TU) dos satélites galileanos. 

Saturno = As madrugadas deste período, continuam sendo a melhor opção para os observadores que apreciam (aqui pessoalmente faço a minha inclusão) dar uma boa olhada no planeta Saturno. Como acima mencionado, a ocultação de Saturno pelo disco lunar dia 21 próximo é uma oportunidade imperdível para os observadores que estejam naquela região de visibilidade. Cabe ainda mencionar que embora os seus principais satélites também sejam ocultos pelo disco lunar nessa oportunidade, a tendência e que eles fiquem despercebidos no campo da ocular de nossos telescópios devido ao intenso brilho da Lua naquele momento. 

Urano = Ainda é possível realizamos alguma observação do planeta Urano que então nesta época, transita entre as estrelas da constelação de Pisces. Sua magnitude agora estimada em 5.9 ainda ficará no alcance de nossos binóculos. As elongações para o período são: 01/02, 57.4°E; 15/02, 43.81° E (e importante mencionar que embora, a elongação continue diminuindo dia após dia, sua magnitude ainda permanece a mesma); já em 28/02 com 31,3° E. 

Netuno = A proximidade do disco do planeta Netuno com o Sol, tornará as chances observacionais impossíveis, mas isso ocorrerá somente em 23/02. No dia seguinte ainda, estará esse planeta no apogeu, fazendo com que sua distância a Terra seja estimada em 30.967260 u.a.; a magnitude também sofre um decréscimo chegando a 8.0. Como mencionai anteriormente, as estrelas sigma Aqr (mag. 4.8), 42 Aqr (5.3) e 45 Aqr (5.9), são continuamente uma excepcional referência para localizar o disco deste planeta em meio a constelação de Aquarius. Reitero ainda a recomendação anterior para utilizar nestas buscas telescópios e lunetas acima de 120mm de abertura ótica com uma ampliação de 150 vezes.

Ceres e Plutão = As condições de observação do planeta anão (1) Ceres estão melhorando agora sensivelmente, visto ao aumento de suas elongações e também da diminuição de sua distância a Terra, sendo 2.194617 u.a. em 01/02 e 1.890389 u.a. no dia 28/02, para o período suas magnitudes são: 01/02 estimada em 8.2, 15/02 estimada em 8.0 e 28/02 estimada em 7.8, respectivamente.  O (134340) Plutão esta lentamente aumentando sua elongação após a conjunção com o Sol ocorrida no mês anterior, entretanto sua magnitude (14.2) o torna um objeto fora do alcance de nossos pequenos telescópios, entretanto sendo acessível a equipamentos de médio e grande porte.

Asteróides = Além das oposições mencionadas nos demais post, que acompanham nossa jornada este mês; sem surpresas (2) Pallas e o asteroide cuja oposição é aguardada para 22/02, quando então estará com uma elongação de 156.3°, magnitude 7.0 e numa distância a Terra de 1.231288 u.a., na constelação de Hydra. Não obstante em 21 de fevereiro próximo, ocorrerá  a ocultação da estrela TYC 5482-00940-1 (AR: 09 47 37.6881 e Dec: -12 04 07.306) de magnitude 9.4 também naquela constelação, por esse brilhante asteroide (figura 6). 

A importância destes tipos de registros e reportes realizados, prende-se ao fato que interferometrias pontuais realizadas em 1983, indicaram a presença de um grande satélite. Em 1926, Van den Bos e Finsen relataram num avistamento visual que (2) Pallas era duplo. Não há evidência de ocultações secundárias foram obtidas na época das ocultações primárias de estrelas em 29 de maio de 1978 e em 29 de Maio de 1983. Ambos os eventos foram bem observados.

CONSTELAÇÃO:

Columba

Embora num primeiro momento Columba possa parecer uma constelação com poucos atrativos; veremos que será somente uma falsa impressão e não condiz com a realidade; talvez quem saiba, possa essa constelação revelar mais alguma outra particularidade que ainda não percebemos. Ao observamos o contorno celeste de uma pomba (aves columbiformes), ficará fácil imaginar a seguinte descrição: Phakt (alfa Columbae), uma estrela azul de magnitude 2.6 e classe espectral B7IVe a cabeça desta ave que com epsilon Col, uma gigante alaranjada de magnitude 3.8, apresenta de nossa perspectiva um dos olhos desta ave celeste; essa estrela é muito semelhante a eta Col de magnitude 3.9 e tipo espectral K0III que em nossa descrição, contribuirá para a composição da ponta de uma de suas asas. No peito dessa ave podemos considerar Wezn (beta Columbae), uma gigante amarela de magnitude 3.1 e igualmente outra gigante amarela delta Col de magnitude visual 3.8 e classe espectral G7II; que ainda nessa descrição, ocupará a ponta da outra asa. Finalizará ainda nossa descrição no prolongamento de sua asa, Gamma Col uma estrela azul de magnitude 4.3 e tipo espectral B2.5IV e Kappa Col, sendo essa estrela uma gigante amarela tipo espectral G9IIIb com magnitude  também estimada em 4.3. 

NGC 1792, 1808 e o Aglomerado Globular 1851 

Embora sejam ambas as galáxias (NGC 1792 e NGC 1808) consideradas excepcionais quando apreciamos as fotografias realizadas por telescópios da classe 3 metros ou acima, elas ficam praticamente fora do alcance de telescópios de pequeno porte; mas se você conseguir estar longe da poluição luminosa (ou de algum grande centro urbano), aliado ainda à oportunidade em que o disco lunar não esteja acima do horizonte, bem como também se você dispuser de um telescópio de 300mm ou acima, (após a importante adaptação da visão humana a escuridão local), a visão dessas galáxias podem causar surpresa. A NGC 1792 apesar da magnitude 10.2, será visível apenas como uma oval brilhante no núcleo. Isto é devido à distribuição desigual de poeira ao longo do disco desta galáxia. Igual situação ocorre com a NGC 1808, também bastante apagada. A emissão de rádio oriunda dessa galáxia é produzida por restos de supernovas; dentre elas a SN 1993af descoberta em novembro de 1993 por uma equipe de astrônomos no Cerro Tololo Interamerican Observatory

O aspecto quase estelar do Aglomerado Globular NGC 1851, aliado também a sua magnitude visual estimada em 7.3, fará com que os observadores iniciem sua identificação junto as estrelas dessa constelação utilizando um bom binóculo (as condições ideais são idênticas as acima mencionadas, com relação à poluição luminosa e adaptação da nossa visão a escuridão local), mas logo ficará explícito que o emprego de telescópios de abertura acima de 140mm sejam logo empregados, evidenciando suas pequenas dimensões. A idéia é que neste aglomerado existam duas populações estelares, o que indica que estes grupos tem tido uma história de formação complicada, como a semelhança do NGC 5139 (Omega Centauri).

A fugitiva “Mu Columbae”

Mu Columbae é uma estrela de magnitude 5.1 e tipo espectral 09.5V, suas respectivas coordenadas são: AR= 5h45m59.90s e Declinação: -32°18'23.0" (J2000.0) é uma famosa "Estrela em Fuga". Em dezembro de 2011, mencionamos (http://skyandobservers.blogspot.com.br/2011/12/o-ceu-do-mes-dezembro-2011.html) o grupo de estrelas fugitivas da região de Órion na qual essa estrela, juntamente com 53 Arietis (mag. 6.1, tipo espectral: B1.5V) e AE Aurigae (mag. 6.1, tipo espectral: O9.5V) parece estar se movendo para fora do grupo local de estrelas a velocidades altas, talvez por algum um processo relacionado com a explosão de supernovas (Veja na figura 8 o diagrama dessas três estrelas).

Dessas, a velocidade de 53 Arietis é de aproximadamente 63 quilômetros por segundo, um pouco menor que as outras duas estrelas acima mencionadas, já AE Aurigae é a mais interessante das três, pois a sua rápida passagem através do céu está atualmente transportando-a através da nebulosa IC (Index Catalogue) 405. Mu Columbae tem um movimento próprio anual de cerca de 0.025" em um sentido um pouco a leste do devido sul, o verdadeiro em ritmo acelerado de velocidade em recessão é cerca de 119 quilômetros por segundo (119 km/s ).

Eu não tenho nenhum motivo para duvidar que Jasão e os Argonautas, conseguiram realizar grandes feitos, mas que em muitas ilustrações dessa constelação que tenho visto, ela sempre aparece com um ramo, ou pedaços de suas penugens isso e um fato. Não seriam essas particularidades que os modernos observadores (também navegantes do oceano celeste) estariam colocando no bico dessa grande ave? A resposta ficará mesmo a critério de cada um.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- Burnham, Robert Jr. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0,  pp. 2138 – Inc. New York – USA, 1978.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 19/02/2013.

- http://www.asteroidoccultation.com/ - Acesso em 14 outubro 2013.

- http://annesastronomynews.com/annes-picture-of-the-day-starburst-galaxy-ngc-1792/ - Acesso em 13/11/2013.

- http://www.cbat.eps.harvard.edu/iauc/05800/05895.html - Acesso em 14/11/2013.

- http://www.eso.org/public/images/eso0338b/ - Acesso em 14/11/2013.

- http://www.aanda.org/articles/aa/abs/2012/07/aa19277-12/aa19277-12.html - Acesso em 14/11/2013.

- http://skyandobservers.blogspot.com.br/2011/12/o-ceu-do-mes-dezembro-2011.html - Acesso em 14/11/2013.

O Asteroide (24) Themis em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 14 de março próximo, o asteroide Themis estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua =+0.930), quando então sua magnitude chegará a 10.6, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 24 Themis foi descoberto em 05 de abril de 1853 pelo astrônomo amador italiano Annibale De Gaspari (1819 - 1892) no Observatório de Nápoles. Seu nome é uma alusão à deusa da justiça. Têmis filha do céu e da terra. Este nome foi proposto pelo astrônomo italiano Angelo Secchi (1818 - 1878) pioneiro da espectroscopia estelar (Mourão, 1987).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 17 junho 2013.

O asteroide (79) Eurynome em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 15 de março próximo, o asteroide Eurynome estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.971), quando então sua magnitude chegará a 11.3, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 79 Eurynome foi descoberto em 14 de setembro de 1863 pelo astrônomo norteamericano James Craig Watson (1838 - 1880) no Observatório de Ann Arbor (Estados Unidos). Seu nome é uma homenagem à ninfa do Eurínome, Filha de Oceano e Tétis. Amada por Júpiter, dele teve os seguintes filhos: Algae, Eufrosina e Tália e o deus-rio Asopo. (Mourão, 1987).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 18 junho 2013.

O asteroide (48) Doris em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 21 de março próximo, o asteroide Doris estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.815), quando então sua magnitude chegará a 11.1, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte, lunetas e telescópios. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 48 Doris foi descoberto em 19 de setembro de 1857 pelo astrônomo amador alemão Herman Goldschmidt (1802 - 1866) no Observatório de Paris. Seu nome é uma homenagem a Doris, mulher de Nereu, mãe das Nereidas. Dóris (Mourão, 1987).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 18 junho 2013.

O Asteroide (21) Lutetia em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 23 de março próximo, o asteroide Lutetia estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.621), quando então sua magnitude chegará a 11.0, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


  
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 21 Lutetia foi descoberto pelo astrônomo amador alemão Hermann Goldschmidt (1802-1866) em Paris em 15 de novembro de 1852. Seu nome é uma alusão ao vocábulo latino que significa Paris, assim designado pelo astrônomo francês François Jean Dominique Arago (1786-1853) em homenagem à cidade onde foi descoberto (Mourão, 1987).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 17 junho 2013.

Descoberta de cometas por observadores brasileiros

Alexandre Amorim
costeira1@yahoo.com
REA/Brasil - NEOA – JBS

A descoberta do Cometa C/2002 Y1 pelo brasileiro Paulo Holvorcem (em conjunto com o americano Charles Juels) entrou para a história da astronomia brasileira pois envolveu o primeiro brasileiro a emprestar seu nome a um cometa - a decisão de dar nome ao Cometa C/2002 Y1 como sendo Juels-Holvorcem coube à União Astronômica Internacional, por intermédio das entidades a ela subordinadas: Central Bureau for Astronomical Telegrams e Minor Planet Center.

É claro que isso não tira o mérito de outros observadores que descobriram cometas no Brasil. Na verdade até o C/2002 Y1 foi descoberto através das imagens de uma luneta de 12cm localizada no Observatório de C. Juels em Fountain Hills (perto de Phoenix, Arizona, EUA). Porém a análise das imagens feita por Paulo Holvorcem revelou a existência de um objeto móvel com magnitude 16. Como não foram usadas imagens de satélites, a UAI reconhece a descoberta e nomeia o Cometa usando os sobrenomes dos descobridores.

Tal procedimento não ocorre com as imagens fornecidas pela sonda SOHO onde temos uma infinidade de fotos tomadas por diferentes câmeras instaladas no artefato - os cometas descobertos por meio dessas imagens já ultrapassaram a marca de 2000, porém todos esses cometas são nomeados "SOHO".

Mas voltamos as descobertas feitas por brasileiros. Temos registrado na história alguns marcos importantes na observação de cometas no Brasil. Algumas civilizações pré-colombianas que habitaram o Brasil deixaram registros rupestres. Uma delas, encontrada na Caverna de Xiquexique (Central, Bahia) mostra a figura do que parece ser um enorme cometa e provavelmente possui 3300 anos. No entanto o nosso objetivo é mostrar quais os cometas que foram oficialmente descobertos por brasileiros. Os registros históricos apontam para observações realizadas na época da chegada dos portugueses ao Brasil.

Em 12 de maio de 1500, logo após a vinda de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, o médico e astrônomo da esquadra, João Faras, descobriu o Cometa Cabral (homenageando o comandante da expedição). No entanto, nem Cabral nem João Faras eram brasileiros.

Em 16 de dezembro de 1652 foi descoberto um cometa de magnitude 2 a 3, em Recife. O Cometa foi registrado em uma gravura holandesa desenhada por "N.N." e reproduzida na obra Biblioteca Brasiliana (1983, Rubens Borba de Morais). O mesmo cometa foi observado por Hevelius em 20 de dezembro de 1652 e é oficialmente conhecido por Cometa Hevelius. Não há evidências de que este cometa tenha sido descoberto por um brasileiro nato, talvez o descobridor tenha sido holandês.

Em 15 de agosto de 1686 um cometa foi descoberto pelo padre jesuíta Richaud quando ele estava no Brasil. O mesmo padre observaria outro cometa em dezembro de 1689 quando estaria em Pondicherry, Índia. No entanto o cometa de 1689 pode ter sido observado pela primeira vez em 1º de dezembro de 1689 pelo jesuíta alemão Valentim Estancel no Brasil.

Uma hora antes do Sol nascer em 28 de outubro de 1695 na Bahia, o jesuíta francês Jacob Cocleo descobriu o cometa que leva seu nome - Jacob. Já o francês Emmanuel Lias descobriu um cometa em 26 de fevereiro de 1860 em Olinda. Somente ele registrou as observações deste cometa e enviou para a Academia de Ciências de Paris.

Em 10 de setembro de 1882 foi a vez de Luiz Cruls, astrônomo belga mas naturalizado brasileiro, ter descoberto o brilhante Cometa Cruls, usando os instrumentos do Observatório Imperial do Rio de Janeiro. Há referências deste cometa ter sido observado 10 dias antes, mas coube a Cruls ter feito a astrometria e comunicar a comunidade astronômica.

5 dias... foi o intervalo de tempo entre a descoberta oficial do Cometa White-Ortiz-Bolleli (1970 I = C/1970 K1) e a observação do brasileiro Vicente Ferreira de Assis Neto. Numa época em que não havia Internet, Vicente comunicou sua descoberta independente, porém outros já haviam relatado o cometa em 18 de maio de 1970. "Tenho certeza de que vou descobrir mais um nos próximos anos", confidenciou Vicente na revista Superinteressante, setembro de 1989.

Em 1º de fevereiro de 2002 foi a vez de Paulo M. Raymundo (Salvador, Bahia) descobrir independentemente o histórico Cometa Ikeya-Zhang. No anoitecer de 1º de fevereiro, Paulo descobriu um objeto nebuloso com magnitude 7.5 e comunicou sua descoberta ao CBAT e a Charles Morris. O CBAT já havia recebido os relatos de Ikeya e Zhang, porém a posição medida por Raymundo não coincidia com a órbita provisória do Ikeya-Zhang. 

Talvez um segundo cometa tivesse sido descoberto pelo brasileiro. No entanto, ao refinar os elementos orbitais, notou-se que se tratavam do mesmo cometa, e como ele já havia sido oficialmente nomeado, ficou o nome Ikeya-Zhang. A órbita deste cometa sugere que ele também foi observado por Hevelius em 1661.

Mas na noite de 28 de dezembro de 2002 foi o outro Paulo, Holvorcem, quem descobriu o cometa C/2002 Y1, usando imagens coletadas pela luneta no "quintal" do americano C. Juels. Holvorcem viria a participar de outras descobertas tais como C/2005 N1 (Juels-Holvorcem), C/2011 K1 (Schwartz-Holvorcem), P/2012 TK8 (Tenagra), C/2013 C2 (Tenagra),  C/2013 D1 (Holvorcem), P/2013 EW90 (Tenagra), C/2013 G9 (Tenagra) e C/2013 U2 (Holvorcem). Além desses, Holvorcem também participou da descoberta do Cometa P/2013 T2 (Schwartz) e da redescoberta do Cometa 274P/2012 WX32 (Tombaugh-Tenagra).

Na noite de 11-12 de janeiro de 2014 Cristóvão Jacques e seus colegas usam o telescópio de 0,46 metros do Observatório SONEAR e descobrem o Cometa C/2014 A4 (SONEAR). Embora não seja o primeiro cometa descoberto por brasileiros, o C/2014 A4 tem a primazia de ser oficialmente descoberto por brasileiros natos usando um equipamento instalado em território nacional.

Se o leitor possuir mais algum material sobre a descoberta de cometas por brasileiros, poderá enviar tais informações para costeira1@yahoo.com

Alexandre Amorim
Secção de Cometas/REA
Núcleo de Estudo e Observação Astronômica "José Brazilício de Souza"

Bibliografia

-MOURÃO,R.R.F., Introdução aos Cometas, 2000, Ed. Itatiaia 
-MOURÃO,R.R.F., Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica,1996,Ed.Nova Fronteira. 
-MOURÃO,R.R.F., "Sóis, estrelas e cometas em cavernas no Nordeste". Superinteressante, ano 2, nº 5, maio/1988 
-Revista Superinteressante, ano 3, nº9, setembro/1989

Reencontro com Ronaldo Mourão

“O Flammarion Brasileiro”

*Nelson Travnik

Quinta-feira, 16 de janeiro, 2014, 11h00. Depois de três anos, uma nova oportunidade de reencontrá-lo em sua residência no ‘campus’ do Observatório Nacional, CNPq, MCT. Foi uma excelente ocasião de conversarmos sobre os temas mais atuais da astronomia, os trabalhos e os progressos das instituições brasileiras e os novos planetários e observatórios que estão sendo construídos tanto oficiais como particulares. Nos detivemos sobre as observações dos aficionados que mercê novas tecnologias à disposição, realizam trabalhos e descobertas de altíssimo nível. Conversamos muito lembrando os velhos tempos no Observatório Nacional, ele ainda muito jovem como eu, cercados por outros astrônomos, a maioria já falecidos e de grata lembrança. Tempus Fugit, e como! Na ocasião me mostrou dois livros seus publicados no Japão e adiantou que outro já esta no prelo nos Estados Unidos.

Ao longo das 85 obras publicadas, mais de 600 artigos em revistas, periódicos e jornais, o destaque fica para o seu “Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica”, obra exaustiva, fruto de muitos anos de pesquisa. Já em 2ª edição pela Editora Nova Fronteira, segundo ele, está a caminho uma 3ª edição. É impossível um astrônomo ou interessado não possuir esta obra em sua estante. É no gênero, a mais completa das Américas e recebeu elogios de algumas das maiores celebridades da astronomia, ciência espacial e historiadores. 

A maioria das pessoas geralmente costuma aliar Mourão somente a literatura astronômica e não conhecem suas contribuições científicas. São inúmeras. Elas estão relatadas na minha série “Personagens da nossa Astronomia”. Enviarei com prazer a quem me solicitar. Entre elas estão a descoberta de 72 novos asteroides feitas em seu estágio no Observatório La Silla, Chile. Seu colega H. Debehogne homenageou Mourão com seu nome no asteroide 2590 descoberto por ele em 22 de maio de 1980. Outra pesquisa que reputo importante foi em 1969 quando constatou a existência de um companheiro invisível na estrela dupla Aitken 14, confirmada pelo astrônomo Baize do Observatório de Paris. Na ocasião Mourão levantou a hipótese de que poderia ser um novo sistema solar e, sendo assim, isso adentra na área dos exoplanetas, razão pela qual deveria ser motivo de investigação. Essa descoberta é quiçá pioneira neste campo de pesquisa e isto, acredito, merece ser considerada. 

Minha identidade com Mourão é muito grande, tanto pela atenção e conhecimentos a mim transmitidos como talvez termos a mesma idade e sermos do mesmo Estado do Rio de Janeiro. O fato de ser ele um astrônomo profissional e eu amador, em momento algum foi motivo de algum distanciamento o que na época as vezes acontecia. Ele demonstrou sua atenção e valorização com os astrônomos amadores ao criar com um grupo, o “Clube de Astronomia do Rio de Janeiro”, CARJ, fundado em 30 de junho de 1976. É o Presidente de Honra do CARJ. Por morar próximo ao Rio, por quase 22 anos frequentei o Observatório Nacional como também o Observatório do Valongo, UFRJ. Essas duas Instituições foram a minha escola.

Na despedida Mourão me ofereceu o livro de sua autoria “Astronomia & Budismo – Uma Jornada rumo ao Distante Universo” que gira sobre uma conversa dele com o famoso espiritualista Daisaku Ikeda. É sempre oportuno, salutar e mesmo natural  uma incursão nesta área como aliás o fizeram físicos e astrônomos famosos .Em todo o tempo que estivemos conversando, esteve seu filho Marcelo. É ele que cerca o pai com denotada atenção, cuidados e carinho. Nota dez!

O “Flammarion Brasileiro”, como eu o chamo, é e ainda será por muitas gerações, o astrônomo que mais despertou mentalidades voltadas a astronomia no Brasil. Mourão é uma referência e um orgulho para nosso País. 

Nelson Travnik, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.