terça-feira, 1 de abril de 2014

O céu do mês – Abril 2014

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Geralmente nessa época do ano as mais belas constelações do céu são as companheiras dos observadores de um modo geral, mas certamente eles serão mais beneficiados neste período e não somente pela ocorrência do Eclipse Total Lunar em 15/04 e ainda do Eclipse Anular do Sol em 29/04, mas também pela espetacular oposição de Marte em 08 de abril. Neste dia ainda teremos a oposição do planeta menor (1) Ceres que poderá ser facilmente localizados com pequenos instrumentos óticos em meio as brilhantes estrelas da constelação de Virginis; muito embora a Lua esteja em sua fase cheia neste dia, isso não será um grande obstáculo devido a magnitude visual (7.0) neste período. Dentre os asteroides que ficarão em evidência será (4) Vesta o que mais chamará a atenção dos observadores devido a sua magnitude. Desta vez a ocorrência das ocultações de Lambda Virginis pelo disco lunar em 16 de abril e do planeta Saturno em 17 de abril, certamente fará com que os observadores fiquem animados; entretanto a ocorrência de 02 eclipses neste mês, sendo que o primeiro ocorrerá em 15/04 próximo o eclipse total da Lua, visível na maior parte do ocidente e também em 29/04 o eclipse anular do Sol, cujo cone de sombra recairá sobre o território australiano juntar-se-ão a esses excepcionais acontecimentos. E por falar em planetas e visando o aspecto observacional simplificamos numa tabela seu posicionamento para o meio deste mês, embora quando ocorrer algum destaque observacional, eles deverão ser mencionados. Tudo isso como fruto da Revolução Industrial responsável por inúmeras mudanças que podem hoje serem avaliadas; sendo que no céu, Lacaille numa homenagem ao físico alemão Otto von Guerick fez a representar por Antlia; então conheceremos um pouco mais algumas características dessa Máquina Pneumática.

As ocultações de estrelas e planetas pela Lua neste Mês

Hyadum II (delta 1 Tauri) 

Em 04 de abril, a Lua +20% iluminada e com a elongação solar de 53°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado na América do Norte (Canadá e Estados Unidos), de acordo com a figura A, apresentada no quadro 1. 

lambda Geminorum

Em 07 de abril, a Lua +51% iluminada e com a elongação solar de 91°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado na Ásia e leste Europeu de acordo com a figura B, apresentada no quadro 1.

Lambda Virginis

Em 16 de abril próximo, a Lua - 99% iluminada e com uma elongação de 169°, ocultará a estrela Lambda Virginis de magnitude 4.5 e (tipo espectral A1). Esse evento poderá ser observado do leste da África (Ilhas do Oceano Atlântico), norte e nordeste da América do Sul, toda a América Central e parte sul da América do Norte. Veja maiores informações em sobre as circunstâncias de visibilidade nas diversas regiões em: http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/04/a-ocultacao-de-lambda-virginis-pela-lua.html.

Zubenelgenubi (alfa Librae)

Em 16 de abril, a Lua -97% iluminada e com a elongação solar de 161°, ocultará a estrela Zubenelgenubi (alfa Librae) de magnitude 2.8 e tipo espectral A3IV. Esse evento poderá ser observado no norte da Rússia de acordo a figura C, apresentada no quadro 1.

A ocultação de Saturno em 17 de abril

Em 17 de abril, a Lua - 96% iluminada e com uma elongação de 156°, novamente ocultará o planeta Saturno cuja magnitude estará estimada em 0.2 Esse evento poderá ser observado da América do Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) e ilhas situadas no sul dos oceanos Atlântico e Pacífico. Veja maiores informações em sobre as circunstâncias de visibilidade nas diversas regiões em: http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/04/a-ocultacao-de-saturno-pela-lua-em-17.html.

Rho Sagittarii

Em 21 de abril, a Lua -60% iluminada e com a elongação solar de 102°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado da América do Norte (Canadá, México e Estados Unidos) de acordo com a figura D, apresentada no quadro 1.

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 22 de abril, a Lua -48% iluminada e com a elongação solar de 88°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado da América Central e América do Norte de acordo com a figura E, apresentada no quadro 1. 

Eclipses, Planetas, asteroides e cometas!

A magnitude de Vênus (-4.2) favorecerá bastante a localização em sua proximidade do disco do planeta Netuno (mag. 7.9) na madrugada de 12/04 próxima, quando então o planeta Vênus estará separado 0.7° N de Netuno; muito embora em 14/04 os planetas Mercúrio (mag. -0.5) e Urano (mag. 5.9) estejam também configurando uma conjunção já dentro de crepúsculo matutino, suas elongações dificultarão uma tentativa observacional, mesmo com suas respectivas magnitudes estando relativamente brilhantes. 

Desde a última oposição favorável do planeta Marte, todos os observadores ficaram na expectativa desta nova oposição; isto ocorreu já em 2012, através de uma mensagem eletrônica (04/03/2012) do observador Nelson Falsarella (São José do Rio Preto – SP, Brasil), pode-se perceber no período dessas oposições o bom diâmetro aparente dessas oposições afélicas, que vem correndo desde 2012, quando seu diâmetro foi de 13.89”. Este ano então, Marte estará com seu diâmetro aparente estimado em 15.16” e sua distância a Terra será de 0.617554 ua.

A distância a Terra de 1.635800 u.a do planeta menor (1) Ceres e sua máxima elongação de 166.0° do Sol, farão com que ele fique também em evidência na constelação de Virgem, conforme podemos vislumbrar em suas efemérides para este mês na tabela 4 abaixo. Mas será o asteroide (4) Vesta que estará com uma magnitude excepcional já dentro da visibilidade a visão desarmada em 14 de abril. Veja maiores informações em sobre as circunstâncias observacionais em: http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/03/o-asteroide-4-vesta-em-2014.html. O registro das ocultações de estrelas por asteroides chamam bastante a atenção dos astrônomos que se dedicam a essas observações, pelo fato das recentes descobertas de asteroides duplos, asteroides com satélites e da mais recente delas; a existência de 02 anéis em torno do asteroide (10199) Chariklo, anunciada no último dia 26 numa conferência a imprensa no Observatório Nacional / MCTI, no Rio de Janeiro, Brasil em o que torna esse asteroide (com estrutura anelar semelhante a Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) um objeto Sui Generis no Sistema Solar até o momento.


Lua = As fases lunares este mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 2:

A ocorrência das apsides (Perigeu e Apogeu) lunares dar-se-á neste mês na seguinte seqüência: Apogeu em 08/04 às 14:53 (UT); Lua estará a 405.501 km  do centro de nosso planeta e Perigeu em 23/04 ocorrendo às 00:28 (UT), quando a Lua então estará somente 369.764 km do centro da Terra.

Júpiter continuará dominando o céu noturno na primeira parte da noite neste período, (pelo menos até seu ocaso) então as respectivas magnitudes dos satélites principais, poderão ser estimadas conforme apresentadas na tabela 5; enquanto isso o espetacular planeta Saturno vem apresentando suas elongações cada vez maiores para a oposição favorável que ocorrerá em 10 de maio próximo.
Os Eclipses

Neste mês teremos a ocorrência de 02 eclipses, sendo que o primeiro será o total da Lua em 15 de Abril, quando então observadores de todo o Hemisfério Ocidental, estarão em condições favoráveis a sua observação. Este é o primeiro de uma série de quatro eclipses lunares totais consecutivos que ocorrerão em 2014 e 2015.

No instante máximo do eclipse [Fase 4] às 07h:45m:40s UT, a Lua encontra-se no zênite de um ponto no oceano Pacífico, a sudoeste das Ilhas Galápagos (figura 4); O Eclipse será visível tanto na América do Sul e do Norte. Já os observadores localizados no ocidente do oceano Pacífico, não verão as primeiras fases do eclipse porque elas vão ocorrer antes de nascer da Lua. Da mesma forma que a dos observadores localizados na Europa e na África não poderão acompanhar o evento, pois a Lua já estará no ocaso.

Em 29 de abril, teremos a ocorrência de um eclipse anular do Sol que será visível apenas no hemisfério sul, assim mesmo em partes da Antártida, Oceano Indico e também da Oceania (inclui também o extremo sul da Indonésia e o Timor Leste). Seu instante máximo ocorre sobre a Antártida, sendo que o território australiano terá uma visão privilegiada deste evento, conforme podemos vislumbrar na figura 5 abaixo.

Os Cometas

Os observadores localizados no hemisfério norte poderão acompanhar o cometa C/2012 K1 Pan STARRS na constelação de Bootes (Boo) até o dia 27/04, a partir dessa data ele ingressará na Ursa Maior (UMa); suas respectivas magnitudes serão 9.5 em 20/04 e já no dia 30 estará estimada em 9.2; embora menos favorável devido a suas magnitudes sejam maiores, 10.8 em 20/04 e 10.9 em 30/04, o cometa C/2012 X1 LINEAR estará na constelação de Aquarius (Aqr) até o dia 27, ingressando em Capricornius (Cap) já no dia 28/04. As fase da Lua (vide figura 2), estarão causando dificuldades antes deste período. 

CONSTELAÇÃO:

Antlia

Geralmente quando tenho a oportunidade de falar com meus amigos(as) e também apaixonados pela ciência que estuda o céu, sobre as constelações e seus respectivos contextos históricos, ficará uma grande lacuna neste assunto não deixar de mencionar Niçolas-Louis La Caille. Nestes posts mensais, fica claro que ele foi um homem apaixonado pela evolução científica e industrial nascente em seu século. Antlia, uma constelação austral situada próximo ao pólo sul celeste (figura 6), é limitada pela Vela, a oeste por Pyxis (Bússola), ao norte por Hydrus e a leste por Centaurus; embora não seja (em princípio) muito fácil sua localização no céu, visto que sua principal estrela, alpha Antliae e uma gigante alaranjada, com magnitude de 4.2 e tipo espectral K4III que encontra-se a uma distância de 366 anos luz do Sol. 

Chamará ainda nossa atenção próximo também daquela região, a Delta Antliae (mag. 5.5 e tipo espectral B9.5V), na realidade uma estrela tripa (física) constituída de uma componente branco azulada, mas cuja separação irá requerer instrumentos de maior abertura. Ajudam também na identificação dessa constelação as seguintes estrelas: Epsilon Antliae de magnitude 4.5, tipo e classe espectral K3III; Iota Antliae de magnitude 4.6, tipo e classe espectral K0III e Theta Antliae de magnitude  4.8 tipo e classe espectral A8V+F7II-III.

A Galáxia Espiral NGC 2997 

Certamente a busca por objetos extremamente brilhantes não será nesta região celeste uma das mais profícuas, entretanto aquele observador localizado em latitudes que tenham uma boa visibilidade dessa constelação terá sua busca recompensada, se fizer a aplicação de telescópio de boa abertura ótica (superior a  200mm ou 8 polegas). Será também um bom conselho, esperarmos que a fase da Lua seja favorável a observação de objetos de céu profundo (Deep Sky) pouco luminosos. 

Theta Antliae será uma ótima referência, se a estabilidade da imagem ficar boa na noite que planejarmos essa busca, certamente longe de qualquer fator de poluição luminosa,  fará com que a NGC 2997, uma fantástica galáxia espiral, cuja magnitude aparente é de 9.4 e de dimensões: 9,2’ x 6.6’, apareça no campo da nossa ocular. Ela é a galáxia mais brilhante de um grupo de objetos que estenderá até constelação de Hydra. A aparência ovalizada dessa galáxia, fará com que seja revelada sua estrutura interna com dois braços proeminentes, que devem originar-se no seu núcleo. 

É certo que Lacaille, não tinha a menor idéia dessas imagens de céu profundo, quando delineou em sua época essa constelação em sua obra Coelum Australe Stelliferum, publicada em 1763, e essas novas informações, longe de diminuir a importância daquela obra, ao contrário demonstra quanto foi importante aquele desmembramento realizado por ele. Assim a homenagem a Otto von Guerick denominando essa constelação com seu invento, mostra o quanto outros; e ele próprio caminhavam a frente de seu tempo. 

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- Cartes du Ciel - Version 2.76, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 19/02/2013.


A ocultação de Lambda Virginis pela Lua em 16 de abril 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 16 de abril próximo, a Lua - 99% iluminada e com uma elongação de 169°, ocultará a estrela Lambda Virginis de magnitude 4.5 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: lunetas e telescópios, esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente americano. 

Observadores localizados no leste do continente africano (Cabo Verde e Senegal), norte e nordeste da América do Sul (Brasil, Colômbia, Equador e Venezuela), América Central (todos os países do ístimo e da região insular) e América do Norte (México e Estados Unidos), poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas 1 a 4 respectivamente.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange demais ilhas localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico. 

Lambda Virginis

Lambda Virginis (tipo espectral A1) é uma estrela variável cuja magnitude varia entre 4.52 a 4.55. O alto interesse nas observações das ocultações dessa estrela prende-se ao fato dessa estrela ser um conjunto binário conforme podemos vislumbrar através da figura 3.


Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.


- http://exoplanet.eu/catalog/eps_tau_b/ - Acesso em 07 outubro 2013.

- http://messier.seds.org/xtra/ngc/hyades.html - Acesso em 07 outubro 2013.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.11 (David Herald - IOTA) - acesso em 16/10/2013.

A ocultação de Saturno pela Lua em 17 de abril 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Ao início da manhã do dia 17 de abril próximo, a Lua - 96% iluminada e com uma elongação de 156°, ocultará o gigantesco planeta Saturno cuja magnitude estará estimada em 0.2 (Figura 1). Mesmo sendo uma ocultação diurna, ela proporciona um bom espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano e sul do oceano pacífico. 

Como mencionado, os observadores localizados em grande parte do sudeste da América do Sul (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) poderão acompanhar esse evento, conforme circunstâncias descritas na tabela 1.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas; abaixo está o mapa global com a faixa de visibilidade do fenômeno (figura 2) que abrange além da América do Sul, ilhas situadas no sul dos oceanos Atlântico e Pacífico, com o evento ocorrendo ainda dentro da faixa crepuscular matutina deste dia.

O planeta Saturno, já conhecido desde os tempos antigos, continua sendo um dos planetas mais observados por parte dos astrônomos e também desperta o interesse do grande público quando se encontra próximo de suas oposições, Isso ocorre principalmente devido a plástica visual desse planeta apresentando seus anéis, e ainda uma grande quantidade de satélites naturais, sendo o satélite natural Titã (quando visível através da ocular) o que mais se ressalta devido a sua magnitude.

A importância do registro e observações desses eventos além de possibilitar ao astrofotógrafo o incremento do seu acervo fotográfico contribui também de forma pró-ativa, com que clubes, núcleos e grupos de estudos astronômicos; bem como ainda planetários e observatórios voltados a essa atividade, possam planejar as atividades de modo a receber o público, contribuindo assim com a difusão da ciência astronômica. 

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.11 (David Herald - IOTA) - acesso em 17/10/2013.

O asteroide (65) Cybele em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 15 de maio próximo, o asteroide Cybele estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.999), quando então sua magnitude chegará a 10.8, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.
  

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 65 Cybele foi descoberto em 08 de março de 1861 pelo astrônomo alemão Ernest Wilhelm Tempel (1821 - 1889) no Observatório de Marselha. Seu nome e homenagem à maior das deusas frigias do Oriente próximo. Importada da Grécia e de Roma, personificou-se sob diferentes nomes: Mãe Grande, Mãe dos Deuses, a Grande Deusa, a potência vegetativa e selvagem da natureza. (Mourão, 1987).

As observações realizadas durante a ocultação de AGK3 19 599 deste asteroide ocorrida em 17 de outubro de 1979, registram ocultações secundárias atribuídas a um satélite de diâmetro 11 km localizado a 917 km do centro de (65) Cybele. As observações realizadas em três observatórios nesta ocasião  demonstrou-se que o asteroide tem uma forma irregular.

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.


- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 18 junho 2013.

O asteroide (9) Metis em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 16 de maio próximo, o asteroide Metis estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.981), quando então sua magnitude chegará a 9.6, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.
  
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 9 Metis foi descoberto em 26 de abril de 1848 pelo astrônomo irlandês Andrew Graham (1815 - 1848) no Observatório Markree. O seu nome é referência a Metis, primeira esposa de Zeus (Júpiter), uma feiticeira que lhe ofereceu uma poção mágica que Cronos, ao beber obrigou-a a devolver seus filhos. (Mourão, 1987).

Astrônomos chineses afirmam ter realmente fotografado um satélite de Metis girando em torno do asteroide com um período de 4,61 dias. A magnitude do satélite foi relatada ser mais fraca do que duas grandezas de Metis, e a separação angular foi de 1,2 segundos de arco, o que corresponde a 1100 km. Resultados semelhantes foram obtidos durante a ocultação de uma estrela secundária por astrônomos de Barquisimeto na Venezuela em 11 de dezembro de 1979. No entanto, os astrônomos americanos observaram Metis durante 1982 e 1983, quando na oposição do asteroide – a linha da Terra era perpendicular ao plano de rotação do satélite. Usando o Telescópio de Espelhos Múltiplos (Multiple Mirror Telescope) não encontraram nenhuma evidência de um satélite, mesmo sob excelentes condições de observação.

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.


- Sky & Telescope, 1981. 62, 545

- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 17 junho 2013.

O asteroide (45) Eugenia em 2014!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 20 de maio próximo, o asteroide Eugenia estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.675), quando então sua magnitude chegará a 10.7, portanto já dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste de busca, objetivando sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 45 Eugenia foi descoberto em 27 de junho de 1857 pelo astrônomo Herman Goldschmidt (1802-1866) no Observatório de Paris. Seu nome é uma homenagem a Eugênia de Montijo, esposa de Napoleão III. (Mourão, 1987). 

Conforme descrito na IAUC No. 8817, Marchis F. e M. Baek, da Universidade da Califórnia, em Berkeley; e P. Descamps, J. Berthier, D. Hestroffer, e F. Vachier do Institut de Mécanique Celeste et de Calcul des Efemérides, Paris, relatam a descoberta de um novo satélite em órbita de (45), Eugenia. O S/2004 (45) 1 foi detectado após análise cuidadosa de três observações coletadas com filtros de banda-K- utilizando o Very Large Telescope "YEPUN" e seu sistema de óptica adaptativa (NACO) em fevereiro 2004 14,15404, 15,14620 e 16,15435 UT, o satélite aparecendo numa  distância de cerca de "0,4 do primário num Ângulo de Posição (PA) 156, 321, e 124 graus, respectivamente.  Baseado num raio de brilho integrado  cerca de 7,9 entre o satélite e o primário, o diâmetro do S/2004 (45) 1 é calculado em cerca de 6 km.  O parâmetro orbital  do referido satélite apresenta uma massa para o sistema de acordo com a massa a partir dos estudos anteriormente conhecidos do satélite (45) Eugenia I (Petit-Prince;. cf IAUCs 7129, 7503).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).


Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987,  914P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.


- http://ssd.jpl.nasa.gov/horizons.cgi#top - Acesso em 18 junho 2013.

Sol, uma estrela ainda mal conhecida

Nelson Travnik

Para o leigo, ela é apenas uma esfera de luz que nos ilumina e aquece. Contudo, essa magnífica estrela situada nos braços de uma galáxia espiral, a Via Láctea, é um astro que tem uma importância crítica para a humanidade, pois tudo que existe sob a superfície da Terra é fruto de uma cadeia energética que começou quando núcleos atômicos se fundiram em seu interior. Portanto, o que você come, bebe, o combustível que abastece o seu carro, aquele corpo bronzeado que lhe provoca suspiros, enfim, sua própria existência é um presente do astro-rei. Somos, por conseguinte, filhos de uma estrela e recuando ainda mais, da nebulosa primitiva que lhe deu origem. Isso explica o motivo pelo qual, intuitivamente, muitos povos antigos viam nele a razão da vida e o veneravam como deus. O Hino ao Sol do faraó Akhenaton que de um só golpe derrubou crenças milenares e introduziu o culto a Áton, o Sol, é uma das mais belas páginas dessa devoção ao astro-rei.


UMA USINA NUCLEAR NATURAL

O Sol é uma bola de plasma, gás altamente aquecido a temperaturas que não permite que os átomos estejam ‘inteiros’ e dizemos então que estão ionizados. Ele é 1.300.000 vezes maior em volume que  a Terra e por isso o seu núcleo é submetido a uma pressão externa da ordem de 340 bilhões de vezes a pressão do ar em nosso planeta, o que origina temperaturas próximas a 15 milhões de graus C!  Submetido a essa gigantesca pressão e temperatura, quatro átomos de hidrogênio se transformam em um átomo de hélio e este por sua vez em outros elementos. Na fase atual, o Sol é composto de 71% de hidrogênio, 27% de hélio e 2% de outros elementos. Isto caracteriza as estrelas amarelas do tipo G, uma espécie comum onde existem bilhões delas apenas na Via Láctea. O segredo, portanto, do Sol e das estrelas gerarem energia é de serem usinas naturais de transformadores de matéria através do processo da fusão nuclear. Para entendermos esse processo, basta dizer que a fusão de um grama de hidrogênio libera tanta energia quanto a combustão de 20 mil litros de gasolina! Agora o leitor está apto a compreender a razão desta corrida desenfreada pelos institutos avançados de pesquisa de molde a obter a fusão nuclear do hidrogênio em condições seguras. Estima-se que até 2050 isso será possível o que propiciará a humanidade dispor de uma fonte inesgotável de energia limpa, eficiente, sustentável e duradoura.

TUDO QUE ACONTECE NO SOL REFLETE NA TERRA

O Sol até certo ponto comparado a outras classes de estrelas, é um astro bem comportado. Isto deve-se a uma situação de equilíbrio que é mantido pela força de gravidade e pela pressão da radiação que flui do seu interior. Essa fase de equilíbrio e estabilidade só irá alterar quando acabar o hidrogênio do núcleo. Apesar atualmente de seis observatórios solares no espaço (SOHO, TRACE, RHESSI, SORCE, STEREO E YOKOHO) e outros tantos em terra monitorando o Sol em todas as faixas do espectro, podemos dizer que ele ainda é uma estrela que guarda alguns segredos. Em um período médio de 11 anos, irrompem no Sol uma série de fenômenos ainda mal entendidos, que causam imensos transtornos ao planeta azul. No aumento da atividade solar tal como estamos vivenciando agora, surgem gigantescos agrupamentos de manchas escuras passíveis até mesmo de serem observadas a olho nu com um filtro indicado ou mesmo sem filtro protetor quando o Sol está próximo ao horizonte mergulhado a nebulosidade ou névoa seca. 

Os chineses foram os primeiros a relatar que havia manchas no Sol. Em determinados períodos quando isso acontece, ninguém entende a razão pela qual o Sol inteiro reverte sua polaridade magnética geral: o pólo magnético norte se torna pólo sul e vice-versa. Mais estranho ainda é que o campo magnético da Terra também se reverte a intervalos aparentemente aleatórios. O mais recente foi a 780 mil anos. As pesquisas mostram que o Sol é como um coração pulsante, um ser vivo inquieto, palco constante de violentas convulsões que começam a partir do aparecimento cada vez maior de manchas em sua parte externa denominada fotosfera. Associadas as manchas irrompem imensas protuberâncias, flares, fulgurações e tempestades que liberam feixes contínuos de radiações altamente energéticas dos tipos ultravioleta, raios X e gama, extremamente nocivos aos seres vivos e que afetam o clima como está comprovado por pesquisas arqueológicas e exames nos anéis concêntricos de troncos de árvores centenárias. 

Felizmente nossa atmosfera e a magnetosfera nos protegem contra as radiações mais perigosas. Esse fluxo de partículas chamado vento solar é que mais preocupa os cientistas, pois enquanto algumas emissões a uma velocidade de 447,9 km/s levam quatro dias para chegar a Terra, outras nos atingem em poucas horas, tempo demasiadamente curto para proteger a frota de satélites de comunicação, de posicionamento global, alertas meteorológicos, as redes de energia elétrica e a Estação Espacial Internacional, ISS. Em 1989 uma fortíssima ‘Ejeção de Massa Coronal’, CME, provocou sobrecarga e incêndios nos equipamentos da rede elétrica Hidro-Quebec, Canadá, danificando e causando prejuízos de milhões de dólares! Em 1999 o satélite Galaxy 4 foi atingido deixando 40 milhões de usuários sem televisão além de bloquear contas bancárias. Em 28 de outubro de 2003, explodiu uma fulguração (flare) de proporções nunca vista nos últimos 40 anos. Felizmente a mega tempestade aconteceu na borda do disco solar e as radiações atingiram de leve nosso planeta. Mesmo assim, danificou três satélites japoneses, problemas em vários outros, na “Mars Odyssey” ao redor de Marte que perdeu um instrumento além de aviões que optaram por rotas mais ao sul. Na ocasião os astronautas da Estação Espacial Internacional, ISS, tiveram que se alojar no módulo ‘Zvesda’ que os protege do nível das radiações. 

O mundo atual está globalizado, ligado a uma rede de satélites. Se eles forem seriamente danificados por uma forte tempestade solar, o mundo pára e para sua reposição será necessário tempo e bilhões de dólares que irá afetar a economia de muitos países. Um fato intrigante é que as piores tempestades solares ocorrem nos anos em que o máximo solar vai esmorecendo. Até agora ninguém pode explicar porque isso ocorre e nem o chamado “Mínimo de Maunder”, um estranho período de 1645 a 1715 no qual praticamente não houve manchas no Sol. Esta diminuição da atividade solar coincidiu com a ‘Pequena Idade do Gelo’ na Europa. Rios congelaram e foi possível passear e patinar sobre eles. Por outro lado, não há ainda explicação convincente para que a chamada atmosfera solar (coroa) atinja temperaturas que vão a 2 milhões de graus C quando deveria ser bem mais fria.  Esses aspectos compõe um quebra-cabeça ainda longe de ser montado razão pela qual o Sol é monitorado intensivamente em terra e no espaço. 

Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba - SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.