domingo, 1 de junho de 2014

O céu do mês – Junho 2014

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Enfim! Com a chegada de mais um Solstício (Verão no hemisfério Norte e Inverno no Sul) é possível que diversas “Star Parties” sejam bastante concorridas, principalmente com a profusão de brilhantes estrelas e a quantidade de objetos de céu profundo que estão sempre ao alcance de nossos equipamentos óticos. E o céu noturno este mês de forma generosa estará brindando os observadores de uma maneira toda especial, pois sempre é bom fazer uma observação binocular pela região de Sagittarius e Scorpius, apreciando uma grande quantidade dos objetos de céu profundo (Deep-Sky Objects) ali existentes. Embora elas fiquem sempre relegadas a uma segunda opção durante uma noite de observação, as estrelas duplas chamarão a atenção, pois poderá ocorrer interferência da poluição luminosa, ou mesmo alguma névoa em seu local de observação. Desta forma destacamos duas estrelas múltiplas em Boötes, que serão bastante interessantes sua observação. Além dos alinhamentos da Lua com os brilhantes planetas Júpiter e Vênus que ocorrerão este mês, uma ocultação de Saturno poderá ser acompanhada por observadores localizados numa pequena porção da Austrália e também na África do Sul. Novamente reitero sugestões para que nossas atenções observacionais se voltem aos registros dos cometas como os mencionados neste mês. Vejamos ainda alguns aspectos do Boieiro, uma constelação bastante acessível a todos observadores.

As ocultações de estrelas (e Saturno) pela Lua neste mês

Lambda Geminorum

Em 01 de junho, a Lua +11% iluminada e com a elongação solar de 39°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado na América do Norte (Canadá e Estados Unidos) de acordo com a figura A, apresentada no quadro 1.

Lambda Virginis

Em 09 de junho próximo, a Lua - 87% iluminada e com uma elongação de 138°, ocultará a estrela Lambda Virginis de magnitude 4.5 e (tipo espectral A1). Esse evento poderá ser observado do oeste da África (Ilhas do Oceano Atlântico), região do mar do Caribe na América Central, leste da América do Norte e no extremo nordeste da América do Sul, conforme apresentado na figura B do quadro 1. Veja maiores informações em sobre as circunstâncias de visibilidade nas diversas regiões em: http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/06/a-ocultacao-de-lambda-virginis-pela-lua.html.

A ocultação de Saturno em 10 de junho 2014

Em 10 de junho, a Lua +92% iluminada e com uma elongação de 148°, novamente ocultará o planeta Saturno cuja magnitude estará estimada em 0.2 Esse evento poderá ser observado numa pequena faixa ao sul da região ocidental da Austrália e Sul da África do Sul, cortando também vasta região ao sul do Oceano Índico, conforme apresentado na Figura C do quadro 1. Na tabela 2 abaixo, encontra-se listado as circunstâncias de desaparecimento e reaparecimento para as localidades de Albany e Busselton (Austrália) e também da Cidade do Cabo (África do Sul).

Rho Sagittarii

Em 15 de junho, a Lua -95% iluminada e com a elongação solar de 154°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado na África Setentrional e Europa de acordo com a figura D, apresentada no quadro 1.

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 16 de junho, a Lua -88% iluminada e com a elongação solar de 140°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado do oriente médio e em grande parte da África (Meridional e Setentrional) de acordo com a figura E, apresentada no quadro 1. 

Hyadum II (delta 1 Tauri)

Em 25 de junho, a Lua -20% iluminada e com a elongação solar de 53°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado no sul do continente asiático, de acordo com a figura F, apresentada no quadro 1.

Planetas, asteroides e cometas!

As elongações de Mercúrio (magnitude = 1.3 nos primeiros dias deste mês) em serão favoráveis a alguma tentativa observacional dentro do crepúsculo vespertino, assim mesmo por alguns instantes após o ocaso do Sol, pois já no dia 19 ele estará em conjunção inferior; enquanto isso, Júpiter (-1.8) poderá ser acompanhado no horizonte oeste dentre as brilhantes estrelas da constelação de Gemini. A grande atração da noite e novamente prendendo a atenção dos observadores continua sendo Saturno (0.3), a informação recebida do astrônomo Nelson Travnik do Observatório Astronômico de Piracicaba (São Paulo, Brasil), mencionou que um público superior a 400 pessoas, esteve presente na noite de sábado (10/05) passado, para as observações da Lua e do planeta dos anéis. Fazendo companhia também a essa configuração celeste, Marte (-0.2) é uma boa opção observacional, entretanto vale lembrar que ele vem diminuindo gradativamente seu diâmetro aparente. Nesta época também será na constelação de Virgo a região onde o planeta anão (1) Ceres (magnitude 8.0) e também com o asteroide (4) Vesta (mag. 6.8), estarão bem posicionados para as nossas observações; já o asteroide (43) Ariadne, estará quase no limite observacional de pequenos instrumentos devido a sua magnitude em 15/06 estar estimada em 11.1. Em posts separados no mês passado, mencionei a fase favorável para as observações dos asteroides (22) Kalliope (http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/05/o-asteroide-22-kalliope-em-2014.html) e (29) Amphitrite (http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/05/o-asteroide-29-amphitrite-em-2014.html); creio que seja uma busca bastante interessante.

Aprofundando um pouco mais no período noturno, Netuno (7.9) já poderá ser novamente observado na constelação de Aquarius, visto que suas elongações já pronunciam uma oposição próxima e favorável aos seus registros fotográficos; embora mais brilhante Urano (5.9), localizado na constelação de Pisces será somente observado na madrugada, assim mesmo horas antes do nascer do Sol. A tabela 3 abaixo, novamente será um bom referencial para essa época do ano.

Mesmo com as magnitudes do planeta Vênus (-3.9) começando lentamente a diminuir,  elas não farão nenhum efeito negativo na beleza do céu antes do amanhecer. As constelações de Aries e Taurus ganharão com a presença deste planeta transitando por suas áreas um atrativo a mais. O alinhamento que ocorrerá na manhã do dia 24, entre Vênus, a Lua e o Aglomerado Aberto M-45 (Plêiades) ilustrado na figura 2, novamente tornar-se uma oportunidade excepcional para o registro por parte do pessoal dedicado a astrofotografias.

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 2:

A ocorrência das apsides (Perigeu e Apogeu) lunares dar-se-ão neste mês na seguinte sequência: Apogeu em 03/06 às 04:26 (UT), quando a Lua estará a 404.955 km, ocorrendo novamente outro Apogeu em 30/06 às 19:11 (UT), nesta oportunidade ela estará a 405.931 km do centro de nosso planeta; já o Perigeu ocorrerá em 15/06 às 03:35 (UT), quando a Lua então estará somente 362.061 km do centro da Terra.

Os cometas

Ao que tudo indica deverá ser o cometa C/2014 E2 (Jacques) o objeto celeste que prenderá a atenção de muitos observadores, sendo possível realizar suas observações após o ocaso do Sol atravessando as constelações de Monoceros (Mon) até o dia 06; em seguida o cometa ingressa na constelação de Gemini (Gem) onde permanecerá até o dia 10/06, quando então passará a constelação de Orin (Ori). Após o dia 15/06 suas elongações começam a ficar desfavoráveis (tabela. 4), visto que seu periélio previsto para 02 julho 2014 ocorre quase no mesmo instante de sua conjunção com o Sol. 

Eu faço gestões para que possa ser incluída também nas jornadas observacionais e Star Parties que ocorrerão este mês, a busca do cometa C/2012 X1 LINEAR (Lincoln Near Earth Asteroid Research); embora a melhor visibilidade deste cometa ocorra na segunda fase da noite, suas elongações e respectivo posicionamento está bastante favorável na constelação de Aquarius (Aqr) até 14/06 e depois em Pisces Austrinus (PsA) até o fim deste período,  fazendo com que ele se torne um objeto de fácil localização, embora suas magnitudes estejam diminuindo. 

No momento, o cometa C/2012 K1 Pan-STARRS é um astro mais acessível aos observadores do hemisfério norte, ele de fato prende a atenção daqueles observadores. Talvez seja pela sua magnitude (9.5) e pelo seu posicionamento (na constelação da Ursa Maior, até 07/06, ingressando em seguida em Leo Minor, chegando às cercanias de Leo a contar de 23/06), ele poderá ser observado na primeira fase da noite, evidenciado assim o profícuo período para observação e registro dessas passagens. 

CONSTELAÇÃO:

Boötes

A história registra que o Boieiro guiava um Urso em torno do polo, ao mesmo tempo em que numa de suas mãos mantinha o domínio de dois cães de caça; embora sempre que me vem a menção dessa constelação, de forma imediata e nos tempo atuais lembro daqueles que conduzem animais em pastagens sejam os vaqueiros e cowboys (nas Américas). De toda e qualquer forma, é muito fácil  localizar essa extensa constelação (figura. 4), mesmo por que Arcturus (mag. -0.0 e classe espectral K0III CH-1 CN-0.5) uma gigante alaranjada sendo também a quarta mais brilhante estrela do céu. 

Identifiquemos Muphrid (eta Bootis) uma estrela subgigante amarela de magnitude 2.6 e classe espectral G0IV numa das pontas dessa constelação; em seguida podemos facilmente encontrar Zeta Bootis (magnitude 3.7, classe espectral A2V) uma estrela anã branca a cerca de 175 anos luz do Sol no outro lado. 

Vista também Seginus (Gamma Bootis), agora podemos entender como a primeira estrela que compõem o braço destendido para cima deste Boieiro; essa é uma estrela gigante de magnitude 3.0 e classe espectral A7III de fácil localização; mas será Asselus Primus (Theta Bootis) uma estrela anã branco amarelada de magnitude 4.0 e classe espectral F7V, a mão que conduz os cães de caça. Nekkar (beta Bootis), uma estrela gigante padrão de classe G (um padrão realmente usado para a classe espectral G8), num outro extremo da constelação, que ajudará a compor o entendimento dessa região celeste. Alkalurops (Mu1 Bootis) é uma tripla, cujo componente mais brilhante é uma estrela de magnitude 4.3 e tipo espectral F0. Já Delta Bootis, uma estrela subgigante de magnitude 3.4 e classe espectral G8IV encontra-se cerca de 120 anos luz de distância do Sol. 

O Aglomerado Globular NGC 5466

A observação de Aglomerados Globulares é extremamente gratificante, entretanto para que você possa localizar o NGC 5466, a melhor recomendação será que utilize instrumentos com boa abertura ótica; esse aglomerado foi catalogado pelo astrônomo William Herschel em 1784, entretanto ele utilizou um telescópio de 18,6”, mas atualmente a aplicação de abertura de 200mm (8”) já será capaz de revelar a estrutura pouco concentrada desse objeto, alguns observadores reportam ainda que o ideal ainda será escolher uma noite quando não tenhamos a presença do luar. 

As Estrelas Duplas Xi Bootis e Izar 

Como eu mencionei no início deste texto, durante as realizações de Star Parties, existe um hábito de observarmos os objetos celestes que estão em maior evidência no céu, desta forma ainda os pedidos são sempre para as visualizações de planetas e geralmente nossas opções irão recaírem aos objetos de céu profundo (Deep-Sky Objetcs) e algumas estrelas duplas de fácil visualização. 

Xi Bootis, cuja componente principal, Xi Bootis A (mag. 4.5 e classe espectral G7V) é uma estrela anã amerelo alaranjada da sequência principal e sua companheira, Xi Bootis B (mag. 7.0 e classe espectral K5V) uma estrela anã vermelho alaranjada, são facilmente separadas com telescópios de 100mm (ou acima) e 80 vezes de aumento. A observação deste conjunto causará uma boa surpresa aos observadores, pois a separação de seis segundos de arco (6”) já está bastante acessível a esses instrumentos. 

Novamente Arcturus, será uma boa referência para a correta identificação de Izar (Epsilon Bootis, mag. 2.3 e classe espectral K0II-III) a componente principal de uma binária bastante observada no céu, uma estrela gigante alaranjada que está cerca de 202 anos luz do Sol e sua secundária; uma anã branca (mag 4.8 e classe espectral A2V) facilmente resolvidas com telescópios newtonianos de 150mm f/8; caso você tenha dificuldades em separar esse par (3” de arco), a sugestão é que utilize aumentos um pouco mais altos. O contraste de cores resultante é simplesmente sensacional o que vem fazendo com que alguns observadores se dediquem a esse registro observacional e fotográfico também.

Talvez meus amigos, muitos fiquem surpreendidos com as possibilidades observacionais que são oferecidas nesta constelação e foi exatamente isso que aconteceu comigo; entretanto como o céu sempre oferece um espetáculo diferente entre o ocaso e o nascer do Sol (e muitas vezes neste período também) aproveitemos as oportunidades (muitas vezes raras) de poder apreciar esse cenário tão igual para todos.

Boas Observações!

Referências:

- Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas - Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro (RJ) - 1987, 914 P.

- Campos, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2014, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2013, 111P.

- Cartes du Ciel - Version 3.8, Patrick Chevalley -  http://astrosurf.org/astropc - acesso em 31/04/2014.

- http://rea-brasil.org/cometas/14e2.htm - Acesso em 13/05/2014.

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