segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O céu do mês – Dezembro 2014

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

A ocasião agora proporcionada pelas festividades é também uma boa oportunidade de delinear nossos projetos e realizações vindouras.  A interessante apreciação por parte dos alunos (as) do Curso de Iniciação de Astronomia e Astrofísica, ministrado pelo CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) ao longo deste ano que brevemente finalizar-se-á, repercutiu de forma bastante proativa aos que até então trabalharam para mais essa realização. O principal motivo é que eles de forma bastante dinâmica, agora começam a colocar em prática o que somente conheciam de forma superficial, ou seja, a observação do céu. Doravante eles assim como nós, dispomos de nova ferramenta de auxilio no planejamento para que objetivos observacionais propostos como meta sejam atingidos, quiçá coroados de êxitos. 

Tomando por base os dados publicados no Almanaque Astronômico de 2015, conseguimos mensalmente elaborar um novo post, buscando sempre e da melhor forma possível, traduzir o que se pode extrair daquelas informações. Exemplo disso são as propícias ocultações de Urano que iniciaram em agosto último, abrindo um ciclo de ocultações deste planeta pela Lua (a qual ficarão imperdíveis, uma vez que o atual ciclo finaliza-se em dezembro próximo) que voltará novamente a repetir-se em 2022. 

Ainda que a chegada do solstício (será Verão no hemisfério Sul) recomenda outras atividades de lazer, não percamos a oportunidade, pois a fase Lua quando propícia favorecerá bastante à observação de Objetos Deep-Sky disponíveis este mês, que em especial, apresenta simplesmente a Galáxia do Cata-vento (M33) como que sinalizando com sua presença em meio às estrelas de um Triangulum Celeste, a melhor rota a seguir. 

Amigos (as) e companheiros (as) de jornadas observacionais! O convite para apreciações da esfera celeste dia a dia é renovado; lancemos e revigoremos nosso ânimo, pois é assim que chegamos ao céu.  

As Ocultações de Urano pela Lua

A primeira ocultação de Urano este mês ocorrerá em 02 de dezembro, com a Lua +77% iluminada e com a elongação solar de 123º. O planeta terá magnitude estimada de 5.8, podendo ser observado nas regiões adjacentes ao Círculo Polar Ártico de acordo com a figura A apresentada no quadro 1. 

Já a segunda ocultação de Urano este mês ocorrerá em 29 de dezembro, com a Lua +54% iluminada e com a elongação solar de 95º. O planeta terá magnitude estimada de 5.8, podendo ser o fenômeno observado nas regiões adjacentes ao Círculo Polar Ártico, bem como ainda nordeste da Ásia e América do norte de acordo com a figura B apresentada no quadro 1 e circunstâncias apresentadas na tabela 2. 

Ocultações de estrelas pela Lua 

Hyadum II (delta 1 Tauri)

Em 05 de dezembro a Lua +100% iluminada e com a elongação solar de 172°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado no Oriente médio, Sul da Europa, África setentrional e nordeste da América do Sul de acordo com a figura A, apresentada no quadro 2. Informações adicionais postadas em http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/12/a-ocultacao-de-hyadum-ii-delta-1-tauri.html

Lambda Geminorum

Em 09 de dezembro a Lua -92% iluminada e com a elongação solar de 148°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado na região ocidental da Europa, região norte do oceano Atlântico, América do Norte até o oceano pacífico de acordo com a figura B, apresentada no quadro 2. 

(Subra) Omicron Leonis

Em 12 de dezembro a Lua -72% iluminada e com uma elongação solar de 116°, ocultará a estrela omicron Leonis (Subra) de magnitude 3.5. Esse evento poderá ser observado no sudeste na África setentrional, Oceano Atlântico e nordeste da América do Sul de acordo com a figura C, apresentada no quadro 2. Informações adicionais postadas em http://skyandobservers.blogspot.com.br/2014/12/a-ocultacao-de-omicron-leonis-subra.html

Rho Sagittarii

Em 23 de dezembro a Lua +3% iluminada e com a elongação solar de 18°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado de forma diurna em grande parte da Ásia, região norte da África e Europa de acordo com a figura D, apresentada no quadro 2.

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 24 de dezembro a Lua +8% iluminada e com a elongação solar de 32°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado no sudeste da Ásia de forma noturna; já nas demais localidades dessa região, englobando também a região meridional da África o evento ocorre de forma diurna de acordo com a figura E, apresentada no quadro 2. 

Omicron Pisces (Torcular) 

Em 30 de dezembro a Lua +67% iluminada e com a elongação solar de 110°, ocultará a estrela Omicron Piscis (Torcular) de magnitude 4.3 e tipo espectral G8III. Esse evento poderá ser observado no norte da América do norte e também no nordeste da Ásia de acordo com a figura F, apresentada no quadro 2. 


Planetas, asteroides e cometas!

As ocultações de Urano (5.8) que ocorrerão este mês (já acima mencionadas), de forma indireta demonstram a facilidade de utilizar-se a Lua como referencial para a localização deste planeta junto às estrelas da constelação de Pisces; neste intervalo (entre um evento e outro) este planeta ainda encontrar-se-á estacionário em 22/12. Netuno (7.9) por sua vez, continua sua longa jornada atravessando a constelação de Aquarius e diminuindo gradativamente suas elongações. Enquanto isso Mercúrio (-1.0), Vênus (-3.9), Saturno (0.5) e os diminutos (134340) Plutão e (1) Ceres, estarão neste inicio de mês, mergulhados na imensa claridade do Sol. Se você dispõe de tempo hábil para observações que antecedam ao alvorecer do dia, Júpiter (-2.4) estará chamando a atenção principalmente em 12 de dezembro próximo, quando ele estará alinhado com a Lua e também próximo a brilhante Regulus (mag. 1.4) e demais estrelas da constelação de Leão; De acordo com a tabela 3 esse planeta nesta época apresentará um diâmetro aparente maior que 40 segundos de arco, quando um ligeiro incremento na magnitude é observado. 

Todavia as condições próximas ao início da segunda quinzena neste período estarão mais propícias para Saturno, que começará a ganhar condições observacionais a contar de 11 de dezembro quando estará visível próximo ao horizonte leste no crepúsculo matutino. Ao início da noite do dia 25, Marte (1.1) e Lua formarão um belo par celeste onde ambos estarão alinhados, produzindo uma conjunção celeste que poderá ser acompanhada à visão desarmada. Já no dia 26 próximo, Vênus (-3.9) já deverá ter condições de ser observado na linha do horizonte oeste; dentro do crepúsculo vespertino e um pouco mais baixo no horizonte poder-se-á buscar a localização de Mercúrio que também estará naquela área do Céu. 


Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 3:

A ocorrência das apsides (Perigeu e Apogeu) lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Apogeu em 12/12 às 23:04 (UT), quando a Lua estará a 404.583 km do centro de nosso planeta. Perigeu em 24/12 às 16:44 (UT), quando a Lua então estará somente 364.730 km do centro da Terra.

Asteroides

Embora as melhores oportunidades de observação de asteroides venham a ocorrer no próximo mês, neste período teremos uma boa oportunidade de observar (23) Thalia (mag. 9.1), muito embora as fases lunares não sejam muito propícias neste início de mês. Mas na noite do último dia deste ano ainda, o asteroide (10) Hygiea (mag. 10.0) estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.737) bem próximo a brilhante Mebsuta (3.0) em Gemini. 

Cometas

Neste período certamente o cometa Lovejoy (C/2014 Q2) estará bastante favorável as observações conforme apresentado na tabela 4. Ainda visível neste inicio de mês na constelação de Vela, ele poderá ser localizado na constelação de Columba a partir de 17 de dezembro, quando então cruzará aquela área do céu por 10 dias, chegando em 27/12 à constelação de Lepus com magnitude favorável aos telescópios de médio porte.

Enquanto isso, o cometa Pan-STARRS (C/2012 K1) poderá ser acompanhado na constelação de Phoenix também até o dia 17 próximo quando então chega à constelação de Sculptor. Com a magnitude estimada em torno de 10 (tabela 5), este cometa também estará favorável às observações com telescópios de médio porte.

CONSTELAÇÃO:

Triangulum

Essa é uma constelação que também chegou aos dias atuais através do Almagesto, a obra do astrônomo e matemático egípcio Claudius Ptlomeus (Sec. II d.C). Sendo uma das menores constelações (em extensão) conhecidas diversos autores mencionam (de forma correta) a não existência de brilhantes estrelas nesta região céu. Nem por isso suas estrelas deixam de caracterizar aquela região celeste de grande importância ao estudo do céu (figura 3).

Alpha Trianguli, ou ainda pela sua designação própria Methallah e uma gigante branco-amarelada de magnitude 3.4 classe e tipo espectral F5III que se encontra cerca de 65 anos luz do Sol, sendo também uma variável tipo ELL. Beta Trianguli na realidade a mais brilhante estrela dessa constelação, na outra ponta dessa figura geométrica celeste, tem uma magnitude visual de 3.0 sendo uma gigante branca de tipo e classe espectral A5III, sendo que Gamma Trianguli e uma estrela branca da sequencia principal de magnitude 4.0 de tipo e classe espectral A0V. 

Fora deste contexto 6 Trianguli destacará naquela constelação, e também por ser uma região bastante escura uma dupla física, que pode ser facilmente identificadas com telescópios de 100mm de abertura, cujos componentes possuem 5.2 e 6.6 de magnitudes estando em AP (Ângulo de Posição) 78º e separação de 3.9”. 
Objetos Deep Sky do Triangulo

Certamente iremos falar de M33, mas inicialmente vamos partir da hipótese que você esteja com um céu cujas condições observacionais sejam favoráveis. Então você inicialmente não poderá de deixar de observar as galáxias NGC 672 de magnitude 10.9, cuja fácil localização próxima da brilhante Alpha Trianguli tornará esse objeto celeste de fácil identificação devido também a sua dimensão 7.5 x 2.6 '. Próximo a Gamma Trianguli você encontrará a NGC 925 de magnitude 10.1, de dimensões um pouco maior que a primeira (10.9 x 6.2 ') ela também poderá ser facilmente localizada no campo da ocular. Não se assuste com a magnitude, então sugiro a utilização de aberturas da ordem de 250mm e 100 vezes de aumento.

M33

É praticamente unânime entre os astrônomos que M33, seja um dos mais brilhantes objetos celestes pertencentes ao nosso Grupo Local de Galáxias, sendo também a espiral mais próxima deste sistema formado por suas maiores representantes (Andrômeda M31 e a própria Via-Láctea).

Justamente por ser um objeto difuso, mas também brilhante com magnitude visual estimada em 5.7, o observador francês Charles Messier (1730 -1817) o classificou por número 15 em seu celebre catálogo, elaborado com o objetivo de registrar objetos difusos para não causar confusão com cometas.  

Esta galáxia, segundo a classificação inicial realizada por Edwin Powell Hubble em 1926, a qual é utilizada até os dias atuais, M33 é uma Espiral Normal dentro de numa subclassificação proposta ainda por ele como Sc. Mas de fato este brilhante objeto foi observado por diversos observadores como William Herschel, J. E. Bode, John Herschel e Thomas William Webb. Contudo foi William Parsons, o terceiro conde de Ross quem identificou a estrutura e braços em espiral em na galáxia do Tringulum (Burnham, 1978) ou Cata-vento M33.

Alguns observadores mencionam alguma dificuldade em observar com pequenos aumentos essa galáxia, entretanto eu recomendo a utilização inicialmente de binóculos, para na sequência aplicar aumentos maiores em telescópios de pequena abertura ótica. Mas ressalto que será necessário estar afastado da poluição luminosa. Observadores que utilizam aberturas óticas de 12 polegadas ou acima já conseguem obter detalhes dessa estrutura.

Certamente eu farei algumas outras observações dessa galáxia, buscando identificar um pouco mais a estrutura de seus braços em espirais que segundo algumas literaturas mencionam são mais azuis, devido a presença de estrelas supergigantes do tipo B. Eu ainda não prestei atenção a esse detalhe mas isso certamente já está anotado em minha caderneta para as próximas jornadas observacionais. Esses e outros detalhes já realimenta o ânimo para buscar maiores detalhes nesta região do céu. 

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2014. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2013. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2014.pdf> Acesso em: 08 set. 2014.

- AMORIM, Alexandre. REA/BRASIL, Florianópolis, set. 2014. Disponível em < http://rea-brasil.org/cometas/prog2014.htm>. Acesso em: 16 set. 2014.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 06/08/2014.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 pp. 1896–1903.– Inc. New York – USA, 1978.

- FERREIRA JÚNIOR, João Amâncio. GAI-CEAMIG, Coordenação do Grupo de Aquisição de Imagens do CEAMIG, Belo Horizonte, jul. 2014. Disponível em: < http://ceamig.blogspot.com.br/>. Acesso em: 25 set. 2014.

- WALKER, John. Fourmilab Switzerland (2014), Disponível em <http://www.fourmilab.ch/yoursky/catalogues/starname.html> - Acesso em 05/08/2014.

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