quarta-feira, 1 de abril de 2015

O céu do mês – Abril 2015

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

O céu neste mês logo em seus primeiros dias brindará os observadores, com uma nova oportunidade de observarem o primeiro eclipse total da Lua, dos ocorrerão deste ano. Então eu desejo sorte a aqueles observadores que já estão se preparando para realizarem seus registros fotográficos e cronometragens da passagem das sombras (Imersão e Emersão) pelas principais crateras do relevo lunar. Por falar nela então, lembro que neste mês ocorrerão duas das apsides lunares (Apogeo), quando esses pouco mais de 405.000 mil quilômetros de distância ficarão mais evidentes. Aldebarãn (0.9), Lambda Geminorum (3.6) e (Subra) Omicron Leonis (3.5) também em momentos distintos na segunda quinzena deste mês serão ocultas pelo disco lunar. Não percamos a oportunidade de observar Júpiter e os eventos mútuos de seus satélites galileanos: Callisto, Io e Ganimedes este mês. E por falar em planetas, o crepúsculo vespertino de 22 de abril, novamente será uma nova e grande oportunidade, quando poderemos registrar o brilhante Vênus, juntamente com Aldebarãn, Elnath, Lua e a brilhante Capella. Noites adentro durante esse período tão especial, pois se comemora em diversas partes do mundo o Mês Global da Astronomia (do inglês = Global Astronomy Month) – GAM 2015; minha sugestão e que façamos um giro também pelo hemisfério celeste norte; Leo Minor possui alguns objetos e estrelas que poderá ser uma boa fonte de observações. Noites estreladas para todos!

O Eclipse Total da Lua

Em 04 de abril teremos a ocorrência do primeiro eclipse total da Lua, quando então observadores de toda Ásia, Oceania, oceano Pacifico e regiões mais a oeste das Américas terão a oportunidade registrar este evento, estando ele ocorrendo com a Lua no Nascer (Oceania e Ásia), e com a Lua no ocaso (Américas). O evento será observado em sua totalidade para os observadores localizados na região do oceano Pacífico.  Veja maiores informações sobre as circunstâncias de visibilidade bem como os instantes de Imersão e emersão das principais crateras e características do relevo lunar em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/04/o-eclipse-total-da-lua-em-04-de-abril.html

Ocultações de estrelas pela Lua 

Zubenelhakrabi (Gamma Librae)

Em 07 de abril a Lua -89% iluminada e com a elongação solar de 142°, ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esse evento poderá ser observado na Oceania (Austrália) e no sul do continente africano (África do Sul, Moçambique, Zâmbia e sul de Madagascar) conforme demonstra a figura A, apresentada no quadro 1.

Rho Sagittarii

Em 12 de abril a Lua -52% iluminada e com a elongação solar de 92°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado em grande parte ao norte da Ásia (Afeganistão, Armênia, Azerbaijão, China, Índia, Irã, Mongólia, Paquistão, Rússia, Turcomenistão e Uzbequistão), de acordo com a figura B, apresentada no quadro 1.

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 13 de abril a Lua -40% iluminada e com a elongação solar de 79°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no sudeste da Ásia e na região leste da África de acordo com a figura C, apresentada no quadro 1. 

Ancha (Theta Aquarii)

Em 15 de abril a Lua -19% iluminada e com a elongação solar de 51°, ocultará a estrela Ancha (Theta Aquarii) de magnitude 4.2 e tipo espectral G8. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no nordeste e no sudeste da Ásia, ocorrendo já no crepúsculo vespertino no Sul asiático; no sul do oriente médio e na região nordeste da África a ocultação ocorre na parte noturna do dia de acordo com a figura D, apresentada no quadro 1. 

Hyadum II (delta 1 Tauri)

Em 21 de abril a Lua +10% iluminada e com a elongação solar de 36°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado na região sul da Ilha de Sumatra na Indonésia e na África; ocorrendo naquela região já na parte diurna do dia, de acordo com a figura E, apresentada no quadro 1.

Aldebaran (alpha Tauri)

Ainda em 21 de abril a Lua, neste instante com +11% iluminada e com a elongação solar de 39°, ocultará a brilhante estrela Aldebaran (Alpha Tauri) de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Esse evento poderá ser observado no norte da Ásia; já na região do Ártico, Península Escandinava, Groenlândia e norte da América do Norte (Canadá e norte dos Estados Unidos) o evento poderá ser acompanhado no período diurno de acordo com a figura F, apresentada no quadro 1.

Lambda Geminorum

Em 24 de abril a Lua +37% iluminada e com a elongação solar de 75°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado nas regiões Sul, Central da Ásia, incluindo o Oriente Médio no período noturno; já na Europa (incluindo a Islândia e o Sul da Groenlândia), norte da África, Atlântico norte e nordeste da América do Norte, o evento ocorre na faixa diurna do dia, conforme demonstra a figura G, apresentada no quadro 1.

(Subra) Omicron Leonis

Em 27 de abril a Lua +65% iluminada e com uma elongação de 107°, ocultará a estrela omicron Leonis (Subra) de magnitude 3.5. Esse evento poderá ser observado na região norte da Austrália e Sudeste da Ásia em sua parte noturna; já no Oriente Médio, e nordeste da África, o evento ocorre no período diurno de acordo com a figura H, apresentada no quadro 1.

Planetas, asteroides e cometas!

A profusão de planetas, alinhados próximos à linha do ocaso contribuem de forma bem significativa para que mesmo aquele cidadão, menos acostumado as sutis nuances celestes, fiquem também admirados com a pintura celeste, senão vejamos: Mercúrio (-1.1), cuja conjunção superior ocorrerá no dia 10 próximo, estará com uma elongação de 0.8º W, entretanto em 22 de abril, essa elongação já estará estimada em 13.1º E, de sorte alguma observação possa ser realizada, visto que as melhores condições observacionais ocorram somente no próximo mês. O brilhante Vênus (-4.1) cujo periélio ocorre em 10 de abril, também vem aumentando suas elongações; sendo que cada vez mais brilhante no poente, aumentará mais um pouco sua magnitude. Na contra mão de seus pares interiores, Marte (1.4) vem a cada dia diminuindo suas elongações, sendo que após o dia 18, já deverá estar imerso na claridade do crepúsculo vespertino. Entretanto, existindo boas condições de visibilidade e, sobretudo, ausência de poluição atmosférica, os admiradores do céu, deverão encontrar ao entardecer do dia 22 de abril próximo (figura 2), Mercúrio e Marte, próximo a eles, o Aglomerado Aberto M 45 (Plêiades), enquanto que Vênus estará em meio as brilhantes estrelas: Aldebarãn (0.9), Elnath (1.6) e Capella (0.0). A presença da Lua (-8.4) complementará esse quadro; certamente um dos mais belos desta época. 

Saturno (0.2) continua de fácil visibilidade em meio à constelação de Escorpião (tabela 2), suas elongações aumentando a cada dia, prenunciam que vem próxima sua oposição.

Enquanto isso bastante brilhante no céu, Júpiter (-2.3) prenderá ainda por um bom tempo, nossa atenção em meio às estrelas da constelação de Câncer, com seus brilhantes satélites naturais sempre favoráveis as observações com pequeno instrumental. Novamente informo que uma efeméride completa destes eventos (exemplo na figura. 3 abaixo), mas para todo o ano de 2015, poderão ser obtidas nas páginas do Almanaque Astronômico Brasileiro (disponível para download em: http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf) do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais). 

Agora mergulhado na claridade solar, portanto sem condições observacionais da superfície da Terra, Urano (5.9) em 06 de abril estará em conjunção com o Sol, sendo que já no dia seguinte estará também no Apogeo de sua órbita, quando a distância a Terra é estimada em 20,9994 UA. Enquanto isso de forma solitária na constelação de Aquarius, o longínquo Netuno (7.9) tem um pequeno aumento de suas elongações, consequentemente isso influenciará também na sua magnitude, ele ainda é observável durante a segunda fase da noite (madrugada).

Sol = O quadro 2 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal , (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.  

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 3:

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Apogeu em 01/04 às 13:00 (TU), quando a Lua estará a 406.011 km do centro de nosso planeta, Perigeu em 17/04 às 03:54 (TU), quando a Lua então estará somente 357.583 km do centro da Terra. Entretanto novo Apogeu dar-se-á ainda neste mês em 29/04 às 03:56 (TU), quando a Lua novamente estará a 405.083 km do centro da Terra. 

As novidades que deverão chegar através das câmaras da missão Dawn do planeta menor (1) Ceres (magnitude: 9.0), fará com que ele seja o centro da mídia e não é para menos, pois isso demonstra o quanto temos que analisar sobre os asteroides do cinturão principal. De modo nenhum isso tira o incentivo às observações mais modestas, ao contrário, ilustram muito mais as observações. Então (1) Ceres poderá ser observado na segunda fase da noite na constelação de Capricórnio. Enquanto isso, em 17 de abril próximo (134340) Plutão (14.1) em 17 de abril estará estacionário (Instante em que o movimento aparente de um astro, passa de direto para retrógrado, MOURÃO, 1987). Mas em situação quase semelhante (do ponto de vista exploração espacial), dia 12 de abril tem início as operações de aproximação da missão Novos Horizontes (do inglês = New Horizons) com o planeta duplo Plutão-Charon. É aguardar para novas novidades. 

Asteroides

Novamente a constelação de Virgem neste mês torna-se palco as oposições dos principais asteroides do Sistema Solar e a fases lunares nesta época, estarão extremamente favoráveis (nova em 18/04) a essas observações, então não deveremos ter dificuldade de identificar entre Spica (1.0) e 98 Virginis (de magnitude 4.1) o asteroide (20) Massalia que nesta oposição se encontrará com magnitude estimada em 9.3); dois dias depois (22/04) e também próximo aquela região celeste encontraremos o asteroide (64) Angelina com uma magnitude estimada em 10.9 sendo boas referências de busca, as estrelas 100 Virginis (4.9) e ET Virginis de magnitude 4.9. No dia 24/04 então e naquela mesma região celeste você poderá utilizar as mesmas estrelas (100 Vir e ET Vir) para procurar o asteroide (19) Fortuna, visto que estará com uma magnitude estimada em 10.7. A brilhante Syrma (magnitude 4.0) ou Iota Virginis, uma gigante branca de magnitude e classe espectral F6III, será um farol na identificação do asteroide (11) Parthenope nesta oportunidade com magnitude 9.7. Penso que estas são ótimas referências de uma região muito conhecida entre os astrônomos já familiarizados com aquela região do céu.

Cometas

Certamente os observadores serão unânimes em afirmar que o cometa Lovejoy (C/2014 Q2) foi um objeto celeste que desde sua passagem periélica ocorrida em janeiro passado, chamou a atenção dos astrofotógrafos no primeiro quadrimestre deste ano. Já agora devido ao seu afastamento do sistema solar interior, suas magnitudes gradativamente diminuem também, mas ainda dentro dos limites observacionais de instrumentos de pequeno e médio porte, assim mesmo em locais afastados dos grandes centros urbanos. A tabela 3 baixo traz suas efemérides para que auxiliem os observadores a observarem de forma derradeira este belo cometa.

CONSTELAÇÃO:

Leo Minor

Embora seja essa constelação considerada por alguns autores como uma das menores existentes, esse pequeno grupo de estrelas boreais(Figura. 4) poderá ser localizada entre as constelações de Leo (Leão), Ursa Minor (Ursa Menor) e Lynx (Lince). Este fato baseia-se leva em consideração d a existência naquela área do céu de estrelas com baixa fraca magnitude; desta forma, sua identificação poderá estar dificultada a partir de pontos observacionais existentes em grandes centros urbanos.

Leo Minor foi descrita pela primeira vez pelo astrônomo alemão Johann Hevelius (1611 - 1687) em sua obra Prodromus Astronomie (MOURÃO, 1987). A constelação é identificada em contorno por um pequeno triângulo, formado pelas estrelas: 21 LMi (Leo Minoris), Beta LMi e 46 LMi. Aliás, essa constelação também não possui uma estrela alfa, sendo que a estrela de maior brilho nesta região será 46 LMi, uma estrela gigante alaranjada de magnitude 3.8 e tipo espectral K0. Esta estrela também e conhecida como Omicron LMi (ALMEIDA et al. 2000). Existe ainda uma designação como nome próprio para essa estrela chamada de Praecipula (GIBSON, 2014).


Enquanto isso, Beta LMi também é uma gigante alaranjada de magnitude visual 4.2, tipo e classe espectral G9III. Trata-se de uma dupla que foi catalogada em 1904 pelo observador de estrelas binárias William Joseph Hussey (1862 – 1926). Ela ainda foi incluída como suspeita de variabilidade (NSV 4999) junto a AAVSO podendo ter uma amplitude entre máximo e mínimo de 3.79 a 3.84 magnitude. Já 21 LMi é uma estrela branca de magnitude 4.4, classe e tipo espectral A7V(n), que tem um brilho 10 vezes maior que o Sol e encontra-se cerca de 92 anos-luz de distância.

Estrelas Duplas

Aquela região celeste contém uma série de duplas interessantes, então como acima mencionado, Beta LMi possuirá um par cujos componentes estão são tão próximos que será necessário um telescópio de abertura (mínima) de 18 polegadas (460mm). Nesta mesma abertura ótica, e possível também observações de 11 LMi (também catalogada por William Hussey), uma anã da sequência principal (Diagrama HR) de magnitude 4.8 e coloração amarelo-laranja, com tipo espectral G8V (WDS, 2014). RM LMi (uma gigante vermelha) de magnitude 6.0, tipo e classe espectral M2III já será uma dupla de fácil separação bastando uma abertura de 180mm (7.0 polegadas) a qual voltaremos a falar ainda dessa estrela. 7 LMI, uma gigante amarelo alaranjada de magnitude 5.9 tipo e classe espectral G8III. Observadores reportam que utilizando aberturas de 130mm com 50 vezes de aumento, e possível a observação do par AB, sendo 7 LMi a (mag 5.8) e 7 LMi b (mag 9.6) (WDS, 2014); entretanto observações realizadas no início do século passado, indicam tratar-se na realidade de um sistema triplo de estrelas, então 7 LMI c é estimada com magnitude de 9.8, AP (Ângulo de Posição) = 213° e 97.8'' (Separação angular).

As Variáveis Beta e RX LMi

Beta LMi a gigante alaranjada de magnitude acima mencionada foi incluída no NSV (New Catalogue Suspected Variable Stars) como suspeita de variável e até a presente data seu status não foi alterado. RX LMi e uma estrela variável gigante do tipo SRB (gigantes de tipos espectrais tardios (M, C, S ou Me, Ce, Se) com periodicidade mal definida (ciclos médios desde 20 até 2300 dias) ou com intervalos alternados de mudanças periódicas e de mudanças lentas irregulares, e até de intervalos de luminosidade constante; normalmente a cada estrela deste tipo é atribuído um período médio (ciclo), mas em alguns casos são dados simultaneamente dois ou mais períodos de variação de luminosidade (ANDRADE et al, 2000).

R e S LMi - Variáveis de Longo Período

R LMi é uma variável LPV (Variáveis de Longo Período, do inglês = Long Period Variables), cuja amplitude de brilho, vão quase da faixa do visível a olho nu (6.3) a magnitude 13.2, com um período de 372.19 dias. Sua cor vermelha intensa, especialmente quando próximo ao máximo, faz desta estrela um objeto interessante observada ao telescópio (MENZEL, 1975). S LMI por sua vez, também apresentará uma amplitude semelhante, sendo que entre máximos e mínimos suas magnitudes chegam a 7,5 e 14,3 respectivamente com um período de 233,83 dias; portando um pouco mais curto, mas dento do limite para as variáveis LPV.  Ante os fatos mencionados  encontraremos na tabela 4, efemérides geradas também pela AAVSO para o período 2015 - 2022 e 2023.


Objetos de Céu Profundo (Deep–Sky)

A possibilidade de utilizamos telescópios de maiores aberturas (geralmente e por uma questão prática, creio que aberturas acima de 250mm, já não comportam telescópios portáteis), digamos de 450mm e desde que esses equipamentos estejam em região privilegiadas, bem como importante mencionar, longe da Poluição Luminosa dos grande centros urbanos, faz com que Leo Minor seja uma boa região celeste para realizamos a habitual busca de objetos de céu profundo.

Então nesta oportunidade achei duas galáxias bastante interessantes de se observar com essas aberturas óticas. A dupla de galáxias NGC 3344 e NGC 3486 separadas para essa finalidade compensará de forma surpreendente os esforços empregados para essa tarefa.

O NGC 3344, é uma galáxia espiral barrada (SBbc) de magnitude 9.9 e possui as dimensões aparentes de 7.1 x 6.8’, sendo seu brilho de superfície estimado em 13.9 (VLASOV, 2008). Pela figura 5 podemos notar que seu núcleo e pouco brilhante, aparecendo de maneira mais enriquecido sua estrutura espiral.  Já a galáxia NGC 3486 de magnitude 10.5 é uma galáxia espiral (SBc), possuindo as dimensões aparentes de 6.8 x 4.8’, sendo seu brilho de superfície estimado em 14.3, seu braços um pouco mais tênue fará evidente um núcleo um pouco mais brilhante.

Tornar-se então bastante interessante lembrar que esse simples (mas encantador) esquema de classificação de galáxias inventando por Edwin Powell Hubble (1889–1953) é usado até os dias atuais. Talvez por isso mesmo, a observação de galáxias desperta (e muito) a atenção do público quando em vistas a observatórios destinados a esse atendimento.

Um dos primeiros e mais simples esquemas de classificação de galáxias, que é usado até hoje, aparece no livro de 1936 de Edwin Hubble, “The Realm of the Nebulae”. O esquema de Hubble consiste de três sequências principais de classificação: elípticas, espirais e espirais barradas. Nesse esquema, as galáxias irregulares formam uma quarta classe de objetos.

Eu creio que essas poucas notas, constituirão elementos suficientes para que numa próxima jornada observacional, seja aquela região celeste um nicho para os demais observadores. Certamente essa região surpreende. Por último desejo a todos os amigos observadores da esfera celeste, astrônomos e aficionados,  muito sucesso nas jornadas astronômicas que realizar-se-ão dentro do GAM 2015, pela passagem de tão expressivas atividade para a ciência astronômica em nível global.

Tornar-se então bastante interessante lembrar que esse simples (mas encantador) esquema de classificação de galáxias inventando por Edwin Powell Hubble (1889–1953) é usado até os dias atuais. Talvez por isso mesmo, a observação de galáxias desperta (e muito) a atenção do público quando em vistas a observatórios destinados a esse atendimento. 

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em: 08 dez. 2014.

- ____________. Sky and Observers, Belo Horizonte; Agosto 2012: Disponível em: < http://skyandobservers.blogspot.com.br/2012_08_01_archive.html> Acesso em 26 Jan 2015.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 p. 2110.– Inc. New York – USA, 1978.

- MENZEL, Donald H. A Field Guide to the Stars and Planets Including the Moon, Satellites, Comets and Other Features of the Universe; Houghton Mifflin Company; (March, 1975), Boston, MA (USA), 397p.

- ALMEIDA, Guilherme de. RÉ, Pedro. Observar o Céu Profundo. ISBN-972-707-278-X. Ed. Plátano Edições Técnicas, 1ª Edição, Julho 2000; Lisboa Portugal. 339p.

- AMORIM, Alexandre. REA/BRASIL, Florianópolis, Set. 2014. Disponível em < http://rea-brasil.org/cometas/prog2015.htm>. Acesso em: 12 jan. 2015.

- ____________. Anuário Astronômico Catarinense 2015. Florianópolis: Ed: do Autor, 2014. 180p.
  
- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 11 Jan. 2015.

- GIBSON, Steven J. NAIC National Astronomy and Ionosphere Center, 2014. Disponível em: < http://www.naic.edu/~gibson/starnames/starnames.html> - Acesso em: 05 Ago 2014. 

- MASON, Brian; HARTKOPF, William.  The Washington Double Star Catalog (WDS/USNO). Disponível em: <http://ad.usno.navy.mil/wds/wdstext.html#files>. Acesso em: 08 Ago. 2014.

- ANDRADE, Joana et al, Séries Temporais para a Análise de Estrelas Variáveis, (Projecto PESO/ P/ PRO/ 40152/ 2000); Depto. De Matemática, Universidade da Madeira, Funchal - Portugal. Disponível em: < http://ccm.uma.pt/publications/1282ccm-02-65.pdf>. Acesso em: 08 Dez. 2014.

- VLASOV Michael. Deep Sky Objects Illustrated Observing Guide. 109p. SAC 7.7 database. Data courtesy of the Saguaro Astronomy Club (saguaroastro.org) Disponível em: <http://www.deepskywatch.com/files/dso-guide/DSO-observer-guide-full.pdf>. Acesso em: 25 Fev. 2015.

- American Association of Variable Star Observers, AAVSO/vsots, The International Variable Star Index: 2005-2013. Disponível em: < http://www.aavso.org/vsx/index.php?view=detail.top&oid=5638 > - Acesso em: 12 Jan. 2015.

- General Catalog of Variable Stars (GCVS) Sternberg Astronomical Institute, Moscow (Sep., 2009, Epoch 2000): Disponivel em: < www.handprint.com/ASTRO/XLSX/GCVS.xlsx> – Acesso em: 08 Dez 2014.

O Eclipse Total da Lua em 04 de abril 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

I – Introdução

Em 04 de abril teremos a ocorrência do primeiro eclipse total da Lua, quando então observadores de toda Ásia, Oceania, oceano Pacifico e regiões mais a oeste das Américas terão a oportunidade registrar este evento, conforme apresentado na figura 1. O evento será observado em sua totalidade para os observadores localizados na região do oceano Pacífico.  

Já observadores localizados no oeste da Austrália e regiões do sudeste da Ásia, terão essa visibilidade com a Lua no Nascer; já observadores localizados na costa oeste das Américas observarão o evento no ocaso. Os instantes de contato primários e as principais fases deste eclipse, também são apresentados na figura acima com tempos estimados em UTC = Tempo Universal Coordenado (em inglês: Coordinated Universal Time).

II – Imersão e Emersão de crateras

Da mesma forma na tabela 1 abaixo, são apresentados, em tempo universal coordenado, os horários previstos para os contatos com centro de crateras e outros acidentes lunares mais facilmente identificáveis no relevo lunar. 

III – Ampliação e dimensões da Umbra

Segundo ainda o físico Hélio de Carvalho Vital, coordenador da área de eclipses da REA/RJ (Brazilian Observational Astronomy Network), a magnitude umbral deste evento difere muito pouco do valor 1, abaixo do qual, ele seria parcial. A diferença é inclusive menor que as oscilações normalmente encontradas nas dimensões da umbra.

Será total ou não esse eclipse? Na verdade, é difícil afirmar, pois a magnitude umbral dele difere muito pouco do valor 1, abaixo do qual, ele seria parcial. A diferença é inclusive menor que as oscilações normalmente encontradas nas dimensões da umbra. 

Além disso, segundo Hélio Vital, a Lua totalmente eclipsada cruzará de forma rasante o extremo norte da umbra. Nessas condições, tornam-se muito elevadas as incertezas dos contatos U2 e U3 (fase total), e mesmo se eles ocorrerão ou não.  De forma que, é possível que aqueles que observem este evento fiquem na dúvida se o disco lunar terá ou não mergulhado inteiramente na umbra ou se a calota da Lua ao norte, mais brilhante, terá permanecido todo o tempo apenas na penumbra.

Estes cálculos foram realizados, ampliando-se em 1,376% o valor da paralaxe lunar, o qual corresponde à média encontrada em nossas análises de vários eclipses. Além disso, optou-se pelo uso do valor teórico para o achatamento da umbra projetada sobre o disco lunar, como deduzido pelo astrônomo belga Jean Meeus, especialista em mecânica celeste. Para este eclipse, ele é igual a 1/211,1. Ressalta-se que tal valor é superior àquele associado ao geóide, o que reduz a previsão para a duração da fase total para apenas 25 segundos. Além disso, caso a umbra se apresente com diâmetro ligeiramente abaixo de seu valor médio, a totalidade pode nem mesmo ocorrer.

IV – Avaliações da coloração segundo a Escala de Danjon

Outro fato curioso é que a Lua permanecerá muito brilhante durante todo o evento, inclusive com sua borda ao norte branco-azulada e, caso não haja influência significativa de aerossóis provenientes de grandes explosões vulcânicas, sua magnitude visual no meio do eclipse deverá ser mv=-3,5±0,5.

Felizmente temos como avaliar isso. O astrônomo francês André-Louis Danjon (1890 - 1967) propôs uma escala de cinco pontos úteis para avaliar o aspecto visual e o brilho da Lua durante a fase de totalidade dos eclipses lunares. Os valores "L" (inseridos na tabela 2) para várias luminosidades são definidos da seguinte forma:

V – Conclusão

Se teremos um eclipse mais claro ou escuro, certamente a gigatesca tela lunar revelará essa informação aos observadores somente durante a ocorrência deste eclipse. Da mesma forma que os eclipses de 09 dezembro de 1992, 29 de novembro de 1993 e 16 maio de 2003 mostraram-se significativamente mais escuros que o previsto. Os eventos vulcânicos responsáveis por esses efeitos foram identificados, destacando-se dentre eles: a violenta explosão do Monte Pinatubo em Junho de 1991 e a erupção do Monte Reventador em Novembro de 2002 (VITAL, 2007).

Caso algum observador nesta área possa realizar algumas cronometragens de imersão e emersão das crateras ou mesmo realizar estimativas da coloração utilizando a Escala de Danjon, a coordenadoria de Eclipses da REA, que foi criada em 2003 acolherá seus dados da melhor forma possível, visto que a influência de explosões vulcânicas ocorridas neste princípio de ano, estão sendo capazes de injetar novamente uma grande quantidade de cinzas na estratosfera terrestre.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 03 dez. 2014.

- VITAL, Hélio Carvalho. E-Mail (Correspondência Pessoal). 06 Out. 2014, 19:08 (HLB).

- ___________. Monitorando Explosões Vulcânicas na tela Lunar. REA/Brasil. REPORTE Nº 12, págs. 67/69. 2007. Disponível em:  http://www.rea-brasil.org/reportespdf/reporte12-artigo11.pdf Acesso em: 05 mar. 2015.

The April 04 2015 lunar eclipse, most likely total

Helio C. Vital
lunissolar@gmail.com
REA/Brasil 
(Lunissolar Section Coordinator)

A lunar eclipse will be visible from western North America, eastern Asia, the Pacific and Oceania as the Moon will cross the northern half of Earth`s shadow on April 4, 2015. It is expected to be a very interesting event due to the fact that at 12:00 UT its umbral magnitude will probably barely exceed 1.00. It is thus within the range of current uncertainties associated with the size of Earth`s umbra (the darker inner region of Earth`s shadow). Consequently, as surprisingly as it may seem, this time it may not be utterly appropriate to simply predict that it will be a total eclipse.

It has been widely known for centuries now that in order to reproduce the observed radius of the shadow cast by our planet, an enlargement factor must be used in the lunar eclipse calculations. The most rigorous way to do so is to assume that such excess is due to the influence of Earth`s atmosphere, that would slightly increase the visible size of our planet or, more accurately, the equatorial horizontal parallax of the Moon, that is the predominant term in the models for calculation of the size of Earth`s umbra.

However, for reasons not yet fully understood, that contribution varies significantly not only from one eclipse to another, but also during the eclipses themselves, as we have concluded from the analyses of seven thousand contact timings. Furthermore, systematic and statistical observational errors only partially explain the variations. Therefore indications are that they are also due to: (1) random localized physical disturbances in the mesopause, that cause some observed mean contact times of craters to depart significantly from calculations, superimposed on (2) diurnal and semidiurnal cycles of air density fluctuations at the top of the mesosphere, that would explain fairly significant (3–7%) differences in the observed heights of the optically active atmosphere, found to be consistently higher during the entrance of craters in the umbra. A rough analogy that can be used to understand those two effects would be to consider the roughened surface of the sea, with localized waves produced by the wind, sea depth etc, adding to tidal effects, which cause the mean level of the sea to oscillate.

As example of such variations, we estimated the atmospheric contribution to the radius of the umbra as 1.258% during the eclipse on May 25, 1975 based on analyses of 583 crater and limb contact timings. Such value contrasts with 1.435% determined from the 672 timings of the July 06, 1982 eclipse. Those extreme figures differ in 14% and can be compared with our overall mean of (1.343±0.058) %. The corresponding height of that atmospheric layer can be simply determined by multiplying that value by Earth`s equatorial radius such that 0.01343 x 6378 = 85.7±3.7 km.

In our analyses, predicted and mean observed contact times have usually agreed within ±0.3% (≈±0.3 min.) with roughly 1/5 of crater timings departing more than that, up to ±0.5%. By using our program to predict umbral contacts times, we entered different values for the atmospheric enlargement (or contribution) and calculated the corresponding durations of totality as listed in Table 1:


Note how the duration of totally becomes sensitive to the height of the optically active layer of Earth`s atmosphere, a mere 5-meter causing a difference of 11.7 seconds between options 6 and 7. Option 3 refers to NASA Fred Espenak`s predictions of 4m43s for totality. By using our programs, it was possible to calculate the values for the parameters that would reproduce it. Our prediction for duration of totality is 6 minutes and 47 seconds considering the atmospheric contribution remains close to its all-time mean. 

Also for this particular event, the probability of a total eclipse can be roughly estimated based on our statistics of thirty past events. Assuming a normal distribution; recalling the mean percent value of the atmospheric Moon`s parallax as 1.343 and its sample standard deviation as 0.058; and also using the minimum threshold value for detection of totality (listed as option 6 in Table 1 as 1.2500, we find that such value is (1.343-1.250)/0.058 = 1.6 standard deviations below the mean. Then the probability of the umbra being larger than that, meaning a total eclipse, can be obtained from Gaussian Tables as 95%. In other words, we can say that the chance of this eclipse being partial is only 5% or 1 chance in 20. Strictly speaking, that is as far as we can go.

As a guide for those willing to time the advance of Earth`s umbra across the lunar disc, Table 2 lists our predictions, considering ∆T=67.8s. The calculations are based on mean values found in our statistical analyses of observed data from more than 30 lunar eclipses. Different values were used for immersions and emersions.

Analyses of both the duration of totality as well as crater and limb contacts timed during this event could be used to accurately determine the size of the umbra during the eclipse. Thus the science of lunar eclipses still thrives on them. So please send us your crater timings (lunissolar@gmail.com). During totality, sunlight passes through Earth`s atmosphere and, after being partially absorbed and scattered, a small fraction of it is refracted towards the Moon. Consequently, an observer on the lunar surface would observe a bright ring shining around Earth`s dark silhouette, corresponding to our backlit atmosphere. That initially bluish-white ring would gradually become reddish as deeper and darker layers of our atmosphere would increasingly contribute to its appearance and so would the very sensitive lunar screen, illuminated by it.

The brightness of the Moon during totality depends primarily on how deep it is inside the umbra and also on how clean our stratosphere is. During this event, the path of the Moon through the umbra will most probably be as shallow as it can be for a total eclipse. Since the outer regions of the umbra are less dark, that would contribute to make it a bright eclipse. In addition, since no major volcanic eruptions have occurred recently, the stratosphere is expected to be free of volcanic dust, its major source of pollution.

Consequently, this eclipse is expected to be roughly as bright as a total clipse can be. In terms of visual magnitude, our expectation is that at mideclipse, the Moon will be shining at m=-3.5±0.3. Since such estimates are rare and valuable, please share yours with us and good luck on your observations. 


O asteroide (2) Pallas em 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 12 de junho próximo, o asteroide Pallas estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.244), quando então sua magnitude chegará a 9.4, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 
 
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 4 Vesta foi descoberto em 29 de março de 1807 pelo astrônomo alemão Wilhelm Olbers (1758 - 1840) no Observatório de Bremen. Seu nome é uma alusão a Vesta, filha de Cronos e de Réia. Deusa da casa, particularmente do lar doméstico. Em Roma suas sacerdotisas (as Vestais) constituíam o corpo sacerdotal mais importante e também objeto do mais alto apreço. (Mourão, 1987).

Pontos de interferometria realizado em 1983 indicou a presença de um grande satélite. Em 1926, van den Bos e Finsen relataram uma observação visual que Pallas era duplo (Apud. Finsen, W.S., 926. In Report of Union Observatory, Mon.Not,R.astr.Soc., 86, 209.) Não há evidências que ocultações secundárias foram obtidos na época das ocultações primárias de estrelas ocorridas em 29 de maio de 1978 e 29 de Maio de 1983. Ambos os eventos foram bem observados.

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 03 dez. 2014.

Observación de Meteoros

CAMPAÑA DE SECCION MATERIA INTERPLANETARIA
LIGA IBEROAMERICANA DE ASTRONOMÍA

ABRIL 2015

LAS LÍRIDAS (LYR) 

Del 16 al 26 de abril se produce la lluvia de meteoros Líridas, en la constelación Lyra cuyo máximo es en fecha 22, esta fascinante lluvia de meteoros es producida por fragmentos del cometa Thatcher de 1861 que impactan con nuestra atmósfera y que presenta un máximo de 15 meteoros por hora, pero con algunas de sus zonas particularmente densas que proporcionan hasta 100 por hora en algunas ocasiones. Un 15% de estos meteoros presentan estelas persistentes, algunas de ellas impresionantes. Las Líridas de magnitud -2 ó más brillantes presentaron en gestiones pasadas estelas prolongadas visibles con prismáticos por más de 5 minutos y en ocasiones bólidos con estelas de varios minutos de duración a simple vista.

Zona de la radiante de las Líridas

PI PÚPIDAS (PPU)

Otra de las lluvias importantes para abril son las Pi Púpidas en la constelación Popa o Pupis factible de ser observada desde el hemisferio sur del 15 al 28 de abril, su máximo es el 23, presenta meteoros muy brillantes cuya velocidad aparente lenta los hace fáciles de identificar. Solicitamos a los observadores un especial esfuerzo en el estudio continuo de esta lluvia entre el 20 y 26 de abril, pero muy especialmente las noches del 22, 23 y 24 de abril. En ocasiones este enjambre asociado al cometa 26P/Grigg-Skjellerup ha producido estallidos de actividad de hasta 50 meteoros/hora o más.

Zona de la radiante de las Pi Púpidas

Otras lluvias y radiantes para abril:

Las dos primeras semanas de abril tenemos varios radiantes activos que se proyectan alrededor de las constelaciones Virgo y Bootes. Las Virgínidas (VIR) suelen producir 5 meteoros/hora, su velocidad geocéntrica media es de 35 km/s (similar a la del resto de radiantes del complejo) cuya actividad máxima se produce el 25 de abril. Dadas esas velocidades geocéntricas producirán meteoros moderados y lentos dependiendo de la geometría de su aparición en la bóveda celeste. Las Alfa Boótidas (ABO) podrán seguirse con máximos el 22 y 28 de abril.

Otra de los radiantes de meteoros a observar en abril son las Sigma Leónidas que tienen características especiales con meteoros lentos de color blanco y amarillo con actividad baja pero de meteoros muy brillantes, cuya actividad máxima se produce el 17 de abril. 
Esperamos sus reportes y consultas.

Cielos claros para abril.

Pável Balderas Espinoza pavelba@hotmail.com Tarija-Bolivia
Coordinador General
Sección Materia Interplanetaria 
LIADA

Dr. Josep M. Trigo trigo@ieec.uab.es Barcelona-España
Co-coordinador
Sección Materia Interplanetaria
LIADA

O Dia da Invasão Extraterrestre

Nelson Alberto Soares Travnik*
nelson-travnik-@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba – SP

O problema da existência ou não de outros planetas habitados, sempre foi motivo de grande discussão. Desde tempos imemoriais, filósofos e homens de ciência dele se ocuparam. A partir da descoberta do primeiro planeta extrassolar em 1992 orbitando o pulsar PSR 1257, seguiram-se milhares de outros e hoje sabemos que não estamos sozinhos no universo, não somos uma civilização especial e muito menos centro da criação e privilegiados pelo grande arquiteto.

CLIMA TENSO 

Transcorria o ano de 1938. O mundo, particularmente a Europa e Estados Unidos viviam num clima tenso provocado pela ameaça de um novo conflito mundial. A Alemanha arruinada pelo Tratado de Versalhes ressurgia como potência tecnológica e militar, pretendendo ocupação de mais territórios, o chamado “espaço vital”. Nos ares a presença imponente do dirigível Hindenburg com aquela enorme suástica, incomodava enormemente europeus e americanos. Como se não bastasse, a possibilidade de Marte abrigar vida inteligente era algo que dividia a opinião dos astrônomos provocando a mais acirrada discussão da história da ciência. 

Se Marte era habitado, como seriam seus habitantes? Que grau de civilização estariam? Como sobreviviam em um planeta desértico com uma atmosfera extremamente rarefeita, submissos a receber doses letais de radiações solares e do espaço? E é justamente nos Estados Unidos que surge o maior defensor da presença de habitantes em Marte: Percival Lowell (1855-1916). Diplomata, homem rico, ele abandonou a carreira para construir um grande observatório; o seu “Castelo de Marte” nos altiplanos do norte do Arizona, Flagstaff. 

Munido de uma grande luneta com objetiva de 61 cm de diâmetro. Dedicou sua fortuna e 15 anos de sua vida para estudar Marte. Desenhando centenas de canais, ele defendia a idéia que eram obra de engenharia dos seus habitantes para retirar água dos pólos na irrigação das áreas desérticas. Até certo ponto, a obstinação de Lowell era explicável: no século XIX, os canais eram de importância crucial para o comercio internacional e o maior deles, o de Suez, constituía uma marca da inteligência humana. Aqui mesmo no Brasil não estamos construindo um canal para levar água do rio São Francisco às regiões áridas do nordeste? Em um futuro longínquo talvez a escassez de água potável não nos leve também a construir uma rede de canais partindo dos pólos? Sendo válido este raciocínio, se os marcianos estariam em um grau avançado de civilização, aquele globo azul com abundante atmosfera e conseqüentemente muita água, não seria a solução para uma migração? 

OS MARCIANOS INVADEM A TERRA

Sob um clima tenso já mencionado, na tarde de domingo 30 de outubro de 1938, a crença nos marcianos transformou-se em dura realidade para, pelo menos, 20 milhões de norte-americanos que ouviam através da Rádio CBS de Nova York, no programa Mercury Theatre, uma encenação da “A Guerra dos Mundos”, obra de ficção escrita em 1898 pelo romancista e escritor de ficção científica, Herbert George Wells (1866-1946). 

Através de boletins sucessivos, os ouvintes eram informados de que hordas incontroláveis de naves marcianas invadiam a Terra em atitude hostil. As forças armadas do nosso planeta requisitadas para repelir o invasor estavam sendo desmanteladas, destruídas e pulverizadas uma após a outra. Os marcianos, exóticos seres esverdeados de baixa estatura, haviam escolhido New Jersey para seu quartel general. Lançando feixes de raios vermelhos e verdes, as naves invasoras iam minando as defesas penetrando nas cidades e destruindo tudo a sua frente. 

A evacuação dos grandes centros processava-se como única alternativa. Antes do inicio do programa havia sido feita uma advertência de que o mesmo tratar-se-ia de uma encenação. Contudo muitos pegaram ‘o bonde andando’ (o programa já estava sendo transmitido) e o resultado foi que durante os 45 minutos que durou o programa, a população de Nova York principalmente se envolveu de tal forma, que o pânico se apoderou de mais de um milhão de pessoas que saíram às ruas aterrorizadas com as ‘noticias’ que anunciavam uma invasão marciana e a destruição da cidade.  A evacuação da cidade por muitos que temiam ver um marciano em cada esquina, provocou um engarrafamento colossal.  

O protagonista da brincadeira que gerou até suicídio e milhares de telefonemas à Rádio era Orson Welles que se transformaria mais tarde em um dos mais consagrados cineastas que o mundo conheceu. Desnecessário dizer que após o programa, muitos foram à porta da Rádio que se viu em sérios apuros para convencer seus ouvintes de que tudo não passava de uma encenação. Com medo de ser linchado, Orson Welles teve que sair por uma porta dos fundos! Muitos se sentindo prejudicados, moveram processos contra a Rádio que ao final saiu-se ilesa devido ao aviso feito antes do programa começar. Refeito o susto, todos puderam respirar aliviados. Mais tarde o tema viu-se transportado as telas sob o mesmo título: “A Guerra dos Mundos”, primeiro em 1953 e depois em 2005, este último sob a direção de Steven Spielberg, ambos num estrondoso sucesso de bilheteria. 


Orson Welles ensaia pouco antes de transmitir por rádio a sua adaptação de “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells.

* - Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.