sexta-feira, 1 de maio de 2015

O céu do mês – Maio 2015

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Nobres amigos(as) de jornadas pelo Céu! 

Menciona um adágio latim: "Macte Animo! Generose puer sic itur ad astra" (numa tradução livre: Coragem jovens! É assim que se vai aos céus) assim vejo com alegria todas as realizações que foram desempenhadas no mês último, por ocasião do Mês Mundial da Astronomia (Global Astronomy Month), que ele é organizado a cada mês abril pela AWB (Astrônomos Sem Fronteiras, do inglês = Astronomy Without Borders) sendo a maior a maior comemoração da Astronomia em escala mundial desde o inesquecível 2009. Eis também que o Telescópio Espacial Hubble (Hubble Space Telescope) também comemorou em 24 de abril último a 25 anos, apresentando e ampliando bastante o Universo. No Brasil acontecimentos importantes também marcaram essa importante época, sendo pontos altos a apresentação do céu através de diversas atividades as quais menciono: A Observação da Lua durante o dia, uma inciativa bem interessante dos integrantes do Clube de Astronomia de Rio Preto (São José do Rio Preto-SP) ao realizarem observações da Lua a luz do dia com estudantes em 06 de abril; o 8º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica, ocorrido em Campos de Goytacazes-RJ ocorrido entre os dias 09 a 11 de abril, que nesta oportunidade trouxe a iraniana Anousheh Ansari (Soyuz TMA-9) dentre outras personalidades; Não sendo diferente em Belo Horizonte-MG, integrantes do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) em parceria com o no MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal, realizamos um bate papo e observação do céu a luz do tema: Astronomia Sem Fronteiras. 

Sigamos então em frente. A oposição de Saturno em 22 de maio próximo, fará com que ele (e também Júpiter e seus satélites) sejam os objetos mais observados em nossas Star Parties; as ocultações de estrelas pela Lua também serão acompanhadas em diversas partes do mundo e certamente chamará a atenção de nossos observadores; a luz diurna então a ocultação de Urano é ideal para a identificação deste planeta na esfera celeste  e tem mais coisas ocorrendo também; e somente conferir e contribuir com suas observações. Desta vez comentaremos algumas nuances da constelação Musca; de muito fácil localização, ela tem algumas preciosidades que podem ser facilmente acompanhadas pelos amigos(as) e observadores persistentes. Noites estreladas para todos! 

Nota sobre o Eclipse da Lua de 04 de abril

Ainda que não tenha recebido nenhum dado observacional de cronometragens de contatos da umbra pelas crateras e principais características do relevo lunar do eclipse lunar de 04 de abril, diversas imagens foram realizadas onde pessoas de diversas regiões da Ásia (Índia), Oceania (Nova Zelândia) e América do Norte (Canadá), registram este evento de forma magnífica. Destaco aqui informações dos amigos Sulach Sono e equipe do Surabaya Astronomy Club (Indonésia), Divyadarshan D.Purohit e equipe do Gurudev Observatory, Vadodara (Índia).

Ocultações lunares 

Zubenelhakrabi (Gamma Librae)

Em 05 de maio a Lua -99% iluminada e com a elongação solar de 168°, ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esse evento poderá ser observado no sul da América do Sul (Argentina, extremo sul do Brasil, Chile e Uruguai) conforme demonstra a figura A, apresentada no quadro 2 e instantes de circunstâncias apresentados na tabela 2 abaixo.


Dabih Major (beta Capricorni)

Em 10 de maio a Lua -63% iluminada e com a elongação solar de 105°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no sudeste da Ásia e na região leste da África de acordo com a figura B, apresentada no quadro 2. Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/05/a-ocultacao-de-dabih-major-pela-lua-em.html

Ocultação de Urano em 15 de maio

Em 15 de maio a Lua -9% iluminada e com a elongação solar de 36°, ocultará o planeta Urano (5.9). A fase de desaparecimento do planeta poderá ser observada de forma diurna numa extensa região do oeste da África (Cabo Verde e Senegal) bem como ainda na América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai) de acordo com a figura 2 abaixo. Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/05/a-ocultacao-de-urano-pela-lua-em-15-de.html

Ancha (Theta Aquarii)

Em 15 de maio a Lua -40% iluminada e com a elongação solar de 78°, ocultará a estrela Ancha (Theta Aquarii) de magnitude 4.2 e tipo espectral G8. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no norte da África (Argélia, Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Cabo Verde, Líbia, Marrocos, Níger, Senegal e Tunísia) e também em partes da Europa (Albânia, Alemanha, Andorra, Croácia, Rep. Checa, Eslovênia, Espanha, França, Itália, Malta, Liechtenstein, Portugal e Suíça), atravessando o oceano atlântico esse evento poderá ser acompanhado já no crepúsculo vespertino em algumas regiões do nordeste do Brasil, sendo já o período noturno na América do Sul nas seguintes nações: Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Na América central o evento ocorre no período noturno nas seguintes regiões: Barbados, Costa Rica, Rep. Dominicana, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis, Trinidad e Tobago de acordo com a figura C, apresentada no quadro 2. Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/05/a-ocultacao-de-ancha-theta-aquarii-pela.html

(Subra) Omicron Leonis

Em 24 de maio a Lua +42% iluminada e com uma elongação de 81°, ocultará a estrela omicron Leonis (Subra) de magnitude 3.5. Esse evento poderá ser observado de forma noturna na África (Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Gabão, Gana, Níger, Nigéria, Senegal, São Tomé e Príncipe e Togo) e também no nordeste da América do Sul (Brasil) sendo que na em sua porção norte (Colômbia e Venezuela), o evento ocorrerá dentro do crepúsculo vespertino. O Evento poderá ser observado dentro da faixa diurna na América Central (Barbados, Cuba, Ilhas Cayman, Rep. Dominicana, Jamaica, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis, Trinidad e Tobago) e também partes da América do Norte (Bermudas, Canadá, Estados Unidos e México) de acordo com a figura D, apresentada no quadro 2.  Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/05/a-ocultacao-de-omicron-leonis-subra.html



Rho Sagittarii

Em 09 de maio a Lua -74% iluminada e com a elongação solar de 119°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado de forma diurna na Europa e dentro do crepúsculo matutino no norte da África. Já na região do oceano Atlântico norte e costa leste da América do norte o evento ocorrerá dentro do período noturno de acordo com a figura A, apresentada no quadro 3. 

Hyadum II (delta 1 Tauri)

Em 18 de maio a Lua +1% iluminada e com a elongação solar de 10°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado de forma diurna dentro da faixa crepuscular vespertina na América do Sul (região do Equador e norte do Peru), sendo que no oceano pacífico o evento ocorre dentro da faixa diurna do dia conforme com a figura B, apresentada no quadro 3.

Aldebaran (alpha Tauri)

Ainda em 19 de maio a Lua, neste instante com +1% iluminada e com a elongação solar de 13°, ocultará a brilhante estrela Aldebaran (Alpha Tauri) de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Esse evento poderá ser observado de forma diurna nas regiões polares do norte da Ásia (Rússia) e da América do Norte (Canadá e Estados Unidos – Região do Alasca) de acordo com a figura C, apresentada no quadro 3.

Lambda Geminorum

Em 22 de abril a Lua +17% iluminada e com a elongação solar de 48°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado em partes da região do Mar do Caribe na América Central (Cuba, Ilhas Cayman, República Dominicana, Jamaica e Porto Rico), América do Norte (Bermudas, Canadá, Estados Unidos e México) chegando até regiões do nordeste da Ásia e leste da Sibéria (Rússia), conforme demonstra a figura D, apresentada no quadro 3.

Planetas, asteroides e cometas!

Júpiter (-2.0), Saturno e Vênus estarão dominando o céu sendo que até na primeira metade da noite, teremos a oportunidade de acompanhar Júpiter e seus satélites naturais, quando novamente diversos eventos mútuos de desaparecimento, reaparecimento, eclipses entre eles estarão ocorrendo. A tabela 3 abaixo, extraída do Almanaque Astronômico Brasileiro (disponível para download em: http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf) do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), apresenta o diagrama saca rolhas e uma efeméride para esse mês com os principais eventos dos satélites galileanos. 

Como mencionada a oposição de Saturno este ano o deixará mais favorável às observações (consequentemente também a identificação de seus satélites naturais) devido a sua distância a Terra, sendo estimada em 8.9673933 u.a, magnitude 0.0 e um diâmetro de 18,45" dando uma boa oportunidade também para o registro de seus anéis. Mercúrio (1.4), então neste período deverá apresentar sua fase em dicotomia já em 02/05; em 07 de maio, já em máxima elongação leste (21.2º E) ou vespertina. Destes dias também o brilhante Vênus (-4.2) estará aumentando suas elongações de forma que seu posicionamento vespertino esteja completamente favorável a mais uma época para observações, época então extremamente oportuna para o registro de suas fases. Marte (1.5) agora está de fato mergulhado na claridade da luz solar, conforme podemos constatar numa breve análise da tabela 4 abaixo, o melhor então e começar a planejar seus registros observacionais na sua próxima elongação matutina que terá início em julho.

Conforme comentado no mês anterior, Urano (5.9) esteve em sua conjunção com o Sol e também no Apogeo de sua órbita; mas chamará a atenção de nossos observadores neste mês devido a sua ocultação diurna pelo disco lunar em 15 de maio próximo. Geralmente alguns observadores conseguem algum registro, visto que o tempo de duração da ocultação do disco planetário e bem amplo, estimado aproximadamente entre +/- 4.3 à +/- 4,8 segundos; Netuno (7.9) continua aumentando suas elongações, sendo que neste mês ele continuará com a mesma magnitude e visibilidade na madrugada. Quais serão as surpresas que aguarda o diminuto Planeta Menor (134340) Plutão?  Já estamos na expectativa e isso também é válido para (1) Ceres, uma vez que as missões Dawn (NASA/JPL) e New Horizons (NASA e Johns Hopkins University) já iniciaram seus processos de aproximação orbital com seus respectivos Planetas Anões, apresentando no caso de (1) Ceres até mesmo uma votação mundial para escolha de um ponto em sua superfície como marco inicial de meridiano para aquele corpo celeste. Estão somente começando as surpresas que a Dawn está transmitindo de (1) Ceres, pois a figura 3.A, já apresenta duas das principais (e intrigante) manchas existente na superfície deste planeta menor. Então neste mês, a contar de 09/05, a espaçonave Dawn iniciará suas manobras para órbitas mais baixas melhorando gradativamente a visão desses pontos.

As primeiras notícias da New Horizons também começam a chegar e parecem que as novidades a cerca de 30 u.a de distância da Terra são ótimas, visto que conforme podemos observar na figura 3.B parece existir uma calota polar em Plutão.

Sol = O quadro 4 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.  

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 3:

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Perigeu em 15/05 às 00:24 (TU), quando a Lua então estará somente a 366.023 km do centro da Terra e Apogeu em 26/05 às 22:14 (TU), a Lua estará a 404.245 km do centro de nosso planeta.  

Asteroides

Após uma boa parte dos asteroides terem como pano de fundo a constelação de Virgem, este mês (18) Melpomene estará em oposição logo amanhã (02/05) com uma magnitude (10.3) favorável e ao alcance de pequeno instrumental ótico. Entretanto a região celeste em que poderemos localizar facilmente este asteroide será a constelação de Libra, próximos as estrelas 11 Lib (4.9) uma gigante laranja de tipo e classe espectral K0 III/IV, que encontrar-se-á cerca de 218 a.l e também 16 Lib (4.4) uma estrela branco amarelada da sequência principal no diagrama HR de tipo e classe espectral F2 V cuja distância encontra-se estimada em 87.7 a.l. Essas estrelas serão as guias para uma localização segura partindo da brilhante Zubeneschamali (Beta Lib) de magnitude. 2.6. 

As pesquisas e observações realizadas em torno destes corpos celestes, mesmo as realizadas através de grandes observatórios, vem ganhando cada vez mais popularidade entre o público, visto que as perspectivas que sem abrem são enormes. Não bastasse a surpresa que reservou-nos o asteroide 10199 Chariklo, com seus 2 anéis (Oiapoque e Chuí) em 2013, agora temos a confirmação da presença de anéis em torno do asteroide 2060 Chiron (1977 UB), este asteroide também do tipo centauro, que localizam-se após a órbita de Saturno.  

Cometas

As boas surpresas proporcionadas por esses visitantes são mesmo um atrativo a parte para os mais atentos a seus movimentos pela esfera celeste. Recém descoberto (em 07 de abril último na constelação de Capricórnio, pela equipe do MASTER-SAAO Observatory, Sutherland – África do Sul), o cometa C/2015 G2 MASTER, sem sombra de dúvidas já seu tornou nesses dias a grata surpresa celeste, haja visto sua proximidade em 18 de abril com a nebulosa Helix (NGC 7293) em Aquário. Já então neste mês, além de seu periélio que ocorrerá em 23 de maio, teremos sua maior proximidade a Terra quando então sua distância estará estimada em cerca de 0.474 u.a., conforme podemos consultar na tabela 5 abaixo.

Se bem que tecnicamente a janela observacional para as observações do cometa Lovejoy (C/2014 Q2), esgotou-se para os observadores no hemisfério austral, é perfeitamente possível realizar registros fotográficos deste cometa no hemisfério setentrional visto que encontrar-se neste mês dentre as estrelas das constelações seguintes: Cassiopéia, Cefeu e Ursa Menor. O posicionamento do 19P/ Borrely nas proximidades do Sol prejudicará muito qualquer tentativa de observação visual o que é realmente uma pena.

CONSTELAÇÃO:

Musca

A ideia de representar também no céu alguns animais, um tanto quanto excêntricos e existentes nos mares do sul, parece realmente ter encantado o médico e astrônomo Jean Bayer incluiu além de outras constelações uma abelha no céu, essa denominação parece encontrar-se na obra Uranometrie, publicada em 1604. Esta constelação, inicialmente designada como Abelha, por John Bayer em 1603, foi mais tarde nomeada Mosca pelo astrônomo germânico Jacob Bartschius. De fácil localização, essa constelação austral (figura. 4) está compreendida entre as ascensões retas de 15h25min e 16h31min, e as declinações de -42˚,2 e -60˚,2 sendo limitada ao sul pela constelação de Chamaeleon (Camaleão), a oeste por Carina (Quilha), ao norte por Centaurus (Centauro) e Crux (Cruzeiro do Sul) e a leste por Circinus (Bússula) e Apus (Ave do Paraíso), ocupando uma área de 138 graus quadrados. (MOURÃO, 1987).

Muito embora seja essa constelação peque, você se surpreenderá bastante, pois aquela região celeste de Musca é bem grande, se comparada com sua vizinha Crux. Desta forma e com estrelas de muito fácil localização, encontraremos Alfa Muscae uma estrela branco azulada de magnitude 2.6, tipo e classe espectral B2IV-V (WDS, 2014), Beta Muscae, de magnitude 3.0, tipo e classe espectral B2.5V (WDS, 2014) e Gamma Muscae, de magnitude 3.5, tipo e classe espectral B4V, todas elas de fácil localização; entretanto se utilizarmos aberturas de 250mm teremos a grata surpresa de observar a companheira de Beta Muscae b, de magnitude 3.9. Vão completar ainda esse quadro naquela parte da constelação, Lambda Muscae, uma estrela anã branca de magnitude 3.6, classe e tipo espectral A7V, que encontra a cerca de 127 a.l de distância do Sol; na região mais austral da constelação encontraremos Delta Muscae, uma gigante alaranjada de magnitude 3.6, classe e tipo espectral K2III, dentre elas a que se encontra mais próxima, cerca de 90.9 anos luz de distância.

Aglomerados Globulares na Musca

Embora estejam próximos daquela região celeste, excepcionais cúmulos de estrelas e nebulosas separamos 2 objetos de céu profundo (DSO = Deep-Sky Objetcs) bem ao alcance da instrumentação mais utilizada por nós, os telescópios de pequeno e médio porte. Então o Aglomerado Aberto NGC 4833 (figura 5) é muito fácil de encontrar visto sua magnitude 8.4, localizando se próximo a estrela Delta Muscae. Mas será HD 112608, uma estrela amarela de magnitude 8.0 que denunciará a presença do aglomerado no campo ótico de uma ocular de grande campo, uma vez que dentro de seu bojo a maior parte das estrelas, encontram-se com magnitude em torno de 12; como bem descreveu John Herschel: brilhante, grande, redondo, de forma gradual, em seguida muito de repente, mais brilhante no meio (O'MEARA e MOORE, 2002).

Entretanto já para o Aglomerado Globular NGC 4372, o observador John Herschel o classificou como: muito  fraco, grande e redondo. De fato as estrelas em seu núcleo central são menos brilhantes; entretanto HD 107947 uma estrela branca de magnitude 6.6, classe e tipo espectral A0V denunciará as demais de delicado e fraco brilho. 

As Variáveis Cefeidas Clássicas

As estrelas variáveis cefeídas clássicas, são estrelas que variam entre o maior e o menor brilho; portão são estrelas variáveis muito luminosas. A grande importância das estrelas Cefeidas está em sua utilização para a determinação de distâncias galácticas e extragalácticas; desta forma uma vez mensurada a sua luminosidade, podemos determinar também a sua luminosidade intrínseca o que permite conhecer a sua distância pela fórmula: m - M 5 - 5 log d.

As Variáveis Cefeidas estão ainda divididas em várias subclasses que exibem diferentes massas, idades e histórias evolutivas e na constelação de Musca podemos encontrar alguns ótimos exemplares; desta forma selecionamos 2 em especial, R Muscae e S Muscae respectivamente, apresentando na tabela 6 abaixo suas efemérides para os próximos meses: 

 T e BO Mus - Variáveis de Longo Período

T e BO Mus são estrelas variáveis LPV (Variáveis de Longo Período, do inglês = Long Period Variables), cuja amplitude de brilho no caso de BO Muscae em seu período de máximo já está dentro do limite de visibilidade a olho nu (neste caso 5.3), de tipo e classe espectral M6II-III (uma gigante vermelha) e com um período de 134.2 dias. T Muscae, já não estará dentro deste limite visto que seus máximos e mínimos visuais em 7.6 - 8.6, respectivamente, entretanto perfeitamente ao alcance de pequeno instrumental.

No último mês, segundo a publicação da AAVSO (American Association of Variable Star Observers), “LPV Circular for Mar 25, 2015 to Apr 24, 2015”, o observador australiano de estrelas variáveis Andrew Pearce, informou as seguintes estimativas para T Mus: 8.8 e 8.9 respectivamente; já BO Mus suas estimativas foram: 6.1 e 6.2. Desta forma e incentivando sempre as observações visuais destas estrelas, encontraremos na tabela 7, efemérides geradas também pela AAVSO para o período 2015 - 2017.

Diante de uma área celeste tão densamente povoada de objetos de tantas peculiaridades, que como exemplo foram acima mencionados, eu tenho certeza que essa mosca não vai atrapalhar nossas observações; alias será o oposto, pois quando você apontar seu telescópio naquela região celeste, então você ficará contagiado pelas maravilhas que guardam aquela parte surpreendente do firmamento.

O fantástico concerto dos céus!

O período que se encerrou sem duvidas foi um dos mais produtivos para a ciência astronômica de uma maneira geral: star parties, reuniões, encontros regionais, observações solitárias, um eclipse, um fantástico radiante de meteoros, a confraternização pelo dia da Terra enfim uma gama de acontecimentos que deixaram a todos realmente muito felizes; mas também algumas notícias tristes chegaram é que não deixamos de alguma sentir e ficar com aquela sensação de impotência perante as forças da natureza, então deixo aqui registrado meus sentimentos pelos amigos da Ásia em especial na Índia e Nepal que de alguma forma foram vitimados pelo intenso tremor de 25/04 06:11 GMT (Greenwich Mean Time). Bem voltando ainda ao prisma da ciência astronômica, e utilizando esse espaço simples; deixo registrado no composer de fotografias abaixo (figura 6), minha gratidão por época tão profícua. Eu quero que vocês tenham uma certeza: Juntos, fazemos a diferença!



Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em: 08 dez. 2014.

- ____________. Sky and Observers, Belo Horizonte; Agosto 2012: Disponível em: < http://skyandobservers.blogspot.com.br/2012_08_01_archive.html> Acesso em 26 Jan 2015.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23673-0 p. 2110.– Inc. New York – USA, 1978.

- AMORIM, Alexandre. REA/BRASIL, Florianópolis, Set. 2014. Disponível em < http://rea-brasil.org/cometas/prog2015.htm>. Acesso em: 22 Abr. 2015.

- ____________. Anuário Astronômico Catarinense 2015. Florianópolis: Ed: do Autor, 2014. 180p.
  
- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 11 Jan. 2015.


- MASON, Brian; HARTKOPF, William.  The Washington Double Star Catalog (WDS/USNO). Disponível em: <http://ad.usno.navy.mil/wds/wdstext.html#files>. Acesso em: 08 Ago. 2014.

- VLASOV Michael. Deep Sky Objects Illustrated Observing Guide. 109p. SAC 7.7 database. Data courtesy of the Saguaro Astronomy Club (saguaroastro.org) Disponível em: <http://www.deepskywatch.com/files/dso-guide/DSO-observer-guide-full.pdf>. Acesso em: 25 Fev. 2015.

- O'MEARA; Stephen James. MOORE, Patrick - The Caldwell Objects - Cambridge University Press / S&T, 2002. Disponível para Download em: <http://akclas.ru/books/caldwell.pdf> - Acesso em 29 Abr 2015.

- BROWN, Dwayne. NASA Press Release 15-078 de 29 de abril de 2015 <http://www.nasa.gov/press-release/nasa-s-new-horizons-detects-surface-features-possible-polar-cap-on-pluto> - Acesso em 30 Abr 2015.

- American Association of Variable Star Observers, AAVSO/vsots, The International Variable Star Index: 2005-2013. Disponível em: < http://www.aavso.org/vsx/index.php?view=detail.top&oid=5638 > - Acesso em: 30 Abr. 2015.

- General Catalog of Variable Stars (GCVS) Sternberg Astronomical Institute, Moscow (Sep., 2009, Epoch 2000): Disponivel em: < www.handprint.com/ASTRO/XLSX/GCVS.xlsx> – Acesso em: 08 Dez 2014.


- SAAO - South African Astronomical Observatory, Press Release. Disponível em:  <http://www.saao.ac.za/press-release/possible-ring-system-found-around-a-minor-planet/> Acesso em 28 Abr 2015.

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