domingo, 1 de novembro de 2015

Finados, momentos de reflexão e presença da astronomia

Nelson  Travnik
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba-SP

No próximo dia 2, é o momento de reverenciarmos nossos familiares e amigos que partiram para um outro plano. Saudades, lembranças, preces e instantes de reflexão. A palavra cemitério vem do grego ‘koimeterion’ e significa ‘lugar onde dormir’. Em meio a jazigos ricamente construídos, deparamos com alguns extremamente simples contendo belíssimas frases e mensagens afetivas expressando o sentimento dos familiares. “Fui quem tu és, serás como eu sou” é a frase que está no portal de um cemitério em Minas e que nos leva a refletir sobre a efemeridade da vida. Ver que somente a moralidade de nossas ações perpetua e confere beleza e dignidade a nossa existência. 

OS  MARCADORES  DO  TEMPO

O tempo determina inexoravelmente a duração da nossa existência e o mais antigo instrumento concebido pelo homem para medir isto é o relógio do Sol. A partir de uma simples estaca no chão, os relógios do Sol evoluíram em formas e tamanhos objetivando determinar a hora e com isto as estações do ano e o calendário com a maior precisão possível. De extraordinário valor pedagógico, histórico, cultural e turístico, eles se encontram nas mais variadas formas em praças, escolas, paredes de prédios, igrejas, conventos, mosteiros, fazendas antigas e estações de trem. No Brasil o mais antigo fica na parede da igreja de São Francisco Xavier em Niterói, fundada pelo padre José de Anchieta em 1572. Outro antigo e bonito exemplar encontra-se em Tiradentes, MG, instalado em 1712 em frente a igreja de Santo Antonio. No País já foram catalogados mais de 200 desses aparelhos. Esse levantamento foi realizado pelo Clube de Astronomia do Rio de Janeiro, CARJ. O existente na Praça Nossa Senhora da Conceição em Franca, SP, construído pelo frei Germano d’ Annecy em 1886, é considerado o mais bonito. De várias faces, foi construído com mármore de carrara.

RELÓGIOS DO SOL EM CEMITÉRIOS ?

Por mais estranho que possa parecer, existem no Brasil dois relógios do Sol em cemitério. E todos eles em Minas Gerais. O primeiro se encontra em Belo Horizonte, no Cemitério do Bonfim. Foi construído pelo escultor Eustáquio Pinto a pedido do pai do falecido senhor Fenelon Ribeiro que foi associado nº 201 do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais, CEAMIG. Não há data de sua construção mas é certo que foi entre os anos de 1980 e 1990. A informação é do astrônomo e membro do CEAMIG, Antonio Campos. O segundo por mim construído em 2006, encontra-se instalado no Cemitério Municipal de Matias Barbosa, MG, no túmulo perpétuo da família Travnik. É do tipo vertical em mármore branco  contendo um Sol radiante. As pessoas que visitam o túmulo constatam que ele marca a hora certa. Pequena diferença fica por conta da chamada ‘equação do tempo’ pois ele marca a hora solar verdadeira.  A fotografia abaixo mostra detalhes do relógio.


Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. 

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