domingo, 1 de novembro de 2015

Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu: o que estamos aprendendo?

Outubro 2015

Aléxia Lage de Faria
alagef@gmail.com

“Olhem para as estrelas e aprendam com elas.”
Albert Einstein


O Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu tem como objetivo criar e manter a cultura da observação e reconhecimento da esfera celeste entre os associados recém-ingressos nos quadros do CEAMIG – Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CAMPOS, 2014). Os membros se reúnem aos sábados para estudo teórico e/ou prático e mensalmente realizam observações, quando as condições do tempo assim permitem. 

Atualmente, as reuniões do grupo se concentram no estudo relativo às estrelas, tendo sido abordados até o momento os seguintes assuntos:

1. Via Láctea: constituição, estrutura, geometria e dimensões.

2. Conceitos sobre velocidade radial, velocidade transversal, movimento próprio, massas e dimensões das estrelas, equilíbrio térmico e equilíbrio hidrostático.

3. Estrelas Duplas: duplas ópticas, duplas verdadeiras, binárias espectroscópicas, binárias eclipsantes, binários astrométricos, duplas visuais, separação aparente, ângulo de posição, órbitas verdadeiras, órbitas relativas, periastro, apoastro, órbita aparente, pares Relfix

4. Estrelas Variáveis Intrínsecas: variáveis pulsantes, variáveis eruptivas e variáveis do tipo R Coronae Borealis.

Dentre os diversos tópicos, destaca-se em especial o entendimento do conceito de ângulo de posição, aprendido durante o estudo do item Estrelas Duplas.

E o que aprendemos sobre Ângulo de Posição?

É o ângulo formado entre o meridiano celeste que passa pela estrela primária com a linha que liga a primária à estrela secundária (MOURÃO, 1987, p. 38).

A estrela primária também pode ser denominada como estrela principal ou componente A, e a estrela secundária, por componente B (se houver mais, serão designadas por C, D, e assim por diante). A denominação de componentes por letras é utilizada quando eles estão angularmente próximos. Quando estão angularmente afastados, são designados por componente 1 e componente 2, por ordenação crescente de ascensão reta e utilizando a mesma letra grega. Ex: Epsilon1 e Epsilon2 Lyrae ou de alfa1 e alfa2 Capricorni. (ALMEIDA, 2000, p. 97)

O Ângulo de Posição (AP) é medido no sentido N-L-S-O-N, de 0 a 360 graus.

Útil quando o observador deseja saber previamente em que posição a secundária se encontra em relação à primária.

Deve-se conhecer de antemão que tipo de imagem gera o telescópio que será utilizado na observação da estrela dupla: imagens invertidas ou espelhadas.

As retas do meridiano celeste e a da linha que passa pela secundária formam quatro quadrantes. Dois quadrantes se encontram à oeste da primária. São denominados como quadrantes precedentes: Precedente Norte (entre O e N) e Precedente Sul (entre S e O). Outros dois quadrantes se encontram à leste da primária. São denominados como quadrantes seguidores: Seguidor Norte (entre L e N) e Seguidor Sul (entre S e L). (ALMEIDA, 2000, p. 97).

Na prática, são usados os termos em inglês Nf - North Following (Seguidor Norte), Sf - South Following (Seguidor Sul), Sp - South Precedent (Precedente Sul) e Np - North Precedent (Precedente Norte). Veja na figura 1 a seguir:



Figura 1 - Disposição dos Quadrantes Celestes conforme o tipo de imagem observada
Fonte - ALMEIDA, 2000, p. 97

Um outro conceito importante a se considerar é a separação aparente. Refere-se à separação existente entre as estrelas componentes, medida em segundos angulares, sendo que 1⁰ = 3600’’. Sua abreviatura é sep. (ALMEIDA, 2000, p. 97).

A separação permite que um observador saiba se é possível observar os componentes utilizando-se o instrumento que se dispõe no momento. Ela permite ainda fazer uma estimativa de qual ampliação será necessária para poder se observar a dupla. (ALMEIDA, 2000, p. 97).

Um exemplo de como deve ser lido um ângulo de posição igual a 45⁰, conforme o tipo de imagem observada, pode ser visto na figura 2.

Figura 2 - Exemplo de ângulo de posição, conforme o tipo de imagem observada


REFERÊNCIAS

- ALMEIDA, Guilherme de; RÉ, Pedro. Observar o céu profundo. Lisboa: Plátano Edições Técnicas, 2000. 339p.

- CAMPOS, Antônio Rosa. (arcampos_0911@yahoo.com.br). [Ceamig] Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu! [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por ceamig@yahoogrupos.com.br em 24 nov. 2014.

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. 914p. (Obra de referência).

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