domingo, 1 de novembro de 2015

O céu do mês – Novembro 2015

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Companheiros e companheiras de jornadas,

A felicidade com a qual escrevemos e postamos mensalmente esses textos (e assim será sempre) e idêntica ao posicionar-se atrás da lente ocular. Desta forma: céu, equipamento e o observador tornar-me elementos quase imbatíveis a colaboração forma com a ciência e principalmente a astronomia. Não deixemos nunca que a pecha de que “tudo já foi visto e observado” ou mesmo o bordão: “tudo já está esclarecido”, tomar lugar em nosso senso lógico, pois aos poucos isso contamina até mesmo nossa forma de agir. A esfera celeste escreve diariamente fenômenos e neste sentido, sempre buscamos de uma forma simples descrever as nuances destes eventos. Assim foi ao término de setembro último quando pudemos então, observar a ocorrência do Eclipse Total Lunar e registrar de forma mais objetiva e simples possível, dados realmente valiosos e de importância na análise da ampliação atmosférica e à previsibilidade do raio umbral. Façamos realmente (sempre) a nossa parte e sigamos confiantes. 

Certamente os apaixonados pelas modificações diárias do céu levantar-se-ão bem antes do início dos crepúsculos matinais de 07 de novembro próximo, quando então: Júpiter e a Lua na constelação de Leão (Leo), Marte e Vênus na constelação de Virgem (Vir) estão dominando o céu naquela manhã; Os observadores ainda localizados na parte mais austral da América do Sul (Argentina e Chile) poderão observar instantes antes do nascer do Sol a ocultação pelo disco lunar da brilhante estrela Zavijava. Um destaque também para a ocorrência neste mês, de duas ocultações da estrela lambda Geminorum, cuja visibilidade recai em áreas do hemisfério Norte. Nesta área também poderá ser acompanhado em 26 de novembro a ocultação de Aldebarãn. Está também será uma ótima oportunidade para registrar 02 cometas bem conhecidos. Embora seja (39) Laetitia o asteroide mais brilhante nesta época, a região onde poder-se-á localizar (43) Ariadne, (26) Proserpina, (49) Pales e (77) Frigga, talvez seja uma das regiões mais conhecidas do céu para os astrônomos amadores de todo o planeta. Falando nisso veja como é fácil chegar até a constelação Hydrus. Vejam como é extremamente fácil reconhecer essa constelação utilizando Achernar (Alpha Eridani), como referência. Existe uma grande quantidade de estrelas variáveis naquela região e selecionamos algumas, que são um verdadeiro convite à observação e reportes observacionais. Noites estreladas para todos!


O 18º Encontro Nacional de Astronomia!

Com uma grande alegria, deixamos registrado nesta página a realização do 18º Encontro Nacional de Astronomia (18th Astronomical Brazilian Meeting) (Banner 1), que ocorre entre os dias 30, 31 de outubro, 01 e 02 de novembro de 2015, na Universidade FUMEC. Evento direcionado a todas as pessoas interessadas em Astronomia, sejam curiosos, iniciantes no assunto ou experientes conhecedores. Os trabalhos coordenados pelo selenógrafo Professor Ricardo José Vaz Tolentino e equipe da FUMEC indicam que este evento, realizado no Brasil desde 1998 amadureceu em cada uma de suas edições. 


Palestras, oficinas, mini-cursos, exposições de Banners, Comunicações Orais e a realização de um concurso de astrofotografia, demonstram o quanto esse evento e importante para a cidade em que a edição é realizada, fazendo parte da história de cada uma das instituições realizadoras e neste caso e especial marca esse evento então o 50º aniversário da Universidade FUMEC na cidade de Belo Horizonte. A todos os organizadores, participantes, expositores e palestrantes desta edição transmito congratulações pela ocasião de importantíssimo evento. 

O Eclipse Total da Lua em 28 de setembro de 2015

Muito embora as condições climáticas fossem causas que impossibilitaram diversos observadores de realizarem um trabalho excelente de estimativas e cronometragens, em Belo Horizonte o eclipse foi observado e registrado (Veja reporte observacional em: http://goo.gl/XgVJqe).

Desta forma: Hélio Vital (REA/Brasil - Lunissolar) já disponibilizou as Analises de Observações recebidas (vejam em:  http://skyandobservers.blogspot.com/2015/11/analysis-of-observations-of-2015-sep-28.html), encaminhando também as respectivas curvas de Danjon dos observadores Antônio Campos e Tiago Rusin, conforme podemos vislumbrar nas telas A e B.



Ocultações de estrelas pela Lua 

Lambda Geminorum

Em 01 de novembro a Lua -67% iluminada e com a elongação solar de 110º, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado no norte da Ásia (Rússia, China e Mongólia) e norte do continente americano (Canadá e Região do Alasca); já o reaparecimento além das regiões mencionadas (inclusive Turcomenistão e Usbequistão na Ásia, poderá ser acompanhada também de regiões escandinava (Finlândia e Suécia) conforme demonstra a figura A, apresentada no quadro 1.

Em 29 de novembro novamente, a Lua -87% iluminada e com a elongação solar de 138°, ocultará lambda Geminorum. Esse evento então poderá ser observado na América do Norte (Canadá e Alasca) e Europa (região central e norte) conforme demonstra a figura B, apresentada no quadro 1. 

(Subra) Omicron Leonis

Em 04 de novembro a Lua -39% iluminada e com uma elongação de 78°, ocultará a estrela omicron Leonis (Subra) de magnitude 3.5 e tipo espectral A5V F6II. Esse evento poderá ser observado na América do Norte e no nordeste da Ásia conforme demonstra a figura A, apresentada no quadro 2.

Zavijava (Beta Virginis) 

Em 07 de novembro, a Lua -16% iluminada e uma elongação solar de 47°, ocultará a estrela Zavijava (Beta Virginis) de magnitude 3.6 e tipo espectral F9V. Esse evento poderá ser observado de forma diurna em regiões da Antártida e durante o crepúsculo matutino na América do Sul (Argentina e Chile) de acordo com a figura B, apresentada no quadro 2. As circunstâncias gerais de visibilidade para algumas das principais localidades desta região estão apresentadas na tabela 2 abaixo.

Rho Sagittarii

Em 16 de novembro a Lua +22% iluminada e com a elongação solar de 56°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral F0III/IV. Esse evento poderá ser observado no continente asiático de acordo com a figura C, apresentada no quadro 2. 

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 17 de novembro a Lua 32% iluminada e com a elongação solar de 69°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado na região sul do oceano índico e sul da África (África do Sul, Madagascar, Moçambique, Maurício e Ilha Reunião) de acordo com a figura D, apresentada no quadro 2. 

Ancha (Theta Aquarii)

Em 19 de novembro a Lua 56% iluminada e com a elongação solar de 96°, ocultará a estrela Ancha (Theta Aquarii) de magnitude 4.2 e tipo espectral G8. Esse evento poderá ser observado no oceano índico, região meridional da África (África do Sul, Reunião (Ilha), Moçambique, Maurício, Tanzânia e Zâmbia) e atlântico sul e de forma de diurna no sul do continente americano (Brasil e Uruguai) conforme com a figura 2 apresentada abaixo.

Assim sendo a tabela 3 abaixo apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para algumas das principais localidades desta região do continente africano.

Desta mesma forma, a tabela 4 abaixo apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para algumas das principais localidades desta região do continente sul americano.

Theta 2 Tauri

Em 26 de novembro a Lua -100% iluminada e com a elongação solar de 173°, ocultará a brilhante estrela theta 2 Tauri  de magnitude 3.4 e tipo espectral A7 III. Esse evento poderá ser observado na América do Norte e nordeste da Ásia de acordo com a figura A, apresentada no quadro 3.


Aldebaran (alpha Tauri)

Em 26 de novembro ainda, a Lua -99% iluminada e com a elongação solar de 171°, novamente ocultará a estrela Aldebaran de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Nesta outra oportunidade então, esse evento poderá ser observado na América do norte (Canadá e Estados Unidos) e nordeste da Ásia (incluindo a região norte do Japão) de acordo com a figura B, apresentada no quadro 3.

Ocultação de Hyadum II (delta 1 Tauri) na América do Sul

Em 26 de novembro, a Lua neste instante -100% iluminada e com a elongação solar de 175º, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado na América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai). Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/11/a-ocultacao-de-hyadum-ii-delta-1-tauri.html.


Ocultação de Urano pela Lua

Urano

Em 22 de novembro, a Lua +86% iluminada e com a elongação solar de 137º, ocultará o disco do planeta Urano com magnitude 5.7. Esse evento abrangerá partes da região Antártida o sul do Oceano Atlântico (Ilha Bouvet) e Índico abrangendo Terras austrais e antárticas francesas (Arquipélago Crozet), Ilhas Kerguelen, Ilhas do Príncipe Eduardo e Ilhas Heard e Mcdonald, conforme abaixo apresentado na figura 3.

No Sistema Solar!

No mês anterior Mercúrio (-1.2) chegou atingiu sua máxima elongação em 16/10; assim neste período ficará impossibilitada qualquer tentativa de observação da superfície terrestre deste planeta, visto o mesmo estar mergulhado na claridade do sol; mas sem dúvidas que estaremos em espera será para vislumbrar o aspecto do céu quando então, antecedendo o nascer do Sol novo alinhamento com e presença da Lua (mag. -8.1 e 16.7% iluminada) Vênus (-4.3), Marte (1.7) e Júpiter (-1.9) estarão protagonizando novamente essa magnifica conjunção matutina (figura 4). Permanece ainda válida a recomendação para a realização de registros desse evento, a busca de um ponto observacional livre de obstrução bem como ainda votos de sorte de que as condições climáticas sejam favoráveis.

A tabela 5 abaixo apresentando as respectivas elongações dos planetas dá uma ideia de como estarão suas respectivas magnitudes e a constelação em que se localizam, neste período extremamente prolífico para os registros observacionais.

Analisando ainda a tabela acima mencionada, podemos perceber que o planeta Saturno (0.5) agora com suas elongações diminuindo a cada dia, ficam desfavoráveis suas observações telescópicas, mas podemos observar através dessa breve análise que ele também agora se encontra fazendo sua travessia pela constelação de Escorpião, estando em 07 de novembro próximo a brilhante Jabbah (Nu Scorpii, mag: 4.0, sp: B3V); mas já no dia 29 deste mês ele estará em conjunção com o Sol.

Apesar do planeta Urano (5.7) diminuir a cada dia suas elongações ele é visível por quase toda a noite na constelação de Peixes, dessa forma 73 Psc (6.0) e WW Piscium (uma variável M que atinge seu máximo no próximo dia 25), evidenciará o disco esverdeado de Urano; como informando acima a ocultação deste planeta pela Lua recairá em uma faixa de regiões oceânicas e praticamente desabitadas. Netuno (7.9) que já passou pela oposição encontra-se na constelação de Aquário encontra-se estacionário, sendo que 70 Aquarii (mag: 6.1) uma estrela variável será uma boa referência para sua localização na primeira parte da noite. Isso também será válido para os Planetas Menores: (1) Ceres (agora com a magnitude diminuindo para 9.2), que se encontra na constelação de Capricórnio e também o surpreendente e distante (134340) Plutão uma vez que a carga de informações das missões Dawn e Novos Horizontes surpreendem a cada pacote de imagens aberto. 

Sol = O quadro 4 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 5.

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Apogeu em 07/11 às 21:50 (UT = Universal Time), quando a Lua estará a 405.722 km do centro de nosso planeta; já o Perigeu ocorrerá em 23/11 às 20:07 (UT = Universal Time) quando então a Lua estará somente a 362.816 km do centro da Terra.

Asteroides

A temporada realmente é uma janela muito propícia às observações dos principais asteroides, que aqui são ressaltadas em suas favoráveis oposições, então em nossa seleção mencionamos sempre os mais brilhantes cujas efemérides encontram-se publicadas no Almanaque Astronômico Brasileiro – 2015, uma vez que essa publicação atende os astrônomos amadores que dispõem de pequenos instrumentos; este mês então logo no seu início busquemos localizar (75) Euridyke (com a magnitude 11.2) que poderá ser facilmente localizado na constelação de Aries (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/46lruJ) em 05 de novembro; (39) Laetitia (com magnitude 9.4) será de muito fácil localização na constelação da Baleia (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/wZ1p0s) e uma excepcional referência será a brilhante Menkar (Alfa Cet) de magnitude 2.5; fácil essa! Na segunda quinzena deste período nossos observadores não terão a menor dificuldade em localizar (43) Ariadne (com magnitude 10.8, carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/zT1SW3), bastando para isso identificar próximo ao Aglomerado Aberto M45 (Plêiades) as estrelas 63 Ari (mag: 5.0) e também 61 Ari (mag: 5.3); vale mencionar que embora sua localização seja em Touro, a sua posição estará bem próxima a fronteira entre as constelações Taurus e Aries. Será ainda nessa região celeste que buscaremos (26) Proserpina, com a magnitude 11.2 (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/2ER20A) bem como o restante dos asteroides mencionados neste mês, entretanto utilizaremos somente M45 e a estrela 37 Tauri (mag: 4.3) como referências de localização; Apenas para poder referenciar melhor a localização de (49) Pales com a magnitude 10.7 (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/NZycVo), busquemos identificar entre as estrelas componentes da gigantesca Hyades, um asterismo em “V” que constitui um grandioso cúmulo aberto constituído de aproximadamente 140 estrelas a brilhante 59 Tauri (mag: 5.3), 94 Tauri (mag: 4.2) será também uma ótima referência para essa busca, mas voltemos nossa atenção para o Aglomerado Aberto M45; em 29 de novembro então (77) Frigga com magnitude 11.2 (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/11/o-asteroide-77-frigga-em-2015.html), estará também próximo as Plêiades então busquemos identificar novamente 37 Tauri (mag: 4.3) e 44 Tauri (mag: 5.4); Mais fácil ainda!

Cometas

Se as janelas observacionais ficaram um pouco mais escasseadas para a observação de cometas brilhantes e observáveis a visão desarmada, temos então duas oportunidades que certamente chamará a atenção, são eles: 22P/Kopff e 10P/Tempel 2. Em ambos os casos será ideal estar afastado da Poluição luminosa.

22P/Kopff

Cometa periódico descoberto em 22 de agosto de 1906, pelo astrônomo alemão August Kopff (1882-1960), no Observatório de Heidelberg, como um objeto difuso de magnitude 12 na constelação de Pegasus (peg). Com um período orbital de 6,44 anos, foi reobservado em quase todas as suas passagens pelo periélio, com exceção de 1912. Desde a sua descoberta, o cometa passou duas vezes muito próximo de Júpiter: em 1942 e em 1954; por ocasião dessa segunda perturbação, a orientação do plano orbital do cometa sofreu forte alteração. Seu período, por outro lado, parece ter variado em virtude das forças não gravitacionais que provocaram uma aceleração de duas horas por revolução. O cometa foi redescoberto em 20 de dezembro de 1982 pelos astrônomos E. Baker e Oldenwahn, do observatório de McDonald. (MOURÃO, 1987) Nesta oportunidade e não diferente, o cometa estará com a sua magnitude estimada entre 9.6 e 10.1, bem posicionado na constelação de Ophiucus (Oph) até 06 de novembro. Em seguida já estará posicionando-se na constelação de Sagittarius (Sgr). A tabela 6 abaixo apresenta essas respectivas magnitudes sendo uma boa oportunidade para registrar com telescópios de médio porte.

10P/Tempel 2

Cometa periódico, descoberto pelo astrônomo alemão Ernst Tempel (1821-1889) em Milão, em 3 de julho de 1873, na constelação de Cetus (Baleia), após sua passagem pelo periélio, ocorrida em 25 de junho. Visto como um objeto de magnitude 9,5, três dias mais tarde, após uma recrudescência em seu brilho, surgiu com vários núcleos. Com um período de 5,3 anos, o cometa foi reobservado em 1878 e 1894, e em seguida em cada um dos seus retornos até 1930, com exceção de 1909 e 1914. Foi redescoberto em 1946 e, desde então, tem sido visto regularmente. Apesar de sua magnitude 13 em 1983, foi fácil a sua observação no hemisfério sul, em virtude da sua declinação austral. (MOURÃO, 1987) Não muito diferente daquela época, este cometa encontra-se na constelação de Sagittarius (Sgr). A tabela 7 abaixo apresenta magnitudes compatíveis à observação com instrumentos de pequeno porte.

CONSTELAÇÃO:

Hydrus

Hydrus e uma constelação austral que se localiza entre as ascensões retas de 0h2min e 4h33min, e as declinações de -58º,1 e -82º,1. Situada muito próxima do pólo sul celeste, limitada ao sul pela constelação de Octans (Oitante), a oeste por Mensa (Mesa) e Doradus (Dourado), ao norte pelas constelações de Reticulum (Retículo), Horologium (Relógio), Eridanus (Eridano) e Tucana (Tucano) e a leste por esta última e Octans (Oitante), ocupa uma área de 243 graus quadrados (MOURÃO, 1987) de acordo com a figura 6 abaixo. 
Apesar de não possuir estrelas de grande brilho, é fácil reconhecê-la por estar situada entre a Pequena e a Grande Nuvem de Magalhães (Vejam essas informações em: http://goo.gl/AZWJMG e http://goo.gl/mpsBAH) ao sul de Achernar (Alpha Eridani), uma das estrelas mais brilhantes do Hemisfério Sul. Estabelecida por Jean Bayer em 1603, não deve confundida com Hydrus; Hidra Macho. (MOURÃO, 1987).

Novamente podemos pensar que a identificação das principais estrelas dessa constelação fique comprometida, mas isso não é uma dificuldade uma vez que temos a brilhante Achenar (Alpha Eridanus, a mais brilhante estrela dessa constelação de magnitude 0.4 e classe espectral B3Vpe fazendo justiça completa a designação árabe de seu nome “a foz do rio Erídano” - Veja em: http://goo.gl/e5Al2V) como referência e procurarmos por cerca de 5º e AP 151º encontraremos Alfa Hydri (as vezes chamada como: Cabeça da Hidra), uma estrela anã amarelo-esbranquiçada de magnitude 2.8, classe e tipo espectral F0V (que encontra-se a 71.8 anos luz de distância do Sol; mas a diferença de cerca de 0.06 magnitudes para Beta Hydri, magnitude 2.8 (quase idêntica), classe e tipo espectral G2IV, faz com alfa Hyi (mais luminosa) que ela seja um pouco mais brilhante nesta constelação. Na realidade essa estrela subgigante ainda tem algo a apresentar aos observadores visto que está incluída no New Catalog of Suspected Variable Stars como NSV 161 e a amplitude (entre máximo e mínimo) de sua magnitude estar estimada entre: 2.75 - 2.81 (AAVSO, 2015); assim inclui uma carta de localização também gerada a partir do Variable Star Plotter (figura. 7).

Na outra extremidade então temos Gamma Hydri (NSV 15811, que mencionaremos abaixo), uma estrela luminosa e gigante vermelha de magnitude 3.2, classe e tipo espectral M1III que se encontra a cerca de 214 anos luz do Sol; meio caminho então novamente em direção a Alfa Hydri encontraremos em meio caminho Epsilon Hyi uma estrela azul (de magnitude 4.1, classe e tipo espectral B9Va) estando essa a distância de 151.7 anos luz do Sol; ao seu lado também encontraremos Delta Hyi essa uma estrela branca de magnitude 4.0, classe e tipo espectral A2V que se encontra cerca de 139 anos luz do Sol. Ali também encontraremos Eta2 Hyi, uma gigante amarela de magnitude 4.6, classe e tipo espectral G8IIIb que apresenta uma velocidade radial de -16,2 km/s em aproximação; finalizando dentro daquele triangulo que delimita a constelação temos Nu Hyi uma estrela gigante alaranjada de magnitude 4.7, classe e tipo espectral K3III sendo deste conjunto a mais distante do Sol com cerca de 339 anos-luz de distância do Sol.

O sistema planetário de HD10180

Eu não tenho a menor sombra de dúvidas que a pesquisa de exoplanetas chama a atenção do grande público (já tivemos a oportunidade de mencionar o caso do exoplaneta HD 209458b, veja em: http://goo.gl/uNgzD7) e dos astrônomos também, mas a HD10180 chama a atenção por ser uma estrela do tipo solar (magnitude 7.3, classe e tipo espectral G1V), com uma massa solar de 1.060 e distante cerca de 128 anos luz do Sol.

Mas as descobertas dos exoplanetas HD10180g e HD10180h ocorrida em 07 de dezembro de 2010, começaram a chamar a atenção pincipalmente porque HD10180g encontra-se na zona habitável daquela estrela (semi-eixo maior: 1.415 u.a). Podemos visualizar todos os seis através de uma breve análise da figura 8, mas existem pelo menos mais três, elevando esse número para nove e Os planetas neste sistema estão em perto de ressonância e foram descobertos com o espectrógrafo HARPS no Observatório de La Silla, no Chile (Open Exoplanet Catalogue, 2015). 
NSV 15811

As surpresas dessa constelação realmente são enormes mesmo porque ela é um campo bem amplo e ao alcance de instrumentação de pequeno e médio porte. Assim ocorreu com Gamma Hyi (NSV 15811) hoje classificada como uma estrela variável pulsante tipo SRB, de acordo com o apresentado na figura 9. 

Eu me recordo que em julho passado tratamos aqui das facilidades daqueles observadores que "começam a dar seus primeiros passos na observação binocular e justamente à seleção de objetos potencialmente interessantes que se possam realizar registros observacionais de forma sistemáticas". Desta forma selecionei algumas estrelas variáveis (dentre elas a variável CL Hyi que também está inserida de observação binocular da AAVSO e suas respectivas efemérides para dezembro 2015, 2016 e março de 2017), bem como ainda: TU Hyi, DH Hyi e HIP 11926; as efemérides estão disponíveis e são apresentadas no quadro 5.   

Eu faço ainda uma sugestão aos observadores que possuem telescópios de médio porte e se dedicam a esse tipo de observação, uma vez que existem somente 69 observações computadas para a estrela TU Hyi (status em 22/09/2015), enquanto para as estrelas DH Hyi e HIP 11926, não existem observações encaminhadas a AAVSO (também status em 22/09). Suas efemérides encontram-se disponíveis e são apresentadas no quadro 5.

O céu é uma festa constante de eventos que são de uma sutilidade inquestionável, mas ao mesmo tempo de fácil percepção aos observadores atentos a esfera celeste, abrindo assim para a todos nós oportunidades observacionais mensalmente aqui narradas de forma simples. A experiência com alguns integrantes do projeto piloto, que estamos realizando no CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), através da implantação de um Grupo de Estudos e Reconhecimento do Céu (GREC – vejam essa publicação inicial em: http://goo.gl/rUZmTv) brevemente traduzir-se-á em novos observadores, ou seja: bons frutos! Fica então meu incentivo de sempre por vezes aqui mencionado: "Macte Animo! Generose puer sic itur ad astra" (numa tradução livre: Coragem jovens! É assim que se vai aos céus).

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em: 08 dez. 2014.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23568-8 p. 1221/1222.– Inc. New York – USA, 1978.

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2015. Florianópolis: Ed: do Autor, 2014. 180p.
  
- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 11 Jan. 2015.

- VITAL, Hélio Carvalho. Olá, Toninho! E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 21 Out. 2015, 05:57 (PM).

- RAYMAN, Marc  NASA/JPL-DAWN – News: http://dawn.jpl.nasa.gov/news/news-detail.html?id=4697 – Acess in 15 Sept. 2015.

- Manual para Observação Visual de Estrelas Variáveis - ISBN 1-878174-87-8. Ed. Português – set. 2011 – CEAAL, 70p. Disponível em: <http://www.aavso.org/sites/default/files/publications_files/manual/portuguese/PortugueseManual.pdf> - Acesso em 25 Mai. 2015.

- General Catalog of Variable Stars (GCVS) Sternberg Astronomical Institute, Moscow (Sep., 2009, Epoch 2000): Disponivel em: < www.handprint.com/ASTRO/XLSX/GCVS.xlsx> – Acesso em: 16 Jul. 2015.

Washington Double Star Catalog (WDS) - Double Star Database. Available in <http://stelledoppie.goaction.it/index.php>– Acess in: 13 Sept. 2015.

Vaz Toletino Observatorio Lunar (VTOL) - Disponível em: http://vaztolentino.com.br/imagens/7103-18-Encontro-Nacional-de-Astronomia-18-ENAST-FUMEC-BH-MG - Acesso em 31 Out. 2015.

- http://www.worldspaceweek.org/ - Acess in:  15 Sept. 2015.

Nenhum comentário:

Postar um comentário