segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O céu do mês – Fevereiro 2016

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Companheiros e companheiras das jornadas observacionais,

Ao reflexo do mês anterior, este período também promete uma ótima temporada de eventos celeste bastante prolífico a observação celeste. Os registros de imagens e as fotografias do céu que costumeiramente vem apresentando nos sites voltados à disseminação da astronomia e seus diversos canais de informação vêm comprovando o quanto esses registros de imagens são importantes. Desta forma também e logo no início deste período, a Lua, o diminuto Mercúrio e o brilhante planeta Vênus, juntar-se-ão novamente numa conjunção matutina em 06 de fevereiro próximo. Zubenelhakrabi será uma ótima oportunidade quanto ao registro das ocultações de estrelas pela Lua, uma vez que brindará suas ocultações por 2 vezes neste período, seno que na primeira oportunidade o continente africano será a melhor região e na segunda, América Central e região do Hawaii no oceano pacífico poderão acompanhar esse evento. Já na segunda quinzena deste período, observadores no hemisfério norte além de poderem novamente acompanhar nova ocultação da brilhante Aldebarã e outras brilhantes estrelas da constelação do Touro. A Lua novamente será um grande facilitador para a identificação das estrelas Spica e também do planeta Marte ao fim deste período. Relembrando então algumas constelações já mencionadas nestes posts mensais, lembrei-me da história de Apolo que, com vontade de tomar água, pediu a um corvo para buscar numa taça de uma fonte natural. Como não obteve sucesso ele colocou o Corvo no seu como castigo e também a Taça, nosso ponto celeste de apreciação deste mês que revelará algumas boas surpresas. Noites estreladas para todos!

Nota:

Às 00:00h (Hora de Brasília) do dia 21 de fevereiro próximo, termina o Horário de Verão em parte do território brasileiro, que esteve em vigor nas regiões determinadas pelo Decreto n° 6.558 de 08 de Setembro de 2008.

Assim sendo, as regiões afetas: a) – SUL, estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; b) SUDESTE, estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais e, c) CENTRO-OESTE, estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal, retornam para o Fuso de -03:00 (UTC = Tempo Universal Coordenado).

Notícias da AWB (Astronomers Without Borders)

Algumas das mais belas astrofotografias disponíveis no mundo agora estão disponíveis para venda na loja da AWB, uma vez que astrofotógrafo Babak Tafresh fez a doação de algumas impressões fotográficas 18" x 12" (45 cm x 30 cm) para arrecadação de fundos para os programas internacionais da AWB. Fundador da organização astrofotográfica internacional The World At Night (TWAN). Babak (abaixo na figura 2 com o astrônomo amador Kleber Ribeiro do CEAMIG - Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais) também é um jornalista freelance de ciência e divulgador da astronomia utilizando todas as mídias. 

Em 2009 (IYA 2009), ele recebeu o Prêmio Lennart Nilsson, o mais reconhecido no mundo para a fotografia científica, por sua contribuição global para a fotografia do céu noturno. Atualmente, ele faz parte do Conselho de Administração da AWB.

Exoplanetas nomeados pela IAU

Nomes de Deuses, monstros e cientistas. Esse foi o resultado final da votação publica mundial realizada pelo WG Public Naming of Planets and Planetary Satellites (Grupo de Trabalho de Nomeação de Planetas e Satélites Planetários) da União Astronômica Internacional (IAU). Você poderá encontrar a listagem dessas 14 estrelas e também dos 31 novos nomes (figura. 3) e até fazer seu download através do link: http://nameexoworlds.iau.org/names.

Ocultações de estrelas pela Lua (Diurnas)

Rho Sagittarii

Em 06 de fevereiro a Lua -6% iluminada e com a elongação solar de 28°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral F0III/IV. Esse evento poderá ser observado de forma diurna na região setentrional do continente africano e também nas regiões norte e nordeste da América do Sul; entretanto regiões do mar do caribe e também parte da região insular da América Central, poderão acompanhar esse evento durante o crepúsculo matutino, antecedendo o nascer do Sol, de acordo com a figura A, apresentada no quadro 1.

Zaniah (eta Virginis)

Em 25 de fevereiro, a Lua -94% iluminada e uma elongação solar de 151° ocultará a estrela Zaniah (eta Virginis) de magnitude 3.9 e tipo espectral A2IV. Esse evento poderá ser observado de forma diurna em grande parte da América do Sul, sendo que no oceano pacífico o evento ocorre ainda durante o período noturno chegando sua visibilidade as Ilhas do Hawaii conforme a figura B, apresentada no quadro 1. 

Ocultações de estrelas pela Lua (Noturnas)

Zubenelhakrabi (Gamma Librae) 

Em 02 de fevereiro, a Lua -39% iluminada e uma elongação solar de 78º ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esse evento poderá ser observado no Oeste da África e Atlântico Norte (Praia - Cabo Verde) de forma noturna, sendo nas regiões equatoriais e costa leste do oceano Índico este evento ocorrerá na parte diurna, conforme a figura A, apresentada no quadro 2. 

Entretanto em 29 de fevereiro novamente, a Lua -63% iluminada e com uma elongação solar de 105º ocultará Gamma Librae. Esse evento então poderá ser observado de forma diurna na América Central e em grande parte da região norte do Oceano Pacífico chegando sua visibilidade nas Ilhas do Hawaii já dentro da faixa noturna de acordo com a figura B, apresentada no quadro 2.

A Ocultação Diurna de Dabih Major (beta Capricorni) em 07 de fevereiro

Em 07 de fevereiro a Lua -2% iluminada e com uma elongação de 15°, ocultará a estrela Dabih Major (beta Capricorni) de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado de forma diurna ao Sul do continente africano (África do Sul) e também na região austral da América do Sul (Argentina e Chile) conforme demonstra a figura no quadro 3.

As circunstâncias gerais de visibilidade para algumas das principais localidades destas regiões estão apresentadas na tabela 2 abaixo.

As ocultações de Hyadum II, Theta2 Tau e Aldebaran em 16 fevereiro

Em 16 de fevereiro próximo, as brilhantes estrelas da constelação de Touro Hyadum II, Theta2 Tau e Aldebaran serão ocultadas pelo disco lunar se seguinte sequencia: 

Hyadum II (delta 1 Tauri)

A Lua 59% iluminada e com a elongação solar de 100°, ocultará delta 1 Tauri de magnitude 3.8, classe e tipo espectral K0-IIICN0.5, sendo este evento visível numa estreita região austral da América do Sul (Argentina e Chile) conforme apresentado na figura A do quadro 4, bem como ainda as circunstâncias gerais de visibilidade para algumas das principais localidades desta região estão apresentadas na tabela 3 abaixo.

Theta 2 Tauri

A Lua então +60% iluminada e com a elongação solar de 101°, ocultará a brilhante estrela theta 2 Tauri de magnitude 3.4 e tipo espectral A7 III. Desta forma evento poderá ser observado no norte e nordeste da Ásia de forma diurna sendo que na região das Ilhas Aleutas e mar de Bering ela ocorre durante o crepúsculo matutino; entretanto regiões ao norte dos Estados Unidos e em todo o Canadá, esse evento ocorre em período noturno de acordo com a figura B, apresentada no quadro 4.

Aldebaran (alpha Tauri)

Novamente marcará este mês novamente a nova ocorrência da ocultação da brilhante estrela Aldebaran de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III que ocorrerá em 16 de fevereiro com a Lua +61% iluminada e com a elongação solar de 103°. Nesta oportunidade então o evento poderá ser acompanhado em partes da América do Norte e norte do Oceano Pacífico; entretanto em grande parte da Ásia esse evento poderá ser acompanhado durante a fase diurna de acordo com o apresentado na figura C do quadro 4.

Lambda Geminorum

Em 19 de fevereiro a Lua então -88% iluminada e com a elongação solar de 139º, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado no norte da América do Norte conforme demonstra a figura D, apresentada no quadro 4.

Zavijava (Beta Virginis) 

Em 24 de fevereiro a Lua -96% iluminada e com uma elongação solar de 158 º ocultará Zavijava de magnitude 3.6, classe e tipo espectral F9V. Esse evento então poderá ser observado de forma diurna na região sul do oceano pacífico próximo à Nova Zelândia, Nova Caledônia e regiões adjacentes; entretanto em território australiano e sudoeste da Ásia este evento poderá ser observado no período noturno conforme demonstra a figura E, apresentada no quadro 4.

Apami-Atsa (Theta Virginis)

Em 26 de fevereiro a Lua -88% iluminada e com uma elongação solar de 139º ocultará Apami-Atsa (Theta Virginis) de magnitude 4.4, classe e tipo espectral A1. Esse evento então poderá ser observado de forma diurna na América Central sendo que na região central da América do Norte ele ocorrerá dentro do crepúsculo matutino e na região oeste dos Estados Unidos, Canadá e extremo nordeste da Ásia ele poderá ser acompanhado no período noturno conforme demonstra a figura E, apresentada no quadro 4. Os registros de ocultação desta estrela apresentam-se como altamente interessante, uma vez que se trata de um sistema múltiplos de estrelas de acordo com a figura 4 abaixo.
 
No Sistema Solar!

Nós até poderemos por alguns instantes pensar que nas primeiras horas do início deste mês, somente o gigantesco planeta Júpiter (magnitude -2.4) estará roubando o cenário celeste; você não estará enganado! Júpiter que terá sua magnitude estimada em -2.5 até o final deste mês uma vez que também está aumentando gradativamente seu diâmetro aparente; prenúncio de que estamos muito próximos de sua oposição que ocorrerá no próximo mês. Voltaremos ainda a falar mais um pouco desse gigantesco planeta e seu conjunto de satélites naturais. Depois desse espetáculo, nós não precisaremos esperar muito, pois a Lua (mag. -10.9) e o planeta Marte (neste momento, com sua respectiva magnitude estimada em 0.8) na constelação de Libra, estarão cerca de 3º Sul da Lua. A brilhante Zubenelgenubi uma subgigante branco-azulada de magnitude 2.7, classe e tipo espectral A3IV que nesta constelação,  poderá ser facilmente localizada próximo ao disco do planeta Marte que aumentando também suas respectivas elongações pronunciando mais uma excepcional oposição que ocorrerá em maio próximo. 

O primeiro sábado deste mês estará encantando foliões carnavalescos, madrugadores e astrofotógrafos atentos com mais um belo alinhamento celeste na manhã do dia 06 de fevereiro, quando então novamente a Lua (magnitude -7.0 e -6.5% iluminada), o brilhante planeta Vênus (-4.0) e o ligeiro Mercúrio (0.5) todos com visibilidade matutina neste período, estarão na constelação de Sagittarius conforme apresenta a figura 5 abaixo; importante ainda mencionar que Mercúrio estará em sua máxima elongação (25,6° Oeste) nesta data, sendo seu afélio previsto para o dia 21 quando então este planeta encontrar-se-á cerca de 0.46665 ua do Sol.

Um fato de menção importante. Quando destacamos o alinhamento planetário de 07 de janeiro passado, o atento observador Hélio de Carvalho Vital novamente utilizando uma câmera SX60 HS Canon PowerShot, na cidade do Rio de Janeiro-Brasil, registrou Vênus e Saturno em 09 de janeiro às 07:45 (Tempo Universal); A separação angular aparente entre os dois planetas era de apenas 11 minutos de arco (VITAL, 2016) como podemos apreciar na galeria fotográfica da figura 6 abaixo.

Saturno neste mês, também estará aumentando suas respectivas elongações e poderá ser facilmente localizado na constelação de Ophiuchus (Serpentário) com sua respectiva magnitude em torno de 0.5 conforme podemos vislumbrar na tabela 4 abaixo. Segundo as efemérides ele estará atravessando lentamente essa região do céu, permanecendo lá durante todo o ano de 2016.

Urano nesta época ainda poderá ser observado na primeira parte da noite, mas agora com sua respectiva magnitude visual estimada em 5.9, continua sendo uma ótima referência para sua correta identificação em meio as brilhantes estrelas da constelação de Peixes a brilhantes 73 Psc (mag. 6.0) WW Piscium (mag. 6.1) e agora acrescento outra: 80 Piscium (Epsilon Psc) de magnitude 5.5, classe e tipo espectral F2V. As observações de Netuno (magnitude 8.0) e do planeta anão (1) Ceres (mag. 9.2) ficarão bastante comprometidas nesta época em virtude da proximidade de sua conjunção com o Sol (AMORIM, 2015). Essas condições somente voltarão a ficarem favoráveis na segunda quinzena de março próximo uma vez que ambos estão localizados na constelação de Aquarius. O longínquo e distante (134340) Plutão na constelação de Sagittarius agora terá sua visibilidade matutina; antecedendo ao nascer do Sol suas respectivas elongações voltam a aumentar, entretanto sua magnitude de 14.2 somente faz com que ele possa de alguma sorte ser identificado em equipamentos óticos de médio e grande porte. 

Sol = O quadro 5 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 7.

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Perigeu ocorrendo em 11/02 às 02:43 (UT = Universal Time), as quando a Lua estará cerca de 364.357 km do centro da Terra e Apogeu ocorrendo em 27/02 às 03:29 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 405.382 km do centro de nosso planeta; em 08/02 juntamente a fase nova, ocorrerá o início da lunação de número 1152.

Os eventos mútuos dos satélites galileanos

Voltemos novamente nossa atenção ao planeta Júpiter e seus principais satélites naturais, uma vez que nestes próximos meses teremos uma grande quantidade de eventos mútuos entre satélites e envolvendo também o próprio disco Joviano. Desta forma procurei simplificar ao máximo essas informações que estão apresentadas na tabela 5.
 
Eventos mútuos

O principal evento do dia 19 de fevereiro será o início do trânsito de Io às 8h09.5m (UT); entretanto Europa terá  terminado seu trânsito pelo disco Joviano 8h16.9m (UT), este fato fará com que por cerca de 6.6 minutos, teremos evento mutuo envolvendo estes 2 satélites (Io e Europa) com uma sombra (de Io) na frente do disco de Júpiter.

Já os principais eventos que ocorrerão em 29 fevereiro ocorrerão na seguinte sequência: 20h32.4m (UT) a sombra do satélite Europa, fará imersão no disco de Júpiter, já 20h56.4 será o próprio satélite que estará iniciando seu trânsito pelo disco Joviano; às 22h33.7m (UT), a sombra do satélite Io inicia sua imersão em frente ao disco de Júpiter; neste instante poderá ser observado em frente ao disco do planeta o trânsito simultâneo das sombras de Io e Europa; sendo que às 22h45.0m (UT) será o próprio satélite Io inicia seu trânsito pelo disco Joviano. Serão 23h21.1m (UT) quando a sombra de Europa fará a emersão de sua sombra do disco Joviano, entretanto Io e sua sombra continuam atravessando o disco Joviano o que será finalizado já após 00h49.6m (UT) portanto já 01 de março. A duração prevista para este evento de múltipla sombra, está estimada em cerca de 48 minutos.

Asteroides

Neste mês teremos uma boa quantidade de asteroides em oposição. Isto e o que indica as páginas listadas no Almanaque Astronômico Brasileiro de 2016 (download livre em: http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf), sendo que todos eles estão bem dentro do alcance de nossos instrumentos e também em áreas bastante conhecidas da esfera celeste, desta forma em 05 de fevereiro (40) Harmonia estará localizado muito próximo a estrela Xi Cancri (mag 5.1) uma gigante amarela de tipo espectral G8.5III (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/yt4S52); a fase lunar também favorecerá as observações de (80) Sappho (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/vmhfD6) muito próximo a estrela 22 Hya (Theta Hydrae) uma estrela branca da sequência principal de magnitude 3.8 e classe espectral A0V; (97) Klotho (carta de busca e efemérides disponíveis em:  http://goo.gl/fV6B5t) quando então 2 Leo (de magnitude 5.4, classe espectral G1V) e 10 Leonis (de magnitude 5.0 e classe espectral K1III) essa uma gigante alaranjada serão ótimas referências para sua localização e também (52) Europa (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/s9hi7o); 30 leonis (de magnitude 3.5 e classe espectral A0Ib) uma supergigante branca menos luminosa e 16 Leonis (de magnitude 5.3 e classe espectral M1III) uma gigante vermelha facilitarão sua identificação. A fase lunar ainda estará favorável quando então (5) Astraea (que teve seu periélio em 31 de janeiro último) estará em oposição em 15 de fevereiro próximo (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/Jb2AEo), esta simples consulta já indicará que Regulus (aquela estrela branca azulada e brilhante) de magnitude 1.3 e classe espectral B7V será a referência para localização deste brilhante asteroide, quando sua magnitude então estará estimada em 8.7. Embora já tenhamos passado a fase  lunar cheia, um bom equipamento ótico de médio porte será mais que suficiente para identificarmos em meio às estrelas da constelação de Hydra o asteroide (25) Phocaea, (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/02/o-asteroide-25-phocaea-em-2016.html); então 39 Hydrae (magnitude 4.1 e classe espectral G7III) uma gigante amarela e também 38 Hya (Kappa Hydrae) de magnitude 5.0, classe espectral B5V de coloração azul serão uma boa referência a essa localização.

Cometas

C/2013 US 10 CATALINA

Os excepcionais registros fotográficos realizados por observadores do hemisfério setentrional mostram o quando este cometa está despertando a atenção dos observadores; embora desfavorável os observadores do hemisfério austral, o cometa  C/2013 US 10 CATALINA permanecerá todo este mês na constelação de Camelopardalis (Cam), mesmo assim apresentamos as efemérides para esse período na tabela 6 abaixo.

CONSTELAÇÃO:

Crater 

Novamente voltemos à história mitológica do Deus Apolo mandou para o céu como castigo um Corvo, e juntamente com ele uma taça (Crater) e uma Hidra (Hydra). Em maio de 2014, tivemos a oportunidade mencionar naquele post mensal (veja em: http://goo.gl/KmQ1l0) a história deste corvo, sendo que agora nossa atenção prender-se-á na Taça (Crater) figura 8 abaixo, sendo que oportunamente mencionaremos também a Hidra. Mas será mesmo essa região totalmente desprovida de interesse para observações mais acuradas? Creio que não.

Constelação austral compreendida entre as ascensões retas de 10h48min e 11h54min, e as declinações de -6,º5 e -24,º9. Limitada ao sul pela constelação de Hydra (Hidra Fêmea), a oeste por Hydra e Sextans (Sextante), ao norte por Leo (Leão) e Virgo (Virgem) e a leste por Corvus (Corvo), ocupa uma área de 282 graus quadrados. Suas seis estrelas mais brilhantes lembram realmente uma taça. Seu nome designa a Taça utilizada pelo Corvo (Veja Corvus); Taça. (MOURÃO, 1987). 

Vamos conhecer um pouco mais essa região celeste. Embora a estrela mais brilhante desta constelação seja Delta Crt de magnitude 3.5 e classe espectral G9III, uma gigante amarela; Alkes (Alfa Crateris), uma gigante alaranjada de magnitude 4.0 e classe espectral K0IIIb será ainda a terceira estrela mais brilhante dessa região. Antecedendo a ela teremos Gamma Crt, uma estrela branca da sequência principal de magnitude 4.0 e classe espectral A7V(n) sendo um pouco mais brilhante. Na realidade essa é um sistema múltiplo de estrelas; entretanto disponível somente os dados de magnitude da secundária está estimada em 7.9.

Beta Crateris e uma estrela subgigante branca de magnitude visual estimada em 4.4 e classe espectral A2IV, sendo que sua distância ao Sol é estimada em cerca de 339 anos luz de distância. Zeta Crt, uma gigante amarela de magnitude 4.7 e classe espectral G8.5III que encontra-se um pouco mais distante do Sol (354 al) e também uma binária entretanto somente resolvida com telescópios da classe 1.00 metro de abertura. Binária também é Theta Crt de magnitude 4.7 e classe espectral B9V, uma azul da sequencia principal cujo par já foi observado em grande telescópios, mas que foi classificada (WDS, 2014) como provavelmente óptico, muito fraca. Epsilon Crt por sua vez, de magnitude visual 4.8 e classe espectral K5III é uma estrela gigante alaranjada, cuja distância estimada ao Sol e de cerca de 374 anos luz e Eta Crt de magnitude visual estimada em 5.1, classe espectral A1III e uma gigante branca uma pouco mais próxima, cerca de 250 anos-luz de distância.

Objetos de Céu Profundo em Crater

E bem frequente que em uma breve visualização de uma carta celeste, olharmos essa região celeste e imaginar que ela está desprovida de objetos celestes plasticamente belos e que os existentes não estão acessíveis aos instrumentos óticos de pequeno porte. Entretanto a constelação de Crater guarda algumas boas surpresas aos observadores proprietários de telescópios com aberturas ótica instrumental entre 15, 20 ou 30 centímetros, condições excepcionais de céu e sobretudo, que estejam bem afastados dos efeitos danosos da poluição luminosa. A magnitude visual desses objetos podem num primeiro momento até causar algum desânimo. Entretanto há algumas galáxias espirais existentes (imagens apresentadas no quadro. 6 abaixo), naquela região celeste, que serão alguns dos objetos Deep-Sky que trataremos em seguida.

NGC 3672

Com um telescópio de 15 centímetros, esta galáxia é uma névoa fraca e difusa. O baixo brilho superficial do halo é de cerca de 2’x 1’’, elongado no sentido N-S. É muito mais brilhante com 25 centímetros, mostrado como um eixo alongado no ângulo de posição de 10 graus, com um núcleo estelar. Já com 30 centímetros de abertura, mostra uma grande oval com uma concentração fraca e uniforme para um núcleo tênue. Em geral, o halo estende-se a 3’.25 x 1’.2. Com 250 vezes de aumento, a parte central é de aproximadamente 2’x 0’.9 e parece assimétrica, com o lado Sul se estendendo mais que o Norte. (LUGINBUHL e SKIFF, 1998). Sua magnitude visual e estimada em 11.4, Brilho superficial 13.5 e suas coordenadas são: AR (Ascensão Reta)= 11h25m50.24s e Decl (Declinação): -09º 53’ 25.6” (J2000.0). 

NGC 3513

Localizada a 11’ SE da NGC 3511, com aberturas de 15 centímetros está galáxia apresenta-se apenas uma fraca névoa circular sem brilho central. Já com abertura de 25 centímetros, a galáxia forma um triângulo com duas estrelas de magnitude 9.5 ao S e SO. O halo é 2’x 1’ elongado no sentido SE-NO e contém um núcleo estelar. Uma tênue estrela é visível no lado leste a 1’.9 do centro. Ela aparece com cerca de 1’.5 de diâmetro com abertura de 30 centímetros (LUGINBUHL e SKIFF, 1998). Sua magnitude visual e estimada em 11.5, Brilho superficial 13.4 e suas coordenadas são: AR (Ascensão Reta)= 11h04m 36.86s e Decl (Declinação): -23º 20’ 18.7” (J2000.0).

NGC 3511

Com abertura de 15 centímetros, esta galáxia possui um baixo brilho superficial e é difícil de ver. O halo é uma faixa elongada, aproximadamente no sentido L-O, de 2'.5 x 1 de dimensão. A galáxia ampla e tênue é de 4'x 1' com 25 centímetros de abertura, alongada em um ângulo de posição de 75 graus. Um "stellaring" é visível ao norte do centro, e uma estrela de magnitude 12.5 acha-se a leste. Com 30 centímetros, é mostrado em 5'x 1' com uma ampla parte central e sem núcleo. Três estrelas (incluindo as magnitudes 12.5) são visíveis na nebulosa: em ordem decrescente de brilho, elas acham-se a 1’.7 E, 2’.1 OSO e 35" NE do centro. (LUGINBUHL e SKIFF, 1998). Sua magnitude visual e 11.0; Brilho superficial 13.5 e suas coordenadas são: AR (Ascensão Reta)= 11h04m 12.91s e Decl (Declinação): +23º 10’ 19.9” (J2000.0).

NGC 3637

A galáxia NGC 3637 encontra-se a 3’ NE de uma estrela de magnitude 6.5. Com abertura de 15 centímetros, a NGC 3637 aparece como um ponto pequeno, mas facilmente visível. É um contorno circular e concentrado para um núcleo estelar fraco. Já com 25 centímetros, a estrela de magnitude de 6.5 possui um tom avermelhado, e a galáxia parece um pouco elongada no sentido NE-SW. Com 30 centímetros de abertura, aparece com um diâmetro de 1’.5 de diâmetro; o halo circular é abruptamente concentrado em um pequeno centro intrincado, com cerca de 20" de diâmetro, mas nenhum núcleo é discernível. Diferentemente do núcleo, o halo exibe muito pouca concentração e parece achatado no lado SE. Apenas 1’.7 NW da estrela brilhante, com 25 centímetros mostrará a NGC 3636 como um ponto circular uniformemente brilhante com cerca de 45" de diâmetro. A estrela brilhante interfere com a visualização num equipamento de 30 centímetros. O pequeno objeto é de cerca de 50" de diâmetro e tem ainda uma concentração moderada e uniforme para um núcleo estelar. (LUGINBUHL e SKIFF, 1998). Sua magnitude visual 12.7, Brilho superficial 13.6 e suas coordenadas são: AR (Ascensão Reta)= 11h21m 32.16s e Decl (Declinação): -10º 20’ 24.8” (J2000.0).

IC 2627

Ao ser observada com abertura de 30 centímetros, este objeto mede cerca de 1’.5 x 1' em ângulo de posição de 90 graus, com um leve brilho granular ao centro. Vários "stellarings" aparecem nas regiões médias, mas nenhum é visto centralizado ou é suficientemente proeminente para ser um núcleo. (LUGINBUHL e SKIFF, 1998). Sua magnitude visual 11.0, Brilho superficial 13.9 e suas coordenadas são: AR (Ascensão Reta)= 11h10m 43.05s e Decl (Declinação): -23º 49’ 20.2” (J2000.0).

NGC 3571

Esta galáxia é fraca, mas claramente visível com aberturas a partir de 15 centímetros, com cerca de 6’ Sul de uma estrela de magnitude  13.5. Com 75 vezes de aumento, é elongada no sentido E-O. Com 30 centímetros, o halo se estende a 2’.75 x 1’ em um ângulo de posição de 90 graus. É bem moderadamente e uniformemente concentrada para as regiões internas alongadas e com um núcleo estelar tênue.  Com aumentos na ordem de 250 vezes, a parte interna de 30" é intrincada ao longo do eixo maior (LUGINBUHL e SKIFF, 1998). Sua magnitude visual 11.0, Brilho superficial 13.1 e suas coordenadas são: AR (Ascensão Reta)= 11h12m19.49s e Decl (Declinação): -18°22 '21.5" (J2000.0).

Nota

"Um "stellaring" é qualquer manifestação parecida com estrela que aparece sobre a superfície de um objeto nebuloso. Em galáxias, podem ser estrelas verdadeiras da Via Láctea sobrepostas sobre ela, ou uma nuvem estelar brilhante ou região HII dentro da galáxia que parece estelar devido ao modesto poder telescópico em uso". (AAAA, 2016).

Estrelas Variáveis em Crater

A constelação de Crater também tornar-se-á uma boa oportunidade para os observadores de estrelas variáveis e novamente a seleção abaixo, são oriundas das circulares obtidas junto a AAVSO (American Association of Variable Stars Observers) bem como também, uma análise na listagem de estrelas variáveis para aquela região celeste e cujas efemérides para os próximos períodos entre máximos e mínimos encontraremos no quadro 7 abaixo.

Como podemos facilmente concluir, a fonte generosa que representa essa região celeste ilustra muito bom o que poderemos observar, dessa forma o nosso incentivo às observações astronômicas e para as mesmas sejam reportadas aos diversos institutos e associações e um pedido constante. Eu tenho certa que este mês de fevereiro será um período muito promissor aos observadores que não perderão as oportunidades elencadas acima, ou mesmo não deixarão que alguma condição climática adversa seja a causa de desânimos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23568-8 p. 723/725.– Inc. New York – USA, 1977.

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015. 182p.
  
- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.

- ALMEIDA, Guilherme de. RÉ, Pedro. Observar o Céu Profundo. ISBN-972-707-278-X. Ed. Plátano Edições Técnicas, 1ª Edição, Julho 2000; Lisboa Portugal. 339p.

- YOUR SKY – Available in: <http://www.fourmilab.ch/yoursky/catalogues/starname.html> - Acess in: 05 Ago. 2014.

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