domingo, 1 de maio de 2016

Espetáculo no Céu - Mercúrio ficará alinhado entre a Terra e o Sol.

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

O fenômeno denominado trânsito será visto integralmente no Brasil na segunda-feira dia 9 de maio. Não será visível a olho nu dado o pequeno tamanho do planeta que aparece sobre o Sol com um diâmetro de apenas 1/150 do diâmetro solar. O próximo trânsito somente ocorrerá em 11/11/2019. O primeiro a predizer o trânsito de Mercúrio foi o astrônomo alemão Johannes Kepler que o anunciou para o dia 7/11/1631 e foi observado por Pierre Gassendi. Antes disso não há nenhuma referência a observação de Mercúrio pelo disco solar, pois ele só é visível através do telescópio que somente foi introduzido por Galileu em 1610. No passado vários astrônomos entre os quais Newcomb e Le Verrier, descobriram anomalias no periélio de Mercúrio que fugiam a lei da gravitação de I. Newton. Para explicar isso, chegou-se até a possibilidade da existência de um planeta entre o Sol e Mercúrio que até recebeu um nome: Vulcano. O chamado avanço do periélio de Mercúrio só foi solucionado pelo alemão A. Einstein em sua Teoria da Relatividade. 

Há de 13 a 14 trânsitos em um século com intervalos irregulares que podem ser de três, sete, dez e treze anos. Se Mercúrio e a Terra orbitassem o Sol num mesmo plano, o planeta passaria sobre o disco solar a cada conjunção inferior ou seja: três vezes por ano em média. Isso não acontece porque a orbita de Mercúrio é levemente inclinada de 7° 00” em relação a eclíptica. A condição necessária para que ocorra um trânsito é similar a necessária para um eclipse solar ou lunar isto é, a Terra deve estar próxima a linha dos nodos da órbita do planeta. Como os nodos do planeta estão nas latitudes 227° e 47° e são cruzados pela Terra próximo aos dias 7 de maio e 9 de novembro, os trânsitos somente podem ocorrer próximos a esses dias. A diferença principal é que nos trânsitos de maio, Mercúrio está mais próximo da Terra e seu semi-diâmetro é um pouco maior que os trânsitos de novembro. Devido a excentricidade da órbita do planeta, a mais forte do sistema solar, 0,205,  os trânsitos de novembro são duas vezes mais numerosos que os de maio. A velocidade de Mercúrio no periélio é de 59 km/s, bem mais rápida do que no afélio, 39 km/s. No trânsito deste ano, Mercúrio estará a uma distância de 83.511.000 km da Terra e terá um diâmetro aparente de 12.1” .

OBSERVAÇÃO

O trânsito deste ano terá duração de 7,5 horas, maior, portanto, que os de 2003 e 2006. Além da observação visual, a fotografia e a filmagem é a melhor forma de cronometrar as fases do fenômeno. O emprego também de imagens em H-Alpha será muito interessante. Os instantes principais para o trânsito do próximo dia 9 são os seguintes:

A precisão em segundos dos contatos depende naturalmente da posição do observador no País. Os primeiro e quarto contatos são muito difíceis de se determinar por observação visual. Já nos segundo e quarto contatos, embora haja bom contraste entre o planeta e o fundo (fotosfera), a tomada dos tempos se torna imprecisa devido ao efeito “Black Drop”. É um efeito fisiológico que persiste sempre após a entrada ou antes da saída do planeta do disco solar. Nos trânsitos é possível ainda calcular o diâmetro do planeta a partir da medição exata do tempo que transcorre entre a entrada e a saída do disco solar.

*Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França, SAF.

REFERÊNCIAS:
Anuário Astronômico Catarinense, 2016, A. Amorim, Membro da SAF,REA,AAVSO,NEOA
Astronomie Populaire, Camille Flammarion
Observatório Astronômico Flammarion/MG, trânsitos de 1960,1970 e 1973, N. Travnik
Observatório Astronômico Anwar Damha/SP, trânsito de 2003, N. Travnik 
L’ Astronomie, avril 2016, Société Astronomique de France /SAF

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