domingo, 1 de maio de 2016

Observações de nuvens no Planeta Marte.

Frederico Luiz Funari
ffunari@uol.com.br
REA/Brasil

Na atmosfera marciana, existem três tipos de nuvens, que são classificadas:

Tipo I – Nuvens “azuis”
Assim chamadas por serem visíveis com o auxílio de filtros de curto comprimento de onda (violeta ou azul-anil). Os filtros geralmente empregados são os série Wratten da Kodak, o de num. 35 (violeta) e o 47 (anil), este último é o mais recomendado para a observação das nuvens “azuis” e do fenômeno de Blue Clearing .  Quando se observa Marte  através destes filtros, todo o disco planetário fica com a cor do filtro (violeta ou azul), menos as regiões onde se localizam as nuvens que ficam da cor branca. O fenômeno do Blue Clearing, é detectado quando da observação com o W.47, alguns detalhes da superfície marciana são visíveis, mesmo através do citado filtro; isto ocorre por motivo de excepcional transparência da chamada  “camada violeta” da atmosfera marciana. 

Tipo II – Nuvens amarelas

Assim denominadas por serem bem observadas através de filtros de longo comprimento de onda (amarelos, laranja e vermelhos). Os filtros geralmente usados são os da série Wratten da Kodak , o W.15 (amarelo), W.23 A (laranja) e W.25 (vermelho).

Quando se observa Marte com um destes filtros, o contraste entre as regiões claras e escuras fica ressaltado; e as nuvens amarelas fincam de cor branca através destes filtros, o que possibilita sua fácil identificação.

Tipo III – Nuvens brancas 

Assim chamadas por serem dessa cor e por serem também observadas em luz integral (sem o uso de filtros).

Uma classificação dos tipos e sub-tipos das nuvens, tem sido feitas por vários astrônomos profissionais e amadores (SAF,ALPO,BAA etc), a classificação a seguir foi organizada pelo Autor baseado na sua experiência de observador do planeta desde 1958.

FUNARI, F.L. – A meteorologia de Marte. – IN: Promarte 88- Circular Informativa num.3 – setembro-outubro de 1988. – Programa de observação do Planeta Marte-1988 – Comissão de Planetas e Satélites – Observatório do Capricórnio – Souzas - SP- Brasil – Editores ; J.Lobo; J.Nicolini; F.L. Funari e A.C. Negreiros- Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UNICAMP.

Tipos e sub-tipos de nuvens em Marte

Tipo I – Nuvens “azuis”
(visíveis com filtros de curto comprimento de onda- W.35, W.47)

I.1 e I.2 – Nevoeiros azuis nos limbos nascente  e  poente do planeta (fig.1).

I.3 – Nevoeiro azul sobre as calotas polares (norte e sul).

I.4 – Nuvens azuis isoladas sobre uma região qualquer do planeta (fig.2)

I.5 – Faixa ou banda de nuvens azuis, ou as famosas em forma de W, visíveis aproximadamente na latitude do equador planetário de Marte (fig.3)

I.6 – Fenômeno do “Blue Clearing”, ou seja , uma abertura na camada violeta, que possibilita a observação de detalhes  no planeta através dos filtros W.47 ou W.35, existe uma gradação para este fenômeno, ou seja uma escala que varia de 0 a 5;
Onde:
0= camada muito opaca; 1=camada quase opaca; 2= ligeiramente transparente; 4= transparente e 5= completamente transparente (detalhes visíveis como em luz integral (fig.4).

Tipo II – Nuvens amarelas 
(visíveis através de W. 15 ; 23 A e W.25)

II.1 – Nuvem amarela isolada, sobre uma região qualquer do planeta (fig.5).

II.2 -  Véus amarelos temporários cobrindo parcialmente regiões (fig.6).

II.3 -  Dust-storms (tempestades de poeira ou areia), que cobrem grandes regiões do planeta ou todo ele. (fig.6).

Tipo III – Nuvens brancas.
(visíveis em  luz integral)

III.0 -  Áreas brancas bem localizadas , provavelmente na superfície do planeta (geadas).

III.1 – Nuvens brilhantes estacionárias sobre uma região, sendo nuvens orográficas (devido ao relevo) como por exemplo Olymous Mons (fig.7).

III.2 Nuvens brilhantes no terminador, ou seja, nuvens que se destacam no terminador (quando Marte está em fase) (fig.8).

III.3 – Nuvens brilhantes se deslocando- quando  a observação dura algumas horas (3 horas é o ideal) - o observador pode detectar nuvens brancas se deslocando na atmosfera marciana; este tipo da observação é bastante útil na dedução das velocidades do vento e também na direção do mesmo (fig.9).

III.4 – Nevoeiro polar -  antes da calota polar se formar , surge um nevoeiro branco opaco (Polar Hood), dando lugar à calota polar brilhante, e de menores (fig.10).

III.5 – Nuvens se projetando no limbo do planeta – são nuvens que aparecem no limbo do planeta como uma verdadeira protuberância. Obs: todas elas visíveis em luz integral (fig.11). 

Deslocamento de nuvens amarelas na atmosfera de Marte na Oposição de Marte em 1988, observadas pelo autor.

Instrumentos utilizados: Refletores Newtonianos de 165 mm (89x -133 x) e 100 mm (60x – 120 x) Observadores: Frederico Luiz Funari e Newton Ferreira Funari.



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