terça-feira, 1 de novembro de 2016

O céu do mês - novembro 2016

Cícero Antônio Costa Silva
ancimoeja@yahoo.com.br
CEAMIG

Caro Leitor,
Chegamos ao mês de novembro nesta tarefa de estar redigindo o post do céu do mês deste blog. As estatísticas de visualização do blog, tem nos deixado muito animados e tem nos dado muito ânimo em continuar nessa empreitada.
Como é tradicional, nosso post sempre traz os eventos de ocultação de estrelas e planetas pela Lua, as movimentações planetárias durante o mês, efemérides do Sol da Lua e dos planetas e a descrição de uma constelação. Este mês a constelação escolhida para ser analisada é a constelação de Cassiopéia. Uma constelação Boreal, de difícil visualização do hemisfério sul, mas uma constelação recheada de estrelas interessantes e de objetos de céu profundo.
O destaque deste mês é a ocultação de uma estrela de magnitude 10.6 pelo asteroide (87) Sylvia cuja sombra irá atravessar o Brasil.  

Ótimas observações para todos nós!


Figura 1



Tabela 1

Ocultações de Planetas pela Lua

Ocultação de Netuno

A figura 2 mostra as circunstâncias da ocultação do planeta Netuno pela Lua. A Lua 70% iluminada ocultará Netuno para regiões do Norte da Europa e Ásia. A Lua, já com um brilho bastante intenso ofuscará o planeta que apresenta magnitude 8 dificultando a observação do evento através de instrumentos óticos mais modestos.


Figura 2
Ocultação de estrelas pela Lua

Gamma Librae = Zubenelakrab

Em 01/11 a Lua +2% iluminada e com uma elongação de 17o a leste do Sol, oculta a estrela Gamma Librae de magnitude 3,9 e classe espectral K0III, para regiões da Ásia e norte da Oceania. Porém o evento irá ocorrer durante o dia. No final do mês, em 28/11 a Lua volta a ocultar Gamma Librae. Agora para Península Arábica, Centro e Norte da África e Atlântico Norte. Nesta ocasião a Lua se encontrará apenas 1% iluminada e a apenas 12o a oeste do Sol.



Figura 3

Rho Sagitarii
Em 05/11 a Lua +30% iluminada e com uma elongação de 66o a leste do Sol oculta a estrela Rho Sagitarii de magnitude 3,9 e classe espectral F0III/IV, para o sul do continente africano. O sul do continente sul americano e atlântico sul estarão sob a luz do Sol durante o evento.


Figura 4
Lambda Aquarii
Em 09/11 a Lua +71% iluminada e com uma elongação de 65o a leste do Sol oculta a estrela Lambda Aquarii de magnitude 3,7 e classe espectral M2IIIvar. A faixa de visibilidade noturna deste evento se estende da Ásia, Península Arábica e África. O nordeste brasileiro ainda estará sob a luz do Sol para este evento de ocultação.


Figura 5
Hyadum II
Em 15/11 a Lua -98% iluminada e com uma elongação de 166o a oeste do Sol oculta a estrela Hyadum II de magnitude 3,8 e classe espectral G9.5III. Apenas o extremo sul do Oceano Pacífico e a Nova Zelândia estará apto a testemunhar este evento.


Figura 6

Theta 1 e Theta 2 Tauri

Em 15/11, a Lua -98% iluminada e com uma elongação reduzida para 165o a oeste do Sol oculta Theta 1 e Theta2 com minutos de diferença entre uma e outra. De magnitudes 3,8 e 3,4 respectivamente e classes espectrais são G7III e A7III e situando a distância de aproximadamente 150 anos luz, Theta1 e Theta2 Tauri são estrelas que pertencem ao aglomerado aberto das Hyades. A faixa de visibilidade noturna se estende por praticamente toda Rússia, Ásia, Alasca e extremo norte do Oceano Pacífico.


Figura 7


Alpha Tauri = Aldebaran
Em 15/11 a Lua -97% iluminada e com uma elongação de 162o  a leste do Sol ocultará a gigante vermelha Aldebaran. Apresentando magnitude 0,9 e classe espectral K5III, esta gigante vermelha está a 66 anos-luz de distância, portanto não faz parte do aglomerado aberto das Hyades. Praticamente todo o continente asiático estará apto a observar este belo fenômeno.



Figura 8

Zeta Cancri = Tegmine
Em 19/11 a Lua -72% iluminada e com uma elongação de 116o a oeste do Sol ocultará a estrela Zeta da constelação de Câncer de magnitude de 5,1 e classe espectral G0V. A metade sul da América do Sul estará apta a observar esta ocultação. Detalhes para este fenômeno podem ser vistos aqui: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/11/a-ocultacao-de-zeta-cancri-pela-lua-em.html


Figura 9


Sigma Leonis
Em 22/11, a Lua -34% iluminada e com uma elongação de 108o a oeste do Sol ocultará Sigma Leão de magnitude 4.1 e classe espectral B9IV. A faixa de visibilidade noturna é bastante estreita e situa-se ao sul do Oceano Indico.


Figura 10
Beta Virginis  = Zavijava
Em 23/11, a Lua -29% iluminada e com uma elongação de 65o a oeste do Sol ocultará Beta Virginis de magnitude 3,6 e classe espectral F8.5IV-V. A faixa de visibilidade noturna está localizada no extremo norte do Canadá e Alasca.


Figura 11
Eta Virginis = Zaniah     
Ainda no dia 24/11, a Lua -23% iluminada e com uma elongação de 57o a oeste do Sol ocultará Eta Virginis de magnitude 3,9 e classe espectral A2IV. A faixa de visibilidade noturna está compreendida ao norte da Europa e região polar norte.


Figura 12

Gamma Virginis = Porrima
Em 24/11 a Lua, -20% iluminada e com uma elongação de 53o a oeste do Sol, oculta a estrela Gamma Virginis, de magnitude 2,8 e classe espectral F0V. Este evento será observado em regiões do Oceano Pacífico.


Figura 13

Ocultação de estrela por asteroide

A figura 14 abaixo mostra as circunstâncias para a ocultação das estrelas TYC 6854-00301 pelo asteroide 87 Sylvia. O evento ocorrerá entre 23h 13m e 23h 19m (tempo universal). A sombra do asteroide atravessará o Oceano Pacífico e passará pelo sudeste brasileiro já a noite na faixa mostrada na figura.


Figura 14


A figura 15 abaixo mostra as regiões no Brasil onde ocorrerá a visualização do evento utilizando o Google Earth: O limite central azul representa a região de maior probabilidade de visualização da ocultação. O limite exterior vermelho representa a faixa de visibilidade considerando as incertezas de medições tanto da órbita do asteroide quanto da posição da estrela.


Figura 15


Sistema Solar

Para o mês de novembro observarmos as seguintes movimentações planetárias:

Mercúrio. Passará todo o mês de novembro frequentando o céu vespertino. Observaremos o planeta Mercúrio aumentando sua elongação ao Sol com o passar dos dias do mês de novembro. No dia 11 Mercúrio, cumprindo sua revolução ao redor do Sol, atinge o seu afélio, 0,4667 UA. Aguarde até ao final do mês para a observação telescópica de suas fases utilizando instrumentos amadores. Como referência no dia 30 Mercúrio apresentará um diâmetro aparente de apenas 5,5” e 83% iluminado.

Vênus. Junto com Mercúrio, Vênus, o segundo planeta com órbita interior à nossa Terra, também passará todo o mês de novembro despejando todo o seu brilho no céu vespertino. Porém, ao contrário de Mercúrio, Vênus estará a uma elongação que favorece uma observação mais confortável ao telescópio durante todo o mês. Em 1o de novembro Vênus apresentará um diâmetro aparente de 14” e 77,5% iluminado. No final do mês, no dia 30 Vênus apresentará um diâmetro aparente de 17” e 68,7% iluminado.

A ilustração abaixo mostra a evolução do diâmetro aparente e da face iluminada do planeta Vênus durante sua aparição vespertina. Este trabalho foi realizado em 2007 por mim utilizando um modesto telescópio refletor de 114mm de abertura e uma câmera digital compacta.


Figura 16
Marte. Durante o mês de novembro ainda testemunhamos o distanciamento de Marte do planeta Terra. A consequência disso é que vemos marte reduzindo o seu diâmetro aparente e aumentando o valor de sua magnitude aparente. Em 1o de novembro Marte apresentará um diâmetro aparente de 7,5” e uma magnitude visual de 0,4. Já em trinta de novembro o diâmetro aparente será de 6,5” e uma magnitude visual de 0,63.

Júpiter. Domina o céu matutino por todo o mês de novembro. A cada dia surgindo mais cedo no horizonte e aumentando sua elongação ao Sol. No início do mês a elongação será de 28o. No final do mês essa elongação já será de 52o. Este afastamento da linha do horizonte a medida que o mês passa, já facilita uma observação telescópica satisfatória de Júpiter.

Saturno. Caminhando para sua conjunção com o Sol em dezembro, Saturno se apresenta cada vez mais próximo da linha do horizonte durante o mês de novembro. Aproveite o início do mês para conseguir observar o planeta com seus anéis, abertos em um ângulo de 26o, ainda com alguma comodidade. No início do mês a elongação ao Sol de 34o Ainda permite se observar o planeta apesar da turbulência da atmosfera próximo à linha do horizonte. No fim do mês a elongação de 9o já impossibilita qualquer tentativa de observação por instrumentos óticos.

Urano. Bem posicionado durante todo o mês para observação, Urano ainda cumpre seu movimento aparente retrogrado após ter passado pela oposição ao Sol no mês de outubro. Por apresentar uma magnitude de 5,7 Urano pode ser observado a olho nu. Mas para tal, procure um céu extremamente limpo e escuro.

Netuno. Também bem posicionado para observação em novembro. Porém, em 20/11 Netuno encerra seu movimento retrogrado aparente. Tente colocar o máximo de aumento possível em seu telescópio para definir o pequeno disco azulado de 2” de diâmetro aparente.

Plutão. Apenas telescópio acima de 30cm serão capazes de permitir a observação do planeta anão Plutão em meio as estrelas da constelação de sagitário.


Tabela 2

Sol = O quadro abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.


Quadro 1


Figura 17

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Perigeu ocorrendo em 14/11 às 11:27 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 356.510,2 km do centro da Terra. O Apogeu ocorre em 27/11 às 20:23 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 406.541,2 km do centro de nosso planeta.

Asteroides em Oposição

Até o dia 07 de novembro a Lua entre a fase Nova e Quarto Crescente facilitará a localização dos asteroides que estarão em oposição este mês. Entre os dias 07 e 14 a Lua, aumentando a sua face iluminada até chegar a fase cheia coloca um desafio para a tarefa de observar os asteroides de magnitudes mais elevadas. Do dia 14 até o fim do mês, após a fase Cheia, e com a Lua surgindo no céu cada vez mais tarde, permite a localização desses astros de pouco brilho no início da noite. Os links levarão a informações detalhadas que facilitarão a atividade. Vamos a eles:
03/11, mag. 9,6 = (79) Eurynome, link: http://goo.gl/VblNzf
27/11, mag. 10,1 = (60) Echo, link: https://goo.gl/owmR3W

Constelação - Cassiopeia


Figura 18

Cassiopeia é uma constelação do céu boreal batizada em homenagem a vaidosa e prepotente rainha da mitologia grega. Foi catalogada pela primeira vez pelo astrônomo grego Ptolomeu. É facilmente reconhecida no céu pelo formato de W de suas principais estrelas. A constelação de Cassiopeia é a 25a em tamanho ocupando uma área de 598 graus quadrados e pode ser observada entre as latitudes +90o e -20o. É limitada pelas constelações de Andrômeda, Camelopardalis, Cepheu, Lacerta e Perseus.
Cassiopeia foi, na mitologia, a esposa do rei Cepheu da Etiópia. Uma vez, afirmou ser mais bonita que as Nereidas, filhas do deus Nereu. Enfurecidas com os comentários vaidosos de Cassiopeia, as Nereidas pediram que Poseidon, o deus dos mares a castigasse. Posseidon era casado com uma das Nereidas, Amphitrite.
Então Poseidon enviou Cetus, o monstro marinho, para assolar o reino de Cepheu. Cepheu, por sua vez, consultou um oráculo afim de apaziguar a fúria de Posseidon. O oráculo disse que Cepheu teria que colocar a sua filha Andrômeda em sacrifício ao monstro marinho Cetus. Relutantemente, Cepheu acorrentou sua filha Andrômeda no alto de um rochedo para que Cetus a encontrasse. No entanto, Perseu, ao passar montado em seu cavalo alado Pégaso, viu Andrômeda preste a ser devorada pelo monstro marinho e a salvou de seu horrível destino.
Mas essa estória não ficou barata. Cassiopeia, foi condenada por Posseidon a circular o pólo celeste para sempre, e passar metade do ano de cabeça para baixo no céu como castigo por sua vaidade. Ela é normalmente representada sentada em seu trono, ainda penteando o cabelo.
Estrelas em Cassiopeia

Alpha Cassiopeia – Shedar ou Shedir

É uma gigante laranja de classe espectral K0IIIa, a aproximadamente 228 anos-luz de distância. Suspeita-se ser uma estrela variável. Sua magnitude aparente pode ser levemente maior ou menor que Caph dependendo do sistema de medida fotométrico utilizado. Esta magnitude varia entre 2,20 e 2,23.

Beta Cassiopeia - Caph

Estrela gigante de classe espectral F2III-IV a 54,5 anos luz de distância, Caph é classificada como uma estrela variável do tipo Delta Scuti. Este tipo de estrela variável caracteriza-se por suas variações de brilho serem causadas por pulsações radiais e não radiais de sua superfície.
Caph é 28 vezes mais brilhante e quatro vezes maior que o Sol. Está atualmente em processo de resfriamento e irá eventualmente se transformar numa gigante vermelha.

Gamma Cassiopeia

Estrela azul de classe espectral B0.5 IVe a 610 anos-luz de distância. Tem 40.000 vezes a luminosidade e 15 a massa do Sol.
Gamma Cassiopeia é o protótipo das estrelas variáveis eruptivas. Ela exibe variações irregulares de brilho entre 2,2 e 3,4 magnitudes. A estrela gira muito rapidamente e como consequência é mais larga na região do equador. Outra consequência deste giro extremamente rápido é a perda de massa que se agrupa como um disco em torno da estrela e é a causa de suas flutuações de brilho.

Delta Cassiopeia – Ruchbah

Ruchbah, o Joelho, é uma estrela binária eclipsante com período de 460 dias. De classe espectral A5, está a 
99 anos-luz de distância. Seu brilho varia entre 2,68 e 2,74 magnitudes.

Rho Cassiopeia

Rho Cassiopeia pertence a um grupo muito raro de estrelas, as hipergigantes amarelas. Apenas sete delas são conhecidas atualmente na Via Láctea. Sua classe espectral é G2Ia0e, está a 11.650 anos-luz da Terra e é uma das estrelas mais luminosas conhecidas. Apesar da distância, Rho Cassiopeia é visível a olho nu!
Rho Cassiopeia é 550.000 vezes mais brilhante que o Sol, sua magnitude absoluta é de -7,5, a magnitude visual varia entre 4,1 e 6,2. A estrela é classificada como uma variável semirregular. A cada 50 anos aproximadamente a estrela entra em erupção ejetando enormes quantidades de massa resultando na mudança de luminosidade. Em 2000-2001 em uma dessas erupções a estrela ejetou em torno de 10.000 massas terrestres.
Suspeita-se que Rho Cassiopeia já tenha explodido como supernova por já ter consumido seu “combustível” nuclear, apenas a luz dessa explosão não nos alcançou ainda.

Objetos de Céu Profundo

A constelação de Cassiopeia situa-se bem ao longo da faixa luminosa da Via láctea. Portanto nela se encontra uma miríade de objetos de céu profundo ao alcance dos mais variados tamanhos de telescópios. Aqueles situados no hemisfério norte encontram em Cassiopeia um vasto campo a ser explorado em busca dos objetos Deep Sky. Para nós aqui do hemisfério sul temos, que nos contentar a perceber apenas parte dela perdida na bruma do horizonte norte.

Messier 52 (NGC 7654)

É um aglomerado aberto distante 5000 anos-luz, descoberto por Charles Messier em 1774. Tem magnitude aparente 5, portanto ao alcance de binóculos, seu diâmetro aparente é de 13’ resultando em 19 anos-luz. A idade deste aglomerado é estimada em torno de 35 milhões de anos.

Messier 103 (NGC 581)

Messier 103 é outro aglomerado aberto em Cassiopeia. Ele se situa a 10.000 anos luz da Terra e estima-se sua idade em 25 milhões de anos. O aglomerado foi descoberto pelo astrônomo francês Pierre Méchain em 1781 e foi o último objeto que Charles Messier adicionou em seu catálogo.


OBRIGADO A TODOS
Referências:

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf>

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Update v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip>

- http://www.calsky.com/cs.cgi - Access in 24 Out. 2016.

- Chéreau, Fabien. Software Stellarium. versão 15.0, setembro. 2015 Disponível em:  <http://www.stellarium.org/pt_BR/>

-        http://www.constellation-guide.com/constellation-list/cassiopeia-constellation/

A ocultação de zeta Cancri pela Lua em 19 de novembro 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 19 de novembro próximo, a Lua -72% iluminada e com elongação solar de 116°, ocultará a estrela zeta Cancri de magnitude 5.1 e tipo espectral G0 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Assim sendo, os observadores localizados numa extensa região da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) conforme apresentado na tabela 1 poderão acompanhar as fases de desaparecimento e reaparecimento dessa estrela antecedendo o crepúsculo matutino conforme apresentado na tabela 1.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões localizadas no oceano Atlântico e Pacífico sul junto à região costeira do Chile. 

Zeta Cancri

A designação de Bayer para zeta Cancri e uma breve consulta, indica tratar-se de um sistema múltiplo de estrelas (WDS 2016) cujos componentes são fechados, o que torna sua observação altamente interessante uma vez que a primeira vista a estrela se divide em duas. O par ilustrado pela figura 3 apresenta um período orbital de 59,58 anos, a uma distância média de 25.08 unidades astronômicas. O último periastro ocorreu em 1989 sendo que a próxima ocorrência é prevista para 2049.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987, 914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- Washington Double Star Catalog (WDS) - Double Star Database, Data Last: (2015). Available in < http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia=38015> – Acess in: 15 Set 2016.

O asteroide (22) Kalliope em 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 26 de dezembro próximo, o asteroide Kalliope estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.509), quando então sua magnitude chegará a 10.1, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa contendo ainda em destaque no quadro vermelho estrelas de referência, (omitida vírgula ou ponto com a finalidade de evitar o que possa representar estrelas) facilitando assim sua localização nesta época.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 22 Kalliope foi descoberto em 16 de novembro de 1852 pelo astrônomo inglês John Russel Hind (1823 - 1895) no Observatório de Londres (MOURÃO, 1987).

Conforme descrito na IAUC No. 7703, W.J. Merline do Southwest Research Institute (SRI) e F. Ménard do Observatoire de Grenoble reportaram que, com a colaboração de (L. Close, da Universidade do Arizona; C. Dumas do Jet Propulsion Laboratory;  C.R. Chapman e D.C Slater, SRI) a detecção de um satélite em órbita de (22) Kalliope em 02 de setembro de 2001. O S/2001 (22) 1 foi detectado com o telescópio franco-canadense-hawaiano, (com sistema de óptica adaptativa) de 3.6 m em Mauna Kea. Na mesma circular e informado que J.L. Margot e M.E. Brown do California Institute of Technology, apresentam a separação entre o primário e o secundário de  0".51 (1000 km), com imagens obtidas em 29 de agosto daquele ano, quando então utilizaram o telescópio Keck II também em Mauna Kea.

Já na Circular No. 8177 ( 08, Aug. 2003) é informado que o Committee on Small Bodies Nomenclature (CSBN), adotou o nome "Linus" para o satélite S/2001 (22) 1, orbitando em torno de (22) Kalliope.

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.

- GREEN, Daniel W. E. CBAT/IAUC nº 7703, Disponível em: <http://www.cbat.eps.harvard.edu/iauc/07700/07703.html> - Acesso em: 07 jul. 2013. 

-________. CBAT/IAUC nº 8177, Disponível em: <http://www.cbat.eps.harvard.edu/iauc/08100/08177.html> - Acesso em 04 mai. 2014.


O asteroide (68) Leto em 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 21 de dezembro próximo, o asteroide Leto estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.509), quando então sua magnitude chegará a 10.6, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa contendo ainda em destaque no quadro vermelho estrelas de referência, (omitida vírgula ou ponto com a finalidade de evitar o que possa representar estrelas) facilitando assim sua localização nesta época.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 68 Leto foi descoberto em 29 de abril de 1861 pelo astrônomo alemão Robert Luther (1822 - 1900) no Observatório de Dusseldorf. Seu nome é uma homenagem á filha do titão Cocus com a titânida Febe, mãe de Diana e Apolo com Júpiter. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.


Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu: o que estamos aprendendo? Outubro 2016

Aléxia Lage de Faria
alagef@gmail.com
CEAMIG/GREC

“A Astronomia impele a alma a olhar para o alto e nos leva a partir deste mundo para outro.”
Platão

O Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu possui como missão criar e manter a cultura da observação e reconhecimento da esfera celeste entre os associados recém-ingressos nos quadros do CEAMIG – Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CAMPOS, 2014). Os membros se reúnem aos sábados para estudo teórico e/ou prático e mensalmente realizam observações, quando as condições do tempo assim permitem. 

Durante as reuniões do grupo, realizadas no período de 03/09/2016 a 24/09/2016, os seguintes tópicos foram estudados:
  1. Interpretação das principais Efemérides Astronômicas: Calendários e Fenômenos; Nascer, Passagem Meridiana e Ocaso do Sol, Lua e Planetas para cidades Brasileiras; Efemérides para observação de Posição; Efemérides para Observações Físicas; Posições Aparentes das Estrelas; Tempo sideral, Obliquidade da Eclíptica e Nutação e Tábuas para Redução de Observações Astronômicas.
  2. Conceito de Anuário, exemplificado por meio das seguintes publicações: Efemérides Astronômicas do Observatório Nacional, Anuário de Astronomia e Astronáutica (Prof. Ronaldo de Freitas Mourão), Anuário Astronômico Catarinense (Alexandre Amorim), Anuário do IAG e o Almanaque Astronômico Brasileiro (CEAMIG).
  3. Meteoros: Definição, Classificação, Composição Química, Observação (Preparação), Registros, Planejamento de Atividade Observacional e Associações.

Na parte prática, foi dada continuidade ao Programa Observacional de Nebulosidade – PON, iniciado em 1°de dezembro de 2015. Os resultados que serão apresentados referem-se ao mês de setembro/2016 e serão também comparados com os dos meses de janeiro a setembro de 2016.

Além disso, foi finalizado o Programa de Treinamento Observacional – Star Hopping, referente à observação de estrelas no período crepuscular, seja ele matutino ou vespertino. Os resultados serão também apresentados mais à frente neste texto.

Resultados do Programa Observacional de Nebulosidade

As estimativas de nebulosidade coletadas são informadas conforme uma sintaxe de reporte, definida para cada observador (Figura 1).

 
Figura 1 - Sintaxe de Reporte para as estimativas de nebulosidade coletadas.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

Nas figuras 2, 3 e 4, o reporte de nebulosidade é apresentado, referente ao período de 01/01/2016 a 30/09/2016.
Figuras 2, 3 e 4 - Reporte de Nebulosidade referente ao período de 01/01/2016 a 30/09/2016.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.


O resultado do Índice Médio Mensal Individual (IMMI) em setembro/2016, para cada observador, pode ser visto na Figura 5:

 Figura 5 - Índice Médio Mensal Individual para o mês de setembro/2016.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

Os resultados do Índice Médio Mensal Final (IMMF), referentes aos meses de janeiro a setembro de 2016, podem ser vistos na Figura 6. Note-se que julho foi o mês, até o momento, com o menor índice de nebulosidade no referido período.

 Figura 6 -  Índice Médio Mensal Final para os meses de janeiro a setembro de 2016.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

Por fim, foram gastos 56 minutos para a realização da coleta de todas as estimativas para o mês de setembro/2016. 

 Figura 7 -  Produtividade Observacional para o período de janeiro a setembro/2016.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.


Resultados do Programa de Treinamento Observacional – Star Hopping

O Programa de Treinamento Observacional (Atividades Práticas) utiliza-se da aplicação da metodologia mundialmente conhecida como "Star Hopping". Foi formalmente iniciado em fevereiro/2016, e finalizado em outubro/2016, sendo que essa atividade consiste na identificação correta de uma estrela utilizando-se um planisfério celeste rotativo e o registro de seus dados observacionais, tais como a data e hora de observação (em Tempo Universal), o nome da estrela, a constelação a que pertence e o cálculo aproximado da altura em que se encontra (em graus) e indicando ainda em qual quadrante foi observada (Leste ou Oeste), buscando-se com isso o momento teórico de sua Passagem Meridiana. Também podemos anotar em qual período foi realizada a observação tais como: nas diversas fases do Crepúsculo (Civil, Náutico, Astronômico), podendo ser Matutino ou Vespertino, ou mesmo no Período Noturno; as condições de visibilidade (em percentuais % de nebulosidade) e a fase da Lua.

Durante todo o programa, foram realizadas 586 observações de estrelas. No período de 12/09/2016 a 10/10/2016, 21 observações foram registradas por 2 observadores, conforme mostrado na tabela a seguir:
 
Tabela 1 -  Quantidade de observações realizadas por cada observador, totalizando-se 21 registros.
Fonte: CEAMIG, 2016.


Foram identificadas 11 estrelas de 9 constelações, conforme mostrado na tabela a seguir:

Tabela 2 - Constelações e estrelas observadas no período de 12/09/2016 a 10/10/2016.
Fonte: CEAMIG, 2016.

As estrelas mais observadas neste período foram Altair e Vega, seguidas por Tarazed (Tabela 3):

Tabela 3 -  Número de vezes com que cada estrela foi observada.
Fonte: CEAMIG, 2016.


As observações ocorreram predominantemente no Período Noturno, seguidas pelo Crepúsculo Náutico Vespertino (Tabela 4).

 Tabela 4 -  Número de registros conforme o período de observação.
Fonte: CEAMIG, 2016.

No próximo informativo, serão apresentados os resultados do Programa Observacional de Nebulosidade referentes ao mês de outubro e o balanço final do Programa de Treinamento Observacional – Star Hopping

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Antônio Rosa. (arcampos_0911@yahoo.com.br). [Ceamig] Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu! [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por ceamig@yahoogrupos.com.br em 24 nov. 2014.

CEAMIG – CENTRO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DE MINAS GERAIS. Base de Dados do Programa Observacional de Nebulosidade 2015-2016. Dados referentes ao período de janeiro a setembro de 2016, coletados pelo Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu - GREC. Belo Horizonte: CEAMIG, 2015-2016.

CEAMIG – CENTRO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DE MINAS GERAIS. Base de Dados do Programa de Treinamento Observacional – Atividades Observacionais do Crepúsculo 2016. Dados referentes ao período de 12/09/2016 a 10/10/2016, coletados pelo Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu - GREC. Belo Horizonte: CEAMIG, 2016.