quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Ano que foi, ano que vem. Assim caminha a humanidade

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Iniciamos neste 1º de janeiro mais uma jornada ao redor do Sol. Nosso planeta irá percorrer nesses 365 dias, 942,4 milhões de quilômetros, algo que em linha reta nos levaria além do planeta Júpiter. Isso permite algumas reflexões sobre vida, tempo e espaço.

No mundo atual, como estranhos em seu próprio habitat, multidões não se interessam em saber afinal o que são, onde estão, para onde vão e seu destino final. A maioria vive porque respiram e se contentam com o preconizado pelas religiões. É mais cômodo viver assim. Infelizmente não se dão conta que estão entorpecidos pelo sistema que as transforma em máquinas de consumismo como símbolo da felicidade. Um sistema inserido na sociedade que as utiliza e descarta como objetos. Seu dia-a-dia é preenchido por infindáveis conquistas tecnológicas que, todavia a prende a um emaranhado de dúvidas sobre sua própria existência. O ser humano vive a Era Espacial de grandes realizações científicas, mas ainda não aprendeu a encontrar a grandeza de sua pequenez e da sua estupidez.

Continuamos a ser um enigma, uma gota num oceano de incertezas que por um instante aparece e dissipa como bolhas de sabão que as crianças fazem flutuar no ar. Poucos são cônscios de que a sabedoria do ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe. É preciso portanto, ter humildade para compreender o mundo insondável da psique humana; que somos ínfima partícula na vastidão cósmica e que o universo estará ignorando quando o Sol, nosso habitat e os demais planetas um dia desaparecer sem testemunha do último gemido. No universo, nascimento e morte estão sempre de mãos dadas. Tudo que é belo um dia morre. Não sentimos o perfume das flores que já morreram.

Somos todos viajantes em uma jornada cósmica, dentro de uma cápsula do tempo, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos de um universo infinito. O céu nos envolve por todos os lados e a luz de miríades de estrelas que contemplamos, é um monumental concerto cósmico que aconteceu há dezenas, milhares ou milhões de anos. A observação do céu é por conseguinte, uma experiência de transformação e ampliação da consciência, uma grande elevação espiritual que proporciona uma imensa satisfação íntima e nos ensina que na história da Criação, cem milhões de anos passam como um dia; apagam-se e dissipam-se como fugitivo sonho no seio da eternidade que todo absorve.

Nesse raciocínio e contemplação retrospectiva, surge uma inevitável questão de cunho filosófico: qual é o destino final de todos os seres inteligentes que existiram, existem e vão existir em infinitos mundos? Somos simplesmente feitos do pó das estrelas e a elas retornaremos? Somente isso? Nada sobrevive além disso? Tema de uma milenar discussão, não cabe nesse artigo enveredar por essa questão pois, somos engrenagens microscópicas de um mecanismo desconhecido.

(*) Nelson Alberto Soares Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

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