quinta-feira, 1 de junho de 2017

A ocultação de sigma Leo pela Lua em 02 de junho 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 02 de junho próximo a Lua +56% iluminada e uma elongação solar de 97°, ocultará a estrela sigma Leonis de magnitude 4.1 e tipo espectral B9.5V (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa pequena parte da superfície terrestre.

Desta forma, os observadores localizados numa estreita faixa do oeste da América Central (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Panamá) poderão acompanhar os eventos de Desaparecimento e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 1. 

Já na região sudoeste da América do Norte, (mais especificamente a costa do Pacífico no México), o evento poderá também ser observado de forma integral (Desaparecimento e Reaparecimento); entretanto na região do arquipélago havaiano o evento ocorrerá a na faixa diurna conforme apresentado na tabela 2.

Já na região equatorial da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru), somente a fase de desparecimento poderá ser acompanhada; entretanto  ambas as fases poderão ser observadas de algumas regiões da Colômbia e Equador, sendo que observadores na cidade de Mérida (nos Andes venezuelanos) poderão acompanhar também essas duas fases distintas conforme apresentado na tabela 3.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões, ilhas e reservas naturais localizadas na região equatorial e ao norte do oceano Pacífico.

Sigma Leonis
A designação de Bayer para sigma Leonis e ainda 77 Leo para o número de Flamsteed (figura. 3) indica tratar-se de uma estrela comum de Velocidade Radial: -5.3 [km/s]. São também designações para essa estrela: HR 4386, BD +06 2437, HD 98664, SAO 118804, FK5 427, HIP 55434 e ZC 1644.



Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.


A ocultação de Netuno pela Lua em 16 de junho 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 16 de junho próximo a Lua -60% iluminada e numa elongação solar de 102°, ocultará o planeta Netuno, nesta oportunidade com uma magnitude visual de 7.9. Trata-se de mais uma rara oportunidade da realização do registro da ocultação (figura. 1) do mais exterior dos planetas existentes no sistema solar; sendo este evento diurno, ainda assim e passível de ser registrado visualmente por observadores munidos de pequenos instrumentos óticos com aberturas de 150mm ou maiores como: lunetas e telescópios.

Conforme podemos vislumbrar numa rápida análise da figura 1 (projeção Mercator), as cores das linhas ciano apresenta as curvas do evento no desaparecimento e reaparecimento com a lua no nascer ou no ocaso, dependendo da posição geográfica; linha continua branca, apresenta o limite norte da ocultação com o evento ocorrendo em período noturno; linha continua azul; apresenta o limite norte e sul da ocultação com o evento ocorrendo durante a fase crepuscular; já a linha pontilhada vermelha além de indicar o limite norte deste evento, informa que esse fenômeno ocorre a luz do dia.

Somente a fase do reaparecimento do disco do planeta poderá ser observada de uma pequena região da Nova Zelândia conforme apresentado na tabela 1 acima, onde apresentamos as circunstâncias gerais da visibilidade (reaparecimento) deste evento. 

Numa breve análise da tabela 2 acima apresentada, veremos que na numa grande região do continente sul americano o evento e observado a luz diurna; assim Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai o fenômeno poderá ser registrado em ambas as fases (Desaparecimento e Reaparecimento), assim também ocorrendo em partes do território brasileiro. 

Netuno 

Netuno é o planeta mais externo no sistema solar e um digno representante dos gigantes gasosos; seu diâmetro equatorial possui 49.500 quilômetros; a história da descoberta deste planeta remonta as pequenas irregularidades no movimento observado de Urano e Netuno, estes descobertos em 13 de março de 1781 por William Herschel e em 23 de setembro de 1846 por Johann Gottfried Galle e também e Louis d'Arrest no Observatório de Berlim, após as análises matemáticas feitas por Urbain Jean Joseph Le Verrier (CAMPOS, 2015).

Esta será a sétima oportunidade de se observar uma ocultação deste planeta neste ano, sendo que das 13 ocultações previstas quatro são passíveis de se acompanhar da América do Sul sendo a mais favorável neste período, a ocorrência de 06 de setembro próximo visível na região sul do continente americano (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) no período noturno com Netuno apresentando uma magnitude visual de 7.8 naquela oportunidade.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

_______, Olá Plutão e Caronte. Prazer em conhecer-lhes! Sky and Observers, 14 Julho 2015. Disponível em: <https://goo.gl/T6ELiK> Acesso em: 17 Jan. 2017.

HAMILTON, Calvin J. Netuno. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/solar/neptune.htm> Acesso em: 17 Jan. 2017.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 12 May. 2017.

- ROBINSON, Rob. IOTA (Webmasters Homepage) <http://www.lunar-occultations.com/iota/iotandx.htm> - Acess in 16 Jan. 2017.

A ocultação de Regulus pela Lua em 27 de junho 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 27 de junho próximo, a Lua +20% iluminada e numa elongação solar de 23° ocultará a brilhante estrela Regulus (alpha Leonis) de magnitude 1.41 e tipo espectral B8IVn (Figura 1). Proporcionando a rara oportunidade da realização um registro de estrelas brilhantes aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Assim sendo, os observadores localizados na região norte do continente sul americano (Brasil e Chile) poderão acompanhar as fases de desaparecimento dessa estrela conforme e apresentado na tabela 1. Já ambas as fases (Desaparecimento e Reaparecimento) poderão somente ser acompanhada do Equador e Peru.

Já observadores localizado na região norte do oceano pacífico (Havaí) também poderão acompanhar as fases de desaparecimento e reaparecimento, mas o fenômeno ocorrerá à luz diurna, conforme e apresentado na tabela 2, para as principais localidades no arquipélago do Havaí.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões localizadas no oceano pacífico.

Regulus (Alpha Leonis)

A designação de Bayer (alpha Leonis) para Regulus e uma breve consulta no Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica (Ed. Nova Fronteira) do astrônomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão  (1935-2014) nos indica diversas denominações para essa estrela como: Kabeleced, Rex, Cor Leonis, Al Kalb al Asad, Kalb e Kelb. Fato é que trata-se de uma estrela de coloração branco-azulada de primeira magnitude, sendo portanto a 21ª estrela mais brilhante do firmamento. Sua distância a Terra e estimada em 79.4 anos-luz tratando-se de um sistema múltiplo de estrelas, conforme podemos apreciar pela figura 3.


O Atual ciclo de ocultações dessa brilhante estrela iniciou-se em dezembro ultimo (veja: https://goo.gl/VjDTl4), devendo finalizar-se com a ocultação de 24 de abril do próximo ano. Uma nova repetição do ciclo de ocultações desta brilhante estrela correrá entre 2025 e 2027.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

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“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.

Alô, tem alguém ai?

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Há 50 anos, vibrações estelares captadas por um radiotelescópio seriam obras de ETs. Muitos acreditaram ser um código para estabelecer contato com os terráqueos.

Em julho de 1967, a irlandesa Susan Jocelyn Bell Burnell (1943 - ) detectava acidentalmente com o radiotelescópio da Universidade de Cambridge, Inglaterra, um sinal muito regular – pulsos de radiação que se sucediam a uma freqüência de um por segundo . Em parceria com seu orientador, o radioastrônomo inglês Antony Hewish (1924 - ) pensaram num primeiro instante tratar-se de um sinal emitido por uma forma de vida extraterrestre. 

Essa hipótese incendiou a mente de multidões: finalmente havíamos recebido sinais dos nossos irmãos do espaço! Os sinais foram atribuídos a “pequenos homens verdes” conhecidos pela sigla LGM (Little Green Men)  Uma outra hipótese entretanto, para explicar a regularidade precisa das emissões, era de que os sinais provinham de perturbações terrestres como o facho periódico de um farol que gira. Mas a regularidade dos pulsos demonstrou que se tratava de algo novo.

Não tardou muito para que Bell descobrisse que certos sinais pulsados de radio, chegavam com enorme precisão a cada 1,33728 segundos vindos da constelação de Vulpecula (Raposa). Outros sinais foram identificados por Hewish no centro da nebulosa do Caranguejo da constelação zodiacal do Touro. Identificado o objeto no coração da nebulosa, viu-se tratar de um novo tipo de estrela que recebeu o nome de pulsar, oriundo da contração de expressão inglesa “Pulsating Radio Sources” que equivale a ‘fonte de radio pulsante’. 

Coube a Thomas Gold (1920-2004) verificar que os pulsares eram estrelas de nêutrons em rotação. Identificados, eles emitem em todos os domínios dos comprimentos de onda das faixas de radio. A partir da descoberta, observações em outras faixas do espectro eletromagnético demonstrou que os pulsares podem ser observados não só em raios gama e raios X bem como em luz visível. Utilizando técnicas fotográficas ultrarrápidas, foi possível flagrar as pulsações do pulsar da nebulosa do Caranguejo. Desvendado o ‘mistério’ tornamos a ficar isolados no universo.   

O que são?

A existência de estrelas formadas basicamente de nêutrons, foi proposta em 1932 pelo físico russo Lev Davidovich Landau (1908-1968) pouco depois de se descobrir que essa partícula (juntamente com prótons e elétrons) formava o átomo. Esse modelo concebido pelo astrofísico Walter W. H. Baade (1893-1960) e pelo astrônomo suíço Fritz Zwicky (1898-1974), foi confirmado com a observação da supernova de Shelton SN 1987, em 1987, na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa galáxia. Sua massa inicial estava compreendida entre 8 e 20 massas solares. 

Estrelas de nêutrons é, pois, a explosão final de uma estrela solitária de grande massa. Quando no momento da explosão, ela brilha com luminosidade de uma galáxia inteira! São objetos extremamente compactos e sua compacidade pode ser entendida pela densidade que é definida pela massa de um dado volume. A água por exemplo, tem densidade de um grama por centímetro cúbico. A densidade do ouro é 19 vezes maior. Qual seria a densidade em uma estrela de nêutrons? 

Praticamente inimaginável. Elas tem densidade de 100 milhões de toneladas por centímetro cúbico (densidade do núcleo atômico)! No espaço de uma colherzinha de chá por exemplo, seria algo de milhões de toneladas! Com exceção dos buracos negros, é a maior compacidade conhecida. Isso pode ser entendido para uma estrela centenas ou milhares de vezes maiores que o Sol e que, após a explosão, converte-se a uma esfera de 20 km de diâmetro. 

E como explicar a vertiginosa rotação da estrela? É o que em física é conhecido como conservação de momento angular. Vejamos: uma estrela comum tem velocidade de rotação de algumas dezenas de quilômetros por segundo. A rotação das estrelas de nêutrons é algo inimaginável – a cada pulso observado ela completa uma volta e essa volta se dá a centenas de pulsos por segundo! A rotação mais rápida observada  emite 716 pulsos por segundo o que significa que ele gira mais de 700 vezes por segundo em torno do seu próprio eixo! Mais tarde os astrônomos constataram que a maioria das estrelas de nêutrons não são pulsares pois sua emissão de radio já terminou há muito tempo, pois sua vida média é de só 10 milhões de anos a não ser que seja uma binária (duas estrelas submetidas aos mesmos laços de gravitação). A estrela de nêutron, um pulsar, é pois a resultante de uma estrela massiva que ao explodir se transforma em uma bela e grandiosa nebulosa, contendo gases, poeira e outros elementos que irão contribuir para a formação de novas estrelas e com isto sistemas planetários similares ao nosso. Nascimento, vida, morte e renascimento. Eis a tônica que prevalece no Cosmo. 

(*) Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.