terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Eclipse Total do Sol em 21 de agosto 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 21 de agosto ocorrerá o quarto (e último eclipse de 2017), sendo que nesta oportunidade o eclipse será total e visível de forma total em grande parte da América do Norte (cortando costa a costa os Estados Unidos), A faixa de totalidade terá início ao norte do oceano pacífico, finalizando-se também na porção setentrional do oceano Atlântico de acordo com a figura 1. 

Nas demais regiões (ao norte e ao sul) das Américas, isso também incluí as regiões Oeste da África e da Europa, bem como também o nordeste da Ásia, o eclipse será observado de forma parcial conforme é apresentado inclusive nas tabelas enumeradas de 1 a 6. 

Regiões de visibilidade parcial

No continente africano o eclipse poderá ser observado das seguintes localidades: Cabo Verde, Marrocos e Senegal, onde o eclipse poderá ser observado em seu término (para algumas nações isso se dará junto à linha oceânica do Atlântico), junto ao horizonte oeste conforme apresentado na tabela 1.

De igual forma isso também ocorrerá no continente europeu quando então algumas localidades situadas naquela região; isso inclui partes da Alemanha, Andorra, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Ilhas Faroé, Islândia, Noruega, Países Baixos (Holanda), Portugal e Reino Unido (Escócia, Irlanda e Ilha de Man) de acordo com a tabela 2 abaixo.

Regiões ao Sul da América do norte onde a tabela 3 abaixo, inclui a América central nas seguintes localidades: Aruba, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Ilhas Cayman, Rep. Dominicana, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis e a região de Trinidad e Tobago. Este evento terá uma melhor visibilidade em Marigot na região do Caribe.

Na América do Sul onde a tabela 4 abaixo inclui localidades no Brasil, Colômbia, Equador, Suriname e Venezuela a cidade de Paramaribo no Suriname localidade de Macapá no Brasil poderá ter a maior cobertura de disco solar eclipsado nesta região.

Conforme acima ainda mencionado, a linha central da totalidade deste eclipse terá início na porção norte do oceano pacífico, entretanto a localidade de Anadyr no extremo nordeste da Rússia poderá observar a fase inicial deste eclipse junto a linha do horizonte do Oceano Glacial Ártico conforme apresentado na tabela 5 abaixo.


As regiões adjacentes, o cone de sombra e a duração do Eclipse

Conforme poderemos vislumbrar pela figura 2 as regiões norte e sul do cone de sombra observarão este evento de forma parcial; assim a tabela 6 abaixo apresentará as circunstâncias gerais de visibilidade para Bermudas (Hamilton), Canadá e México. 

A sombra inicia-se em algum ponto do norte do oceano pacífico sobre as coordenadas de latitude: 39.852°N e longitude: -170.999W e fina. O instante máximo do eclipse o território norteamericano próximo às localidades de Columbia - MO, Carbondale - IL e Nashville - TN, quando então a duração da totalidade está estimada em 2.40s. O eclipse se encerra sobre o oceano Atlântico em algum ponto sobre as coordenadas de latitude: 11.139°N e longitude: -28.010W cerca de 640 km a sudoeste de Praia em Cabo Verde conforme figura 2.

Já para localidades do território norteamericano a visibilidade de essas circunstâncias estão apresentadas na tabela 7. 

Sobre a linha central da totalidade, o eclipse abrange os seguintes estados: Oregon, Idaho, Montana (pequena porção ao sul do Condado de Beaverhead), Wyoming, Nebraska, Kansas, Iowa (pequena porção a sudoeste do condado de Fremont), Missouri, Illinois, Kentucky, Tennessee, Carolina do Norte, Geórgia e Carolina do Sul (CAMPOS, 2016). 

Assim sendo a tabela 8 apresenta as circunstâncias de totalidade para algumas localidades destas regiões.

Certamente esses observadores novamente darão razão ao astrônomo norte-americano, o conhecido “caçador de eclipses” Jay Myron Pasachoff quando compara a diferença entre observar um eclipse solar parcial e um total; à sensação é de assistirmos uma ópera ou ficar do lado de fora do teatro; não devemos pensar que Pasachoff está exagerando, entretanto o registro científico de qualquer evento astronômico, quando compartilhado é extremamente gratificante, visto que além de observador, passamos também a condição de participantes do fenômeno.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- ____________. Sky and Observers, O Eclipse Anular do Sol em 01 de setembro 2016: Disponível em: < http://goo.gl/uBFYSg> Acesso em:  08 Jan. 2017.

- ESPENAK, Fred. NASA's GSFC" - Eclipse Web Site - Available in <http://eclipse.gsfc.nasa.gov/SEdecade/SEdecade2011.html> - acess on: 10 July 2017.

A ocultação de Aldebaran pela Lua em 16 de agosto 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 16 de agosto próximo, a Lua -36% iluminada e uma elongação solar de 74°, novamente ocultará a estrela Aldebaran (Alpha Tauri) de magnitude 0.9 (Figura 1), classe e tipo espectral K5+III. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Desta forma, observadores localizados no Continente africano (Argélia, Cabo Verde, Egito, Líbia, Marrocos e Tunísia); na América Central (Aruba, Barbados, Rep. Dominicana, Jamaica, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis e Trinidad e Tobago); na Ásia (Afeganistão, Arábia Saudita, Catar, Chipre, Emirados Árabes Unidos, Índia, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Paquistão, Rússia, Turquemenistão e Uzbequistão); na Europa (Albânia, Alemanha, Andorra, Armênia, Áustria, Azerbaijão, Bélgica, Belarus, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Rep. Checa, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, França, Geórgia, Grécia, Hungria, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Ilha de Man, Rep. Moldávia, Noruega, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido (Escócia, Irlanda e Ilha de Man), Romênia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia, e Ucrânia); na América do Norte (Bermudas e Estados Unidos) e região norte da América do Sul (Brasil, Colômbia, Suriname e Venezuela) poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas abaixo enumeradas de 1 a 6 respectivamente. 


E importante mencionar que esta ocultação será visível de forma diurna em diversos continentes acima mencionados e que as tabelas contendo nações localizadas na Europa foram subdivididas com a finalidade de inserção das diversas localidades, onde existem diversos observadores com potencial interesse neste registro.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as regiões localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico. 

Albebaran 

Alpha Tauri (tipo espectral K5+III) a conhecida estrela Albebaran (figura. 3), cujo nome tradicional de origem árabe significa aquela que segue as Plêiades e uma estrela com diâmetro 36 vezes superior ao do Sol e temperatura superficial de cerca de 3.000ºK. Está situada à distância de 64 anos-luz (MOURÃO, 1987). O Atual ciclo das ocultações lunares de Aldebaran começaram a ocorrer em 29 de janeiro de 2015, perdurando até a ocultação de 03 de setembro de 2018. Um novo ciclo somente terá reinício em 2033 até o ano de 2037.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

WALKER, John. Your Sky - Fourmilab Switzerland, 2003. Disponível em <http://www.fourmilab.ch/yoursky/catalogues/starname.html> - Acesso em 05 ago. 2014.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

O asteroide (89) Julia em 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 07 de setembro próximo, o asteroide Julia estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.994), quando então sua magnitude chegará a 9.0, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, auxiliando na identificação de algumas estrelas de referência e objetivando sua localização nos próximos dias. 

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 89 Julia foi descoberto em 06 de agosto de 1866 pelo astrônomo pelo astrônomo francês Édouard Jean-Marie Stephan (1837 – 1923) no Observatório de Marselha. O nome é uma homenagem a uma jovem das relações do descobridor. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

OAM (IAG-USP) - http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html - Acesso em 18 Ago. 2015.

IAU (MPC). http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html - Acesso em 04 Mai. 2014.

O gelo que veio do espaço!

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Enormes pedras de gelo caem em Campinas e Itapira,SP, provocando estragos e sustos. Pelas suas proporções, evento ainda é um mistério.

É como se poderia chamar um fato insólito, único talvez no mundo, acontecido em Campinas e Itapira, SP, na manhã de 11 de julho de 1997. Um bloco de gelo pesando entre 200 a 300 kg caiu do espaço em um prédio da Montadora Mercedes Benz no Distrito Industrial, próximo a Rodovia Santos Dumont, causando um rombo de 1,5 X 2,0 metros em telha de amianto com 1 cm de espessura, estilhaçando e amassando uma porta de aço. Isso ocorreu com o céu completamente claro, típico de inverno, sem nuvens. As hipóteses de formação de bloco de gelo pela atmosfera em estrutura de aeronave voando acima de 6.000 metros de altitude foram descartadas por se tratar de uma formação com peso totalmente fora dos padrões conhecidos. Alguns pedaços recolhidos foram conservados em um freezer e enviados a UNICAMP. 

EM  ITAPIRA

Em 18 de julho, uma semana mais tarde, outro bloco de gelo estimado em 50/60 kg caiu no Sítio São Luiz, a 2 km ao sul da cidade de Itapira,SP, chegando a abrir um buraco de 25 centímetros de profundidade. A exemplo de Campinas, o céu estava completamente claro. As coordenadas dos dois locais e o ângulo de choque aproximadamente 30 graus no sentido leste-oeste verdadeiro, mostram uma origem comum. Segundo testemunhas, o bloco de gelo caiu numa velocidade extremamente alta causando ruído semelhante ao de um avião a jato. Felizmente 0,8 kg foram guardados em um saco plástico e conservados em um freezer para estudos na Casa de Agricultura de Itapira e posteriormente enviados a UNICAMP.

Pesquisadores nas áreas de meteorologia e astronomia foram unânimes em dizer que desconheciam até aquele momento esse tipo de fenômeno. As análises químicas feitas na UNICAMP – CEPAGRI – CENTRAL ANALÍTICA – INSTITUTO DE QUÍMICA, no CENA – USP de Piracicaba e posteriormente no prestigioso Sandia National Laboratory - USA, não acusaram nenhum traço de insetos e resíduos de vegetação que indicassem contaminação  terrestre. Convidado na ocasião como especialista na área de cometas, tendo já publicado um livro sobre o assunto, desde o inicio, examinando o material, optei serem os mesmos pedaços de um cometa, um ‘hidrometeorito cometário’, uma vez que o percentual de gelo nesses astros é muito grande e que vez por outra ocorre o esfacelamento do núcleo no espaço provocado pela fraca coesão dos seus componentes submetidos a temperaturas elevadas ao se aproximar do Sol e efeitos gravitacionais. Minha opinião partilhada por alguns colegas desta área, encontrou respaldo logo a seguir com a hipótese do físico Louis A. Frank da Universidade de Iowa - USA, segundo o qual, milhares de pedaços de gelo bombardeiam a Terra, quebrando-se em pedaços na alta atmosfera onde o gelo desintegra-se e se mistura as nuvens e cai em forma de chuva. 

A hipótese do físico americano não levada a serio pelos cientistas, viu-se comprovada posteriormente por câmaras sensíveis no ultravioleta a bordo de artefato espacial polar da NASA. Para Frank, esse bombardeio durante bilhões de anos pode ter formado os oceanos e até trazido carbono suficiente para dar inicio a vida na Terra. No caso de Campinas e Itapira, pedaços tão grandes de gelo que entraram  na alta atmosfera, submetidos a um desgaste muito grande, deveriam pesar no espaço várias toneladas! Nesse particular, o evento foge aos padrões conhecidos e ainda é motivo para melhores estudos e pesquisas. 

(*) Nelson Alberto Soares Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum - SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.